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Quarta-feira, Dezembro 19, 2007
Tim Festival
Mais do que nunca, o Tim Festival levantou polêmicas. Nas duas principais edições - Rio e São Paulo -, as trapalhadas se acumularam. São Paulo reunia as principais atrações do pop/rock no mesmo dia e local, então optei por lá. Afinal, pulverizando as bandas em diferentes palcos e horários, o evento no Rio ficou com preço bem salgado.
Ano passado, a principal reclamação era com relação ao som do Arena Skol, onde o Tim de Sampa aconteceu. Este ano, na maior parte do tempo, o som estava alto e bem razoável, não havia espaço para muitas reclamações. Mas a estrutura... Faltou comida, bebida - até mesmo a prosaica água. O acesso ao banheiro era precário e a desorganização era latente. O atraso acumulado, que fez com que, em pleno domingo, todos tivessem que ficar em pé até 4h30 da manhã, foi o mais insuportável dos erros.
Mas, como lá estava para ver os shows, vamos ao que interessa. Tocando muito cedo num dia de intensa maratona, o Spank Rock tocou para uns gatos pingados - categoria na qual eu não me inclui. Em seguida, veio o Hot Chip, uma das gratas surpresas da noite. Ao vivo, a música dos ingleses cresce muito e a mistura rock-eletrônica agrada em cheio. Hits como "Over and Over" e "And I Was a Boy From School" foram destaques.
Com o público já quente, veio uma das atrações mais aguardadas, Björk. Até mesmo quem não gosta da música difícil da islandesa não escondia a curiosidade pelo show. Com aparato técnico e cênico invejável, ela promoveu um verdadeiro espetáculo. Mas mesmo assim não agradou a todos, pois a sonoridade de digestão complicada não ajuda. Rolaram momentos empolgantes, pesados mesmo, e outros monótonos demais. A impressão que ficou é que o show funcionaria bem melhor num local menor e fechado. Naquele mundão da Arena Skol, era mais difícil viajar na música de Björk.
Outra mulher subiu ao palco em seguida: Juliette Lewis, com os parceiros do The Licks. Com sonoridade e postura clichê, a atriz/cantora ganhou o público aos poucos, até conquistar a todos. Os dois ótimos discos de estúdio da banda renderam muito bem ao vivo e a garota de "Cabo do Medo" mostrou que sabe muito de rock. Dava para perceber o prazer transbordante dela quando está em cima do palco. Ótimo show, um "esquente" perfeito para o que viria a seguir.
Até poque o que veio na seqüência foi o Arctic Monkeys, que fez o melhor show da noite. Sem aparato técnico diferenciado, os caras soltaram um rock´n´roll no talo, quase sem intervalos. Garotos, mostraram que energia é essencial para uma banda que se preze. O público respondeu muito bem e cantou as (por vezes) complicadas letras do grupo britânico. Foi alto, poderoso e superou as expectativas desse que vos fala.
Fechando a noite - para um público beeem cansado, mas ainda ansioso - os americanos do The Killers fizeram outro bom show. Frente a um cenário brega ao extremo e com pose de megastar, Brendon Flowers tem uma senhora voz e levou o show com competência. O grupo de Las Vegas fez um concerto típico de banda de estádio, o que pode ser um indício de como eles vão ficar ainda maiores no futuro. Destaque para neoclássicos do primeiro álbum, como "Mr. Brightside" e "Somebody Told Me", e do segundo, como "When We Were Young" e "Sam´s Town".
The Police
Fechando o ano de bons shows e anunciando um 2008 que promete ser ainda melhor, o The Police tocou para um Maracanã lotado na noite do dia 8 de dezembro. Show no Maracã já é um evento por si só, mesmo que seja a Ivete Sangalo... Imagine então uma banda que estava parada há anos, mas não perdeu a energia, despejando dezenas de clássicos em 1h45 de muita música. The Police no Maraca foi isso, mesmo que uma parte mau-humorada da imprensa diga ao contrário. O show não foi burocrático, como alguns declararam. Teve, sim, um certo miolo anti-clímax, com faixas menos conhecidas, mas o início e - principalmente - os 40 minutos finais, foram memoráveis.
Sting ainda tem uma das melhores e mais interessantes vozes do rock mundial e seus companheiros Andy Summers e Stewart Copeland continuam mandando muito bem nos seus instrumentos (guitarra e bateria, respectivamente). Foi um verdadeiro espetáculo, imperdível e memorável. Entre os melhores momentos, "Roxanne" (possivelmente, a melhor execução do show), "Every Breath You Take", "So Lonely", "Message in a Bottle e "Every Little She Does Is Magic". Sting esbanjou simpatia e soltou algumas frases em português, mostrando nítido empenho. Mais cedo, Os Paralamas do Sucesso, influenciados confessos, fizeram um show emocionado. Tudo bem que o público esperava mesmo era Sting e Cia., mas os brasileiros seguram bem a bola. Contaram, de qualquer modo, com ajuda luxuosa de Andreas Kisser (Sepultura). Como nota dissonante, a desorganização irritante dos bares. Cerveja quente é dose!!! Ainda mais quando é necessário empurrar meio mundo para pegar uma... Difícil...
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por LEONARDO MAIA - 7:19 PM
Sexta-feira, Outubro 19, 2007
* Disco da semana - In Rainbows (Radiohead)
Novo disco do Radiohead é sempre um acontecimento. Isso desde que a trupe inglesa liderada pelo esquisito Thom Yorke tomou o mundo de assalto com dois excelentes discos: The bends (1995) e OK computer (1997). A partir daí, a banda passou a dividir opiniões com discos de dificílima digestão e, a cada lançamento, a expectativa é de que o grupo volte aos velhos tempos. Esperta como poucas e com noção de que, como sempre, é notícia, a banda resolveu inovar mais uma vez, com o lançamento do bom In rainbows, o sétimo disco de estúdio. O álbum está disponível para venda apenas na internet, via download, ou numa caixa de alto luxo, recheada de extras, a ser entregue em todo o mundo a partir de dezembro. Qual a inovação? Bem, você paga quanto quiser pelo disco, no site oficial www.inrainbows.com.
Isso mesmo, seguindo a máxima do “se não pode com eles, junte-se a eles”, a banda britânica passou para os fãs a responsabilidade de dizer quanto vale a música deles. Já que não tem como brigar com a pirataria e com a enxurrada de possibilidades de download free, em programas de compartilhamento, o grupo resolveu jogar a merda no ventilador e disponibilizar logo de cara o material completo no site. Se o consumidor quiser pagar apenas uma libra (algo como R$5, com as taxas), por exemplo, leva o disco completo. Se, fã ardoroso, quiser despejar mais de 50 libras, tudo bem, eles aceitam. Agora pasmem: se for cara-de-pau suficiente, pode oferecer zero libras que também recebe a senha de liberação no e-mail.
A tática ousada já está dando certo, vide as mais de 1,2 milhão de cópias vendidas pelo site, com uma arrecadação estipulada de mais de um milhão de libras. É claro que muitas pessoas continuam baixando pelos programas de compartilhamento. Essa é uma questão aparentemente irreversível, mesmo que a justiça tente assustar o internauta prendendo um ou outro que utiliza o artifício. Para os que gostam de ter o disco em mãos, com a caixinha e o encarte, o Radiohead já anunciou que está negociando com uma gravadora, possivelmente a EMI, para lançar In rainbows nas lojas, ano que vem.
Os apressadinhos de plantão têm ainda uma outra tentadora possibilidade. No mesmo site onde é possível fazer o download, o internauta pode encomendar um box de luxo, que contém o CD original, um CD extra com fotos, material gráfico e músicas inéditas exclusivas (como Down is the new up, Last flowers e Bangers and mash), versões em vinil para os dois álbuns e um livreto com as letras e trabalho de arte. O preço é um tanto quanto salgado (40 libras, algo em torno de R$160), mas a quantidade de produtos justifica o investimento. A encomenda será distribuída via correio a partir de 3 de dezembro e o grupo garante que entrega em qualquer lugar do mundo. Para não deixar o comprador curioso, é liberada também uma senha para fazer o download do álbum oficial, gratuitamente.
Pois é, numa época em que as gravadoras quebram a cabeça para não perder consumidores, um dos grupos mais importantes e influentes do mundo encontra uma possível saída para a questão do compartilhamento gratuito de música. Com jeitão de banda indie, mas com um dos shows mais disputados e admirados do mundo (vide os insistentes e não correspondidos convites da produção do TIM Festival), o Radiohead dá aula de renovação e mantém firme o interesse pela banda, 16 anos após a sua criação.
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A melodia volta a falar alto
Não deixa de ser frustrante constatar que a banda que lançou um dos álbuns mais espetaculares dos últimos dez anos, OK computer, mudou. O Radiohead partiu num crescendo vigoroso, estreando com Pablo honey (1993), um disco enérgico, mas que trazia um grupo ainda verde; seguiu com The bends, que já apontava a angústia característica da banda, pontuada com guitarras; e culminou com o épico OK computer, disco recheado de camadas sonoras, melancólico e abrasador ao mesmo tempo. Daí veio uma dupla de CDs que evidenciou o lado mais hermético dos ingleses, com esquisitices eletrônicas e digestão demorada: Kid A (2000) e Amnesiac (2001). Com o mediano Hail to the thief (2003), disco mais recente, o grupo indicou uma certa transição.
A boa notícia é que In rainbows prossegue nessa transição e traz o Radiohead equilibrando de modo mais responsável o lado anticomercial com a sonoridade empolgante de outrora. Não é o Radiohead de Ok computer, que, aliás, nunca mais vai voltar, mas é uma banda que convence novamente o ouvinte a colocar as músicas para tocar repetidas vezes. Continua estranho em variados momentos, climático a todo o tempo, mas deixa a melodia voltar a falar alto.
Curiosamente, uma das melhores faixas de In rainbows é justamente uma das mais excêntricas, Reckoner. A voz de Thom Yorke aparece arrastada, como num longo lamento, com uma belíssima linha de guitarra ao fundo. As guitarras, aliás, voltam com certa força no novo disco, como na canção Bodysnatchers. No exemplar de abertura, 15 steps, há também guitarras e um robusto baixo, mas o lado eletrônico é o que mais se sobressai. Todas as três faixas trazem generosa dose de sujeira, no melhor sentido da palavra.
Em boa parte do disco, o Radiohead melancólico é que manda, caso de Nude e All I need, essa última quase épica. Já em Faust arp, violino e violão dão o tom acústico à canção. O encerramento fica com Videotape, com um piano triste, e Thom Yorke cantando como nos melhores momentos. É mais uma da série “Radiohead para chorar e tentar não cortar os pulsos”. No fim das contas, o sétimo rebento dos ingleses não decepciona, não chega a surpreender, mas, acima de tudo, se livra de um adjetivo que estava impregnando os recentes trabalhos: não é um disco chato.
** Texto do autor do Discoteca Narcisista originalmente publicado no jornal Correio da Bahia, dia 15 de outubro, com o título "Lance livre para a Radiohead".
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por LEONARDO MAIA - 1:14 AM
Quinta-feira, Outubro 04, 2007
* Dica da Semana: Seu Jorge no TCA
Os fãs baianos de Seu Jorge não agüentavam mais esperar. O cantor e ator carioca, hoje com projeção internacional, nunca fez um show solo em Salvador. Veio dar canjas no Carnaval do ano passado e acompanhou a trupe do espetáculo Folias Guanabaras em uma minitemporada no Teatro Vila Velha, em 2001. Trazendo na mala o recém-lançado América Brasil, o antigo morador da comunidade Gogó da Ema, na Baixada Fluminense, estréia em grande estilo no melhor palco da cidade: o Teatro Castro Alves. Hoje e amanhã, às 21h, a promessa é de muito samba, samba-rock e funk. Os ingressos, independentemente da fila, saem a R$80 (inteira). É bom correr para garantir o melhor lugar.
Levando em consideração as recentes declarações de Seu Jorge, dá para esperar um show bem festivo nas próximas duas noites. Isso porque, contrastando com o espaço mais sisudo do teatro, o artista vem repetindo que seu novo disco é ideal para tocar em churrascos. Recheado de sambas, o álbum é para cima, um símbolo do bom momento do artista carioca. No palco, junto com uma banda que inclui 17 músicos (incluindo um coro composto por oito pessoas), Seu Jorge solta a voz grave a serviço de canções dançantes.
Para levar tanta gente em turnê pelo Brasil, o cantor optou por um transporte que carrega um certo romantismo rock’n’roll: o ônibus, que em décadas passadas servia de abrigo para as maiores estrelas da música mundial, em intermináveis odisséias pelas estradas. Vindo de Belo Horizonte, o buzu de Seu Jorge é símbolo também desse primeiro estágio independente do novo álbum. O disco ainda não possui músicas de trabalho nas rádios e está sendo vendido a R$10, nos locais dos shows. Só depois deve receber distribuição da EMI, com a promessa da manutenção dos preços acessíveis. Contra a pirataria, mas a favor do compartilhamento gratuito de música, Seu Jorge se mostra moderno também no seu site (www.seujorge.com), onde posta vídeos feitos pelos fãs durante seus shows, em celulares e câmeras.
Mas, esperto que é, Seu Jorge sabe que grana no bolso também é necessária. A despeito de algumas críticas (previsíveis, diga-se de passagem), ele está em turnê com o patrocínio da cachaça Sagatiba, que inclusive ganhou música sob encomenda no disco América Brasil, chamada Eterna busca. Na letra, Seu Jorge repete o nome da bebida algumas vezes, sem se preocupar em ser sutil.
Essa é uma música certa no repertório do show, além de todas as outras dez faixas autorais do novo disco, como América do Norte, Trabalhador, Mina do condomínio, Burguesinha e a moderninha Só no Chat, que fala de namoro pela internet. Vão rolar também alguns momentos mais românticos, com Seu Jorge ao violão, e sucessos como Tive razão, São Gonça e a mais pedida Carolina. No total, a apresentação deve chegar a duas horas de duração.
Daqui, a turnê do artista de 37 anos segue para Recife, João Pessoa, Fortaleza, Manaus e Belém. Corre o país no momento em que sua popularidade está no melhor momento, depois do projeto de sucesso que montou com a cantora Ana Carolina. O encontro que colocou É isso aí (versão para The blower’s daugther, de Damien Rice) para tocar à exaustão nas rádios de todo o país alavancou a carreira de Seu Jorge no Brasil. A vida na favela e os anos que passou perambulando pelas ruas da cidade, depois de uma traumática chacina que tirou a vida de seu irmão e desestruturou sua família, já são coisas do passado.
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Lá fora, o cineasta americano Wes Anderson foi o responsável por espalhar que Seu Jorge era “o homem mais cool do mundo”. Exageros à parte, a frase do diretor que deu papel de destaque ao brasileiro no excêntrico A vida marinha com Steve Zissou (2004) representa bem o prestígio de Seu Jorge lá fora. Tudo começou com a marcante participação no poderoso Cidade de Deus (2002), no papel de Mané Galinha. Com o sucesso internacional da obra de Fernando Meirelles, ele foi convocado para o filme de Anderson e ainda foi responsável pela trilha sonora, com versões para clássicos de David Bowie. Mesmo de gosto duvidoso, as releituras caíram nas graças dos gringos e até do próprio Bowie.
Desde então, Seu Jorge já participou de outras produções estrangeiras, como Elipsis (2006), do venezuelano estreante Eduardo Arias-Nath, e de filmes ainda inéditos como Sleepwalkers (com Donald Sutherland, Tilda Swinton e Cat Power) e The escapist (em que contracena com Joseph Fiennes e Brian Cox). No Brasil, apareceu em Casa de areia (2005), longa de Andrucha Waddington, com Fernanda Montenegro e Fernanda Torres.
Os projetos musicais de Seu Jorge também recebem destaque no exterior. Seu segundo disco solo, Cru (sucessor de Samba esporte fino/2001), foi lançado em 2004 na França, antes mesmo de chegar ao Brasil. Aportou também nas lojas do Japão, país onde conquistou relativo reconhecimento nos tempos em que liderava a banda Farofa Carioca. A poderosa voz conquistou as platéias gringas e volta e meia Seu Jorge segue em shows pela Europa e Estados Unidos. Já abriu show para Cesária Évora em grandes palcos de Nova York, Boston e Washington e participou do megafestival Coachella, na Califórnia. No próximo dia 1° de novembro, segue para Portugal, onde toca em cinco cidades, incluindo Lisboa e Porto. Está programada também uma rápida parada em Berlim, na Alemanha. A tendência é que esse prestígio internacional cresça nos próximos anos, ainda mais depois que Seu Jorge confirmou a intenção de gravar seu próximo álbum em inglês.
** Texto do autor do Discoteca Narcisista originalmente publicado no jornal Correio da Bahia, dia 04 de outubro, com o título "No balanço de Seu Jorge".
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por LEONARDO MAIA - 12:10 PM
* Cobertura Madeleine Peyroux
Numa rotina de tantos ruídos, graves e agudos desnecessários, estresse e falta de educação, é uma dádiva se deliciar com a voz aveludada de Madeleine Peyroux, derramada delicadamente sobre um tecido sonoro de primeira linha. Para um lotado Teatro Castro Alves, incrivelmente respeitoso e prazerosamente silencioso, a cantora mezzo americana mezzo francesa despejou música de qualidade indubitável. Anteontem, numa rara noite em que Salvador assistiu a um show internacional de ponta, o que importava mesmo era deixar-se levar pela confortante voz de Madeleine e pelas delicadas melodias de sua impressionante banda. Se houvesse dificuldade de relaxar, a saída era simplesmente fechar os olhos.
Longe da pose de diva que parte da crítica internacional tentou emplacar nela, Madeleine Peyroux esbanjou simpatia, conversou com o público em diversos momentos e por vezes agiu mais como uma trovadora acompanhada de seu inseparável violão. Segura de si e da qualidade da sua voz – perfeitamente afinada –, Madeleine é uma musicista de verdade, exatamente como se autoclassificou ao Folha, em entrevista por telefone. Mesmo que nem sempre siga os preceitos do jazz, às vezes soando mais popular, ela carrega na alma o gênero sofisticado que mais sabe lidar com as improvisações.
Iluminação econômica, figurino despojado e gestos contidos só ajudaram a imprimir uma necessária elegância ao espetáculo. Desconstruindo suas canções autorais (I’m all right e A little bit), aquelas que ficaram famosas na sua voz (Blue alert, Summer wind e Don´t wait too long) e clássicos como Smile (de Charles Chaplin, Geoff Parsons e J. Turner), Madeleine brincou com a voz, alternando momentos de delicadeza jazzística com outros carregados pela força folk e blues.
Em cima do gigantesco palco do TCA, Madeleine concentrou sua banda – formada por Barak Mori (baixo acústico), James Beard (piano), Jochen Rueckert (bateria) e Steve Cardenas (guitarra) – num pequeno espaço central, dividindo as atenções com os seus parceiros de cena. Difícil não se encantar com os arroubos técnicos dos músicos, sempre na conta certa, com improvisações notáveis em canções como Dance me to the end of love (de Leonard Cohen) e I hear music. O piano de Beard e a guitarra de Cardenas arrancaram espontâneos aplausos do público, após solos empolgantes. Destaque também para a belíssima interpretação de La javanaise, de Serge Gainsbourg, em que Madeleine se fez acompanhar apenas pelo baixo acústico. Sensualidade a toda prova, com um francês encantador.
Entre as músicas, Madeleine conversou com o público descontraidamente, introduzindo canções, arriscando algumas palavras em português (sem forçar a barra) e elogiando Salvador. Antes da ótima Everybody is talking at me, a americana chegou a afirmar que os habitantes do Rio de Janeiro deveriam se mudar para a capital baiana, reforçando como gostou da estada de três dias por aqui. Ao iniciar a delicada I think it´s going to rain today, ressaltou sua surpresa com a quietude do teatro. Na volta para o bis, tocou Lonesome road e sua arrepiante versão para La vie en rose (parceria de Edith Piaf com Mack David e Marcel Louiguy), fechando com brilho a apresentação. Com outras quatro canções programadas para uma dose extra de bis, a cantora, que foi trazida pela Palco Produções, parecia querer um pouco mais. Não foi compreendida pelo público, que já se dirigia à porta do TCA.
** Texto do autor do Discoteca Narcisista originalmente publicado no jornal Correio da Bahia, dia 04 de outubro, com o título "Madeleine Peyroux arrepia um TCA lotado".
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por LEONARDO MAIA - 12:06 PM
Quarta-feira, Outubro 03, 2007
* Entrevista da Semana - Madeleine Peyroux
O riso solto, em perfeita comunhão com uma notável polidez, explica muito do fascínio que o público tem por Madeleine Peyroux. Em entrevista ao Folha, por telefone, no dia da apresentação em Porto Alegre, a americana descendente de franceses falou do Brasil, arriscou algumas palavras em português e deixou claro que se sente num dos melhores momentos da carreira. Desde anteontem em Salvador, Madeleine se apresenta hoje no Teatro Castro Alves (Campo Grande), às 21h. O show é ainda mais especial – numa cidade tão carente de apresentações internacionais – porque foi um desejo pessoal da cantora, que queria conhecer a Bahia. Entre risadas gostosas, repetiu por duas vezes “Eu quero ir no Ilê”, vontade cumprida anteontem, numa visita à sede do grupo, na Liberdade.
Sua voz elegante, muitas vezes comparada à da grande Billie Holiday, conduz com propriedade um repertório de qualidade, com canções que passeiam pelo jazz, pop e folk. O set list vai focar no disco mais recente, Half the perfect world (2006), de onde vem The summer wind, tema de Camila e Fred na recém-finalizada novela Paraíso tropical, versões para Smile (Charles Chaplin/Geoff Parsons/Turner J.) e River (Joni Mitchell), além de autorais como I´m all right e Once in a while. Vai rolar também um generoso punhado de representantes de Careless love (2004), como Dance me to the end of love e Don´t wait too long, uma ou duas canções da estréia de 1996, Dreamland (possivelmente La vie en rose, de Edith Piaf), e algumas inéditas.
Quando questionada sobre a possibilidade de resumir o seu concerto em apenas uma palavra, ela não hesita: “Eu”, sabendo que não há melhor cartão de visita para si mesma. Quem ainda não comprou ingresso pode correr para a bilheteria do TCA ou postos do SAC (shoppings Barra e Iguatemi), onde ainda restam algumas unidades. Sem dúvida, um programa de uma cantora americana com alma francesa que merece o carimbo de imperdível.
PERGUNTA – Os produtores que lhe trouxeram à Bahia afirmam que esse era um desejo seu. Por quê? O que a Bahia tem de especial para você?
MADELEINE PEYROUX – Vou falar como me ensinaram: “Eu quero ir no Ilê” (dito num esforçado português). Estou fascinada com a oportunidade de tocar na Bahia por causa da música e também porque é uma cidade que não faz parte do centro do Brasil. Espero conhecer muito sobre a cultura daí. Conheço artistas importantes como Caetano Veloso, mas quero ouvir o samba que fazem na Bahia, quero conhecer as misturas sonoras que existem aí. Não conheço quase nada e foi exatamente por isso que pedi para tocar aí (risos).
P – Em 2005, você fez sua primeira turnê pelo Brasil. Agora, está de volta com Half the perfect world, disco bem recebido por público e crítica. Você sente que sua música hoje é mais conhecida no Brasil?
MP – Acredito que sim. É uma grande surpresa para mim. Fiquei muito lisonjeada e excitada nessas últimas duas semanas. Foi ótimo também participar do programa de Jô Soares e tocar para um público tão especial. Estou mais estimulada do que estive nos últimos anos. Em 2005, eu passei por ótimos momentos e aprendi muito sobre a cultura brasileira. Percebi que música é algo muito importante aqui, senti isso logo que cheguei. Mas desta vez estou um pouco mais velha e este disco foi uma experiência madura, acredito que estou apresentando o meu melhor show. Estou tendo um ótimo retorno, é chocante, estou agradecida e, ao mesmo tempo, “endividada” (diz, em português) com o público.
P – Você sempre ressalta em entrevistas o prazer de cantar em público e geralmente retorna ao palco mais de uma vez. O que de fato você sente quando está lá, em cima do palco?
MP – Muitas vezes sinto o público de uma maneira muito especial, percebendo o que ele está pensando. Esses são os melhores momentos. Se, às vezes, eu não percebo o que a platéia está sentindo, vejo que é hora de trabalhar mais duro. Quando canto, meu desejo é de me conectar com as pessoas. É muito simples, acredito! (risos)
P – O público geralmente pede para você cantar La vie en rose, sucesso da francesa Edith Piaf. Isso a incomoda? Ou você gosta de interpretar essa canção?
MP – (Risos) Acredito que essa canção é perfeita, porque é a memória de um sentimento individual, fala do desejo de ser feliz. É do período da Segunda Guerra Mundial, então possui uma sensibilidade universal, todos reconhecem a melodia. É uma canção que faz com que você se sinta conectado com o resto do mundo. Eu me sinto ótima cantando e geralmente é isso que faço. Quando me pedem, claro! (risos)
P – Algumas pessoas se referem a você como uma diva do jazz, enquanto outras consideram a sua música um misto de jazz com pop e folk. Em qual dessas classificações você se sente mais confortável?
MP – Eu considero jazz um tipo de música que ainda está se descobrindo, em busca de um novo começo, mesmo carregando tanta história. É uma música que acontece na hora. Existe muita controvérsia com relação ao que é o jazz, realmente. É um gênero tocado pelos melhores músicos possíveis. Por causa disso tudo, é uma honra fazer parte dessa tradição, mesmo contribuindo com uma pequena parte. É claro que gosto de tocar músicas que são populares. Mas o jazz pode ser popular. Antes de tudo, sou uma musicista. Acho que hoje faço uma mistura, algumas vezes é mais pop, outras mais jazz.
P – Seguindo uma tendência do jazz, as improvisações são recorrentes nos seus shows?
MP – Nos discos, não improvisamos muito. Os shows são parecidos, mas gosto de explorar todas as possibilidades com meus músicos. O que é muito fascinante para mim é que, aqui no Brasil, nós temos uma resposta maravilhosa quando partimos para momentos instrumentais, com muitos solos. Isso é muito excitante para mim e bastante raro. Talvez o Brasil tenha o melhor público para consumir jazz.
P – Sua interpretação para canções de outros autores é muito pessoal, leva a sua marca registrada. Como funciona essa seleção?
MP – Acho que a seleção do repertório é a parte mais importante do meu trabalho. Sempre tenho muitas idéias, mas o mais difícil é achar canções que digam algo sobre mim. O cantor tem que ser como um ator que seleciona um papel que acha honesto e realista. Às vezes, você pensa que pode cantar determinada música, mas você não gosta realmente dela. É um processo interminável de busca pela roupa que melhor veste, como um suéter que você vai usar pelo resto da vida.
P– Nos seus discos, é perceptível o desenvolvimento gradual da Madeleine compositora. Você está realmente se sentindo mais confortável em escrever suas próprias músicas?
MP – Sim e não consigo explicar direito como isso está acontecendo, a não ser pela imensa vontade que tenho de escrever. Eu vou explorar isso ao máximo no próximo disco, estou muito ansiosa com o que vai acontecer. É algo novo e eu preciso estar no auge da minha capacidade criativa. Quando eu voltar do Brasil, esse será o meu dever de casa.
P – Em 2005, notícias davam conta do seu desaparecimento por semanas, preocupando os executivos de sua gravadora. De tempo em tempo, você sente necessidade de diminuir o ritmo e se isolar?
MP – É claro que eu preciso desses momento de isolamento, mas eu não quero nunca parar de cantar. Todo mundo precisa de um tempo para si mesmo, mas eu não me vejo sem fazer turnês. Talvez algum dia, mas não no momento, especialmente agora que eu estou no Brasil (risos). Estou me sentindo muito bem no momento. Gravar discos é muito importante e agora estou estimulada como nunca para explorar as possibilidades. Você pode criar boas músicas quando possui tempo para tanto. Em jazz, costumam falar que a pessoa vai para uma pequena casa atrás da sua casa, para compor. Você se isola num local e não sai de lá até que sua tarefa esteja completa. Mas, realmente, são as turnês que me dão o combustível para continuar.
** Texto do autor do Discoteca Narcisista originalmente publicado no jornal Correio da Bahia, dia 02 de outubro, com o título "Quero ouvir o samba da Bahia".
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por LEONARDO MAIA - 3:10 PM
Segunda-feira, Julho 02, 2007
* Dica da Semana - Lanny Gordin no Loucos por Música
Corriam os anos 60. Lanny Gordin tocava em mais uma noite da Stardust, a lendária boate de seu pai, no centro de São Paulo. Na platéia estava Tony Osanah, um dos componentes dos Beat Boys, grupo que na época acompanhava Gilberto Gil. Impressionado com a qualidade técnica do guitarrista novato, Tony propõe um encontro entre Lanny e Gil, na residência do cantor. Proposta aceita, o rapaz no mesmo dia toca a campainha do então emergente artista baiano. De bata indiana e cabelo black power, Gil recebe Lanny com seu jeito particular e diz logo, de supetão: “E aí, vamos fazer um som?”. Durante cerca de 15 minutos, Lanny executa virtuosos solos de guitarra, recheados de improviso. Ao final, Gil não tem dúvidas: “Olha, esse é o guitarrista que a gente estava buscando. A partir de hoje você faz parte da Tropicália”.
A história logo se encarregou de transformar esse encontro casual e as sábias palavras de Gil em mais um fascinante episódio da música brasileira. Sob a batuta do maestro tropicalista Rogério Duprat, Lanny Gordin – que toca quinta-feira, na Concha Acústica, no projeto Loucos por Música – passou a emprestar a sonoridade de sua guitarra para artistas do movimento tropicalista, como o próprio Gil, Gal Costa e Caetano Veloso, trabalhando também com outros expoentes, como Erasmo Carlos, Tim Maia, Trio Mocotó, Rita Lee e Jards Macalé.
“O Duprat me deixava à vontade para fazer o que eu quisesse. Ele sempre me falava: ‘toque que agora você está em boas mãos’”, lembra o simpático Lanny Gordin, por celular, de sua residência nos Campos Elísios, na capital paulista.bO casamento bem-sucedido de Lanny com a Tropicália e com a efervescente música brasileira na virada dos anos 60, entretanto, durou pouco. O guitarrista, que nasceu em Xangai (na China) e cujas origens são russas e polonesas, sofreu um fortíssimo revés em 1972, diagnosticado com esquizofrenia.
Adepto do consumo de maconha e cocaína, ele não resistiu quando se envolveu com ácido. As viagens regadas a LSD logo levaram a longos momentos de depressão, internações, culminando com períodos morando nas ruas e histórias de que teria queimado as próprias mãos em ocasiões seguidas. Rapidamente, o mundo de Lanny desmoronou. Descontando momentos pontuais na década de 80 e 90, apenas nos últimos três anos ele voltou a trabalhar com afinco. Agora diz estar completamente recuperado: “Acredito no destino, tudo faz parte, vivendo e aprendendo. O que fiz de errado no passado, já foi. Nada que aconteceu foi em vão”, diz, sem nenhum pingo de arrependimento na voz.
Com a esquizofrenia controlada à base de tratamento, Lanny está disposto a mostrar que está de volta à carreira musical. O público baiano terá a oportunidade de tirar a prova dos nove no show da Concha Acústica. O guitarrista vai abrir a noite – que conta ainda com Gal Costa, Mart’nália e Luiz Melodia –, com músicas como Tropicália, Atrás do trio elétrico, Folha de papel e Sai do sereno, ao lado de sua banda, Projeto Alfa. Com Gal Costa, Lenny reedita uma parceria de anos e toca Dindi, registrada no último disco dele, Duos (2007). Existe ainda a possibilidade de rolar Pérola negra, com Melodia. “Há mais de 30 anos que não me apresento na Bahia, a última vez foi com Gil no show do disco Expresso 2222 (1972). Tocar com Gal dá uma saudade maravilhosa daquele tempo. A gente fica mais velho e vai amadurecendo”, pontua Lanny.
Música pura - Desde que voltou a gravar, em 2001, Lanny imprimiu uma nova marca no seu jeito de tocar. O virtuosismo e a paixão pelo improviso se mantiveram, mas agora Lanny prefere um acento mais jazzístico e intimista. Prova disso é o recente Duos, em que Lanny recebe uma penca de estrelas, desde veteranos e amigos como Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil e Jards Macalé, até artistas mais recentes, como Vanessa da Matta, Rodrigo Amarante (Los Hermanos), Zeca Baleiro, Adriana Calcanhotto e Chico César. Mas, no show, Lanny garante que a performance é mais agressiva. “Meu estilo hoje é mais original, mas é mesmo minimalista. Ao vivo já não é nada igual, tudo é criado na hora, na base da improvisação. Podem esperar muitos solos e muitas novidades”, promete.
A mudança foi motivada por uma busca pela música pura que, segundo Lanny, é “o último estágio musical do artista”. Essa transformação veio de modo repentino. “Foi um momento de inspiração, eu mesmo ignorava essa possibilidade de mudança. Um dia eu estava deitado, pensando sobre a eternidade que temos pela frente e uma iluminação veio à minha cabeça. De repente, peguei o violão e surgiu meu novo estilo. Vi que era o caminho certo quando toquei no Auditório Ibirapuera e me aplaudiram de pé. Mas não completei essa busca pela música pura, é preciso muita dedicação e estudo”, diz, com orgulho.
Voltando aos poucos a fazer shows, Lanny passou muitos anos por fora do que está rolando na música brasileira. Costuma escutar rádio, mas quando coloca os discos para tocar, prefere os mais antigos. Até as sessões de gravações de Duos, não conhecia o trabalho da maioria dos artistas envolvidos. “Acompanho um pouco pelo rádio e vejo que a música teve um desenvolvimento fenomenal, mudou muito. O contato com os mais novos em Duos foi maravilhoso, eu fui inspirado por eles a ouvir outras coisas. Eu tinha escutado Vanessa da Matta e Adriana Calcanhotto nas rádios, mas a maioria eu fui descobrindo na hora, sem julgá-los”, conta Lanny.
***
‘Jimi Hendrix brasileiro’
A origem exótica de Lanny Gordin não serve de explicação, mas pode ser uma pista para a personalidade complexa e o talento especial do guitarrista. Seus pais nasceram na China, mas eram de origem polonesa e russa. Com apenas 2 anos, a família se mudou para Tel Aviv, em Israel, onde se manteve por quatro anos. O destino seguinte para o pequeno Lanny foi o Rio de Janeiro. “Meu pai me disse: ‘vamos para o Brasil porque é um paraíso e é lá que nós vamos viver’. Mudamos para o Rio e depois seguimos para São Paulo”, conta.
Autodidata, Lanny começou a tocar violão aos 13 anos e, com 16, já se apresentava na boate do pai, o pianista Alan Gordin. Foi na Stardust que ele passou a ficar conhecido como o “Jimi Hendrix brasileiro” e contou com a ajuda de tutores para deixar a imaginação aflorar. Os tutores? Nada menos que Hermeto Pascoal e Heraldo do Monte. “Eles me enfiaram na escola musical que eu me mantenho até hoje. Meu pai pedia para nós tocarmos música comercial, para dançar. Mas quando ele ia dar orientações na cozinha, a gente soltava a franga e só rolavam os improvisos”, lembra, aos risos. Com o próprio Hermeto, participou anos mais tarde do grupo Brazilian Octopus, com o qual gravou um LP homônimo, em 1969.
Na época em que se envolveu com o Tropicalismo, participou de discos célebres como Caetano Veloso (1969), Fa-tal Gal a todo vapor (1971, de Gal Costa), Expresso 2222 (Gilberto Gil, 1972), Jards Macalé (1972), Araçá azul (1972, Caetano) e Build up (1972, Rita Lee). O retorno do longo ostracismo provocado pelas drogas foi feito gradualmente, culminando com Duos. Antes, em 2001, lançou seu primeiro disco solo, homônimo, e outros dois em 2004, Projeto alfa volume 1 e Projeto alfa volume 2. Todos eles saíram pela Baratos Afins, graças à insistência do dono do selo, Luiz Calanca. “Ele me disse que estava na hora de fazer um disco e eu concordei no ato. Pensei que era o momento certo e o disco ficou muito agradável. Ele foi feito todo em cima das improvisações no estúdio”.
** Texto do autor do Discoteca Narcisista originalmente publicado no jornal Correio da Bahia, dia 01 de julho, com o título "O som da fênix". Para ver a matéria original, clique aqui .
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por LEONARDO MAIA - 8:32 PM
Terça-feira, Junho 26, 2007
* Disco da Semana - Homem Binário (Maquinado)
Lúcio Maia é conhecido pelos colegas da banda Nação Zumbi como o “maquinado”. Isso porque basta sair um aparelho com alguma inovação tecnológica que esse recifense de 36 anos vai lá e compra. Vivendo rodeado por máquinas, não podia haver nome mais apropriado para seu novo projeto solo que não fosse justamente Maquinado. É com essa alcunha que o guitarrista da Nação Zumbi entrega o disco Homem binário, lançado pela Trama depois de quase quatro anos de gestação. Utilizando instrumentos orgânicos, mas também mexendo com programações e timbres eletrônicos, Lúcio Maia promove mais um encontro da tradição com o digital, num álbum que soa futurista, sem parecer modernóide ao extremo. Um trabalho que é a cara de um dos melhores guitarristas do Brasil, mas que, como o próprio músico confessa, tem muito do Lúcio Maia produtor.
Mas não é só de aparatos tecnológicos que o artista pernambucano se cerca. Na equipe convocada para as gravações de Homem binário, somam-se 19 pessoas, incluindo os parceiros Jorge Du Peixe, Dengue e Toca Ogam (todos da Nação Zumbi) e amigos como Felipe S. (Mombojó), Rica Amabis (Instituto), Speedy, Buia (Z´África Brasil), Siba (ex-Mestre Ambrósio), Rodrigo Brandão (Mamelo Sound System) e Scotty Hard (canadense que produziu Futura, da Nação, e aqui é responsável pelos beats e moog da faixa Além do bem). Uma trupe que tocou instrumentos, elaborou parte das letras e colocou voz em algumas delas.
Mesmo com o espírito coletivo, Homem binário foi realizado à imagem e semelhança de Lúcio, que compôs todas as músicas (algumas em parceria), se arriscou como vocalista (com bom resultado), fez as vezes de letrista em quatro canções e, além da guitarra, tocou também baixo, piano, sintetizador e até percussão. “Não gosto de executar as coisas sozinho, sempre tive um senso coletivo. Desde criança que penso em fazer um disco meu, com um conceito e todo produzido por mim. Ele é a descrição de minha personalidade musical. Mas é também um álbum familiar, não é qualquer um que participa. São amigos, o que importa é o resultado, não chamaria ninguém por causa de nome”, explica o boa-praça Lúcio Maia, por telefone.
O resultado é um disco variado, que equilibra momentos de peso (como a canção de abertura, Arrudeia), com exemplares dançantes (a ótima Não queira se aproximar, com vocais de Buia) e diversas canções viajandonas (como a música do primeiro clipe, Sem conserto). Nessas mais etéreas, os timbres eletrônicos se sobressaem, mas Lúcio alerta: o disco está longe de ser eletrônico e é fruto da sua personalidade eclética como ouvinte. “Ele tem a característica eletrônica pela constância dos beats, mas 90% do que é tocado é orgânico. Não utilizei bateria orgânica, mas quando fiz a programação, captei de peças acústicas. Não enxergo mais os limites, não sei onde está a fronteira entre o futurista e o eletrônico. Homem binário é o espelho de minha personalidade, escuto todo tipo de som. Quando me perguntam o que eu estou ouvindo, respondo: ‘música boa’”, afirma Lúcio, para logo citar preferências diversas, desde maestros da MPB como Moacir Santos e Eumir Deodato até músicos africanos como Fela Kuti, passando por artistas do hip hop underground, rock asiático e música clássica.
E não é só ao universo musical que as influências de Lúcio se restringem. Na composição da música climática e recheada de nuances de Homem binário, ele faz questão de citar referências da literatura (Charles Bukowski, Isaac Asimov), cinema (Federico Fellini, Bruce Lee) e vários expoentes dos quadrinhos, como Hugo Pratt, Milo Manara, Neil Gaiman e Lourenço Mutarelli. Nessa última área, uma referência é de fácil identificação: o desenhista francês Moebius. “O material gráfico de Homem binário foi baseado no trabalho dele, que trata da tecnologia e é bem psicológico. As máquinas são orgânicas, coloridas e expelem resíduos, minha esposa tentou passar isso no trabalho do encarte”.
Salada sonora - No final das contas, Homem binário, no que tange à sonoridade, se transforma num melting pot onde os gêneros se confundem. Tem, por exemplo, o ragga Tá tranqüilo, composto por Speddy (ex-parceiro de Black Alien), com vocais divididos entre anfitrião e convidado e uma série de auto-referências típicas do hip hop. Vale destacar também a gozada introdução de Speedy, que diz: “Tô aqui, tranqüilão. Cigarrão de skunk na mão, copão de Domecq na outra”. Em faixas como O som (com Jorge Du Peixe, Dengue e Toca Ogam) e Alados (letra e voz de Siba), a psicodelia desce forte. Enquanto a primeira poderia facilmente ter entrado no disco mais recente da Nação Zumbi, a segunda traz o trompete caribenho de Roberto Manuel e uma letra singela, típica poesia da Zona da Mata pernambucana, com referências a lagartas, vagalumes e marimbondos.
Em todo o álbum dá para notar também a presença pouco destacada da percussão, uma maneira também de se desvencilhar da forte imagem da Nação Zumbi. “A percussão está dentro de minha carga musical, da característica brazuca. Mas, no momento da mixagem, acabei priorizando outros instrumentos, como a guitarra. O resultado final foi mais no sentido de buscar uma coisa nova, sem soar como outros trabalhos. Até mesmo dentro da Nação Zumbi, o critério é ser diferente, não queremos repetir fórmulas anteriores”, pontua.
Fonte da juventude - Enquanto se prepara para shows de lançamento do CD de estréia do Maquinado, Lúcio Maia não tem como tirar da cabeça seu trabalho com a Nação Zumbi. Isso porque a banda pernambucana entra em estúdio no dia 1º de julho, para gravar o quinto álbum da carreira após a morte de Chico Science e o primeiro que leva a assinatura da gravadora Deckdisc. Esse acúmulo de trabalho, porém, está longe de assustar o guitarrista. “A banda não toma tanto tempo, afinal só gravamos disco de dois em dois anos. Tem grupos como CPM 22, por exemplo, que fazem 19 shows por mês e mesmo assim seus componentes se envolvem com outros projetos. Não é tão complicado”, minimiza.
De fato, projeto paralelo é palavra fácil na vida dos músicos da Nação Zumbi, a lista é extensa: Los Sebozos Postizos (a Nação tocando Jorge Ben), Orquestra Manguefônica (com o mundo livre s/a), Capenga Sample (Du Peixe com Berna Vieira, do Bonsucesso Samba Clube), 3 na Massa (do baixista Dengue e do baterista Pupillo com Rica Amabis, do Instituto), Autônomo (Du Peixe) e Pra Mateuz Poder Dançar (dos percussionistas Toca Ogam e Marcos Matias). E entre os músicos que acompanham Lúcio Maia nos shows do Maquinado estão os companheiros Dengue e Toca Ogam, além do DJ PG (Mamelo Sound System). A idéia é aproveitar inclusive a formação para abrir alguns shows da Nação Zumbi, quando a banda voltar às turnês.
Nesse retorno aos palcos com o novo álbum (previsão de lançamento para a segunda quinzena de outubro), a Nação Zumbi deve entregar shows carregados de energia e deixar um pouco de lado a introspecção característica de Futura. Pelo menos, é isso que promete Lúcio: “Nosso critério é renovar e o disco vai ser bem diferente, pra cima, superanimado, com letras voltadas para o frescor da vida. Estou muito entusiasmado, as canções estão bem balançadas, para ver a galera pulando. Nesse rolé que a gente deu nos últimos dois anos, bebemos forte na fonte da juventude e hoje nos sentimos bem moleques”, brinca.
** Texto do autor do Discoteca Narcisista originalmente publicado no jornal Correio da Bahia, dia 25 de junho, com o título "Máquina lubrificada". Para ver a matéria original, clique aqui .
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por LEONARDO MAIA - 11:39 PM
Sexta-feira, Junho 15, 2007
Vamos lá, última tentativa de reanimar esse blog quase morto... Não há desculpas formais, só displicência mesmo...
* Dica da Semana - Guitarrada na Zauber: Mestre Vieira, Pio Lobato e Suposto Projeto
A rica e singular tradição instrumental do Pará está de passagem por Salvador, representada por dois pilares de diferentes gerações: o veterano Mestre Vieira, 72, inventor da guitarrada e da lambada, e o músico Pio Lobato, 35, hoje o principal responsável pela divulgação da música típica do estado nortista. Eles aproveitam o intervalo da turnê do grupo Mestres da Guitarrada para uma série de workshops e shows, que se inicia hoje, às 22h, na Zauber (Ladeira da Misericórdia). No palco, Pio Lobato é acompanhado pelo Suposto Projeto (o baixista Guilherme e o baterista Vovô) e tem como convidado de honra o Mestre Vieira, que vai tocar durante quase todo o show. A participação especial de Aroldo Macedo também está confirmada, assim como a discotecagem de Mangaio (Lampirônicos), Maira e Sartorello (do programa 16 Toneladas, Rádio Educadora).
A caravana paraense chegou em Salvador no dia 10 e já realizou o workshop Instrumentos Musicais e Tecnologia Genuinamente Regionais, anteontem, no Teatro do Sesi. A temporada - que ainda não está fechada e inclui outro show, dia 21, no Boomerangue - foi viabilizada devido ao intervalo entre uma recente apresentação do projeto Mestres da Guitarrada em Fortaleza e uma vindoura, marcada para o dia 30, em Aracaju. Os outros componentes do grupo (Aldo Sena e Mestre Curica) não vieram a Salvador, mas a presença do líder Mestre Vieira é compensadora.
Os paraenses vão apresentar uma ampla amostra do que é a guitarrada e do que há de mais interessante na música instrumental paraense. "Vamos fazer uma varredura da história da guitarrada, tocar os principais clássicos do Vieira e algumas músicas com a aceleração do tecnobrega. Minha idéia é ser quase uma jam session. Queremos juntar Vieira e artistas de outros estados e, aqui na Bahia, o Aroldo Macedo vai participar, o que é um começo com pé direito", pontua Pio Lobato, que lidera também outra importante banda paraense, a Cravo Carbono. "Essa é a terceira vez que venho a Bahia, a segunda para tocar. Dessa vez, quero levar uma guitarra baiana de volta para o Pará", conta Mestre Vieira que, antes de tocar guitarra, passou por instrumentos como bandolim, banjo, cavaquinho, violão e saxofone.
Mais do que um gênero, a guitarrada é uma técnica inventada por Mestre Vieira no modo de tocar o instrumento. Segundo o próprio criador, é também uma mistura de guitarra com corda de violão, amplificador de pilha e uma caixinha, que reproduz sons de influência caribenha. Os solos - constantes, afinal esse é um estilo essencialmente instrumental - geralmente emulam ritmos como carimbó, cúmbia e merengue. Na grande salada de referências, entra o típico chorinho brasileiro, os ritmos da Amazônia (lundu marajoara e boi-bumbá) e a sonoridade do Caribe.
Um pouco de história - Para entender a origem dessa música típica do Pará, é preciso observar a localização geográfica e as influências musicais que lá se misturaram nas décadas de 50 e 60. Nessa época, o contrabando de discos se fortaleceu na fronteira com a Guiana e a música que o povo escutava nas populares rádios AM era o merengue e a salsa. "Belém é peculiar, pois é uma cidade afastada que sempre recebeu muita informação do Caribe, tem uma forte cultura indígena e foi influenciada também pela Jovem Guarda, na adoção do formato guitarra-baixo-bateria. Daí, apareceram vertentes como o brega e, mais recentemente, com o computador, veio o tecnobrega. Temos um estilo formatado e um mercado próprio, a princípio pode parecer estranho para quem é de fora", considera Pio.
Natural de Barcarena, Mestre Vieira ia até a capital escutar o choro, mas percebia que na mistura é que estava o segredo para uma manifestação cultural original. "Sou músico desde os 5 anos de idade. Uns 30 anos atrás, criei a guitarrada e a lambada e consegui chegar às rádios. Em 78, lancei o disco Lambadas das quebradas, o primeiro do estilo. Desde então, já gravei outros 22 volumes", conta o mestre das guitarras do Pará. "Essa música criada pelo Vieira é simples e feita para dançar. É como se fosse choro em ritmo de merengue, tocado por uma banda no formato da Jovem Guarda", resume Pio.
Mesmo com certa popularidade desde a sua criação, a guitarrada não alcançou sucesso de massa, principalmente por ser um ritmo instrumental. Coube à lambada - nada mais que a guitarrada com vocais - a tarefa de popularizar a música do Pará. "A guitarrada caminha por nichos, é como o Armandinho, que é clássico, uma referência, mas de quem aqui em Belém pouco se conhece. Ela nasceu no contexto dos instrumentistas, assim como aconteceu com o jazz. A lambada foi muito difundida pela mídia a partir dos anos 80, mas logo virou caricatura. Ela foi esquecida e saiu de moda. Mestre Vieira manteve a produção, a essência do gênero. Tem uma franqueza na música dele que todos percebem", explica Pio.
Do Pará para o Brasil - Hoje, a popularidade da guitarrada é crescente no Norte do país, muito por causa da atenção que recebeu de produtores do Centro-Sul (como Carlos Eduardo Miranda e Cyz), das coletâneas, dos festivais pelo Brasil e de crias como La Pupuña, Soladas do Pará e Marco André. Parte desse sucesso se deve também ao trabalho de Pio Lobato, que chamou atenção para os instrumentistas ao criar o Mestres da Guitarrada, em 2003. "O Pio foi atrás de mim em Barcarena para montar o projeto novo. O Mestres da Guitarrada deu certo, viajamos muito pelo país e ajudamos a valorizar os músicos solistas. Nunca perdi as esperanças, onde moro até crianças de 10 anos escutam nossa música. Estou muito feliz", afirma, sempre com simplicidade, o Mestre Vieira.
** Texto do autor do Discoteca Narcisista originalmente publicado no jornal Correio da Bahia, dia 15 de junho, com o título "Com quantas cordas se faz uma guitarrada". Para ver a matéria original, clique aqui .
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por LEONARDO MAIA - 12:27 PM
Sexta-feira, Abril 27, 2007
* Dica da Semana - A Praia (Lançamento do CD do Círculo)
A quarta edição da festa A Praia, marcada para amanhã, a partir das 21h, na praia de Stella Maris, destaca-se pelo lançamento do primeiro disco da banda O Círculo, Depois de ver. Revelação da cena local, com uma bem dosada mistura de rock, pop, reggae e MPB, o grupo mostra personalidade com ótimas músicas, algumas delas potenciais hits radiofônicos. Traz ainda algumas referências dos tempos da Scambo, banda de origem de três dos seus membros. Completam a escalação do evento, que investe numa campanha de limpeza e preservação das praias, as bandas Planta & Raiz (SP), Capitão do Cerrado (DF) e Diamba (BA).
Quando estreou, em setembro do ano passado, o grupo formado por Pedro Pondé (vocal), Junior Martins (baixo), Israel Jabar (teclado), Taciano Vasconcelos (guitarra) e Daniel Ragoni (bateria) apresentou um punhado de músicas inéditas, então lançadas num EP. Entre elas, destaque para Depois de ver, hit grudento que foi cantado a plenos pulmões pelo público logo no primeiro show. Essa e outras canções do disquinho, como Pare com isso, Amor de graça e a versão para Muito romântico, de Caetano Veloso, estão de volta no novo álbum, que por enquanto será distribuído pela banda nos shows e está inteiro na internet (veja os endereços na comunidade da banda, no Orkut). No caso de A Praia, os 500 primeiros que comprarem os ingressos levam o álbum de 14 faixas.
Se no ano passado O Círculo ainda mostrava-se vacilante com relação a que caminho seguir, hoje já abraça de vez a veia pop e mostra que sabe fazer música comercial, mas com qualidade. "Hoje nos desenvolvemos e nos comunicamos melhor, esse momento parte de um maior conhecimento entre os músicos. Não gosto muito do termo pop, uma coisa de americano, mas a gente propõe um som popular. Queremos atingir a maior quantidade de gente possível", confessa Pedro Pondé, 27.
Entre as novas músicas do Círculo, muitas delas já vêm sendo executadas há um bom tempo nos shows. A melhor delas é A janela, prontinha para estourar nas rádios e já escolhida como nova favorita dos fãs. Três faixas são versões bem distintas de antigas músicas da Scambo: Sua mulher, Meu bem (a mais próxima do reggae) e a urgente Implosão. Hoje já sabendo digerir melhor a traumática saída da antiga banda, Pedro faz mea culpa: "Sei que a forma que eu saí não foi a mais digna, não precisava ter me estressado daquele jeito. Espero que não fique uma imagem de Pedro rancoroso nas pessoas", afirma, se referindo ao bate-boca pouco saudável que inundou a Internet.
Completam o time de boas canções, a ambiciosa Um bravo (preferida de Pedro Pondé, com uma bela letra que fala de superação), a suingada Machado e a versão explosiva de Cano na cabeça (Lula Queiroga). Todas elas estarão presentes no show, além de uma canção inédita, que só deve entrar no próximo disco, Eu leio ("uma Depois de ver mais envenenada", segundo Pedro), uma releitura de uma canção da banda Serafim e o Muzuá e Negro drama (Racionais MCs), que ganha uma pegada à la Bob Marley.
Também presente na noite, a banda brasiliense Capitão do Cerrado é parceira dos rapazes do Círculo e vem sendo divulgada por eles. Em contrapartida, quatro shows do grupo baiano já estão marcados em maio, na terra do Congresso Nacional. Ainda no hall de apresentações da noite praieira, a paulista Planta & Raiz mostra seu reggae positive vibration de apelo romântico, trazendo a fama de bons shows. Os baianos da Diamba seguem com os shows comemorativos pelos dez anos, com destaque para a nova música de trabalho, Eu piro quando você passa.
** Texto do autor do Discoteca Narcisista originalmente publicada no jornal Correio da Bahia, dia 27 de abril, com o título "O Círculo faz festa na praia". Para ver a matéria original, clique aqui .
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por LEONARDO MAIA - 12:10 PM
Quarta-feira, Abril 18, 2007
* Cobertura: Cê (Caetano Veloso)
Para fechar a série Caetano Veloso, a cobertura do show Cê, apresentado sábado, dia 14, na Concha Acústica
Há artistas que envelhecem bem, não esquecem que precisam renovar, estão sempre prontos para novos desafios. Um deles é Caetano Veloso, cujos cabelos grisalhos carregam décadas de uma das mais inventivas carreiras da música popular brasileira. Quando ele subiu ao palco da Concha Acústica, sábado, para apresentar o ótimo show Cê, usou a experiência para lidar com um público que já estava ganho antes do primeiro acorde soar. Apresentando 13 das 14 músicas do novo álbum e versões bem diferentes para grandes sucessos como Sampa e Desde que o samba é samba, Caetano sabia que podia arriscar e se divertir num palco ao lado de um improvável power trio com acento rock'n'roll. Quem podia imaginar que esse senhor de 64 anos ia deixar as big bands quase orquestrais para voltar a um formato cru e indie?
De fato, quase ninguém. Certamente não aquele adolescente de menos de 18 anos que canta as músicas de Cê de início ao fim. Muito menos aquela senhora de cabelo completamente branco, com mais de 70 anos. Foi para uma platéia praticamente lotada de uma Concha Acústica como sempre aprazível que Caetano jogou, logo de primeira, uma das músicas mais bacanas de Cê, Outro, aquela em que, logo na frase inicial, ele solta: "Você nem vai me reconhecer quando eu passar por você". Com seus pulinhos e aquela voz que são reconhecíveis a qualquer brasileiro com um mínimo de interesse musical, ele mostra que está à vontade. Aproveita para reverenciar o rapaz que está logo ao lado, Pedro Sá, contemporâneo de seu filho. Influente na nova guinada de Caetano, Pedro atende a ordem do patrão e logo imprime sua marca, fazendo o primeiro dos muitos solos de guitarra do show. Tudo acompanhado pela ótima iluminação, uma extensa paleta de cores salpicada no cenário simples e despojado.
Afiadíssima, a banda de garotos, que leva ainda as assinaturas de Marcelo Callado (bateria) e Ricardo Dias Gomes (baixo), mostra uma perfeita simbiose com o veterano cantor, alternando ocasiões de intenso rock - como em Odeio, Rocks e Fora da ordem - com outras mais cadenciadas, como foi o caso de A voz do violão (versão para canção de Francisco Alves e Horácio Campos) e da lindíssima Como dois e dois. Em outros momentos, se faz de carnavalesco e ganha o público com Chão na praça (de Moraes Moreira e Fausto Nilo) ou encarna o rapper, na pungente O herói. Na versão que fez para Sampa, transformou a emblemática canção em um retrato ainda mais fiel da metrópole cinza, como num rock quase industrial. Nas clássicas Nine out of ten, You don't know me e London London (irreconhecível, a princípio), mostra o pincelar preciso do set-list. Distintas facetas de um mesmo Caetano.
Antenado, aproveitou um intervalo entre músicas para tratar de uma frase que leu recentemente num blog. Em uma discussão sobre a mania confessa que ele tem de comentar sobre tudo, no caso específico sobre política, um internauta mais atiradinho pediu para que deixassem Caetano falar, pois o pior mesmo era ouvi-lo tocando violão. Entre gargalhadas da platéia, não restou outra saída para o filho de Dona Canô a não ser pegar o violão para mais uma canção.
Faixa etária - Caetano agradou, mesmo não apelando para composições mais populares do seu repertório. Os fãs de longa data do cantor estavam presentes, mas a faixa etária do público caiu nitidimente. É o caso, por exemplo da estudante Sonyara Oliveira, 16 anos. "Sempre gostei muito de Caetano, tanto das novas músicas quanto das antigas. Vindo dele, coisa ruim não pode ser", respondeu a garota, poucos momentos antes do show. Duas gerações na frente, a professora Marlene Lins, 63, fez coro e afirmou que, mesmo sem conhecer o novo disco, não podia deixar de conferir o show. "Se ele não tocar os sucessos, não tem importância", riu, ao lado do marido, que aproveitou para pedir uma música: "Tomara que ele cante Ó paí, ó". Não, ele não cantou o tema do filme, já explorado à exaustão no Verão passado.
Para o sociólogo Daniel Magnavita, 30 anos, foi exatamente a guinada e rejuvenescida no repertório que motivou seu reencontro com a obra do cantor santo-amarense. "Caetano tem uma história no rock que tem que ser considerada. Há muito tempo que ele não mostrava essa veia. Gosto muito do som de Cê e essa formação da banda fez com que eu tivesse mais vontade de vir", apontou. Esperto que é, Caetano renova o seu público, sem perder os já conquistados. Chegou num estágio da carreira que mesmo mudo já arranca aplausos. Como os do fã Ademir Santos, 56, que resumiu: "Tudo que Caetano faz para mim tá bom".
** Texto do autor do Discoteca Narcisista originalmente publicada no jornal Correio da Bahia, dia 16 de abril, com o título "Cores e nomes de Caetano". Para ver a matéria original, clique aqui .
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por LEONARDO MAIA - 12:23 AM
Quinta-feira, Abril 12, 2007
* Entrevista da Semana - Pedro Sá
Ainda no clima do show de "Cê", abaixo uma entrevista com o guitarrista Pedro Sá!
Quando Caetano Veloso subir ao palco da Concha Acústica para o esperado show de Cê, nesse sábado, a partir das 18h30, preste atenção no rapaz que empunha a guitarra da nova banda do cantor e compositor baiano. O nome dele é Pedro Sá, e foi ele quem motivou a saudável guinada na carreira de Caetano. Com desejo de renovação e cheio de gás, o autor de clássicos como Sampa e London London (ambas presentes, repaginadas, no novo show) se juntou a Pedro Sá, colocando no jovem músico de 34 anos a missão de escolher uma banda de apoio e cuidar da produção de Cê. O resultado foi um ótimo disco com acento indie rock.
Engana-se, porém, quem acredita que essa foi a primeira vez que o guitarrista se juntou a Caetano. Tudo começou com uma tímida participação no projeto Tropicália 2, quando Pedro tinha apenas 20 anos, e seguiu na gravação de quatro álbuns: Noites do Norte (2000), Noites do Norte ao vivo (2001), Eu não peço desculpa (2002) e A foreign sound (2004). A química entre os dois músicos de diferentes gerações passa também pela forte amizade de Pedro com Moreno Veloso, filho de Caetano. Parceiros desde a infância, os dois tocam juntos também no projeto de Moreno com Domenico e Kassin (+2) e na Orquestra Imperial.
Essa relação próxima explica a grande responsabilidade que Caetano depositou em Pedro Sá, que inclusive dirige o show de sábado em parceria com o tropicalista. Ainda assim, na entrevista por telefone com o Folha, o simpático guitarrista e produtor carioca se diz preguiçoso. A lista de projetos que levam o seu nome, entretanto, nega essa posição. Ex-Mulheres Que Dizem Sim, Pedro Sá hoje integra a banda do amigo Rubinho Jacobina (Força Bruta), tem um projeto com o guitarrista Bartolo chamado Akai 4000DS, participa dos já citados Orquestra Imperial e +2 e acabou de produzir o disco de Quito Ribeiro (em parceria com Chico Neves). Confira os principais trechos da conversa.
FOLHA - Seu papel na formação da banda de Caetano Veloso para o projeto Cê foi determinante, afinal você foi o primeiro a ser escolhido e o responsável por convocar o baixista Ricardo Dias Gomes e o baterista Marcelo Callado. O que você levou em conta nesse processo de seleção?
PEDRO SÁ - Eu queria fazer uma banda pequena e comecei a pensar no formato guitarra-baixo-bateria, que é a cara do rock e faz parte da minha linguagem. Só que o Caetano tinha visto o show do Wilco no TIM Festival e achou que a banda devia ter teclado. Então eu lembrei do Ricardo, pois ele era originalmente um tecladista supervirtuoso e depois virou baixista. Foi perfeito para casos como o da música Não me arrependo, que tem teclado. Foi Ricardo quem sugeriu o Marcelo para a bateria, eles dois tocam juntos com meu irmão, o Jonas Sá.
F - De fato, um dos principais méritos de Cê é não parecer somente um disco de Caetano Veloso, mas também um disco de uma banda. Essa era a idéia desde o princípio?
PS - Era, o Ricardo e o Marcelo tocam juntos desde criança, são meio que uma banda. E eu também sou um cara de banda, sempre gostei desse formato em que não há uma hierarquia clara. Caetano queria isso e se entrosou nesse espírito. Ele tem uma grande carreira, mas a junção com garotos foi interessante. De certo modo, essa é uma banda absurda!
F - O repertório escolhido para a turnê, com músicas voltadas ao formato mais cru e rocker de Cê, foi pensado em conjunto?
PS - Sim, foi algo bem coletivo. Caetano é assim, ele sempre tem idéias muito prontas e bem sugestivas. Não são idéias que ficam presas, mas que fazem com que as pessoas queiram contribuir mais. Ele nos pediu indicações de músicas que nós queríamos tocar. Assim foi montado o show. Como dois e dois foi indicada por Marcelo, por exemplo. Nine out of ten foi sugestão de toda a banda, gostamos muito do disco Transa (1972). Eu dei a idéia de tocarmos Chão da praça, do Moraes Moreira, que é um grande compositor meio esquecido pelos brasileiros. Já o Caetano escolheu canções como Fora da ordem e Um tom.
F - Em entrevista ao Folha da Bahia, Caetano explicou como o processo de troca de referências musicais entre vocês dois foi importante para a concepção de Cê. Para você, isso foi crucial para o resultado final?
PS - Sem dúvida, pois foi daí que veio a inspiração do Caetano, ele se colocou a partir dessas conversas. A atitude, as composições, tudo veio dessas discussões. O Pixies at the BBC (2000) foi crucial, deixou Caetano estimulado. Tem uma coisa iconoclasta muito forte no rock, algo que eu curto muito e o Caetano mais ainda.
F - O fato de você ser amigo de infância de Moreno Veloso e conhecer Caetano há anos fez com que o processo de feitura do disco saísse de modo mais natural?
PS - Talvez, porque eu tenho intimidade com o Caetano. Isso muda muito, mas não foi a coisa mais fundamental.
F - Você já participou de outros discos de Caetano, mas dessa vez foi diferente, porque você tocou em todas as faixas, participou da concepção musical e produziu em parceria com Moreno Veloso. Como foi trabalhar com tamanha responsabilidade no disco de um dos maiores ícones da música brasileira?
PS - Olha, foi um trabalho, eu me dediquei muito, mas na hora não fiquei pensando na responsabilidade. De fato, o trabalho foi grande, acho que nunca foi exigida tanta responsabilidade de mim, em todos os aspectos. Caetano tem uma envergadura muito grande, eu sabia que o disco ia ser ouvido e comentado por todos e depois iam rolar shows. Sempre achei, porém, que essa responsabilidade estava do meu tamanho, não acreditava que era algo maior do que eu poderia fazer. Foi algo natural, não sou o tipo de cara ambicioso, que pensa estrategicamente.
F - Como foi que você deixou de ser apenas o amigo de Moreno Veloso para se tornar um parceiro musical de Caetano?
PS - Participei de Tropicália 2 (1993), toquei guitarra na música As coisas, porque Caetano ouviu a Mulheres que Dizem Sim e gostou muito. Anos depois, ele me viu tocando guitarra e baixo com Lenine nas turnês de O dia que faremos contato e Na pressão e ficou impressionado com tudo aquilo. Ele se identificou com aquela música, ficou amarradão e me chamou para participar de Noites do norte.
F - Você acredita que o seu trabalho em Cê e a conseqüente turnê podem ser considerados, digamos, o desabrochar de sua carreira, em termos de exposição e reconhecimento?
PS - Pode ser! Sou preguiçoso, confesso. Acho que o que importa é o prazer, não a carreira, gosto mesmo é de pegar uma praia, namorar (risos). É melhor assim, não alimento falsas promessas. Sou preguiçoso mesmo. Mas é claro que a exposição está muito maior e eu tenho vontade de gravar um disco meu, já tenho muita coisa feita. Acho que Caetano fez de propósito em Cê, ele colocou um holofote em mim. Tipo: "Bicho, se mostre aí". O disco me colocou como um nome, pela produção e maneira como toco guitarra. No disco, dá para perceber o meu estilo.
F - Há um paradoxo aí, você se diz muito preguiçoso, mas está sempre envolvido com muitos projetos!
PS - Mas se você for ver, nunca produzo sozinho. Sempre convido um amigo meu. No caso de Cê, chamei Moreno, que é um gênio e foi muito importante no processo. Não consigo tocar e produzir tudo sozinho. Isso é para fominhas como Kassin, eu sou mais preguiçoso (risos).
F - O que você acha das críticas de parte do público do rock a Cê, negando que haja uma aproximação de Caetano com o gênero?
PS - Cara, acho que qualquer purismo é louco, ainda mais no rock. É meio como uma torcida organizada, parece que eles são mais do time do que a diretoria e os jogadores. É a coisa da paixão, se entra alguém de fora no meio, eles rechaçam. Por um lado, porém, entendo o cara que fala que não é rock. Mas o que é um disco de rock? Em alguns aspectos pode ser, em outros não. Belle and Sebastian tem certas particularidades e é chamado de indie rock. Por que Caetano não pode? O rock é uma mistura desde a criação.
F - Em recente entrevista, você afirmou que não tinha intenção de ser músico. Em casa, porém, você tinha referências musicais como a de seu pai, o compositor Ronaldo Tapajós. Em que momento aconteceu a virada que o fez decidir pela carreira musical?
PS - Foi tudo muito rápido, não queria nada com música e depois quis tudo. Até os 11 anos, meu pai não deixava ter aparelho de som lá em casa, pois achava que podia atrapalhar o processo de composição dele. Já tinha criança demais na casa e era muita confusão. Mas eu acordava e encontrava sempre meu pai tocando violão. Ele me oferecia aulas, mas eu não queria. Gostava mais de escrever e desenhar. Quando eu tinha 10 anos, nas férias, conheci Ary Domingues, que tocava com meu pai num programa de rádio. Adorava quando iam músicos no programa, passei a virar noites ali. Aceitei tomar aula com Ary e vi que tinha jeito. Aos 12 anos, ganhei minha primeira guitarra.
F - O seu trabalho em bandas como Mulheres Que Dizem Sim e em projetos como a Orquestra Imperial é marcado por parcerias musicais recorrentes. Músicos de uma mesma geração e estilos semelhantes, como Kassin, Moreno Veloso, Berna Ceppas, Domenico, Rubinho Jacobina. Você enxerga uma afinidade musical que os coloca como um grupo definido?
PS - Olha, acho que é uma geração, mas não tem uma coisa de movimento artístico unido em torno de um conceito. Gosto de usar um termo em espanhol, somos uma movida cultural, existe um lance rolando. Acho bacana ter isso no Brasil, dá uma enriquecida na nossa música. A Orquestra Imperial mesmo é maravilhosa, reúne todos nós e tudo acontece. É muito harmônico, ninguém acha que está tomando o espaço do outro. É bundalelê total. Toco com meus irmãos, é um ponto de encontro.
** Entrevista do autor do Discoteca Narcisista originalmente publicada no jornal Correio da Bahia, dia 11 de abril, com o título "Caetano colocou um holofote em mim". Para ver a matéria original, clique aqui .
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por LEONARDO MAIA - 7:53 PM
Sexta-feira, Abril 06, 2007
* Entrevista da Semana - Caetano Veloso
Desde o início do ano, encontrar Caetano Veloso nas ruas de Salvador não foi uma tarefa exatamente difícil. Ele participou de ensaios de Verão, fez show com Jauperi na Área Verde do Othon, comandou trio elétrico no Carnaval, divulgou o filme Ó paí, ó em cada esquina. Só estava faltando mesmo a esperada turnê de Cê, que aporta na Concha Acústica no próximo dia 14, às 18h30, e cujos ingressos (R$50/inteira) já estão à venda nas bilheterias do TCA e nos SACs do Iguatemi e Barra. A apresentação, única em Salvador, abre a turnê nordestina, que segue depois para Porto Seguro, Aracaju, Natal, João Pessoa,
Teresina, Fortaleza, São Luís e Recife.
Acompanhado por jovens instrumentistas como o guitarrista Pedro Sá (amigo de infância de Moreno Veloso), o baixista Ricardo Dias Gomes e Marcelo Callado, Caetano vai tocar todas as músicas de Cê, mesclando com sucessos repaginados, como Sampa, Fora da ordem e London London, músicas antigas que casam com a proposta mais rocker de Cê, como é o caso de Nine out of ten e You don¿t know me (ambas de Transa/1972), além de versões para canções de Moraes Moreira (Chão da praça) e Jorge Ben Jor (Descobri que sou um anjo). O cenário, elaborado pelo parceiro de longas datas Hélio Eichbauer, foca nos tons de roxo (cor da capa de Cê), potencializado pelo amplo mix de cores da iluminação.
Ótimo álbum do artista veterano, Cê flerta com o indie rock, traz letras pessoais com alta carga sexual e imprime um frescor à obra de Caetano. Em entrevista ao Folha, por telefone, ele falou do show, da discussão envolvendo a influência do rock em Cê e de sexualidade.
FOLHA - Sua admiração pela Concha Acústica é notória. A escolha desse espaço para o show foi uma exigência sua, devido ao perfil mais rocker de Cê?
CAETANO VELOSO - Eu faria no TCA com muito prazer, tenho vontade, inclusive, de voltar em breve, pois é ideal para expor mais a estrutura do show. O cenário é simples, mas delicado, ainda não sei se na Concha pode ser montado por completo. Desde a primeira vez pensei na Concha Acústica, adoro o local, tem a soltura que o Cê demanda. Já cantei em lugares onde o público fica em pé, como no Circo Voador, parecia um show de rock. Mas também em casas de shows mais convencionais, como o Vivo Rio, uma casa careta. Lá o cenário e a iluminação ficaram mais visíveis e a clareza do som era maior. Na Concha vai ficar mais desencanado, tudo que canto fica alegre, a platéia é mais bacana. Além disso, os ingressos são mais baratos, tem mais jovens e menos burgueses.
F - Como foi retrabalhar as canções de discos anteriores para adaptá-las ao formato do show? Foi um processo que lhe deu prazer e fez descobrir novas nuances para as músicas?
CV - O que aconteceu foi exatamente isso. A banda é muito boa e tem muito conhecimento e gosto pela música popular das últimas décadas no Brasil e no mundo. São garotos de bagagem sólida. Pegar essas canções antigas e retrabalhá-las com esse trio foi uma alegria muito grande e revelou aspectos distintos das músicas.
F - O show de Cê parece bem fechadinho, com um conceito e repertório bem definidos. Ainda assim há espaço para surpresas e improvisações?
CV - Olha, sempre há, nunca é totalmente fechado, mas não creio que será necessário. O show é muito bem estruturado e a nossa idéia é obedecer a isso.
F - Esta semana, o Jornal da MTV exibiu uma matéria com comentários de pessoas que viram o show de Cê. A discussão sobre o perfil do show e sua aproximação com o rock foi recorrente. Ao final da matéria, o apresentador Léo Madeira perguntou à banda Forgotten Boys o que eles achavam do disco. Eles disseram que Cê não é um disco de rock, mas sim mais um disco de Caetano. Um deles chegou a dizer que você estaria se lixando para essa história toda, o que Léo Madeira discordou. E então, você está ou não atento ao que as pessoas vêm falando sobre Cê?
CV - Eu procuro ficar atento, mas nem soube dessa matéria. Sobretudo, acho que é indubitável dizer que esse é um disco de Caetano. Elementos do rock são meus assuntos desde 1966 e assunto público como tema proeminente, escandaloso e revolucionário desde a Tropicália. O engraçado é que hoje se discute se o disco é de rock e naquela época se discutia se meus discos eram de música brasileira. O pessoal do rock é preconceituoso e muito metido a besta, fica discutindo se um disco é rock ou não. Há uma ênfase no rock por causa da banda e da forma de composição. Na verdade, estou mais interessado em entender como as pessoas recebem o disco no exterior. Presto atenção no que fala a imprensa americana, é de lá o verdadeiro rock, que é tão típico deles como a Coca-Cola e o McDonald¿s. A revista New Yorker colocou no subtítulo da matéria Caetano fez um disco de rock, mas ressaltou que é rock num conceito folgado. O New York Times disse que meu canto tem uma espécie de impostação presidencial, que a pessoa se sente distante dele. E que Cê foi feito para subverter isso, com arranjos que estão de acordo com a tradição do indie rock. Disseram também que ali estão as minhas melhores composições dos últimos 20 anos.
F - Você concorda com essa afirmação?
CV - Não completamente, mas sob certos aspectos, acho que isso é verdade. Mas gosto imensamente de músicas como 13 de maio (de Noites do Norte/2000) e Desde que o samba é samba (de Tropicália 2/1993).
F - Você parece estar sempre preocupado em se atualizar com as novas tendências e bandas. Ainda assim, o fato de ter se juntado com músicos mais jovens foi essencial para se chegar à sonoridade mais moderna e crua de Cê?
CV - Sem dúvida. Eu conversava muito com Pedro Sá sobre música, por isso ele foi escolhido para o disco. Foi ele que selecionou os outros garotos, Ricardo Dias Gomes e Marcelo Callado, que são ainda mais novos. Mas se o Pedro escolhesse músicos de 50 anos, não teria problema. O critério não foi exatamente a idade, mas é lógico que isso contribui, pois poucos músicos de 50 anos se interessam por Arctic Monkeys, Pixies e White Stripes. A escolha de Pedro levou em conta o que eu queria fazer, afinal, ele conhecia o repertório.
F - E entre as bandas do pop e rock atuais, quais realmente influenciaram Cê?
CV - Algumas coisas o Pedro me mostrou, outras eu mostrei a ele, como o disco do Arctic Monkeys. O mais importante foi o álbum do Pixies da BBC (Pixies at the BBC/2000), acho que ouvi ainda na turnê do Noites do Norte, foi esse disco que me empolgou. Pô, é maravilhoso. Que coisa concisa, só tem verdade ali. Pedro disse: ¿Isso é João Gilberto!¿, o que é curioso. O Strokes é uma obviedade, algo muito bom. O Ricardo Dias Gomes gosta muito e trouxe muitos elementos deles para o disco. Mas tem outras coisas novas, como o The Streets, Roberta Sá e Mariana Aydar, que eu adoro, mas que não têm nada a ver com Cê.
F - Levando em conta os shows já realizados nesta turnê, você notou um certo rejuvenescimento do público?
CV - Depende muito do local. No Circo Voador, por exemplo, o público era 90% de jovens, pessoas mais velhas não agüentam ficar em pé muito tempo. No Vivo Rio tinha gente mais velha e alguns jovens também. Na verdade, eu acho que tem uma minoria de jovens que querem se aproximar de Cê e ouvir com cuidado. Algumas das pessoas que têm paixão pela aventura do rock podem me desprezar. Mas já ouvi elogios de algumas bandas do rock brasileiro atual. Sinto que esse disco é libertador e estimulante, muito límpido, simples e rico.
F - Em recente participação no programa Ao ponto, de Jairo Bauer, você falou que alguns jovens de hoje têm uma atitude mais careta que os da sua geração. O disco Cê traz uma forte carga sexual, pulsante mesmo, isso de algum modo foi um recado intencional para as novas gerações?
CV - Nesse sentido, não. Falei no programa da onda de liberação sexual e aceitação de variedades eróticas que é típica dos anos 60, um desprezo à hipocrisia relacionada ao sexo. Esses são temas dos anos 60, 70, que se transformaram nos movimentos das mulheres e depois dos gays. Claro que desde então o mundo mudou, hoje não tem mais aquela coisa de ser virgem até casar, como nos anos 50. Mas a mitologia libertária daquela época era mais clara, existia uma tendência maior à liberalização da expressão sexual.
F - O fato de o disco ser ligado à cultura do rock não abriu mais espaço para a temática do sexo?
CV - No disco Cê, o sexo aparece muito sinceramente e diretamente. Acho que o rock e o sexo sempre estiveram juntos, desde o R&B dos pretos e o blues que alimentaram o rock até os movimentos de corpo de Elvis e a bichice de Little Richard. A carga de sexo no rock é muito grande, nesse disco isso é mesmo bem recorrente. Soa muito natural e sincero. É um tom que o rock sugere, mas também vem de idéias da minha cabeça. Venho de dois casamentos que duraram 18 anos e isso contribuiu para o tom do disco e para que o sexo aparecesse mais.
F - Você poderia falar um pouco sobre a letra de Amor mais que discreto, música inédita que não entrou em Cê?
CV - Ela é totalmente diferente das canções de Cê, é mais gay.
F - Isso, a letra fala de um relacionamento entre dois homens, um mais velho e outro mais novo, o que se liga exatamente com a questão de liberação sexual que falamos anteriormente. Ela é um reflexo do que você pensa?
CV - É mais do que o que eu penso, é sobretudo o que eu sinto.
***
Provável repertório do show
Outro
Minhas lágrimas
Nine out of ten
Chão da praça (Moraes Moreira/ Fausto Nilo)
Um tom
O homem velho
Homem
Amor mais que discreto
Odeio
A voz do violão (Francisco Alves/ Horácio Campos)
Como dois e dois
Waly Salomão
Sampa
Um sonho
Musa híbrida
Desde que o samba é samba
Não me arrependo
Descobri que sou um anjo (Jorge Ben Jor)
Deusa urbana
London London
Fora da ordem
Rocks
You don't know me
Por quê?
** Entrevista do autor do Discoteca Narcisista originalmente publicada no jornal Correio da Bahia, dia 05 de abril, com o título "O pessoal do rock é muito metido à besta". Para ver a matéria original, clique aqui .
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por LEONARDO MAIA - 7:17 AM
Sexta-feira, Março 30, 2007
Sem programa para o fim de semana? Segue a dica para sábado, dia 31/03 e domingo, primeiro dia de abril!
* Destaque do Sábado - Los Canos e Autoramas
Na noite mais importante da sua trajetória, a banda baiana Los Canos vive uma situação no mínimo inusitada. O lançamento do CD de estréia, o ótimo Cada vez mais limpo e romântico, não vai contar com a presença do vocalista e principal letrista da banda, Eduardo Penna. A saída, provocada por motivos familiares e profissionais, pegou a todos de surpresa, mas os remanescentes da Los Canos trataram rapidamente de convocar um substituto: André Mendes, do grupo Maria Bacana. É com essa formação provisória que a banda apresenta seu punk romântico e divertido amanhã, a partir das 22h, na Boomerangue (Rio Vermelho). A festa também conta com a presença dos cariocas do Autoramas e dos DJs El Cabong e Janocide, idealizadores da Festa Nave.
Foi nos corredores do curso de Publicidade e Propaganda da Ucsal, em 2002, que a Los Canos surgiu. Despretensiosa, como uma brincadeira feita para sobreviver apenas na internet, a banda cresceu, tocou em festivais alternativos importantes, como o Ruído Festival (Rio de Janeiro), Mada (Natal) e MorMarço (João Pessoa), e reuniu elogios da crítica com o EP O meu hobby é te amar (2003). Mesmo assim, a questão de não responder pelo sustento dos seus componentes colaborou para o racha do grupo. "O fato é que a banda sempre foi um hobby e um hobby bem caro e que ocupa muito tempo. E a vida vai andando e temos que fazer com que as coisas que realmente fazem diferença no futuro andem", esclarece Penna.
A decisão, porém, surpreendeu a todos, afinal é a voz de Penna que marca todo o disco e o jeito desleixado da banda se deve muito à postura do cantor no palco. "A partir do momento que uma pessoa não quer, é melhor que não faça mesmo. Acabou se tornando uma decisão coletiva. Havia um descontentamento, mas não esperava que ele saísse agora", afirma o baixista Gil, 25, que responde pela Los Canos ao lado de Michael (guitarra), Glauco Neves (bateria) e Mary (backing vocal). Mesmo que André Mendes ainda não tenha sido oficializado como novo vocalista, é desejo da banda que ele assuma de vez o posto. "Sempre curtimos a Maria Bacana e o André está nos dando a maior força. Vamos deixar a coisa rolar, se ele quiser, vai ser fantástico", torce Gil, aproveitando para adiantar que devem rolar participações especiais no show de Fábio Cascadura e dos componentes da Vinil 69.
O disco vai pintar quase por completo na apresentação de amanhã, com destaque para as divertidas Garota nota 7, Nada sem você, Ela não gosta de mim, Patrícia, Camisas listradas te fascinam e Tudo por você. Vão rolar ainda covers de Ramones e Guns N´Roses, mas músicas mais novas, que foram compostas após a gravação do disco, devem ficar de fora, devido ao pouco tempo de ensaio. "Dessa fase nova, tem composições de todos nós, não só de Penna. São canções de amor, mas com termos, andamentos e melodias diferentes. Músicas mais trabalhadas e adultas", explica.
Energético - É rock, é romântico, é brega, é punk, é Jovem Guarda, é guitarreiro. Muito pode se falar sobre o disco Cada dia mais limpo e romântico, que sai pelo selo capixaba Läjä Rekords. Principalmente que é um fiel registro da despretensão da Los Canos, uma banda adolescente e bem enérgica. Foram necessários quase dois anos para o álbum finalmente sair do forno e o resultado valeu a espera. O material traz uma produção bem-acabada de Beto Neves e um projeto gráfico caprichadíssimo, nos moldes de uma agenda típica dos teens, com assinatura do designer Mauro YBarros.
Bebendo na fonte de artistas como Wander Wildner, Little Quail & The Mad Birds, Autoramas, Os Pedrero e Cascavelletes, a Los Canos entrega ótimas músicas, com letras engraçadas, ar jovial e sem grandes arroubos instrumentais. Mercadologia, a primeira música composta pela banda, abre o disco como uma porrada punk, com letra divertida sobre uma temida disciplina da faculdade. Em faixas como Patrícia, Gatinha (mezzo Nirvana) e Eu sou mau, a banda deixa mais à vista a sua veia garageira.
Sobressaem-se também as irreverentes e românticas letras de Penna, como em Garota nota 7 ("Essa garota faz meu tipo/ Essa garota é nota 7/Mas é bem melhor que/ Sua garota nota 10"), Ela não gosta de mim ("Você gosta tanto de mulher quanto eu/ Mas se for ver quem pega mais, aí você venceu/ Ela não gosta de mim por que não gosta de garotos") e Coração bola oito ("Menina tatuada, me apaixonei por você/ Seu coração bola oito destruiu minha razão"). Canções com acento pop que a Los Canos pretende mostrar em muitos outros shows, assim que for definida a nova formação.
Companhia na pista - Para prestigiar o lançamento do disco Cada dia mais limpo e romântico, nada mais apropriado que convidar os cariocas do Autoramas. A mesma dobradinha já aconteceu outras quatro vezes somente em Salvador e o vocalista e guitarrista Gabriel Thomaz participou do álbum da Los Canos, tocando em Não dá pra mim não e Pra meu pai e pra minha mãe. "Desde a primeira vez que escutei a Los Canos, achei muito legal, as letras são ótimas e algumas das referências deles são as mesmas nossas. E é sempre um prazer tocar em Salvador", elogia Gabriel, 35, que acaba de voltar de uma turnê pela Argentina e Chile e já se prepara para outro giro internacional pela Espanha, Portugal, Bélgica e Holanda.
O grupo, formado ainda por Selma (baixo) e Bacalhau (bateria), apresenta em Salvador algumas músicas do novo disco, Teletransporte, que chega às lojas ainda em abril, pelas mãos do selo Mondo 77. Produzido pela prestigiada dupla Kassin e Berna Cepas, o álbum é o sucessor do elogiado Nada pode parar os Autoramas (2003), que fez da banda a recordista de troféus na edição de 2005 do VMB, com o clipe do sucesso Você sabe. "Quem conhece o Autoramas vai notar várias idéias novas. É um disco mais profissional, fizemos com calma e as músicas estão muito ricas em detalhes", conta Gabriel, citando faixas novas como Mundo moderno, A 300 km por hora e Hotel Cervantes, além das conhecidas Carinha triste, Fale mal de mim e Autodestruição, como certas no set-list.
** Matéria do autor do Discoteca Narcisista originalmente publicada no jornal Correio da Bahia, dia 30 de março, com o título "Lançamento desfalcado". Para ver a matéria da Los Canos, clique aqui . Para ver o box sobre o Autoramas, clique aqui
* Destaque do Domingo - Nação Zumbi e Mombojó
Seis meses depois, a dobradinha se repete. Duas das bandas mais representativas da cena pernambucana, Nação Zumbi e Mombojó se encontram amanhã em Salvador para uma noite de música da melhor qualidade. Desta vez o palco é bem mais apropriado: sai a desconfortável casa de show Espetáculo e entra a sempre aprazível Concha Acústica do TCA. Quem abre o evento, às 17h, é a revelação local Enio e a Maloca, com uma sonoridade calcada na black music.
Individualmente, Nação Zumbi e Mombojó já são apostas de casa cheia. Juntas, as perspectivas são ainda melhores, ainda mais quando se percebe a semelhança entre o público das duas bandas: principalmente jovem e universitário. Cientes do sucesso que fazem por aqui, os vocalistas dos grupos estão com a expectativa em alta. "Temos um grande público formado em Salvador, sou quase um baiano. Já fizemos vários shows na Concha Acústica, é um lugar muito agradável. A gente fica ansioso, sempre acontece uma coisa inusitada, alguém sobe no palco, essas coisas", pontua Jorge Du Peixe, 40, que assumiu a liderança da Nação Zumbi após a morte de Chico Science, em 1997. Já Felipe S., 24, estréia no anfiteatro baiano, nesta que já é a quarta vez do Mombojó na cidade: "Conversávamos um dia desses e chegamos a conclusão que o público da gente é maior em Salvador que em Recife. Salvador tem uma energia à parte, é diferente".
Os shows de Nação Zumbi e Mombojó, das turnês de Futura e Homem-espuma, respectivamente, já foram apresentados por aqui algumas vezes, mas as bandas garantem que o tempo de estrada já tratou de modificar ou ao menos aprimorar as apresentações. "Amadurecemos bastante o show, são praticamente as mesmas músicas, mas com uma cara diferente. Vai ser um show alopradamente feliz, afinal estaremos comemorando no dia seis anos do nosso primeiro ensaio como banda", revela o empolgado Felipe, que é acompanhado por uma big band formada por Marcelo Campello (violão, cavaquinho e escaleta), Marcelo Machado (guitarra), Chiquinho (teclado e sampler), Rafa (flauta), Samuel (baixo) e Vicente Machado (bateria). No repertório, estão garantidas canções que rezam a cartilha do pop, de um jeito cool, mas sofisticado, como Deixe-se acreditar, A missa, O mais vendido, Homem-espuma e Pára-quedas.
Com seis discos na bagagem, a Nação Zumbi certamente tem ainda mais dificuldade para armar o set-list e há sempre mais espaço para surpresas. "A gente tenta driblar e alterar o repertório, nunca fazemos o mesmo show. Recentemente, reformulamos tudo. Mas é realmente difícil fechar o repertório. Não é bom revelar tudo, para não estragar a surpresa", brinca Jorge Du Peixe, para logo depois soltar duas músicas que não costumam aparecer nos shows, mas devem pintar dessa vez: Lixo do mangue, do álbum Da lama ao caos (1994), e Respirando, do Futura.
Ainda é cedo para pensar em discos novos, mas algumas pistas já estão sendo deixadas no caminho. A banda de Jorge Du Peixe, Lúcio Maia (guitarra, que em breve lança disco do seu projeto paralelo, Maquinado), Dengue (baixo), Pupillo (bateria e percussão), Toca Ogan, Gilmar Bola 8, Marco Matias e Da Lua (percussão) programa para 2008 o início do processo de produção e já tem algumas músicas novas compostas na estrada. Antes disso, porém, a Nação mantém a agenda com importantes shows, como no dia 14 de abril, no aniversário de 15 anos do Abril Pro Rock, festival que nasceu em paralelo com o movimento mangue beat liderado pela banda. Entre junho e julho, a banda toca no Central Park (Nova York), possivelmente numa dobradinha com Os Mutantes, e na Europa, em locais ainda a definir.
Já o Mombojó, mesmo pensando em gravar um novo álbum a partir do final do ano, está com outras preocupações na cabeça. O grupo está de mudança para São Paulo, seguindo os passos dos conterrâneos da Nação Zumbi. "Vivemos só de música, mas estamos sendo empurrados para sair de Recife. Às vezes, fazemos mais shows como Del Rey, nosso projeto cover de Roberto Carlos, do que com o Mombojó. Estamos nos organizando para morar em São Paulo a partir de julho. Nossa gravadora é de lá, o escritório também e o interior de São Paulo é bem rico", avalia Felipe.
** Matéria do autor do Discoteca Narcisista originalmente publicada no jornal Correio da Bahia, dia 31 de março, com o título "Nação Zumbi e Mombojó energizam a Concha". Para ver a matéria original clique aqui
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por LEONARDO MAIA - 8:41 PM
Quarta-feira, Janeiro 24, 2007
* Destaque da Semana - Fatboy Slim no Carnaval 2007
Ao final da orgástica apresentação em pleno circuito Barra-Ondina, o inglês Norman Cook, mais conhecido como Fatboy Slim, rumou em estado de êxtase para o hotel com a esposa, a apresentadora de tevê Zoë Ball. Sentado na cama, soltou, perplexo: "Nunca vi nada parecido com isso em toda a minha vida". A terça-feira histórica na folia baiana ainda está bem fresca na memória do DJ e produtor inglês e tem tudo para ser repetida em grande estilo este ano, pelo menos no que depender do próprio. Em entrevista ao Folha, por telefone, direto de Londres, ele não disfarçou a empolgação em estar de volta à Bahia, no comando do Bloco Skol D+, capitaneando uma equipe que conta ainda com os conterrâneos Layo & Bushwacka! e com o brasileiro Marky, no dia 20 de fevereiro, último dia da festa baiana em 2007.
Se, no ano passado, Fatboy Slim tinha apenas uma vaga noção do Carnaval baiano, baseado em descrições de jornalistas e em fotos da internet, este ano ele sabe exatamente o que esperar e pretende superar o ótimo set apresentado em 2006. "Prometo ainda mais e algo melhor que no último Carnaval. Sei o que esperar da festa, agora tenho exata noção de quais faixas funcionam melhor. Mas não será nada radicalmente diferente, afinal eu simplesmente toco discos, é isso que eu faço", anuncia o DJ de 43 anos, nascido em Brighton.
Depois de Salvador, ele segue para o Carnaporto, em Porto Seguro, conhecendo um pouco mais do que rola no Verão baiano. Antes, passa por outras nove cidades: Recife, Belo Horizonte, Praia de Atlântida (RS), Guarapari (ES), São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Camboriú (SC) e Caldas Novas (GO). Uma turnê extensa, mas que tem em Salvador o seu ponto mais alto, de acordo com o próprio Norman Cook, afinal se trata do único local onde ele toca em cima de um trio elétrico.
A turnê no Brasil torna-se ainda mais marcante quando se percebe que o artista estava programando 2007 para ser um ano sabático. A idéia era entrar no estúdio para gravar um novo disco com a marca de Fatboy Slim e fazer apenas um show, no prestigiado festival inglês de Glastonbury. As recordações do ano passado, com um Bloco Skol D+ abarrotado por quatro mil baianos e turistas, além da pipoca e camarotes, o fizeram mudar de idéia. "É claro que imaginava voltar ao Carnaval da Bahia. Para falar a verdade, eu exigi isso. Ao final da apresentação, disse que queria voltar. Para 2007, tinha tomado a decisão de não estar na estrada durante todo o ano, mas o meu empresário perguntou: 'E o Brasil?'. Não resisti, tinha que vir", conta o DJ, que ainda não sabe quando o novo disco de carreira chega às lojas, mas promete um trabalho radicalmente diferente do anterior (e ótimo) Palookaville (2004).
A alegria contagiante e o ineditismo de estar em cima de um palco andante, com renovação constante de público, colaboraram para a decisão. "Foi uma das melhores sensações de minha vida, estava muito excitado. Tinham pessoas segurando o toca-discos, pois não paravam de pular e aquilo vibrava muito. Nunca vi tantos rostos sorridentes, tantas pessoas felizes e dançando!". Logo em seguida, com uma risada irônica, Fatboy não resiste e faz uma comparação que acirra um pouco mais uma velha rixa: "O Carnaval da Bahia é dez vezes melhor que o do Rio de Janeiro. São dois tipos diferentes de festa, mas no Rio as pessoas ficam a maior parte do tempo sentadas vendo tudo passar. Em Salvador, as pessoas se divertem muito pelas ruas".
Daniela, Layo & Bushwacka! - O repertório de Fatboy Slim para a folia de 2007 deve manter faixas clássicas do DJ, como Praise you, Right here right now, Fucking in heaven, Weapon of choice e Wonderful night, além de hits da música eletrônica de outros artistas. A principal novidade é uma parceria inédita com a cantora Daniela Mercury.
Enquanto Fatboy Slim preparou bases eletrônicas de house music para a faixa A Brazilian groove, Daniela trouxe o caldo nacional, com a cara do Carnaval e vocais em português. Uma música especialmente elaborada para a folia, entrando para o hall dos projetos do DJ relacionados ao país, como o disco Fala aí!, lançado ano passado pela ST2 Records, como uma forma de agradececimento à receptividade do público brasileiro.
O set-list pode trazer também uma das faixas que o público mais sentiu falta no Carnaval passado, justamente o maior sucesso do DJ, Rockafeller skank ("Right about now, the funk soul brother/ Check it out now, the funk soul brother"). Quando questionado sobre a possibilidade de executar a música este ano, Fatboy chegou a resistir: "Não pretendo tocar. O que costumo fazer é mixar o vocal com outras bases. No Carnaval, achei melhor não colocá-la". Mas esse é o seu maior sucesso no Brasil, caro Fatboy! "É verdade, quem sabe eu não toco? Aliás, o DJ Marky fez um remix de Rockafeller skank, posso tocar esse". Pensativo, acaba arriscando uma pergunta: "Você acha que devo tocar?". Diante da resposta positiva, finalmente baixa a guarda: "Ok, então vou incluir essa faixa, mas não na versão original".
Uma improvisação ao lado da dupla inglesa Layo & Bushwacka!, que está no Bloco Skol D+ a convite do próprio Norman Cook, também não está descartada. "Ainda não planejamos nada, mas é possível que a gente faça algo juntos. Eles conhecem o Brasil mais do que eu, já tocaram aí várias vezes e pesquisam sobre ritmos brasileiros", aponta.
A convocação aos amigos e conterrâneos Layo & Bushwacka!, porém, foi algo excepcional e não deve ser extensivo a outros artistas. Isso porque, aos risos, ele comenta a possibilidade de outras estrelas internacionais tocarem na festa baiana. "Ah não, o Carnaval da Bahia é só meu! Fizeram a gentileza de me convidar, não quero mais ninguém de fora tocando aí". Então você vai ter que vir todo ano, não é mesmo? "Claro, mas é isso que eu quero!", arremata o simpático DJ inglês.
** Matéria do autor do Discoteca Narcisista originalmente publicada no jornal Correio da Bahia, dia 16 de janeiro, com o título "'O Carnaval da Bahia é só meu'". Para ver a matéria original, clique aqui
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por LEONARDO MAIA - 7:09 PM
Terça-feira, Janeiro 16, 2007
* Destaque da Semana - Matisyahu
"Não tenho expectativas específicas quando não conheço o lugar onde vou tocar, mas estou ansioso para chegar logo. Torço por uma boa estada", afirmou o norte-americano Matisyahu, 27, em entrevista ao Folha, de Los Angeles, sobre sua participação no Festival de Verão. Confessando não ter conhecimento sobre a cultura brasileira, o "judeu do reggae", como passou a ser conhecido, promete um show enérgico na noite de abertura do evento da Rede Bahia, quarta-feira (24).
A apresentação de Matisyahu vai dar muito o que falar. Vestido a caráter, com a indumentária típica dos judeus ortodoxos, e esbanjando vigor, seus shows costumam trazer números de beat box (percussão do hip hop feita pela boca) e stage diving, quando o artista salta do palco para encontrar o público. Numa fala arrastada, longe do vocal vigoroso que despeja versos sobre religião, juventude, amor e justiça, Matisyahu conversou sobre a sua curta trajetória, religião, juventude e o que está programando para o show em Salvador. O repertório vai trazer principalmente faixas do seu disco mais famoso, Youth, indicado ao Grammy 2007, além de canções do mais recente ao vivo, No place to be, ambos lançados no ano passado.
"Planejo o set list logo antes do show, mas devem entrar músicas como Youth, King without a crown, Indestructible, Jerusalem, Chop'em down, Close my eyes e Exaltation". Entre as versões que costuma apresentar, Matisyahu confirma Message in a bottle, uma viajante releitura do clássico do The Police, e pelo menos duas do mestre Bob Marley, Running away e Rastaman chant.
Dentre as faixas próprias citadas, a mais famosa é Youth, que anda tocando nas rádios brasileiras e está na trilha da novela global Malhação. A letra fala da importância da juventude no mundo atual, com trechos como "jovem, o controle está em suas mãos" ou "a juventude é o motor do mundo", inspirados nos escritos de Menachem Mendel Schneersohn, um famoso rabino ortodoxo. "Acredito que a juventude deve fazer algo que as gerações anteriores tiveram dificuldade. Os jovens devem estar juntos, unidos, tentando viver os momentos ao máximo".
Ao lado de Damian Marley, Matisyahu é um dos principais expoentes da nova geração do reggae, que recicla o ritmo jamaicano com toques de outros gêneros, principalmente hip hop, R&B e rock. No caso dele, a música traz uma característica inusitada, que é o teor altamente religioso de muitas músicas, como Jerusalem, Indestructible e King without a crown. Hippie na adolescência, Matisyahu interessou-se pelo reggae ainda nesse período. "Sempre ouvi e gostei muito do estilo. Gosto da vibração da música e da mensagem que o reggae passa. As palavras de união e amor fazem muito sentido", considera o cantor e compositor, que quando criança sonhava em ser músico ou jogador de hóquei.
A influência do hip hop na sonoridade veio mais ou menos na mesma época, por ação da vizinhança. "Cresci em Nova York, a 15 minutos do Bronx, e nos anos 90 o hip hop estava em alta. Gostava de fazer free style com meus amigos e descobri o beat box, o meio que encontrei de expressar a minha música. O hip hop é muito importante na minha trajetória", pontua Matisyahu, citando o reggae de Bob Marley, o hip hop de Nas, Common e Outkast e o rock das bandas Phish e The Allman Brothers como principais influências.
Religião - Hoje fervoroso praticante dos princípios do judaísmo, Matisyahu foi descobrir esse forte lado espiritual somente aos 16 anos. Mas foi após completar 20 anos que ele passou a seguir os preceitos da religião judaica. "Os meus familiares têm uma história com o judaísmo, mas nunca foram muito religiosos. Passei por uma revolução espi-ritual aos 16, queria ser judeu e vi que isso seria importante na minha vida. Fui a Israel e me apaixonei, senti o vibe do lugar. O sentimento de estar com meu povo foi muito forte, pois os judeus estão espalhados pelo mundo e é diferente quando você está num país essencialmente judeu. Era como estar em família", lembra.
Matisyahu segue uma linha do judaísmo conhecida como hassidismo, que surgiu no século XVIII, no Leste Europeu. Em um período de intensa perseguição aos judeus, o hassidismo clamava por uma fé mais simples, estimulante e espiritualizada, em contraste com o academicismo e hermetismo que tomavam conta do judaísmo na época. É uma linha que busca colocar a emoção acima da razão e a exaltação religiosa acima do conhecimento. Os ensinamentos religiosos foram entrando aos poucos na música do artista norte-americano. "No início, com o beat box, eu improvisava muito, só depois que comecei a compor. Escrevia sobre qualquer lugar onde estava. Quando a religião apareceu na minha vida, aprendi sobre filosofia e comecei a pensar no judaísmo como doutrina", revela.
A vida de nova estrela da música internacional certamente não agrada a todos os praticantes do judaísmo, mas Matisyahu acha que vale a pena seguir, mesmo que por cima de todas as críticas. "De um modo geral, os judeus aceitam meu trabalho numa boa. Mas não são todos. Alguns acham que o que eu faço não segue os ensinamentos de Deus. Acham que eu vou para casas noturnas para me divertir. Acreditam que a minha música não é a maneira ideal de divulgar os ensinamentos do judaísmo", conta o judeu do reggae, que depois de Salvador seguirá para shows em São Paulo e no Rio de Janeiro.
** Matéria do autor do Discoteca Narcisista originalmente publicada no jornal Correio da Bahia, dia 14 de janeiro, com o título "A vibração de Matisyahu". Para ver a matéria original, clique aqui.
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por LEONARDO MAIA - 1:22 PM
Quinta-feira, Janeiro 11, 2007
* Destaque da Semana - Ben Harper
A maciça população negra e a forte herança cultural africana na Bahia foram dois dos principais motivos que colaboraram para a vinda de Ben Harper a Salvador. Ao aceitar o convite da produção do Festival de Verão, ele já tinha apontado Salvador como um dos locais onde queria tocar. Não à toa, em entrevista coletiva concedida ontem por telefone, que contou com a participação do Folha, ele afirmou que entre as principais coisas que quer ver no Brasil estão a capoeira e o berimbau. Completando sua lista de desejos, aparecem o churrasco e a possibilidade de ver artistas brasileiros em seu próprio país.
No dia 27, última noite do Festival de Verão (evento da Rede Bahia), Ben Harper sobe ao palco com status de principal atração da história do evento. Exímio guitarrista, excelente compositor e dono de uma voz forte e melodiosa, ele encontrou a popularidade após o sucesso do seu sexto álbum, Diamonds in the inside (2003). Passa longe, porém, de ser uma celebridade inacessível. "Sempre ando pela cidade onde vou e tento me colocar como cidadão do local", afirma Ben Harper, 37, acrescentando que após o show de Salvador, o último da turnê no Brasil, pretende ficar mais três semanas no país, viajando de moto. Deixou ainda em aberto a possibilidade de ficar até o Carnaval.
Da última vez que esteve no Brasil, em 1998, guarda na lembrança a visita ao Corcovado, no Rio de Janeiro, e como ficou impressionado ao ver crianças tão pequenas surfando gigantescas ondas. Ele adora surfar - assim como os amigos Jack Johnson e Donovan Frankenreiter - e vai trazer a prancha na bagagem. O jeitão boa-praça já rendeu alguns louros, como algumas eleições que o colocam como um dos artistas mais legais do showbiz. Se ele concorda? "É muito difícil responder sobre isso. Johnny Depp é o cara mais cool. Se quiser saber, vai ter que falar com ele", diz, aos risos, para depois minimizar o sucesso que faz entre as mulheres. Os olhos, ao que parece, estão plenamente voltados para sua esposa, a atriz Laura Dern.
Outro fator que faz de Ben Harper um artista que agrada não só pela sua música, mas também pela personalidade, é o engajamento em questões políticas e raciais. Ele costuma sair às ruas para protestar contra injustiças, como fez ano passado na Califórnia, numa passeata pela melhoria salarial das classes mais pobres e que culminou com a prisão de outro músico, o guitarrista Tom Morello (Audioslave). Quanto à reparação aos negros, vê alguns avanços e outros retrocessos. "Tem momentos que eu acredito que a justiça está sendo feita, mas, em outros, acho que ainda estamos a milhas de distância disto. Mais que branca ou negra, acredito na vida colorida. Juntando tudo, as coisas vão ficar bem melhores", pensa.
O show - Para os shows no Brasil, Ben Harper ainda não decidiu o repertório, mas garante que vai tocar músicas de todos os discos. Prefere fechar o set-list minutos antes da apresentação, mas é natural que priorize o disco mais recente de inéditas, o duplo Both sides of the gun (2006). Um álbum virtuoso que é dividido entre faixas mais acústicas e outras mais pesadas, carregando alto teor de protesto (como na ótima Black rain, que fala dos absurdos cometidos pelo governo Bush com as vítimas do furacão Katrina). Nesse disco, Ben Harper diluiu mais as suas influências, que vão do rock ao gospel, passando pelo blues, reggae, folk, soul e jazz. Um músico de multigêneros, que transita com notável destreza por diversos estilos.
O público do Festival de Verão pode esperar por um cantor e compositor em plena forma e na liderança de uma banda afiada, a Innocent Criminals. "Mal posso esperar para chegar ao Brasil, já se passou muito tempo desde a última vez. Quero estar aí e tocar com a minha banda, que está melhor do que nunca", garante o norte-americano, que destacou entre os artistas que têm feito sua cabeça nomes como John Coltrane, Wolfmother e Burning Spear, esse último atração do Festival de Verão no ano passado. Sem perder tempo, garantiu que já tem novo disco gravado e deve lançá-lo no segundo semestre deste ano.
** Matéria do autor do Discoteca Narcisista originalmente publicada no jornal Correio da Bahia, dia 11 de janeiro, com o título "O chamado da Bahia". Para ver a matéria original, clique aqui.
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por LEONARDO MAIA - 6:47 PM
Quarta-feira, Janeiro 03, 2007
* Disco da Semana - Danc-êh-sá (Tom Zé)
É curioso notar como o passar do tempo atinge as pessoas de maneiras distintas. Hoje, carregando a marca de setentão na carteira de identidade, o iraraense Tom Zé mostra uma música cada vez mais jovial e ousada. Isso se reflete também na nítida capacidade de comunicação que esse artista tem com os mais novos. Ao que parece, ele ganha anos de vida de um modo inversamente proporcional à faixa etária de seu público, cada vez mais baixa. E é exatamente para os mais jovens que ele dedica o seu novo disco, Danc-êh-sá, uma obra instrumental, que traz referências ao fim da canção, à herança cultural africana e ao silêncio dos intelectuais em relação às novas tecnologias. Em 2007, ele deve continuar em foco com mais dois produtos: a biografia Tom Zé: parceiro do futuro, escrita por Tatiana Lima, e o documentário Fabricando Tom Zé, de Décio Matos Jr.
Danc-êh-sá é talvez o mais experimental dos discos de Tom Zé - e isso é um feito e tanto na obra de um artista que montou uma máquina de sampler numa época em que a peça nem era fabricada e recheou seus álbuns com instrumentos próprios, como o buzinório e o enceroscópio. A começar pelo fato de que só mesmo um cantor e compositor com uma saudável dose de loucura poderia abrir mão do seu principal instrumento de trabalho: a palavra. Se suprime as letras das músicas, ainda assim preenche o encarte com um discurso que destrincha as motivações dessa bela obra.
O principal estopim do trabalho foi uma pesquisa da MTV realizada em 2005, segundo a qual a maior parte dos jovens entrevistados deixou claro que não quer saber de responsabilidade social e carrega em si altas doses de egoísmo e consumismo. Com isso em mente, inspirado numa frase de Chico Buarque, que decreta o fim da canção, e num artigo do maestro Júlio Medaglia sobre o desleixo da classe intelectual com relação às novas tecnologias, Tom Zé pôs a mão na massa. "Nessa própria pesquisa, tinha um dado que os jovens não gostam de letras de músicas grandes e preferem apenas um refrão que eles possam repetir. Por causa disso, resolvi adotar o desafio de não botar uma palavra no disco", esclarece o artista, por telefone, de São Paulo, cidade que adotou como residência.
Para cumprir o desafio de fazer as sete "não-canções ou pós-canções" de Danç-êh-sá, Tom Zé buscou abrigo na música de Dorival Caymmi - estampando inclusive a frase "sete caymianas para o fim da canção" na capa do disco. "O desafio de fazer o enterro da canção provoca a procura de formas novas, que veio desembocar nas sete caymianas. Eu tento escapar da fórmula de repetição da canção popular e acabei consultando uma memória remota e intuitiva da minha infância com os álbuns das canções praieiras de Dorival Caymmi. Eu ficava espantadíssimo com a ousadia, a liberdade de forma com que ele praticava aquelas músicas. De repente aparecia um ritmo e um falar aflito numa canção que começara bastante contemplativa, como uma gaivota voando. Fazendo esse disco, lembrei desses truques, das trombadas que o Caymmi dava para cortar o ouvinte", conta Tom Zé.
Outra fonte de inspiração foi o Eclesiastes, livro do Antigo testamento, de onde tomou emprestado os três tempos (viver, sofrer e revoltar) de cada uma das faixas. Ele explica: "É como se cada composição estabelecesse uma dialética dentro de si própria. O 'viver' é, digamos, uma primavera da vida. Eu tentei manter o beat, a levada e mudar completamente de cor quando passa para o 'sofrer', onde eu usei músicas bem antigas, do tempo da ditadura de Getúlio Vargas, com o pulso dançante. Na parte do 'revoltar', eu faço uma brincadeira até ousada, que é a estética da desorganização, que no caso da música é um pecado capital. Cada instrumento vai para um lado e o resultado se torna uma espécie de apocalipse". Esses momentos são nítidos nas faixas, que guardam características bem dançantes. Não se pode dizer que não há voz nas músicas, pois as vocalizações que Tom Zé costuma usar estão lá, porém funcionam mais como um instrumento diferenciado, que dá ritmo.
Cada música guarda relação com uma revolta negra, a maior parte delas dos anos 1800. O objetivo de Tom Zé é lembrar aos jovens do sacrifício das nações africanas e dos nossos antepassados que "foram arrancados de um tempo de 'viver' e atirados no tempo do 'sofrer' (...) e aqui, em desespero, desencadearam várias revoltas". Sendo assim, importantes insurreições tornam-se subtítulos das faixas, como a Revolta Malê na canção Triú-trii, Revolta Queto-Xambá em Uai-uai e a Revolta Banta em Taka-tá. Completando a influência africana, 80% dos instrumentos utilizados no álbum são originários de lá. "Somos uma nação negra, conforme diz Gilberto Freyre, que é quem endossa esse meu cheque. Quando a pessoa não tem a negritude no sangue, tem na formação cultural", aponta.
Com a palavra, Tom Zé!
"Nós temos desenvoltura, vocação para o futuro e invenção, essa juventude que é negra no Brasil todo, seja pela cor ou formação cultural, tem bastante razão de ser otimista e é isso que o disco quer dizer."
"A aproximação dos jovens é uma coisa muito curiosa na minha vida. Isso nunca foi uma intenção minha, outro dia eu coloquei cinco mil pessoas na Concha Acústica. Em que espetada me meti! Todo ano canto em alguma recepção dos calouros."
"Dizem que no Brasil não tem terremoto, é mentira, no Recôncavo da Bahia tem. Para os espíritos sensíveis, essa terra treme, pelo menos aos dois graus e meio da escala Richter, como se fosse um terremoto constante, que é a força dessa cultura."
"Você chega em qualquer festival na Europa e a música brasileira é tão boa que eles pegam qualquer banda anônima, que é boa mas está começando, para tocar."
"Todo mundo sabe que sou um péssimo cantor, compositor e instrumentista. Isso que me transformou num artista singular. Os defeitos são os caminhos mais estreitos que levam à singularidade."
"Só tenho certeza de uma coisa: foram 70 voltas em torno do Sol, então por 70 vezes eu pude ver que todos os lados do Sol são quentes. Como se fosse uma Bahia mais densa e onde só chove raios."(Sobre a chegada aos 70 anos de vida)
Para ler mais sobre o documentário Fabricando Tom Zé e o livro Tom Zé: parceiro do futuro, clique aqui
** Matéria do autor do Discoteca Narcisista originalmente publicada no jornal Correio da Bahia, dia 04 de janeiro, com o título "Tom Zé além do tempo e da palavra". Para ver a matéria original, clique aqui.
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por LEONARDO MAIA - 1:57 PM
Quarta-feira, Dezembro 27, 2006
* Perfil - Carlos Eduardo Miranda
O carregado sotaque gaúcho, a inconfundível barba branca acompanhada por um volumoso cabelo igualmente branco, as camisas coloridas, o jeitão irreverente e o porte, digamos, avantajado, fazem de Carlos Eduardo Miranda uma figura difícil de passar despercebida. Se hoje ele é conhecido por um variado público, devido à sua divertida participação como jurado do programa Ídolos (SBT), há anos é admirado pelo notável trabalho como produtor. O homem que descobriu o Raimundos e colocou nomes como mundo livre s/a e Cansei de Ser Sexy na ordem do dia pode hoje ser considerado como o maior de todos na sua área. E continua acumulando trabalhos.
Só este ano ele produziu, em parceria ou sozinho, discos do Cordel do Fogo Encantado, Skank, Nina Becker, Cartolas (vencedor do festival Claro q é rock), a coletânea Pará planetário e o disco de estréia dos baianos do Canto dos Malditos da Terra do Nunca. Já tem engatilhado o Acústico MTV de Lobão, o disco da pernambucana Cyz (também jurada do Ídolos) e a estréia da ex-Penélope Érika Martins & Os Telecats.
Mas nem sempre foi assim. Demorou alguns anos para Miranda produzir o que realmente gostava. O primeiro trabalho foi para um grupo de amigos de Porto Alegre, o Pupilas Dilatadas, nos idos de 1986. Mesmo não sendo um músico nato, ele também tocava e fazia trilhas para o teatro. "Fui tratado como louco no Sul, no início da carreira. Quando comecei a trabalhar com trilhas para teatro, as pessoas passaram a ver que eu tinha algo. Em São Paulo, comecei produzindo muito disco de metal, porque era cabeludo e as pessoas me associavam a isso. Mas eu nunca fui metaleiro. Chegou a um ponto em que a única maneira de lançar as coisas que gostava seria com um selo próprio", explica Miranda, hoje com 44 anos.
A mudança para Sampa ocorreu em 1988, mas o tal selo só foi criado em 1993. Era o Banguela, uma sociedade com o Titãs, cujo maior estouro foi o Raimundos. "Na época eu era repórter da Bizz e da Set, tinha muita coisa legal rolando. As bandas passavam por mim e eu não participava daquilo. Levei várias demos para os Titãs escutarem, do Raimundos, mundo livre s/a, Chico Science e Nação Zumbi, Graforréia Xilarmônica, Little Quail. Eles chaparam e decidimos fazer o selo", lembra. Logo ele passava a ser conhecido como um dos grandes responsáveis pela nova geração do rock nacional, trazendo frescor ao mercado.
Depois da fase com o Banguela e com um outro selo, o Excelente, Miranda tornou-se diretor artístico da gravadora Trama e, mais tarde, foi o idealizador do portal Trama Virtual (www.tramavirtual.com.br), que hoje abriga dezenas de milhares de MP3 de artistas independentes. Assíduo freqüentador dos festivais pelo país, passou a receber material de todos que cruzavam o seu caminho. "Vou sempre de bermudas e calças cheias de bolsos, para receber discos. Dá pra levar uns dez CDs em mim. Com a internet, as pessoas passaram a me entregar também endereços de sites".
Tanto disco compõe apenas uma parte do acervo desse colecionador nato. São nove mil CDs, dez mil vinis, 30 mil gibis, outros tantos milhares de livros e um sem-número de bonecos, uma das grandes paixões de Miranda. "Sou maníaco também por internet, coleciono bookmarks! Na verdade, não coleciono o objeto em si, coleciono informação, que é o que eu mais gosto. Acho besta quem coleciona o objeto e fica doido atrás da edição tal de uma revista".
Mesmo ligado diretamente com o rock, Miranda diz que escuta mais samba e adora os híbridos da eletrônica com outros gêneros, como o synt-pop e electro. "Esse negócio das pessoas me associarem somente ao rock me compartimenta muito. Meus trabalhos favoritos de produção, por exemplo, têm uma forte ligação com a eletrônica e outros gêneros, como Totonho e Os Cabra, mundo livre s/a e Otto", cita.
***
Fala, Miranda!
O PRODUTOR - "A interferência do produtor varia de um disco para o outro e não só de um artista para o outro. Em alguns trabalhos, viro tudo de cabeça para baixo, outros deixo intactos. Espero que o artista duvide, queira mais, isso é fundamental. Quando estou trabalhando, às vezes fico meio dormindo, de olhos fechados. Estou descansando, mas escuto tudo o que se passa ao redor. Os músicos não acreditam, acham que eu não estou prestando atenção. Posso usar métodos pouco ortodoxos, mas é o resultado que interessa".
CANDIDATOS - "Em primeiro lugar, levo em consideração o quanto eu gosto do trabalho do artista. Em segundo, o quanto o artista faz por ele mesmo. E, em terceiro, o quanto eu vou poder fazer por ele. Às vezes, já está tudo rolando e eu não tenho o que fazer".
NÃO-PRODUZIDOS - "Já aconteceu de eu não apostar num artista por achar que não podia fazer nada por ele. O Zeca Baleiro, por exemplo, tinha uma demo muito bem feita, era coisa para gravadora grande, e não para um selo pequeno como o meu. O Planet Hemp também, afinal, se eu lançasse uma banda que fala de maconha pelo Banguela, ia todo mundo preso. No caso do Mamonas Assassinas, eu não queria associar minha imagem a eles. Achei horrível e não me arrependo de não ter produzido o disco deles".
RAIMUNDOS ¿ "O sucesso mais prazeroso foi o do Raimundos, que venceu pelo povo. A Warner não acreditava na banda, colocava duas mil cópias para vender e logo esgotava, depois mais duas mil, depois cinco, sempre esgotando. O bicho pegou e eles colocaram 60 mil logo de vez, o álbum chegou a disco de ouro. Fiz o trabalho do modo mais fiel possível à sonoridade deles. Uma coisa que fiz foi convencê-los a gravar Selim, o que aconteceu só no fim. Rodolfo não gostava de cantar a música, aí eu falei que, se ele não cantasse, eu ia chamar o Falcão lá do Ceará. A música acabou tocando muito nas rádios".
VIRGULÓIDES - "Foi o sucesso que aconteceu mais rápido, mas também o mais fugaz de todos. Era uma música bem fuleira, do tipo para tocar num churrasco. Lançamos antes do Carnaval e logo depois a banda já estava estourada! Mas acabaram rolando alguns erros administrativos, problemas do selo com a gravadora, foi tudo pro brejo".
MUNDO LIVRE S/A - "Eles eram muito criativos, mas também bem inexperientes. Eu e o Charles Gavin tivemos que meter a mão a sério no Samba esquema noise, reinventamos tudo. Foi muito legal, um dos discos que mais tive prazer de produzir. Mudou tanto que alguns músicos nem conseguiam mais tocar as canções".
TRAMA VIRTUAL - "O ritmo de crescimento do site foi surpreendente. Colocamos no ar sem divulgar, não dava nem entrevista sobre o assunto. Esperamos pelo boca-a-boca e rapidamente chegamos a cinco mil músicas cadastradas. Deixei a Trama Virtual porque já tinha feito tudo que podia, sentia que a missão estava cumprida. A equipe continua a mesma, houve um respeito ao meu trabalho e uma tentativa de continuidade".
ÍDOLOS - "O Miranda do Ídolos é completamente verdadeiro. Eu sou muito canastrão, se fosse fazer um personagem, ia interpretar muito mal. Às vezes, pedem para refazer determinadas cenas e eu me nego. O gosto dos candidatos não é nem duvidoso, é chinelo mesmo. São vítimas da política cultural do país, que não dá oportunidades. Se eu pegasse uns cinco ou seis dali para produzir, acho que dava para fazer bons discos".
FUTURO - "Essa conversa do fim do CD é antiga, não vai acabar, há na verdade uma libertação dos formatos. Hoje o artista vende CD, MP3, vinil, DVD, são muitas possibilidades. Foi a melhor coisa que aconteceu, pois há uma valorização da música em si, e não do produto. A troca de MP3 pela internet é sensacional, veio para salvar a música. Sou totalmente favorável. Se não fosse isso, já tinha ido tudo pro brejo".
** Matéria do autor do Discoteca Narcisista originalmente publicada no jornal Correio da Bahia, dia 26 de dezembro, com o título "O produtor que dá novo gás à música brasileira". Para ver a matéria original, clique aqui.
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por LEONARDO MAIA - 10:45 AM
Quinta-feira, Dezembro 07, 2006
* Dica da Semana - Arnaldo Antunes no Teatro Castro Alves (quinta e sexta - 7 e 8/12, às 21h)
Crédito: Divulgação/Márcia Xavier
Privilegiado é o artista que consegue se reinventar. Da figura anárquica de uma das bandas mais importantes do rock brasileiro oitentista, os Titãs, até a serenidade MPB do momento atual, Arnaldo Antunes trilhou um caminho íntegro e autêntico. Experimentou, integrou um dos projetos mais populares dos últimos anos - os Tribalistas -, mudou o jeito de cantar e conquistou o seu público e a admiração da crítica. Paralelamente à carreira musical, deixou também aflorar a sua verve poética, agora reunida na recém-lançada antologia "Como é que chama o nome disso". Hoje e amanhã, às 21h, no Teatro Castro Alves, ele traz pela primeira vez a Salvador o show do seu sétimo disco, "Qualquer". A apresentação faz parte do projeto MPB Petrobras e a abertura fica por conta da baiana Andréa Costalima.
Um dos símbolos mais claros da nova fase de Arnaldo é a completa ausência de percussão, inclusive bateria, no disco Qualquer. O piano e os instrumentos de cordas - violão, guitarra, bandolim, banjo e baixo - compõem o tecido sonoro para a voz grave e rouca do cantor. "Suprimi a percussão para evidenciar as canções. Troquei o peso pela delicadeza, quis experimentar. Essa é uma prova do amadurecimento do meu trabalho, a cada disco sinto a necessidade de estar mudando", constata Arnaldo, 46.
De fato, essa transformação já vem ocorrendo desde o projeto Tribalistas, em 2002. Qualquer pode não guardar tantas semelhanças com o projeto do trio Arnaldo, Marisa Monte e Carlinhos Brown, mas foi nesse ponto que o cantor paulista passou a utilizar a voz de um modo diferente. Em "Saiba" (2004), o gosto pela música mais serena, com um quê marcante de MPB, ficou ainda mais evidenciado. "Acredito que minha experiência com os Tribalistas deixou como herança uma maneira diferente de interpretar, o meu canto mudou. Na ocasião, tive que colocar registros vocais mais graves para acompanhar as vozes de Marisa e Brown. Nos Titãs, eu cantava tudo mais berrado, tinha que ter uma potência na voz. Depois, passei a interpretar de outras formas. Sempre prezei pelo canto que diz ao máximo o que tem na letra. Nesse sentido, João Gilberto é o maior exemplo de adequação do texto à melodia", cita.
O atual momento não significa, porém, que Arnaldo abandonou o rock ou a música mais percussiva (como a apresentada no vibrante Paradeiro). Assumindo uma postura camaleônica, ele deixa o futuro em aberto. "Não dá para dizer que é um ponto de chegada confortável, posso voltar ao rock pesado ou então fazer um disco ainda mais intimista. Esse caminho do rock para a MPB não foi programado, os meus discos refletem uma necessidade do momento", explica.
Show - Acompanhado de Chico Salem (violão), Betão Aguiar (violão e guitarra) e Marcelo Jeneci (teclados e acordeom), Arnaldo Antunes vai tocar nove músicas do novo CD, entre elas, "Contato imediato" (feita com os amigos Brown e Marisa), "Para lá" (parceria com Adriana Calcanhotto) e "Qualquer" (dobradinha com os portugueses Helder Gonçalves e Manuela Azevedo, da banda Clã). Algumas canções já foram registradas nas vozes de outros cantores - como é o caso de "Lua vermelha" (Maria Bethânia) e "As coisas" (Gilberto Gil) - mas pela primeira vez foram gravadas pelo próprio Arnaldo. "Eu não sentia necessidade de registar essas músicas, porque as gravações originais são brilhantes. Mas quando concebi o conceito sonoro do álbum, achei que elas podiam entrar", justifica.
Entre as canções de outros álbuns que vão estar presentes no set-list, destacam-se "Socorro", "Se tudo pode acontecer", "O silêncio" e as titânicas "O pulso" e "Não vou me adaptar". "Aproximo as músicas da sonoridade de 'Qualquer', adaptando para essa formação mais leve. Canto tudo de um modo mais sereno, com uma voz mais próxima a essa que você está ouvindo agora, mais próximo do falar", esclarece Arnaldo, confessando que esse show é o mais intimista de toda a sua trajetória.
Ainda há espaço para algumas versões, como "Judiaria" (Lupicínio Rodrigues), "Qualquer coisa" (Caetano Veloso) e "Exagerado" (Cazuza). Mas, entre as releituras, a que realmente se destaca é "Acabou chorare", que inclusive está no disco "Qualquer". Clássico dos Novos Baianos, a canção é uma das favoritas do artista. "Sempre fui muito fã dos Novos Baianos. Sei todas as músicas do disco 'Acabou chorare' de cor, canto muito no violão, em casa. Quando fiz o show no Rio, Galvão e Moraes Moreira estavam na platéia, dediquei a música a eles", conta.
A presença de um componente original dos Novos Baianos, Dadi Carvalho, no estúdio de gravação, foi um motivo a mais para incluir a canção no repertório. Curiosamente, a relação com o grupo baiano não pára por aí, pois o músico Betão Aguiar, que acompanha Arnaldo no palco, é filho de Paulinho Boca de Cantor. Mais um elemento que colabora para a estreita relação do artista paulista com a Bahia, fortalecida principalmente em virtude da amizade com Carlinhos Brown. "Adoro fazer show aí, o público é muito quente. Gravei o disco Paradeiro no estúdio do Brown, a Ilha dos Sapos e, de vez em quando, eu, Brown e Marisa nos reunimos para compor. Tentamos preservar esse exercício, é um prazer enorme. Vamos continuar a trabalhar juntos e, eventualmente, podemos participar dos discos de cada um", afirma Arnaldo, para em seguida descartar completamente uma volta dos Tribalistas.
** Matéria do autor do Discoteca Narcisista originalmente publicada no jornal Correio da Bahia, dia 07 de dezembro, com o título "Arnaldo Antunes com toda delicadeza". Para ver a matéria original, clique aqui. Na mesma edição, a recém-lançada antologia "Como é que chama o nome disso", também de Arnaldo Antunes, recebeu destaque. Leia aqui.
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por LEONARDO MAIA - 2:44 PM
Sábado, Dezembro 02, 2006
* Dica da Semana - Pato Fu e Rebeca Matta na Concha Acústica (domingo, 18h)
O show do Pato Fu na Concha Acústica foi destaque na capa do Folha da Bahia, caderno de cultura do Correio da Bahia, no dia 1º de dezembro de 2006. O texto original do autor do Discoteca Narcisista, você lê aqui. Abaixo, a entrevista completa com Fernanda Takai, realizada por e-mail. Oportunidade de ver o que ficou de fora devido à falta de espaço!
Pergunta - Mais de um após o lançamento do disco, a turnê de "Toda Cura para Todo o Mal" enfim chega a Salvador. A demora é atípica, pois o Pato Fu sempre fez muitos shows na cidade e tem público cativo. Por que isso ocorreu?
Fernanda Takai - Havia um show marcado para o segundo semestre do ano passado, mas tivemos que cancelar de última hora por conta de uma laringite aguda que tive. Foi a primeira vez em todos esses anos de carreira que fiquei totalmente afônica por uma semana. Deixamos de fazer duas datas: Salvador e Gravatá. Depois não conseguimos remarcar. Ficamos tentando e nunca dava certo. Finalmente agora o show chega na cidade. Mas que demorou muito, demorou. Espero que o público também esteja com saudade da nossa música porque estamos com muita vontade de tocar aí de novo!
P - Desde o lançamento da turnê até o estágio atual, o que mudou no show?
FT - Não mudamos muita coisa, fomos é aperfeiçoando o ritmo do show mesmo. Esse espetáculo foi apontado como um dos melhores do ano passado por vários veículos especializados e até ganhamos um prêmio da APCA
(Associação Paulista dos Críticos de Arte) por ele.
P - Como será o repertório do show? Vocês vão mesclar os sucessos antigos com as faixas do disco mais recente?
FT - Tocamos nove músicas do disco mais novo e outras 12 que são ainda muito significativas pra gente. A maior parte delas são bastante conhecidas e algumas são boas de se tocar em show mesmo... Não podemos deixar de tocar coisas como "Canção Pra Você Viver Mais", "Sobre o Tempo", "Antes Que Seja Tarde", "Made In Japan", "Depois"... Um dos momentos-chave do show é "Capetão 66.6fm", que ganhou uma versão nova!
P - O que vocês levam em consideração no momento de escolha do repertório? Sentem dificuldade em montar o set-list?
FT - Geralmente cada um faz uma lista pessoal e vamos trabalhando em cima das músicas que mais aparecem em todas elas. Não necessariamente tocamos todas as canções mais conhecidas. Costumo dizer que a cada turnê a nossa proposta de repertório é fechada baseada nas músicas que ainda gostamos de tocar depois desses anos todos com a banda. Claro que muita coisa acaba ficando de fora porque temos uns 100 títulos entre tudo que gravamos pra escolher...
P - Curiosamente, a música "Pinga" é uma das mais pedidas pelos público baiano. Ainda assim, vocês não tocam essa canção há muito tempo. Esse pedido é algo específico de Salvador ou recorrente em outras cidades? Pode ser que role dessa vez?
FT - A última vez que tocamos "Pinga" foi em 2001. Não é uma música que eu particularmente goste. Como eu acredito cada vez mais que devemos fazer aquilo que temos vontade de verdade, preferimos deixá-la de fora do repertório. Dou bastante importância ao nosso público, mas quem deve escolher o que se deve cantar é a própria banda. Não sou muito a favor
dessas votações populares pra ver o que a platéia quer ouvir. Acho saudável que o artista tenha a sua proposta musical pra cada momento da carreira.
P - Os shows de vocês costumam ser mais "pesados" que os discos. A banda despeja uma energia que muitas vezes surpreendem o público. Isso é algo programado como uma maneira de diferenciar os dois momentos - de estúdio e de palco?
FT - Os nossos momentos ao vivo tendem a ser mais vigorosos. Talvez pela bateria do Xande ou a nossa empolgação mesmo. Estúdio é um ambiente controlado, mais delicado. Gosto dos dois. Acho que seria chato só gravar discos, assim como não ficaria satisfeita só tocando ao vivo. É importante ser competente em ambos. Isso é bom pra quem gosta de nossa música, assim vale a pena ver a banda ao vivo e ainda assim ter os discos pra escutar em casa, com todos os seus detalhes de produção.
P - Pensando num Pto Fu "antes de Nina" e "depois de Nina", vocês notam alguma diferença na postura da banda em palco? O tempo que vocês passaram sem tocar provou mudanças? (N.R. - Nina é a filha de Fernanda e John)
FT - Sinceramente não. A chegada de nossa filha nos trouxe muitas coisas boas, sem dúvida. Mas isso não muda o nosso jeito de fazer música. A gente ficou foi sem aparecer nos grandes meios. Nunca deixamos de fazer shows por mais de seis meses. Agora o Ricardo também é papai, tem uma menina de quatro meses. Pensando bem, podemos dizer que somos uma banda com menos horas de sono do que antes...
P - O evento "Balança Concha" tem um caráter educativo, com o recolhimento de livros para doação. Queria quue você falasse um poucode iniciativas como essa.
FT - Se podemos fazer com que a música apresente algo mais, além do simples entretenimento, é ótimo! O incentivo à leitura é sempre necessário. Gostar de ler faz a diferença na vida de qualquer pessoa. Fiquei realmente feliz quando soube.
P - Vocês acabaram de chegar de uma turnê que passou por Portugal e Inglaterra. Como foram os shows? O públio de Portugal conhecebem a banda? Essa foi a primeira vez que vocês tocaram em Londres?
FT - Foi uma correria só, mas acho que valeu a pena. Em Portugal tivemos mais portugueses presentes aos shows do que brasileiros, já em Londres os brasileiros eram muito mais. É o início de um trabalho. Foi a primeira vez que nos apresentamos ao vivo por lá. Já tinhamos ido como turistas ou pra uma mixagem de disco (Ruído Rosa, 2001). O melhor é que tocamos em lugares muito bons. Mostramos o show com força total: som bacana, luz caprichada e tivemos boas resenhas por lá.
P - Os videoclipes sempre marcaram a trajetória da banda, vide o DVD já lançado com clipes de toda a carreira e o próximo registro, com todos os clipes de "Toda a Cura para Todo o Mal" Quando o DVD chega às lojas? Elaborar videoclipes é uma das coisas que mais dá prazer ao Pato Fu?
FT - Esse lançamento do nosso terceiro dvd virou quase uma novela mexicana. Ele está pronto desde o fim de maio e a SonyBMG tem nos enrolado pra lançar. Também temos um contrato de licenciamento do dvd, assim como o cd, mas por conta de trâmites burocráticos, eles simplesmente não o lançam no mercado. Fomos passando pra trás na lista de prioridades deles... Estamos realmente chateados. É a primeira vez que um artista brasileiro faz um projeto assim e eles não dão a mínima... Falando da parte boa, sim, gostamos muito de fazer clipes. E nem é pra aparecer neles não. É pra poder trabalhar com gente bacana que faça leituras visuais interessantes de nossas canções. Outros artistas que admiramos tem linda videografia como Cure, Björk, Radiohead, Super Furry Animals...
P - Pensando mais especificamente no disco "Toda Cura para Todo o Mal", quando vocês olham hoje para o trabalho, acreditam que chegaram num ponto ideal entre o experimentalismo latente de outros trabalhos e o lado pop mais evidente em discos como "Isopor" e "MTV ao Vivo"?
FT - Acredito que hoje a gente saiba compor melhor, se produzir com o devido esmero, evoluimos como artistas de palco também. Todo o nosso trabalho tenta ser uma evolução daquela idéia inicial do Pato Fu. Ouvindo os oito discos em seqüência, percebe-se isso. Agora, se pegar o segundo e o último apenas, talvez falte um pedaço. Eu sou a que mais gosta do lado pop do Pato Fu se as escolhas fossem totalmente minhas, talvez a banda soasse demasiadamente pop. Mas somos um grupo com 5 pessoas que tem seus gostos particulares e essa nossa diversidade interna, dosa todos esses lados e ainda assim nos deixa satisfeitos artisticamente falando.
P - Falando nesse lado mais pop, notadamente em "Isopor", vocês consideram que o passo foi pensado na ocasião como uma tentativa de fazer algo mais comercial? É um disco que o Pato Fu acha essencial para a "popularização" da banda?
FT - Não acho o Isopor mais comercial que o Ruído Rosa, por exemplo. Há canções pop nos dois. Assim como coisas mais estranhas. O disco que mais teve abertura nas rádios foi o Televisão de Cachorro. A não ser que você ache comercial cantar em japonês no Brasil... Hehehe. Talvez a percepção de pop seja ter música na novela das oito, aí sim, tivemos "Perdendo Dentes". Mas ela estava lá no disco. Alguém gostou dela. Nunca sabemos o que vai tocar ou não no rádio. A gente tem que fazer as músicas e se orgulhar delas sem tentar encaixá-las no que o mercado está pedindo. No mínimo temos que alcançar a nossa satisfação pessoal. Todo o resto está fora do nosso controle.
P - O Pato Fu já está pensando num próximo álbum? Vocês já têm novas canções compostas? Dá para perceber quer caminho será seguido?
FT - Estamos compondo as canções. Gravei algumas demos com o John aqui. Ainda não há cronograma previsto pro lançamento. Os nossos discos só encontram a sua cara depois de prontos. Todas as canções sempre partem de universos líricos e estéticos bem diferentes.
P - Ainda falando no novo disco, vocês devem voltar às grandes gravadoras ou vão se manter no meio mais independente?
FT - A tendência é que a gente apenas distribua pelos selos maiores. Temos o nosso estúdio, nossa editora, nosso escritório de produção. Já passamos 10 anos dentro de uma gravadora grande e acho que podemos dar alguns passos por conta própria. É mais difícil, mas não menos compensador. Cada etapa tem suas escolhas. Foi assim que sempre fizemos durante a carreira. Ainda estamos aprendendo...
P - Curiosamente, as duas cantoras que vão estar presentes no "Balança Concha você e Rebeca Matta - foram citadas como opções para assumir os vocais na volta dos Mutantes. Você foi realmente convidada? O que a levou a declinar a proposta?
FT - Eu não fui convidada oficialmente. Perguntaram, através da produção, se eu gostaria de cantar com eles em Londres e que possivelmente isso se estenderia para uma turnê americana e outras datas mais. Claro que gostaria, mas tenho uma banda em atividade no momento. Não sou uma cantora em carreira solo. Seria complicado internamente, para o Pato Fu, eu deixar a banda em animação suspensa dependendo de outras agendas. Fiquei muito orgulhosa pela possibilidade, mas acho que a Zélia foi uma excelente escolha. Além de ser amiga dela, a admiro como artista, acho que tem mais do que talento pra assumir esse posto.
P - Aproveitando o assunto Mutantes, vocês são muito ligados à banda, tanto na questão da musicalidade, quanto em questões pessoais, vide a produçã ode John no disco mais recente de Arnaldo Baptista. O que vocês acharam da volta do grupo?
FT - A gente acabou se tornando mais próximo por uma série de coincidências. Temos amigos em comum e acabamos amigos do Arnaldo e da mulher dele, a Lucinha. Há alguns anos abrimos umas datas pra Rita Lee, ela também gravou uma canção inédita do John. No início deste ano o Sérgio Dias foi nos assistir em São Paulo... Só posso dizer que estão voltando com muita força. Tudo que vi e ouvi da nova formação é muito bom. Acho emocionante vê-los tocar. São sem dúvida um dos maiores nomes da música brasileira de todos os tempos.
P - O que você tem escutado ultimamente? O que não sai do seu discman (ou MP3 player!)?
FT - O disco de estréia da Érika Machado, chamado "No Cimento" que saiu pela Indie. E o disco ao vivo dos Clã de Portugal.
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por LEONARDO MAIA - 5:41 PM
Quinta-feira, Novembro 30, 2006
*Disco da Semana (CD + DVD) - Mutantes ao vivo
Esqueça que eles estavam longe dos palcos há 28 anos. Esqueça a idéia de um revival caça-níqueis. Esqueça que Rita Lee ficou de fora dessa. Os Mutantes estão de volta e mostram no CD/DVD Mutantes ao vivo, gravado em maio deste ano no prestigiado Barbican Theatre, em Londres, que estão em plena forma. Os cinquentões Sérgio Dias (vocal e guitarra), Arnaldo Baptista (vocal e teclados) e Dinho Leme (bateria) se juntaram a uma excelente banda de apoio e convidaram a cantora Zélia Duncan para dar o novo toque feminino. No show de retorno, na Inglaterra, que precedeu uma turnê por seis cidades norte-americanas, a emoção transbordou em cada acorde e os Mutantes mostraram a excelência que garantiu à banda um lugar no topo do rock nacional.
"Nunca nem sonhei com essa volta, ainda mais nesse nível, internacionalmente. Num espaço de três meses, nós estávamos tocando no Barbican, Fillmore, Hollywood Bowl e Webster Hall", orgulha-se Sérgio Dias, citando as prestigiadas casas de show das cidades de Londres, São Francisco, Los Angeles e Nova York, respectivamente. Nesses locais, o guitarrista notou a presença maciça de jovens, em sua maioria estrangeiros. "Vi um garoto pagar 100 dólares num vinil dos Mutantes e chorar. Nossas apresentações foram sold out em todas as cidades. Isso é genial, uma surpresa maravilhosa", emociona-se Sérgio, que amanhã completa 56 anos de vida.
Voltar depois de tantos anos para tocar num Barbican completamente lotado certamente foi emocionante, mas Sérgio nega qualquer tipo de nervosismo e ansiedade. Naquele momento o pensamento único era deixar fluir a genial música dos Mutantes, com todas as suas nuances e criatividade. "O palco é minha casa. Mas fomos loucos em gravar logo a primeira apresentação. Isso é uma coisa bem da gente, não temos medo de arriscar. A energia naquele show é muito viva e concreta", afirma.
De fato, o que não falta é energia no show dos Mutantes. Os incríveis solos de guitarra de Sérgio - que continua com uma voz maravilhosa -, a presença marcante do sempre anárquico Arnaldo Baptista, a bateria firme de Dinho, os belos arranjos vocais, a banda de apoio afiadíssima e nitidamente comovida com o momento, a discrição e segurança de Zélia Duncan, a troca de olhares carinhosos entre todos os componentes da banda e a resposta vibrante do público formam o conjunto de fatores que tornam o material imperdível.
O CD duplo e DVD (com making of e trechos de ensaios) apresentam 21 músicas de diversas fases da banda, que nas décadas de 60 e 70 revolucionou a música brasileira com um rock criativo, recheado de traços psicodélicos e brasilidade. Estão lá grandes clássicos como Ando meio desligado, Baby, Balada do louco, A minha menina, Panis et circenses e Bat macumba (com participação dos viajandões Devendra Banhart e Noah Georgeson). Canções que foram ensaiadas exaustivamente desde fevereiro e acabaram transpostas para o palco com notável destreza. Algumas delas exigiram uma dedicação hercúlea da banda. "Escolhemos umas que pareciam impossíveis de adaptar para shows, como Ave Lúcifer, Dia 36 e Caminhante noturno. Foi um set que impôs um trabalho de dois meses. Imagine que Dinho não tocava bateria há quase 30 anos, o mesmo tempo que eu não tocava com o Arnaldo", pontua.
Os arranjos originais das músicas, que têm a louvável capacidade de não envelhecer, foram respeitados, mas em alguns momentos a banda abre espaço para pequenas improvisações e deixa o humor corrosivo fluir. Um exemplo ocorre na execução de El justiciero, quando Sérgio brinca com Tony Blair e George W. Bush. O visual berrante, porém, parece coisa do passado. "Não dá para voltar vestido de Chacrinha. Estamos agora como nos sentimos no momento. Muita gente queria nos fritar, mas nós seguimos em frente", afirma. A mudança é nítida no figurino em tons escuros do show de Londres e no material gráfico do CD e DVD, em cinza e preto, com borboletas que simbolizam o renascer do grupo.
Futuro - A celebração da volta dos Mutantes felizmente não vai ficar restrita aos gringos. A banda se apresenta pela primeira vez no Brasil durante as comemorações pelo aniversário de São Paulo, no dia 25 de janeiro, em frente ao Museu do Ipiranga. Uma semana depois, toca no Rio, e passa ainda por Brasília, Goiânia e Belo Horizonte. As negociações para outras cidades estão sendo feitas com calma, assim garante Sérgio. O repertório deve seguir exatamente o DVD, mas algumas faixas como Panis et circenses, Virginia e Desculpe babe, que foram apresentadas no exterior nas versões em inglês, vão ser executadas em português. "Têm músicas, como Baby, que soam melhor em inglês e outras a gente pode mesclar, como A minha menina. Ainda estamos definindo isso".
O público brasileiro vai notar também que o grupo tomou a liberdade de trocar as letras de certas músicas, apresentando as versões originais barradas pela censura. É o caso de Top top - que ganha um "sacanagem" no lugar de "sabotagem" - e Ave Lúcifer, com o retorno de expressões banidas como "cabelo verde-amarelo" e "abrir o amor macio".
Na turnê pelo Brasil, Zélia Duncan e todos os músicos de apoio serão mantidos. Quanto à escolha da cantora, que chegou a ser contestada por parte dos fãs, Sérgio manda brasa: "Não entendo como podem reagir. A mesma coisa seria perguntar se Elton John poderia cantar Eleanor Rigby bem. Mas é claro que sim! Zélia é uma grande intérprete e compositora. Nós temos sorte de tê-la conosco". Um disco só de inéditas também está nos planos da banda: "Estamos apenas começando, mas o disco deve sair em 2007. Esses últimos meses foram de muito trabalho, mas não reclamo, só não gosto de ficar parado", ri o simpático Sérgio.
** Matéria do autor do Discoteca Narcisista originalmente publicada no jornal Correio da Bahia, dia 30 de novembro, com o título "Mutantes andam bem ligados". Para ver a matéria original, clique aqui.
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por LEONARDO MAIA - 10:42 AM
Quarta-feira, Novembro 22, 2006
* Dica da Semana - Show "Acústico MTV", Lenine
Suas canções já foram gravadas por nomes diversos como Maria Bethânia, Moska, Milton Nascimento, Zizi Possi, O Rappa, Fernanda Abreu e Margareth Menezes. Suas músicas já figuraram em trilhas sonoras de novelas como a recente Belíssima e em filmes como Muito gelo e dois dedos d´água. Seus discos somam uma significativa marca de 60 mil cópias vendidas na França. O seu dedo de produtor já apareceu em trabalhos de Chico César (De uns tempos pra cá) e Maria Rita (Segundo). Um dos mais admirados artistas brasileiros, Lenine não é mesmo de ficar parado. Depois de seis elogiados discos, embarcou no projeto Acústico MTV, um passo que pode dar ainda mais visibilidade para a sua obra. Amanhã, às 21h, no TCA, ele mostra o show desse recém-lançado CD e DVD.
Mesmo sofrendo de nítido desgaste, a fórmula Acústico MTV recebeu um tratamento de luxo, graças à mão firme e inventiva de Lenine. Em vez de apelar para convidados e arranjos óbvios, ele buscou nomes que trazem uma estreita relação com a sua história e realmente trabalhou em novas nuances para suas composições. Participaram do projeto o camaronês Richard Bona, a mexicana Julieta Viegas, o chileno Victor Astroga e os brasileiros Iggor Cavalera, Gog e Cristina Braga. Nomes ligados ao rock, rap, músicas latina, africana e erudita. "Ao selecionar os convidados, levei em conta o talento deles e também a questão da afinidade. Foi como uma associação, pensava num artista e vinha a reboque uma canção", lembra Lenine, 47, nascido em Pernambuco, mas há muitos anos radicado no Rio de Janeiro.
Esses convidados, é claro, não estarão presentes na apresentação do TCA. Algumas adaptações também são necessárias em relação ao show registrado em DVD e exibido na programação da MTV. O quinteto de metais será substituído por um trio e os 12 instrumentistas de cordas serão suprimidos. Isso provoca mudanças nos arranjos elaborados pelo maestro Ruriá Duprat, sobrinho do tropicalista Rogério Duprat. "O DVD trazia 24 músicas mas, em virtude dessas adaptações, o show terá 22 canções. A medida da paixão e O que é bonito ficam de fora", cita Lenine, acrescentando que, num outro momento, pretende levar o show por uma nova ronda nas principais capitais brasileiras, tocando ao lado das orquestras sinfônicas locais.
Os ajustes, entretanto, não devem tirar o vigor dos novos arranjos. Isso porque o núcleo principal - a banda que acompanha Lenine há oito anos - vai estar presente. Jr. Tolstoi (violão, craviola), Gulla (baixo) e Pantico Rocha (bateria) foram um dos principais motivos para Lenine aceitar um projeto ao vivo logo depois de In cité (2004), gravado na Cité de La Musique, em Paris. "Eu estava cheio de trabalho quando o convite veio e só tínhamos dois meses e meio até a gravação. Mas senti que a proposta era irrecusável e que o foco tinha que ser colocado na banda. Isso pesou muito, pois nunca tínhamos gravado todos juntos. A nossa experiência de palco e a química ajudaram bastante. O processo foi trabalhoso, tivemos que despir as músicas e processar novos caminhos para elas", afirma.
O pouco tempo para a produção do Acústico MTV explica também a ausência de material inédito. Existem, entretanto, canções de outros autores que nunca tinham sido gravadas pelo cantor, como O atirador (do amigo Lula Queiroga) e Santana (Júnio Barreto), que acabaram entrando no disco. O caráter revisionista impera no show, que traz os maiores sucessos de Lenine, como Hoje eu quero sair só (faixa que vem sendo trabalhada nas rádios), Paciência, Jack soul brasileiro, O homem dos olhos de raio-x e Dois olhos negros. "Não podia deixar de incluir as canções pedidas pelo fã-clube e pelo orkut. Além das músicas ligadas aos convidados, que acabam me redimindo da culpa da escolha, tentei colocar algumas outras que se adequavam melhor ao formato, como Rua da passagem (Trânsito) e Ecos do aô", esclarece o cantor e compositor.
Quando se fala no formato, também não passa em branco a decisão de alocar os shows da turnê em teatros. Futuramente, porém, Lenine pretende se apresentar em locais abertos e casas de show, afinal sabe que, mesmo acústico, o novo trabalho ainda mantém certo peso. "Nesse primeiro momento de lançamento, fazer shows em teatros é importante. O som é melhor entendido nesses locais, devido ao tratamento acústico que privilegia as nuances da música", esclarece Lenine. Mesmo se apresentando em ambientes, digamos, mais herméticos, ele percebe uma mudança no seu público: "Esse projeto alavancou muitos nomes. Já senti uma resposta, a MTV passa a ser uma ponte para um outro tipo de público. Se bem que meu público sempre foi muito heterogêneo", pondera.
O atual momento de Lenine é de divulgação do Acústico MTV, mas o artista ainda tem outros projetos para tocar. Um deles é a trilha sonora do próximo espetáculo do Grupo Corpo, Violenta, que deve estrear no primeiro semestre de 2007. O processo de feitura - em parceria com Jr. Tolstoi - já está nos finalmentes. "Já tem 90% pronto, mas não posso falar nada. Fiquei muito feliz em participar do projeto, pois eles dão total liberdade para compor. Hoje as trilhas do Grupo Corpo formam uma discografia significativa, tem uma história importante que agrega um grande valor para o artista", pontua.
A produção do próximo disco de Elba Ramalho também está na lista de prioridades de Lenine. A pré-produção já rolou, mas o processo está em pausa, devido às agendas dos dois artistas. Entre os planos futuros, uma coisa é certa: Lenine tem datas praticamente fechadas no exterior, onde já fez turnês bem-sucedidas. O Acústico MTV deve ser lançado em outros países e, entre março e abril de 2007, esse pernambucano-carioca vai dar uma passadinha nos Estados Unidos e na Europa.
** Matéria do autor do Discoteca Narcisista originalmente publicada no jornal Correio da Bahia, dia 21 de novembro, com o título "O poder de fogo de Lenine". Para ver a matéria original, clique aqui.
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por LEONARDO MAIA - 4:50 PM
Segunda-feira, Novembro 06, 2006
* Disco da Semana - Aos Farsantes com Carinho
Em maio de 2004, na mesma noite em que o Pixies fez a festa dos indies no Curitiba Pop Festival, uma banda paranaense causou um rebuliço daqueles. Com um punk vigoroso e um frontman exalando energia, o Pelebrói Não Sei? provocava o público que se dividia entre os vips e os não tão favorecidos, separados por uma grade de ferro e alguns seguranças. O que motivou essa separação, chamada pelo vocalista Oneide DeeDiedrich de "apartheid", foi a mudança de local da apresentação, transferida para um recinto maior em virtude da grande procura pelo show do Pixies. Os retardatários que só conseguiram comprar os ingressos extras perderam então o privilégio de se postar logo à frente do palco. Essa foi a senha para DeeDiedrich atiçar os presentes e provocar a ruptura da tal divisória. Atitude punk, público na mão.
Se o Pelebrói Não Sei? mereceu algumas linhas dos que cobriram o Curitiba Pop Festival acabou não sendo pela música, mas sim pelo inusitado acontecimento. Chegou a hora da reparação. Está nas lojas o terceiro disco da banda, Aos farsantes com carinho, um torpedo de rápidos 30 minutos, que despeja a cartilha punk, mais para o lado bem-humorado bubblegum, e emula Ramones sem receio. O álbum, que traz 14 faixas autorais, é lançamento da gravadora independente Monstro Discos.
Por telefone, o vocalista do Pelebrói lembra do acontecimento no festival de Curitiba. "Foi marcante, uma maneira que encontrei de me conectar com o público. Achei aquela divisão incômoda e absurda", ressalta DeeDiedrich, 31, acrescentando que aquela noite foi ainda mais especial porque foi no mesmo local que os ídolos do Ramones haviam tocado dez anos antes. "A culpa do Pelebrói Não Sei? ter surgido é dos Ramones. Quando eu conheci o Joca (guitarrista da banda), ele estava vestindo uma camisa da banda. Todos nós estávamos presentes no show de 94, antes de nos conhecermos", lembra DeeDiedrich, que é o responsável pela escolha do estranho nome que a banda adotou. O significado? "A gente não sabe! Eu morei no Paraguai até os 12 anos e tinha um primo meu que me chamava de 'Pelebrói', só para me xingar. Até hoje não sei o que é", ri. Quanto ao nome desse novo álbum, Aos farsantes com carinho, ele tem justificativa: "É difícil encontrar bandas no esquema major que não tenham um trabalho extremamente fabricado, parece tudo uma grande farsa. São as últimas gotas de uma laranja podre. É no meio independente que podemos descobrir coisas originais e verdadeiras", avalia.
Além dos nova-iorquinos dos Ramones (cujo guitarrista Johnny Ramone é o personagem adorado pela garota da segunda faixa Alice Clair: "Era a gata perfeita Alice era seu nome/ Desde criança sonhava com o Johnny Ramone"), a lista de referências do Pelebrói inclui o rock gaúcho de grupos como Replicantes, o trabalho do Tangos e tragédias, especialmente quando se trata da performance no palco, os Beatles e Raul Seixas. Esse último é a principal influência para as letras de DeeDiedrich, cujo vocal rasgado entoa versos que falam de relações amorosas, mas passam longe do tom meloso dos exemplares de gêneros como hardcore melódico e emocore.
As primeiras estrofes da música que abre o disco, Só pra disfarçar, é um bom exemplo disso: "Cala a boca e diz que não me adora/ Grita e vá embora chore sem parar/ Peça alguns trocados rasgue minha roupa/ Lave sua boca só pra disfarçar". DeeDiedrich, que atende como psicanalista em um consultório particular na capital paraense, diz enxergar um pouco também da sua formação acadêmica no discurso que emprega. Isso pode explicar o tom confessional de canções como Sobre o tempo e nunca mais ("Sinto uma urgência sinto tudo agora/ Sinto a dor que mora nesse instante que perdi") e Aos farsantes com carinho ("Muitas vezes penso em ficar sozinho/ Preterir a louca companhia de vocês").
Com esse terceiro álbum, o mais maduro e diversificado de sua trajetória, o Pelebrói - que além de DeeDiedrich e Joca, traz Paulo Svolenski (baixo) e Guilherme Bandeira (bateria) - espera atingir um público maior. Músicas como Sobre o amor e não existir mostram que a banda pode deixar a fúria um pouco de lado e investir numa quase balada punk. "Já estamos bem sedimentados no Paraná, mas é apático ficar parado no mesmo lugar. Estamos na nossa melhor sintonia dentro e fora dos palcos", considera o líder da banda. No palco, o grupo é conhecido pelas performances explosivas de suas músicas que raramente chegam a três minutos.
** Matéria do autor do Discoteca Narcisista originalmente publicada no jornal Correio da Bahia, dia 05 de novembro, com o título "Atitude punk, com carinho". Para ver a matéria completa - que traz ainda comentários sobre o disco de estréia da goiana Señores - clique aqui.
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por LEONARDO MAIA - 2:35 PM
Segunda-feira, Outubro 30, 2006
* Disco da Semana - Broken Boy Soldiers (Raconteurs)
Certamente não é algo que acontece freqüentemente, mas tem bandas que já nascem grandes. Raconteurs é uma delas. Antes mesmo do ótimo "Broken Boy Soldiers" chegar às lojas, o grupo já era considerado por alguns apressadinhos como o melhor surgido desde o fim do Nirvana e o álbum já era um clássico. Exageros bem à parte, "Broken Boy Soldiers" é sim um dos melhores álbuns desse último ano, seríssimo candidato a melhor internacional de 2006, na opinião do Discoteca Narcisista. Diversos fatores realmente apontavam previamente para isso. O primeiro deles (e principal) é Jack White. O seu grupo White Stripes sempre foi um dos prediletos deste blog. Se como "one-man-band", o cara já fazia misérias, imagine com um grupo de respeito o apoiando. Afinal, apesar de simpática, a tal da Meg White é um zero à esquerda e só faz atrapalhar o companheiro. A bateria da garota é risível e ainda assim o rapaz de Detroit conseguiu colocar o WS entre os melhores grupos do mundo. Agora, com bons parceiros no Raconteurs, o Stripes pode ser mandado para o espaço, afinal com sua nova banda, Jack promete muito mais.
Não deixa de ser irônico que a primeira música do álbum - a excepcional "Steady as she goes" - comece com uma bateria solo seguida de uma linha simples (mas poderosa) de baixo - instrumento inexistente no White Stripes. Depois vem uma guitarra suingada que remete ao WS e a voz sempre aprazível do ótimo Jack, com direito a backing-vocals inspirados do baixista "Little" Jack Lawrence e do guitarrista (e também vocalista) Brendan Benson. Abrir o disco com uma música dessas é realmente covardia.
Antes de seguir pelo repertório, é bom apresentar logo esses novos parceiros de Jack. Brendan Benson, que canta boa parte das músicas, é o outro principal destaque do Raconteurs. O cara canta bem e consegue dividir os holofotes com o amigo megastar sem grandes problemas. Poucos antenados já tinham ouvido falar de Benson, mas ele já leva há alguns anos uma elogiada (mas pouco conhecida) carreira solo . A cozinha afinadíssima da banda é assinada pelo já citado "Little" Jack Lawrence e pelo baterista Patrick Keeler. O entrosamento dos dois não é nenhuma novidade, pois ambos participam também da banda Greenhornes - outra que pode estar com os dias contados, em virtude do sucesso dos Raconteurs.
O que se nota no decorrer de todo o álbum é uma pegada direta, bem rocker, com pitadas setentistas e um quê emergencial que a supracitada Nirvana trazia. Músicas como "Hands" e "Level" investem na calmaria e peso alternados, com resultados animadores. Em certos momentos, como na esquisita (e ótima) faixa-título e na canção que fecha o disco, "Blue Veins", o grupo deixa aflorar a paixão de Jack White pelo Led Zeppelin. A voz dele lembra muito a de Robert Plant nesses momentos, mas ainda assim não se pode acusar esse americano branquelo de imitão. É uma inspiração clara, mas leva um molho especial da forte personalidade de Jack. Na tal "Broken Boy Soldiers", a marca zeppeliana está num cruzamento entre uma das músicas mais estranhas do Led, "When The Leeve Breaks" (do Led Zeppelin IV), com um dos maiores clássicos do grupo setentista, "Kashmir" (do duplo "Physical Graffiti"). O lado baladeiro do grupo aparece com maior destaque em "Call it a day" e "Together", essa última a que melhor equilibra o dueto White-Benson.
O Raconteurs é cool até nos covers que faz. A voz derramada de Jack White na ótima versão para "Bang bang (My baby shot me down)" - música eternizada por Nancy Sinatra e amplamente tocada após o filme "Kill Bill" -, a versão meio disco-rock para a ótima "Crazy" de Gnarls Barkley, a quase-sempre presente nos shows "A house is not a motel" do sessentista Love e a releitura de "It ain´t easy" - já gravada por David Bowie no clássico "Ziggy Stardust and the spiders from Mars" - são ótimos exemplo do apurado gosto musical do quarteto. Resta agora aguardar que um produtor brasileiros traga logo a banda ao país, dando vazão aos boatos que já apontavam o Raconteurs como uma possível atração nos festivais de 2006. Se não veio esse ano, que venha em 2007.
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por LEONARDO MAIA - 2:43 PM
Segunda-feira, Outubro 23, 2006
*Disco da Semana - Meds (Placebo)
O Placebo está na U.T.I.. Mas não há porque se alarmar, pois o estado de saúde da banda está excelente. A questão é que o universo em destaque no ótimo "Meds", quinto álbum do grupo liderado pelo andrógino Brian Molkmo, é o hospitalar, desde o título até trechos de pelo menos meia dúzia de faixas. Em 14 canções, o grupo mostra que goza de saúde perfeita e que voltou à sua melhor forma, dando prosseguimento a uma discografia equilibrada, cujo momento menos inspirado foi justamente o disco anterior de inéditas, "Sleeping with ghosts". A decisão de deixar as eletronices abusadas de lado e voltar para um rock visceral, com clima gótico e carregado na emoção, foi certamente a melhor. Os bons instrumentistas do grupo e o vocal de Brian - sem sombra de dúvida, um dos melhores cantores do rock mundial - estão na linha de frente, com as intervenções eletrônicas apenas compondo um bem temperado molho. No conjunto, pode-se dizer que esse é o melhor trabalho do grupo que esteve em Salvador no ano passado, num caso raro de atração internacional (no auge) que pisa os pés na capital mundial do axé.
A faixa-título abre o disco com uma grata participação especial de Alison Mosshart, a vocalista do The Kills. A discreta contribuição vocal da cantora acaba transformando a música numa das melhores do CD. Carregando na sensualidade, Alison pergunta: "Baby, did you forget to take your meds?" ("Amor, você esqueceu de tomar seus remédios?"), para mais à frente, Brian repetir o refrão desesperadamente, de um jeito que poucos sabem fazer. Mais próximo do final do disco, na décima faixa, é a vez de Michael Stipe (R.E.M.) participar de um dueto ainda mais afinado; uma dobradinha de luxo de dois dos mais interessantes "frontmen" da atualidade. Quando não faz uso de convidados, o Placebo ainda dá show, com músicas impactantes como "Infra-Red" e "Post-Blue"; viajantes como "Space Monkey" e "One of a Kind"; e feitas na medida para emocionar, como as baladeiras "Follow The Cops Back Home" e "Pierrot The Clown". Discão, classe A.
Comentários:
por LEONARDO MAIA - 10:40 AM
Terça-feira, Outubro 17, 2006
*Disco da Semana - Bogary (Cascadura)
Independente da sempre nítida qualidade da banda - uma verdadeira escola do rock baiano, por onde já passaram dezenas de músicos que ainda hoje labutam em outros projetos -, o Cascadura nunca tinha conquistado a merecida atenção de minha parte. O ranço setentista dos dois primeiros álbuns empatava um pouco esse processo, mesmo com algumas boas faixas. A partir do bom terceiro disco, "Vivendo em Grande Estilo", as coisas foram mudando de forma. Nessa fase, a banda começou a mudar o leque de influências e isso ficou claro nos eventuais covers do grupo para músicas de bandas como Queens of The Stone Age e Foo Figthers. Antes de mais nada, é bom deixar bem claro que os Rolling Stones e o southern rock, antigas referências da banda de Fábio Cascadura, sempre foram admirados aqui no Discoteca Narcisista, mas simplesmente não empolgavam quando processados pelo grupo baiano. É algo pessoal mesmo, não reparem.
Agora tudo mudou. O quarto disco da banda, gerado num período em que as pessoas nem sabiam ao certo se a banda iria durar muito - vide as saídas dos componentes Lefê (baixo) e Martin (guitarra) -, é simplesmente espetacular. Desde a bela capa até as vibrantes 14 canções, "Bogary" é um dos melhores lançamentos do rock brasileiro dos últimos anos. Empolgou gente como Beto Bruno (Cachorro Grande), Lobão e Nando Reis e ainda deve chegar aos ouvidos de muita gente. Um álbum coeso, que é moderno, sem apelar para eletronices ou hibridismos, e dialoga com o passado nas faixas mais chegadas ao folk, especialmente com bandas como Big Star, Byrds e com a mais recente Teenage Fanclub. Se nas excepcionais baladas "Mesmo Eu Estando do Outro Lado" (que conta com a participação do sempre bem-vindo Morotó Slim na slide guitar), "Juntos Somos Nós" e "12 de outubro", a banda encontrou a medida certa, nas músicas mais pesadas como "Se Alguém o Vir Parado" e "Senhor das Moscas", chegou ao ápice. A poesia urbana e direta de Fábio é um convite para cantar junto, vide as já constantes vozes que se juntam nos shows da banda em Salvador. Se há um porém no disco é a faixa "Desconsolado", um tanto quanto "over", com um clima soturno que combina pouco com o restante do álbum.
Se o mercado fosse justo, "Bogary" seria sucesso certo de vendas. O disco levou um pequeno empurrão da revista Outracoisa, onde veio encartado no mês de setembro, e está nas lojas com distribuição da Tratore, mas ainda não mereceu a devida atenção da mídia e do público. Espera-se que com a ida do Cascadura (que hoje traz na formação Tiago Trad na bateria, Cândido na guitarra e Tiago Aziz no baixo) para o Sudeste, no período de divulgação do álbum, e a chegada da temporada dos festivais ajudem na trajetória. Essa parece ser a chance para o batalhador grupo enfim ser devidamente valorizado. Música de qualidade, criativa e radiofônica, eles já mostraram que sabem fazer.
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por LEONARDO MAIA - 3:54 PM
Segunda-feira, Outubro 09, 2006
*Disco da Semana - R ao Contrário (Plebe Rude)
Agora sim chegou a prova definitiva de que a Plebe Rude realmente voltou à ativa. Treze anos depois do último disco de inéditas e duas décadas após o clássico do Brock "O concreto já rachou", que trazia músicas marcantes como "Até quando esperar", "Brasília" e "Proteção", o grupo liderado por Philippe Seabra coloca nas bancas, encartado na revista Outracoisa, o bom "R ao contrário", um CD que é a cara da banda. As influências do pós-punk ainda estão evidentes, as letras continuam afiadas e a vontade de tocar voltou a ser a ordem do dia.
O motivo é a entrada de Clemente, guitarrista e vocalista de outro ícone do punk oitentista, o grupo paulista Inocentes. Ao se juntar aos amigos de Brasília, Clemente permitiu o lançamento de um disco de inéditas esperado desde 2000, quando a Plebe Rude se reuniu para uma série de shows e um disco ao vivo. Naquela ocasião, o clima ruim entre os integrantes não parecia o ideal e o grupo viria a frustrar os fãs em 2002, selando um novo fim. "Aquela volta não foi anunciada como algo definitivo. O nosso baterista (Gutje) causou vários problemas, o Jander (Bilaphra, ex-guitarrista) não tava muito a fim. A gente queria seguir, mas puxamos o freio de mão. Preferi deixar a banda morrer do que lançar um disco fraco", lembra Philippe Seabra, 39, que nasceu nos Estados Unidos.
Tudo mudou em 2004, quando o líder dos plebeus foi convidado a participar de um tributo ao The Clash, uma das grandes influências da banda. Lá, ele encontrou com Clemente e logo surgiu a idéia de chamá-lo para uma nova formação da Plebe Rude. Dos músicos originais, apenas o baixista André X, que logo deu o aval para a entrada do novo componente. "Clemente apareceu na vida da Plebe e nos deu as armas. Ele trouxe de volta a garra que estava faltando. O nome dele surgiu naturalmente, o Inocentes era nossa banda irmã, lembro de que foi ele quem nos recebeu na rodoviária, em 83, na primeira vez que fomos a São Paulo", conta Philippe.
Com a entrada do baterista Txotxa (ex-Maskavo Roots), o time ficou completo. O show do retorno, no Circo Voador (Rio de Janeiro), foi feito na base do instinto, pois o único ensaio com Clemente aconteceu durante a passagem de som. Esse novo álbum, mesmo contando com a voz de Clemente em quase todas as faixas e a guitarra em algumas delas, foi inteiramente composto por Philippe, em parceria com André X. A produção ficou a cargo do próprio Philippe, que é dono do estúdio Daybreak, onde já trabalhou com artistas como Superguides, Bois de Gerião, Beto Só e Los Porongas, esse último com o disco de estréia em fase de mixagem.
Podridão e política - As letras da Plebe continuam com uma forte carga social e política, mantendo o perfil engajado dos brasilienses. "Eu cresci nos Estados Unidos, logo que mudei para Brasília, senti o cheiro de podridão. Essa cidade sempre inspirou minhas letras. A minha raiva continua igual, mas hoje estou mais maduro, absorvo e passo de um jeito diferente. Não vejo mais em preto-e-branco, vejo cinza. Sei de onde vêm as coisas, meu approach hoje é diferente", avalia Phillipe, que no último mês de agosto tocou com a Plebe no Festival de Inverno da Bahia, em Conquista.
Faixas como "Traçado que parece o meu" ("É tanto esforço, tanta resistência/ Só pra ganhar mais tempo que ninguém vai esperar/ E se depois daqui/ Não houvesse nada, não houvesse nada?"), "Mero plebeu" ("A cachaça para o santo já evaporou/ Assim como a fé") e "Remota possibilidade" ("Parece distante, remoto talvez/ Mas um dia você terá a tua vez/ O sonho se vai, assim como a fé, num simples apagar") são amostras do momento de desilusão e falta de esperança da banda. "Isso reflete o nosso estado de espírito. Algumas coisas mudaram, mas muitas continuam iguais. Ninguém faz nada, isso nos entristece. Precisamos usar o espaço na mídia para conscientizar as pessoas, assim posso dormir tranqüilo", reflete.
A política se mostra presente na faixa que encerra o disco, "Vote em branco". Ela foi composta em 1980, quando André X ainda fazia parte da banda Metralhas. No ano seguinte, em Patos de Minas, a Plebe Rude tocou a canção e foi em cana imediatamente após o show, ao lado da Legião Urbana, que tinha tocado "Música urbana 2". "Eu era o único menor de idade, tinha apenas 15 anos, isso foi um problema grande. A música na verdade é uma chacota, afinal nem existia voto direto na época. Voltamos a tocá-la somente no ano passado, em Brasília. Mas é bom deixar claro que Vote em branco não é um endosso ao voto irresponsável. Ela cutuca e ainda é pertinente, e é isso que é um saco", pontua.
Vale destacar também a canção que abre o disco, "O que se faz", que homenageia - com um arranjo de gaita de foles - o líder da banda escocesa Big Country, Stuart Adamson, que se suicidou em 2001; além da faixa-título," R ao contrário", a candidata mais forte a hit. Duas dicas: o completíssimo site da banda, www.pleberude.com.br, com mais de mil matérias no acervo, e a chegada do álbum às lojas, logo após a retirada da revista Outracoisa de circulação.
** Matéria do autor do Discoteca Narcisista originalmente publicada no jornal Correio da Bahia, dia 28 de setembro, com o título "Plebe Rude de cartuchos recarregados".
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por LEONARDO MAIA - 3:30 PM
Quarta-feira, Setembro 20, 2006
*A orgia sonora do Franz Ferdinand
Que outra banda estrangeira no auge da carreira tocou duas vezes no Brasil, num espaço de apenas seis meses? Só o Franz Ferdinand mesmo, um dos melhores grupos de rock surgidos nos últimos anos. Os escoceses vivem jurando amor ao Brasil, sem parecer falso ou forçado. Na noite do último sábado, foram os protagonistas indiscutíveis do festival Motomix, em São Paulo, levando ao delírio um público de sete mil pessoas. Desde já, um seríssimo candidato a show do ano.
O festival patrocinado pela Motorola ficou marcado também pelas trapalhadas da produção, só acontecendo devido a uma autorização judicial. A prefeitura embargou o evento por falta de alvará e a festa foi confirmada em cima da hora. A programação ficou dividida entre o sábado e domingo, devido às condições da tenda eletrônica. O resultado foi o esvaziamento do segundo dia, dedicado aos DJs.
Quem abriu a programação no sábado foi a norueguesa Annie, ainda desconhecida por aqui, com uma sonoridade na linha de artistas como Peaches e Cansei de Ser Sexy. Em seguida, já com um bom público no impressionante galpão do Espaço das Américas (estrutura invejável, bom som e acesso complicado), os ingleses do Art Brut fizeram jus à expectativa com um show pesado, filosofia punk e um vocalista que não canta tão bem, mas compensa na energia. Destaque também para o baterista, que toca em pé. Bom esquente para a orgia sonora que viria a seguir.
Disposta a esquecer o pouco inspirado show realizado em fevereiro em Sampa (abrindo para o U2), a banda liderada por Alex Kapranos se superou. Com um repertório perfeito, priorizando as canções mais dançantes, o Franz Ferdinand despejou uma impressionante energia durante toda a apresentação. Desde os primeiros acordes de This boy, ótima faixa do disco You could have it so much better, os britânicos ganharam o público. Uma rápida observada nos arredores e já ficava claro que 90% dos presentes estavam ali por eles.
Gritando "São Paulo" a cada intervalo, com nítida empolgação, Alex Kapranos guiou a banda numa seqüência matadora. "Do you want to", "Walk away", "Dark of the matineé", "Jacqueline", "Michael", "The Fallen"... Destaque para o hit maior, "Take me out", que quase coloca a casa abaixo. Kapranos ainda ousou, afirmando que aquela era a última vez que a música seria tocada em shows. Uma brincadeira, espera-se.
Teve espaço ainda para as inéditas (e boas) "Can´t stop feeling" e "L well". Durante a execução de "Outsiders", a banda convocou os componentes do Art Brut, Radio 4 e Annie para fazerem as vezes de percussionistas. Seria um final empolgante e arrepiante de uma banda em plena forma, mais ainda teve This Fire, com dois componentes da produção do Franz socando a bateria ao lado do músico oficial. Em êxtase, Kapranos tirou a camisa, jogou os sapatos para a platéia e se jogou no chão. Instrumentos destruídos, o grupo saiu do palco ovacionado. Pior para a banda seguinte, Radio 4, que fez um show dançante na linha do The Rapture para um público que preferia bater papo em animadas rodas espalhadas no Espaço das Américas.
Texto publicado originalmente na edição de terça (19/09) do Correio da Bahia. Autoria de Leonardo Maia
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por LEONARDO MAIA - 5:19 PM
Segunda-feira, Setembro 04, 2006
* Vencedores do Prêmio Rock Independente Bahia - 2005!
Com atraso, saem os vencedores dos melhores da cena baiana em 2005! Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta foi o grande vencedor, como era esperado. Outro que brilhou foi o selo aTalho Discos, escolhido como o melhor do ano e colocando duas de suas bandas no pódio de "Revelação". Os organizadores vão entregar os pêmios na festa dessa quarta, com shows de Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta e Móveis Coloniais de Acaju, interessante banda de Brasília.
MELHOR BANDA
1 - Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta (35,7%)
2 - Retrofoguetes (22,8%)
3 - The Honkers (17,5%)
4 - Cascadura (15,2%)
5 - Sangria (8,8%)
MELHOR CD
1 - Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta, RJLB (42%)
2 - Revés de um Si Bemol, Mirabolix (23,7%)
3 - O que me ensinaram a pensar, Malcom (16,9%)
4 - Azul e Roxo, Tara_Code (12,4%)
5 - Deep vision of unreality, Veuliah (5%)
MELHOR EP/DEMO
1 - Lou, Lou (36,8%)
2 - Dramorama, Soma (25,7%)
3 - Amanhecer em Minas Gerais, Starla (16,9%)
4 - Canto dos malditos na terra do nunca, CMTN (13,2%)
5 - Tecnologia S/A, Tritor (7,4%)
MELHOR BANDA AO VIVO
1 - Retrofoguetes (27,5%)
2 - Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta (25,6%)
3 - The Honkers (24,4%)
4 - Cascadura (15,6%)
5 - Sangria (6,9%)
BANDA REVELAÇÃO
1 - Mirabolix (30,4%)
2 - Malcom (27,7%)
3 - Starla (21,6%)
4 - Canto dos malditos na terra do nunca (16,9%)
5 - o vestido preto de valentina (3,4%)
MELHOR BANDA DO INTERIOR
1 - Declinium - Dias D¿Ávila (49%)
2 - Lp e os Compactos - Feira de Santana (22,5%)
3 - Ardefeto - Vitória da Conquista (9,8%)
- Cama de Jornal - Vitória da Conquista (9,8%)
5 - 5 contra 1 - Poções (8,9%)
MELHOR BANDA VISITANTE
1 - Cachorro Grande - Rio Grande do Sul (52,3%)
2 - Gram - São Paulo (32,8%)
3 - Nervoso e os Calmantes - Rio de Janeiro (7,2%)
4 - Wry - São Paulo (4,8%)
5 - MQN - Goiás (2,3%)
MELHOR SELO
1 - Atalho (41,7%)
2 - Big Bross (35,6%)
3 - Frangote (10,6%)
4 - Maniac (9,8%)
5 - Estopim (2,3%)
MELHOR ESPAÇO PARA SHOWS
1 - Miss Modular (53,8%)
2 - Calypso (15,9%)
3 - Rock in Rio (12,9%)
4 - Casarão Santa Luzia (10,6%)
5 - Zauber (6,8%)
MELHOR EVENTO
1 - Seletiva Claro que é Rock (41,7%)
2 - Mercado Cultural (25%)
3 - Beatles Social Club (17,5%)
4 - Big Beats (13,3%)
5 - Gravação do dvd da brincado de deus (2,5%)
MELHOR EVENTO NO INTERIOR
1 - Pólo Rock Festival ¿ 2ª Edição - Camaçari (38,2%)
2 - A Conquista do Rock - Vitória da Conquista (19,8%)
3 - Conquista Rock Festival II - Vitória da Conquista (16,6%)
4 - Rock Rio São Francisco 2 - Bom Jesus da Lapa (11,3%)
5 - Cacau Ouro Festival Itabuna (4,1%)
MELHOR FESTA
1 - Nave (31,8%)
2 - Os Maicols (27%)
3 - Boogie Nights (18,7%)
4 - 8 ou 80 (13%)
5 - Soul Sundays (9,5%)
IMPRENSA E INTERNET
1 - Bahia Rock (64,8%)
2 - Caderno Dez (15,2%)
3 - El Cabong (9,6%)
4 - Rock Loco (8%)
5 - Discomania (2,4%)
TV/ RÁDIO
1 - Curto Circuito - Transamérica Fm (49%)
2 - Hora do Rock - Globo Fm (14,7%)
3 - O Novo Rock Baiano - TVE (14,7%)
4 - Soterópolis - TVE (12,7%)
5 - 16 Toneladas - Educadora Fm (8,6%)
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por LEONARDO MAIA - 7:48 PM
Domingo, Julho 30, 2006
* Discoteca Especial - Continuação
Dando continuidade às dicas de jornalistas, produtores e músicos de discos do rock baiano, dos anos 80 para cá, mais seis dicas, originalmente publicadas no projeto de final de curso de Jornalismo (Ufba), elaborado por Leonardo Maia e Camila Jasmin.
E quem quiser ler o caderno especial "Frente e Verso", basta mandar um e-mail para leoseixasmaia@yahoo.com.br, que uma cópia em pdf. será enviada para o seu e-mail!
Dica de Hagamenon Brito (jornalista do Correio da Bahia):
* Admirável Chip Novo (Pitty)
"Pitty foi a cantora brasileira certa na hora certa quando lançou o CD 'Admirável Chip Novo', em 2003. Tanto pela sonoridade da sua música, um rock pesado e melódico de apelo popular, como sobretudo pelo seu carisma e a sinceridade do discurso em sintonia com o público adolescente (feminino, em especial) da era da internet e do 'ficar'. As letras, de modo geral, questionam o papel do homem no mundo, a valorização da aparência na sociedade moderna, a necessidade de liberdade para o espírito e o amor (na faixa 'Equalize'). Um dos discos básicos do rock nacional na década".
Dica de Jeder Janotti Jr. (professor e baterista da Lobo Guará):
*Heliopolis (Drearylands)
"O disco provou que é possível produzir metal de qualidade na Bahia e as experiências com letras em português mostraram que é possível criar hibridismos sem aderir às fórmulas fáceis dos tambores com música pop. Metal de qualidade, mas abrangente, mais amplo que a denominação heavy metal, enfim, um ótimo disco de rock produzido em Salvador".
Dica de Ricardo Spencer (videomaker):
* Better when you love me (brincando de deus)
"Porque era a banda de amigos meus que faziam o som mais belo da cidade, porque o encarte era diferente, porque me deixaram fazer meu primeiro clipe, porque era em inglês, porque era fino e classudo, porque as letras eram as melhores, porque as guitarras eram as melhores e porque era o début álbum de uma banda, artefato que muito me agrada".
Dica de Nancyta Viégas (cantora) :
* Don't mess with...The Dead Billies (The Dead Billies)
"Bem, não tem como não citar o disco de estréia dos Dead Billies, é um clássico. Eu adorava a banda, os caras eram muito figuras, os shows eram 'ducaralho'. Até hoje eu coloco esse disco pra ouvir e fico viajando nele, sempre descobrindo ou redescobrindo alguma coisa (lógico que o meu original foi roubado no século passado). Sem contar que o lançamento foi um espetáculo à parte. Clááássico".
Dica de Rogério Alvarenga (jornalista e ex-baixista da Soma):
* Glissandos temporais (Arsene Lupin)
"Grosseiramente, poderíamos dizer que a banda apenas seguiu os passos da histórica brincando de deus, mas este registro traz algo mais. Cada instrumento consegue ser, ao mesmo tempo, individual e coletivo; pesado e suave; alegre e melancólico. Produção independente, sem interferências do terrível mercado fonográfico. 'Bossa noise' não é samba rock, mas também deve ser valorizada!"
Dica de Tadeu Mascarenhas (produtor musical):
* Ungoldly (Ungodly)
"Ano passado, eu gravei o primeiro disco da banda Ungodly, que foi produzido pelo baterista da banda, Thiago Nogueira. Foi uma experiência diferente, normalmente eu mesmo produzo no meu estúdio, o Casa das Máquinas. É um disco de metal muito bom que está sendo super bem falado em vários lugares".
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por LEONARDO MAIA - 10:09 PM
Sexta-feira, Julho 21, 2006
* Discoteca Especial
Desenvolvido como projeto de final do curso de Jornalismo (Ufba) pelos estudantes Leonardo Maia e Camila Jasmin, o caderno especial "Frente e Verso" trouxe o perfil de cinco bandas locais: Ronei Jorge e Os Ladrões de Bicicleta, Retrofoguetes, The Honkers, Los Canos e Automata (essa última, infelizmente, chegou ao fim pouco depois da entrega do projeto). Nas páginas escritas por Leonardo Maia, as bandas são apresentadas levando em conta a trajetória e tudo que se refere à musicalidade. Nas escritas por Camila Jasmin, o motivo era a vida pessoal dos componentes - trabalho fora da música, religião, vida amorosa, hobbies, etc.
Além disso, músicos, produtores e jornalistas da área musical escolheram um disco do rock baiano, dos anos 80 para cá, para indicar na página introdutória. Uma versão do Discoteca Narcisista impressa, na voz de figuras da cena local. Essa semana, vocês conferem seis dicas, na próxima, mais seis.
E quem quiser ler o caderno especial "Frente e Verso", basta mandar um e-mail para leoseixasmaia@yahoo.com.br, que uma cópia em pdf. será enviada para o seu e-mail!
Dica de Pitty (cantora):
* Heartfelt Sessions - The Dead Billies
"Gostaria de falar sobre o 'álbum branco' do Dead Billies, 'Heartfelt Sessions'. Fui contemporânea dos shows catarse coletiva dos Billies e, desde o primeiro disco, ficamos todos ansiosos pra ouvir o que viria pela frente. E quando veio, foi uma grata surpresa. Considero esse disco uma evolução incrível; som maduro, letras espertíssimas. Deixaram de ser simplesmente uma 'banda de psychobilly' pra ser uma banda de rock completa, sem esquecer as raízes, mas sem medo de transgredir os clichês do gênero. Até hoje é um disco que ouço inteiro, amando, sem pular uma faixa sequer".
Dica de Rogério Big Brother (produtor musical e propietário do selo Big Bross):
* Burn, suffer, die - Headhunter DC
"O ano era 89 e, quando ouvi esse disco, o metal me pegou de jeito. Guitarras extremas, bateria visceral e vocal do capeta, esse disco, pra mim, está entre os dez do rock baiano".
Dica de Luciano Matos (jornalista e colaborador do A Tarde):
* Indução Hipnótica - Treblinka
"Comecinho dos anos 90, uma banda seguia os passos das 'guitar bands' inglesas e dava cria a um dos melhores discos do rock feito na Bahia. A Treblinka foi um marco, abrindo um espectro de grupos com guitarras distorcidas. As letras continham um espírito ao mesmo tempo revoltado e doce, cantadas com inspiração por Artur Ribeiro, que conseguia, com a mesma competência, soltar os berros ou cantar com fragilidade. Guitarras se juntam a uma cozinha forte e a um bem utilizado saxofone. Belas melodias, bons arranjos, uma competência sonora poucas vezes vista com tanta qualidade no rock do estado, além da capacidade de criar potenciais hits".
Dica de Chico Castro Jr. ( jornalista e editor do blog Rock Loco):
* Wombs in Rage - Úteros em Fúria
"A despeito de suas imperfeições técnicas, trata-se do registro definitivo da banda que marcou época e despertou toda uma geração de rockers baianos. O documento definitivo de uma era e um guitarrista, Emerson Borel, que deixaram saudades. Remixagem, remasterização e relançamento, já!".
Dica de Alexandre Guena (videomaker):
* Demo (Crac!)
"Essa foi a primeira demo da Crac!, com uma capa feita à mão, tinha uma música chamada 'Frutas, Bichos e Bairros', a única bem gravada de todo o disco. Tem coisas nesta demo que me marcaram e trazem boas lembranças de uma época de bandas como a própria Crac! e Meio Homem".
Dica de andré t (produtor musical):
* Compacto - Camisa de Vênus
"O primeiro compacto do Camisa tem importância histórica para qualquer um da minha geração que seja um pouquinho ligado ao rock... Não importa que 'Controle total' e 'Meu primo Zé' tenham sido plágios, digo cópias descaradas de músicas do The Clash, que eles não tenham tocado tão bem ou que a gravação não tenha sido das melhores. O que importa é que eles apareceram no momento certo, com a mensagem mais absurda que qualquer um poderia imaginar naquele momento. Um clássico. Anos depois tive o privilégio de trabalhar com o Gonorréia, a outra grande banda do começo dos anos 80, e tivemos a participação de Gustavo Müllen".
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por LEONARDO MAIA - 6:15 PM
Quarta-feira, Maio 24, 2006
DISCOTECA NARCISISTA DÁ UMA PARADA
Devido a compromissos profissionais inadiáveis, o Discoteca Narcisista ficará parado até meados de julho. Nos últimos meses, o blog vem sendo atualizado aos trancos e barrancos, os leitores merecem sinceras desculpas! Na volta, a idéia é o retorno de posts semanais. Agradeço a atenção e compreensão de todos, até a volta!
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por LEONARDO MAIA - 8:45 AM
Segunda-feira, Maio 15, 2006
* Skol Beats atrai quase 60 mil em São Paulo
Seria impossível conferir tudo que rola no Skol Beats, maior festival de eletrônica da América Latina, que tomou conta de São Paulo, anteontem. Corre que está começando o show do LCD Soundsystem no palco principal, mas fique atento porque o mais famoso DJ brasileiro, Marky, toca na mesma hora, na tenda que orgulhosamente ostenta seu nome. Distância entre os dois pontos? Quilômetros dignos de um bom maratonista. No caminho, obstáculos em forma de multidão, que se multiplica e parece bem maior que o público de quase 60 mil divulgado pela produção do evento. Ingressos esgotados desde a véspera, é bom ressaltar.
O gigantesco Complexo do Anhembi, que inclui o Sambódromo de São Paulo, consegue manter espalhada, até um certo momento, a fauna formada por alternativos, freaks, patricinhas, punks, coroas, ou seja, gente de todo tipo. Desde as 16h, quando soaram as primeiras pick-ups, até meados do bom show do LCD Soundsystem, a circulação era garantida e a gélida temperatura de um início de Inverno rigoroso em Sampa fazia ranger o dentes. É bem verdade que uma lua cheia daquelas ajudava a esquecer um pouco o vento frio e, principalmente, o caos que tomou conta de São Paulo com os violentos ataques a policiais por parte da facção criminosa PCC.
Um dos primeiros a realmente aquecer o público foi o francês Martin Solveig, às 20h30, na então lotada tenda DJ Mag. Com um set eclético, usou até "Song 2", aquela música do Blur conhecida pelo "uhu" que faz levantar até defunto, para levar todos a pular. Já o techno e o house fizeram a cabeça dos fãs da eletrônica na tenda The End, com destaque para a apresentação do canadense Tiga. Ali, logo ao lado, a Marky e Friends começava a mostrar por que foi eleita o melhor espaço pelo público presente, em votação por SMS durante o evento, num universo de cinco mil eleitores. Cheia desde os primeiros acordes, o templo do drum'n'bass chegou ao auge da lotação durante os sets de Marky e Andy C, este último mostrando das 3h às 5h da matina de ontem que a propaganda de uma considerável caída de popularidade do drum´n´bass é enganosa até a veia, pelo menos para o público do Skol Beats.
Não deixa de ser verdade, porém, que hoje o deb divide a preferência com o psytrance, subgênero que promoveu a lotação quase constante do Palco Tribe, uma das gratas novidades desta edição. Num ambiente rodeado de árvores e clima de rave a céu aberto, o local abrigou fãs fiéis. "Nao saio daqui por nada. Nem o Prodigy consegue me tirar do Tribe", exclamou Matheus Costa, 20 anos. A residência fixa do rapaz é até explicável, afinal, entre o Skol Live Stage, palco principal do evento, e o Tribe, cabem alguns campos de futebol. Porém, há sempre gente disposta a conferir um pouco de cada coisa. "Estou aqui de olho no relógio, para não perder o LCD Soundsystem e o Prodigy", disparou Renata Veiga, 23, que dançava o funk do DJ Marlboro. E foi ao som do pancadão que o Trio Pepsi X Eletric conseguiu reunir a maior audiência. Ali, no meio da grande festa da eletrônica, o funk roubou a cena por alguns minutos. Virou um baile, empolgando mesmo com o som baixo que vinha do trio elétrico "made in Bahia". Mostrou que a diversidade faz bem ao Skol Beats.
E foi em nome dessa diversidade que os headliners Prodigy e LCD Soundsystem, que misturam rock e eletrônica, cumpriram a expectativa que lhes era atribuída. Enquanto o LCD do animado James Murphy mandava um show maneiro, o público iniciava a aglomeração em todo espaço em torno do Skol Live Stage. Inicialmente prejudicado pelo som baixo, o grupo foi ganhando os presentes aos poucos, culminando na matadora seqüência de hits "Tribulations", "Movement" e "Losing my edge". Ao final da apresentação, empurra-empurra daqueles que buscavam um melhor lugar para o show do Prodigy e outros que tentavam encontrar ar fresco longe dali. De repente, parecia que as tendas tinham entrado em intervalo e tudo convergia para o show mais esperado da noite.
Com a partida já ganha, o Prodigy de Liam, Keith e Maxim explorou da melhor maneira o ótimo sistema de som, com um impressionante grave que ditava o ritmo do público. Produção de primeira, com iluminação espetacular. O único senão surge quando se percebe que a festa só faz sentido mesmo quando o grupo inglês manda os sucessos de 1997 para trás, em hits certeiros como "Smack my bitch up", "Breathe", "Mindfields" e "Firestarter". Mas, e daí? Todos estavam ali para ouvir aquelas antigas músicas mesmo. De alma lavada, o público podia agora dançar em paz nas longínquas tendas, afinal, ainda eram três da manhã e a música não podia parar até as 9h. Drum´n´bass, trance, house, electro e techno para um incansável público.
** Texto originalmente publicado pelo autor do Discoteca Narcisista no Jornal Correio da Bahia, edição de segunda-feira (15/05). O repórter viajou a convite da produção do evento.
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por LEONARDO MAIA - 2:09 PM
Quarta-feira, Maio 10, 2006
*Prodigy e LCD Soundsystem são os destaques do Skol Beats
Os números impressionam. Numa área de 207 mil metros quadrados, 90 atrações apresentam o que há de melhor na música eletrônica em dois palcos, três tendas e um trio elétrico, para um público esperado de 57 mil pessoas. É o Skol Beats, maior festival de e-music do Brasil e um dos maiores do mundo, que acontece nesse sábado, no Complexo Anhembi, em São Paulo. As pick-ups começam a bombar a partir das 16h30 e o silêncio só volta a imperar às 9h de domingo, já com o sol na cuca. The Prodigy e LCD Soundsystem são os headliners desta sétima edição, que traz ainda DJs como os britânicos Hype e Andy C, o canadense Tiga, o holandês Armin Van Burren e o alemão Timo Maas. Entre os brasileiros, destacam-se Renato Cohen, Mau Mau, Patife e Marky.
Investindo pesado em estrelas internacionais, o Skol Beats pretende continuar atraindo fãs da eletrônica de outros estados do Brasil, que geralmente respondem por 40% dos presentes, segundo dados apresentados pelo gerente de marketing da marca, Marcel Marcondes. Boa parte do público, principalmente aquele que transita entre a eletrônica e o rock, espera ansiosamente pelas apresentações das bandas Prodigy e LCD Soundsystem, que comandam o Skol Live Stage e vivem situações distintas. Enquanto a primeira passa por uma entressafra, já sem criar com a mesma intensidade que fazia na década de 90, a outra está no auge da carreira, com um elogiadíssimo disco homônimo a tiracolo, que figurou em várias listas de melhores de 2005.
Liderado pelo produtor Liam Howlett, que responde pela parte criativa, o Prodigy esbanja energia nas suas apresentações e se destacou quando lançou The fat of the land, em 1997, estourando mundialmente com os hits Breath, Smack my bitch up e Firestarter. A mistura de eletrônica com punk e rap deu um novo gás para o gênero, mas o grupo de Liam, Maxim Reality e Keith Flint chegou a ficar sete anos sem gravar, voltando em 2004 com o criticado Always outnumbered, never outgunned. Enquanto não entregam o novo disco de inéditas, já em fase de produção, apresentam a coletânea Their law: The singles 1990-2005.
O LCD Soundsystem é um projeto de James Murphy, que responde pelas composições, vocais e programações, além de tocar todos os instrumentos do disco, contando nos shows com a colaboração de outros quatro músicos. A sonoridade é recheada de referências, misturando a eletrônica com o rock, pop, funk e outros gêneros. Murphy é também um dos donos da gravadora DFA (Death From Above), que tem no elenco grupos como The Rapture e Black Dice. Podem esperar sucessos das pistas como Daft Punk is playing in my house, Tribulations e Yeah. Vale ressaltar que essa será uma das duas únicas apresentações em 2006 do LCD, que está em fase de gravação do novo álbum. O quarteto inglês The Bays é mais uma atração do palco principal. O grupo não ensaia e transforma cada show numa grande jam session, tocando hip hop, drum''n''bass e deep house. Fechando o line-up do mais nobre espaço do Skol Beats aparecem os brasileiros Anderson Noise e Mau Mau, tocando juntos, back 2 back, no raiar do dia.
A edição deste ano apresenta como novidade o Palco Tribe, responsabilidade dos organizadores da festa de mesmo nome, a maior do país dedicada exclusivamente ao psytrance, vertente da moda. Os alemães do D-Nox e Beckers e o israelense Astrix são as atrações mais aguardadas do Tribe. Já as tendas espalhadas no Anhembi são dedicadas a outros subgêneros. A DJ Marky e Friends traz o principal deejay brasileiro de drum´n´bass no comando, com gringos como Andy C e Hype na programação e um grand finale com o próprio Marky e Patife mandando um old school set, só com os grandes clássicos do deb. As tendas DJ Mag (house e trance), com Gabriel e Dresden e Armin Van Buuren entre os destaques, e The End (techno e tech-house), com o brasileiro Murphy fechando um programa que traz os esperados Tiga e Timo Maas, são outras opções do movimentado festival.
Entre os disc-jóqueis do Skol Beats há apenas um nordestino, Paulo Braga, que atende pelo nickname Roots, e é baiano. Revelado num curso de DJ da Pragatecno, o adepto do drum´n´bass é a primeira atração da tenda DJ Marky e Friends e está animado com o reconhecimento: "Quando recebi a notícia a primeira coisa que veio na minha cabeça foi a imagem de um sonho se realizando. Com certeza é um grande passo pra cultura eletrônica numa cidade regada por tantas diversidades musicais".
Diversidade musical é a chave de outra colaboração baiana para o Skol Beats. Pela segunda vez, o evento vai colocar um trio eletrônico no Complexo do Anhembi. Tecnologia baiana a serviço da e-music, que foi destaque também no Carnaval deste ano, em Salvador, quando Fatboy Slim promoveu uma rave em pleno circuito Dodô. Em Sampa, a idéia é incentivar dobradinhas que devem dar o que falar, como Deise Tigrona com o Turbo Trio (de BNegão, Alexandre Basa e Tejo Damasceno), Cansei de Ser Sexy com DJ Camilo Rocha e Ed Motta ao lado do Jamanta Crew. Os interessados em participar desta grande festa dançante ainda podem comprar ingressos, a R$70 (inteira), no Ticketmix do Aeroclube. Informações sobre pacotes e atrações no www.skolbeats.com.br.
** Texto originalmente publicado pelo autor do Discoteca Narcisista no Jornal Correio da Bahia, edição de quarta-feira (10/05).
Semana que vem, o Discoteca Narcisista traz a cobertura do festival!
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por LEONARDO MAIA - 8:28 PM
Quinta-feira, Abril 27, 2006
* Rock pesado para um público quente
Em clima de celebração, o Rock in Rio Café recebeu no último fim de semana um bom público para uma longa maratona de bons shows. O Warm Up Boom Bahia cumpriu o prometido e aqueceu os fãs do rock para o festival oficial, programado para acontecer entre os meses de setembro e outubro. O espaço não estava exatamente cheio, talvez devido à chuva e ao feriado na sexta-feira, mas o público presente não deixou a peteca cair e curtiu um minifestival que prezou pelo rock dançante e pesado.
O destaque do sábado foi a banda gaúcha Cachorro Grande, que provou ter público cativo em Salvador. Se há algum tempo atrás eles encantavam o underground com shows históricos, hoje faz o mesmo para um público maior, principalmente pela grande exibição na MTV. O show foi vibrante, com foco nos dois discos mais recentes, As próximas horas serão muito boas e Pista livre. Voltaram ao palco para um bis, com a balada "Sinceramente". Público ganho, após uma hora e meia de intenso rock and roll.
No início da noite - com duas horas de atraso, inconveniência que se repetiu anteontem - o público conferiu a apresentação dos baianos da Ronei Jorge e Os Ladrões de Bicicleta. Mais roqueiro do que o usual, motivado pelo caráter do evento, o grupo despejou energia, um pouco prejudicado por problemas técnicos com a guitarra de Edinho. Logo depois, Automata e Sangria foram responsáveis pelas primeiras rodas de pogo da noite, que chegaram ao auge (com direito a moshs) nos shows do Cachorro Grande e, no dia seguinte, com o Matanza.
O domingo começou em grande estilo, com o ótimo show do Retrofoguetes. O script é conhecido, com direito à sempre esperada canja de Nancyta, mas o power trio de surf music consegue se reinventar a cada vez. Com energia impressionante, os ótimos instrumentistas colocaram o Rock in Rio para dançar. Difícil foi sair do palco, afinal o Retrofoguetes preza por shows longos e os 40 minutos estipulados passaram rápido demais. Destaque para a participação especial de Alex Pochat, tocando trompete em "Misrlou", da trilha sonora do cultuado "Pulp Fiction".
Investindo na pose e com uma atitude para lá de blasé, o Forgotten Boys não deixou a peteca cair e fez um show competente. Em seguida, o Cascadura tocou algumas músicas do disco novo, "Bogary", que deve sair encar-tado na revista Outracoisa, no dia 8 de maio. Não chegou a empolgar, mas rendeu bons momentos. Fechando o festival, o peso do Matanza, grupo de countrycore, que tocou em altíssimos decibéis. A porrada sonora, com foco nos dois primeiros discos, incluiu também uma música do disco que será lançado em agosto e um cover de Johnny Cash. Com pose e atitude de metaleiros, a banda carioca consegue unir o público headbanger e aqueles que não são tão chegados ao rock pesado, principalmente por causa das ótimas e divertidas letras. Grand-finale de um evento que, no segundo semestre, ganha a sua versão definitiva. Que venha o Boom Bahia.
** Texto originalmente publicado pelo autor do Discoteca Narcisista no Jornal Correio da Bahia, edição da última terça-feira (25/04).
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por LEONARDO MAIA - 1:45 PM
Terça-feira, Abril 18, 2006
* Os cariocas do Los Hermanos tocam para uma Concha ensandecida
Só vendo para crer. Quando se imaginava que o nível de fanatismo tinha chegado ao máximo, na histórica apresentação do Los Hermanos, em outubro de 2005, eleita pela própria banda como a melhor do álbum "4", veio a Páscoa para tudo mudar. Em plena ressaca do feriadão, Marcelo Camelo, Rodrigo Amarante, Bruno Medina e Rodrigo Barba encontraram uma Concha Acústica novamente lotada e ainda mais ruidosa. O barulho ensurdecedor na entrada da banda e os versos das músicas cantados do início ao fim em coros altíssimos, com uma paixão comovente, provam (mais uma vez) que o Los Hermanos é um fenômeno. A platéia, em sua maioria formada por jovens e adolescentes, sempre recebe o grupo de braços abertos, mas tem se superado a cada vez. De um modo um tanto quanto assustador, é bem verdade.
Antes da comoção que o show dos cariocas provocou, a banda Ronei Jorge e Os Ladrões de Bicicleta fez o dever de casa. Para uma audiência que já ocupava pelo menos metade da Concha, o grupo tocou em curtos 40 minutos o sempre competente repertório, com a vibração usual. Uma boa parte dos presentes parecia conhecer o som dos baianos, que teve a oportunidade de mostrar o trabalho para um público receptivo. No repertório, músicas do recém-lançado disco, como "Sete Sete", "Obediência" e "Circo", e outras que devem entrar no próximo álbum, como "Circule Seu Sangue" e "Vidinha". Ainda deu para encaixar o cover que vem sendo tocado nas últimas apresentações, "Pra Dizer Adeus", de Edu Lobo. No cantinho do palco, Medina e Amarante conferiam a apresentação da banda local, já chamando a atenção de alguns fãs.
Sem atrasos, o Los Hermanos entrou no palco com a partida já ganha ¿ e de goleada. A prova disso é que eles se deram ao luxo de iniciar o show com cinco músicas do álbum mais recente, o mais lento de todos, levando em conta que as três primeiras executadas foram as mornas "Sapato Novo", "Dois Barcos" e "Os Pássaros". O público pouco se importou e respondeu de modo intenso, cantando as canções e ovacionando a banda a cada intervalo. Destaque para "Sapato Novo", que abriu o show com o mar de luminosos celulares substituindo os arcaicos isqueiros, repetindo a cena que rolou na arena baiana, no show do ano passado.
Daí em diante, o Los Hermanos revezou faixas do "Bloco do Eu Sozinho", "Ventura" e "4", solenemente ignorando o disco de estréia, que ganhou apenas uma representante, "Tenha Dó", no bis. Mesmo não fazendo o seu melhor tecnicamente e contando com alguns problemas nos instrumentos, o grupo fez o bom show de sempre. Entre as músicas mais festejadas estavam "Sentimental", "Cara Estranho", "O Vencedor" e "Além do Que Se Vê", sempre merecedoras de impressionantes coros. Emocionados com a recepção do público (naquele típico modo comedido da banda, com exceção de Amarante, que não parava de pular e se mexer), os hermanos agradeciam aos fãs a todo o momento.
Alguns dos melhores momentos ficaram reservados para o bis. De volta ao palco, a banda emendou duas das preferidas da platéia, "Tenha Dó" e "Retrato pra Iaiá". Depois de uma nova despedida, foram convencidos a voltar por uma Concha Acústica que cantou em uníssono os versos de "A Flor", que geralmente fecha as apresentações. A faixa do "Bloco do Eu Sozinho" finalizou em grande estilo o show em que o público protagonizou, de igual para igual, uma emocionante farra musical.
Leia aqui o texto feito para o Correio da Bahia, caderno Folha da Bahia, na sexta-feira anterior ao show.
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por LEONARDO MAIA - 7:42 PM
Terça-feira, Abril 04, 2006
* Disco da Semana - Funeral (Arcade Fire)
O som do Arcade Fire é esquisito. E também esbanja originalidade - se é que essa palavra pode ser empregada para uma banda em pleno século XXI. E o melhor: é um som táctil, extremamente visual. Experimente colocar "Funeral", o disco de estréia do grupo, para tocar e feche os olhos. Não é necessária muita criatividade para dar vazão a várias imagens, as chamadas imagens sonoras. A sonoridade carrega uma aura pesada, preenchida com uma certa lamúria, mas preservando o que há de mais belo. Afinal a tristeza tem a capacidade de carregar uma beleza que pode doer ou ao menos emocionar. Cerrando os olhos, com "Neighborhood #2 (Laïka)" tocando, dá para imaginar um daqueles vilarejos típicos de cidades interioranas de séculos passados, que Hollywood consegue recriar com maestria. Sabe aquela cidadezinha do filme "A Vila", subestimada produção de M. Night Shyamalan? Algo assim, trazendo o tom sinistro que o diretor indiano empregou àquela história. Mais para frente, a faixa "Rebellion (Lies)" remete ao cenário mínimo de "Dogville", com a belíssima Nicole Kidman sofrendo até dizer chega. Já "In The Backseet" seria a trilha perfeita para "A Noiva-Cadáver", por exemplo, ou algum outro filme de Tim Burton (que, se fizesse música, em vez de filmes, poderia soar como o Arcade Fire). Por que? Boa pergunta, que não necessariamente precisa de uma resposta lógica. As suas idéias, leitor, possivelmente serão distintas das aqui apresentadas, mas é certo que você vai conseguir criar um cenário qualquer.
Ao ouvir "Funeral", fica claro que a canadense Arcade Fire não é uma revelação qualquer, há algo de muito especial no som que eles fazem. É rock, mas um rock com piano, violino, harpa, xilofone, acordeão, criando músicas que carregam na emoção. A voz de Win Butler traz uma sofreguidão, mas a cada música ele parece despejar tudo, num forte desabafo. Ouça "Neighborhood #4 (7 Kettles)" e tire a prova. E a voz da sua esposa, Régine Chassagne, é um complemento ideal, por vezes doce, por outros amargurada. Pode até parecer difícil numa primeira audição, mas não vai demorar muito para esse álbum lhe deixar intrigado. E não se engane com o "Funeral" do nome, pois mesmo sombrio, o álbum não traz nada que se assemelhe a uma marcha fúnebre. Talvez seu nome seja uma representação ideal de um sofrimento, que não chega a ser desesperador, mas pode ser revigorante. De fato, o título escolhido, de acordo com o próprio encarte da obra, deve-se aos quatro parentes dos componentes que morreram durante as gravações. E ainda houve o casamento entre os dois vocalistas. Um panorama curioso para uma banda pra lá de inusitada.
Canções como "Wake Up", "Neighborhood #3 (Power Out)", "Crown of Love" e "Rebellion (Lies)" fazem deste disco o principal destaque de 2005. Esta última faixa, por exemplo, mereceu diversos elogios de Bono, volta e meia surgindo como cover nos shows do U2. Na abertura das apresentações da banda irlandesa, inclusive, a "Wake Up" do Arcade Fire é a escolhida, enquanto os caras se posicionam no palco. Recentemente, os canadenses se apresentaram no Tim Festival, um privilégio para os presentes, que viram ali uma banda em plena gestação. Uma banda em que os integrantes vão se revezando entre os instrumentos e fazem do show um verdadeiro espetáculo. Além deste CD, o Arcade Fire já havia lançado um ótimo EP, homônimo, que também merece uma conferida.
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por LEONARDO MAIA - 9:49 AM
Terça-feira, Março 21, 2006
VOTE NOS MELHORES DO ROCK BAIANO. VEJA OS INDICADOS E COMO VOTAR AQUI OU LOGO NO POST ABAIXO
* Disco da Semana - You Could Have It So Much Better (Franz Ferdinand)
A esperança era encontrá-los em algum dos festivais do segundo semestre que sempre estão de olho nas bandas mais quentes da música mundial. Prometidos para o ano passado, quando figuraram nas possíveis atrações de vários festivais, o Franz Ferdinand acabou caindo de pára-quedas no início de 2006. Enquanto a gravadora Universal insistia em Keane, o U2 não se fez de rogado e exigiu que o FF abrisse os seus shows no Brasil. Motivo para festejo? Nem tanto, afinal marcar apresentações numa segunda e terça, nas vésperas de Carnaval (quando muitos têm obrigações de trabalho e não podem simplesmente aumentar ainda mais o feriadão carnavalesco) é, no mínimo, uma sacanagem. Ainda mais quando se trata do sempre problemático show de abertura. Tudo bem, o FF fez um show extra no Rio, no Circo Voador, mas arranjar transporte entre o Rio e Salvador, os dois maiores pólos da folia momesca, é trabalho para contorcionista. Bem, isso tudo é um curto desabafo para dizer que não, o Discoteca Narcisista não viu o show que mais esperava para 2006. E agora torce para que, da próxima vez, o FF venha num mês como outubro, quem sabe, e de preferência sozinho.
"You Could Have It So Much Better", segundo disco da banda escocesa, é bom pacas. Se o primeiro trabalho mostrou que o Franz Ferdinand é uma das revelações mais bacanas da atual década, com riffs pegajosos, músicas dançantes, letras inteligentes e vocal poderoso, o segundo álbum veio mostrar um amadurecimento da fórmula, com um punhado de músicas vibrantes e empolgantes. E eles fazem discos e não apenas singles, é bom deixar claro. Se hoje muitas bandas hypadas trabalham quatro canções e alcançam estrelato, o grupo do vocalista Alex Kapranos faz álbuns que são bons do início ao fim, sem pontas soltas. E acabaram por cometer um dos melhores discos do ano passado, ali, bem ao lado da novata Arcade Fire (com "Funeral", disco da semana que vem).
Se você tem dúvidas, basta ouvir a seqüência matadora que abre o disco: "The Fallen", "Do You Want To", "This Boy" e "Walk Away". A primeira delas traz a marca guitarreira do FF, sucessora de "Take Me Out", na intenção de sacudir uma festinha de rock ou uma pista de dança mais moderna. "Do You Want To" é divertida e a cara dos anos 80, com um coro pegajoso e letra sarcástica: "When I woke up tonight/I said I'm going to make somebody love me/Now I know that it's you/You're lucky lucky you're so lucky". Com uma autoconfiança dessas, precisa de mais alguma coisa? "This Boy" é da serie com leves tendências homossexuais da banda, com letra sobre um tal garoto, nos moldes do que já foi feito no disco anterior, com "Michael". Finalmente, tem "Walk Away", uma das músicas mais belas já feitas. Se a melodia é daquele tipo aconchegante e arrepiante, a letra é genial na sua simplicidade, onde ele repete: "I love the sound of you walking away (...) Why don't you walk away?", num recado sucinto e arrebatador. Daí para frente, o disco mantém o altíssimo nível, entre músicas de rock feito para pular, suar e cantar junto, como "Evil and a Heathen", "You're The Reason I'm Leaving", "What You Meant" e "Well That Was Easy", e ótimas baladas que emulam Beatles sem receio: "Eleanor Put Your Boots On" e "Fade Together". Resumo? Compre (ou baixe, mas o álbum completo, nada de faixas soltas) de olhos fechados.
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por LEONARDO MAIA - 12:04 PM
Sexta-feira, Março 10, 2006
PRÊMIO ROCK INDEPENDENTE 2005
Com um pouco de atraso, devido a problemas técnicos, finalmente já está rolando a votação dos melhores do ano passado no cenário de rock baiano. Repetindo a fórmula do primeiro ano da disputa, os votos voltam a ser recebidos por e-mail, por meio do endereço premiorockba@gmail.com. Vale ressaltar que só será aceito um voto por pessoa e que no mail, além dos indicados, deve constar o nome do votante, com RG e endereço. Os votos serão recebidos até o dia 31 de março. Abaixo, os indicados, que podem também ser vizualizados no site http://premiorockba.v10.com.br
Banda
Cascadura
Retrofoguetes
Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta
Sangria
The Honkers
CD
"Azul e Roxo" - tara code
"Deep Visions of Unreality" - Veuliah
"O que me ensinaram a pensar" - Malcom
"Revés de um Si Bemol" - Mirabolix
Ronei Jorge e Os Ladrões de Bicicleta
EP/ Demo
"Amanhecer em Minas Gerais" - Starla
"Dramorama" - Soma
Lou
"Tecnologia s/a" - Tritor
Canto dos Malditos na Terra do Nunca
Banda ao vivo
Cascadura
Retrofoguetes
Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta
Sangria
The Honkers
Revelação
Canto dos Malditos na Terra do Nunca
o vestido preto de Valentina
Malcom
Mirabolix
Starla
Banda do Interior
5 Contra 1 (Poções)
Ardefeto (Vitória da Conquista)
Cama de Jornal (Vitória da Conquista)
Declinium (Dias D´ávila)
LP e Os Compactos (Feira de Santana)
Banda visitante (show)
Cachorro Grande (RS)
Gram (SP)
Nervoso e os Calmantes (RJ)
MQN (GO)
WRY (SP)
Selo
Atalho
Big Bross
Estopim
Frangote
Maniac
Espaço (para shows e festas)
Calypso
Casarão Santa Luzia
Miss Modular
Rock in Rio
Zauber
Evento
Beatles Social Club
Big Beats
Gravação do DVD da brincando de deus
Mercado Cultural
Seletiva Claro que é Rock
Evento no Interior
A Conquista do Rock (Vitória da Conquista)
Cacau Ouro Festival (Itabuna)
Conquista Rock Festival II (Vitória da Conquista)
Pólo Rock Festival ¿ 2ª Edição (Camaçari)
Rock Rio São Francisco (Bom Jesus da Lapa)- 2
Festa
8 ou 80
Boogie Nights
Nave
Os Maicols
Soul Sundays
Imprensa/ Internet
Bahia Rock
Caderno Dez (A Tarde)
Discomania (Correio da Bahia)
el Cabong (blog)
Rockloco (blog)
TV/ Rádio
16 Toneladas (Rádio Educadora)
A Hora do Rock (Globo FM)
Curto Circuito (Transamerica)
O Novo Rock Baiano (TVE)
Soterópolis (TVE)
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por LEONARDO MAIA - 8:55 AM
Domingo, Fevereiro 19, 2006
* Disco da Semana - Palookaville (Fatboy Slim)
Nas vésperas da passagem do pop star Fatboy Slim no comando do bloco Skol D+, na terça-feira de Carnaval, no Circuto Dodô (Barra-Ondina), nada melhor do que celebrar este que deve ser um dos maiores acontecimentos que o Carnaval da Bahia já viu, com o mais recente disco do DJ. Melhor ainda quando se trata de um ótimo álbum, talvez o melhor da discografia do britânico, nascido em Brigthon. Fatboy capricha nas colagens sonoras e "Palookaville" é seu momento mais íntimo com o pop. Ainda é um disco de um DJ, mas as diversas participações especiais, como as de Damon Albarn ("Put It Back Together), Jonny Quality ("Long Way From Home") e Lateef ("Wonderful Night"), e a presença de alguns instrumentos "reais" (como o baixo tocado pelo próprio Fatboy Slim - relembrando os tempos de Housemartins), mostram o quanto o disco foge da eletrônica tradicional.
Não que Fatboy Slim fosse adepto de uma eletrônica mais pura, muito pelo contrário, afinal foi ele que moldou o estilo que ficou conhecido como big beat (house music flertando com o rock e hip hop). Mas é aqui, nesse flerte mais declarado com o rock, soul, surf music e outros estilos, que Fatboy Slim ousa mais. O disco é dançante, mas a sonoridade é bem mais light do que a vista em outros trabalhos do DJ. Se não for o mais adequado para tocar em pistas de dança de clubs londrinos, certamente é o que funciona melhor nos fones de ouvido de seu MP3 Player (ou discman). Pode agradar menos aos fãs mais radicais da eletrônica, mas "Palookaville" é, provavelmente, o disco mais coeso do artista inglês. Você não vai encontrar hits arrasa-quarteirões como "The Rockafeller Skank" e "Praise You" (ambos do também ótimo "You've come a long way, baby"), mas faixas deliciosas como "Don't Let The Man Get You Down", "Wonderful Night" (a melhor de todas), "Push and Shove" e "The Joker" (regravação de um dos maiores sucessos da Steve Miller Band). Outro destaque é "Put It Back Together", um pouco prejudicada pelo vocal exageradamente preguiçoso e arrastado de Damon Albarn. Algo estranho, diga-se de passagem, pois trata-se do cara a frente de ótimas bandas como Blur e Gorilazz. O que mais se aproxima do Fatboy Slim de outros discos é a boa "Slash Dot Dash", a mais dançante de todas as faixas. No cômputo geral, "Palookaville" não cansa em nenhum momento - problema chave dos discos de DJs - e vai bem desde as participações certeiras até a belíssima capa. Agora é só esperar pela madrugada do último dia de Carnaval. Good vibrations!
Para saber mais, clique aqui para ler a entrevista com Fatboy Slim, em matéria escrita por esse que vos fala. E aqui para ver o complemento da matéria, com Patife e Marky, que acompanham o inglês no Skol D+.
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por LEONARDO MAIA - 4:46 PM
Sexta-feira, Dezembro 16, 2005
* Disco da Semana - Get Behind Me Satan (The White Stripes)
Jack White já provou que está entre os mais importantes músicos da atualidade. Não é fácil carregar nas costas uma das maiores bandas do mundo, que faz um dos melhores shows do rock e se supera a cada álbum. Ele canta bem, toca uma guitarra suja e bluesy como poucos e ainda faz bonito no piano. Isso tudo ainda competentemente protegendo a fraquinha Meg White, que acha que toca bateria e só se sobressai porque faz uma pose das boas. Ela tentou ensaiar uns passos até decentes, cantando em "In The Cold, Cold, Night", do álbum anterior, "Elephant", mas mostra aqui que é sofrível também com o microfone nas mãos, cometendo o momento mais fraco do disco, "Passive Manipulation". "Get Behind Me Satan" (ótimo nome, por sinal) pode não ser espetacular como "Elephant", mas consegue manter o alto nível na discografia do White Stripes, que pouco a pouco vai se tornando clássica.
O disco começa pesado, com a ótima "Blue Orchid", mantendo a tradição do White Stripes de sempre abrir com uma música poderosa. Mas não se engane, o clima aqui é outro, bem mais light que nos discos anteriores. A estranheza (das boas) aparece logo na segunda faixa, "The Nurse". A guitarra não está mais à frente, como normalmente acontece nas músicas do grupo. Agora o piano é que está em destaque, sendo uma constante em todo o disco. Na citada "The Nurse", a guitarra aparece exagerada e cortante em diversos momentos. De fato, Jack diminuiu bastante a veia guitarristica que vinha marcando a sonoridade da banda, mas mostra também criatividade e busca novas opções, como na excelente "Take Take Take". Isso sem nunca perder a cara do White Stripes. "My Doorbell", "Forever For Her is Over for Me" e "I'm Lonely, But I Ain't That Lonely Yet" estão neste time e são também ótimas músicas. "Instinct Blues" é uma nova passagem pelo terreno do blues, algo como o papel desempenhado por "Ball and Biscuit" em "Elephant". Mas há espaço também para o country tão admirado pela dupla, em "Little Ghost". Um disco coeso, correto, que reforça a curiosidade pelos próximos passos dessa dupla de americanos. Em tempo: o encarte é mais uma vez elegante e belíssimo; só peca mesmo por não trazer as letras.
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por LEONARDO MAIA - 7:28 PM
Sexta-feira, Dezembro 09, 2005
*Disco da Semana - Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta
Já desconfiava que a banda Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta era a melhor coisa que surgiu no rock brasileiro desde o Los Hermanos. Mas esse homônimo disco de estréia se apresenta como prova cabal e irrefutável disso. Se ao vivo eles já tinham mostrado a qualidade, em estúdio só havia o EP "A Dois", um aperitivo curto demais.
Guardado a sete chaves já há alguns meses, em virtude do contrato com o festival Claro que é Rock, que impedia o lançamento do material, esse disco de estréia é espetacular do início ao fim. Para quem acompanha o trabalho da banda, pode até ser previsível, mas certamente os que não conhecem podem sim ficar de queixo caído. Produzido com um refinamento irretocável de Luiz Brasil, que participou de discos de gente como Caetano Veloso, Cassia Eller e Elza Soares, o álbum traz 12 faixas próprias já conhecidas dos shows, incluindo as quatro que estiveram presentes no EP anterior ("Sete Sete", "Obediência", "Veja Só" e "A Dois"). A repetição dessas músicas acabou sendo uma ótima idéia, pois todas foram regravadas com novos (e melhores) arranjos, não soando como mais do mesmo.
Fica realmente muito difícil destacar uma ou outra música, pois todas estão num elevadíssimo patamar de qualidade. O que se percebe no conjunto é que as canções ganharam uma sonoridade mais cadenciada do que normalmente é visto nos shows. Isso não deve ser interpretado, porém, como um defeito. As músicas de Ronei Jorge estão mais brasileiras do que nunca, poucas vezes se viu um rock tão com a nossa cara. E isso misturando, sem nunca parecer "over", rock com samba, MPB e jazz.
A guitarra vibrante e criativa de Edinho é absurda de tão boa; o baixo de Serginho, que já é grande destaque nos shows, chama atenção durante todo o disco, ainda mais na faixa "Circo", que possui umas das linhas de baixo mais belas já vistas; Pedrão é um monstro da bateria, ressaltando que o importante aí é a inventividade e não um pretenso peso ou virtuosismo - a bateria dele completa o som com discrição invejável. Por fim, Ronei exala energia e emoção nos vocais (que estão melhores do que nunca), faz letras lindas, que em poucas palavras dizem muito, liderando como um poeta errante e teatral um bando de ladrões da melhor estirpe. Juntos, eles mostram que ainda dá para fazer algo original no rock, mesmo misturando diversas referências.
O disco traz participações especiais do próprio Luiz Brasil tocando violão nas faixas "Coragem" e "Lugar Qualquer" e tamborim em "Obediência", além de ajudar em alguns coros (que por sinal estão muito bem colocados). Gustavo Di Dalva toca cajonga e cuíca e Jussara Silveira fecha o time de convidados dividindo os vocais com Ronei na ótima "Coragem", a música que provavelmente mais ganhou na versão do disco (comparando com as execuções ao vivo). Bem, já que uma já foi destacada, num esforço, dá para selecionar outras cinco: "Obediência", "Mulher Gigante", "O Drama", "Daikiri" e "Circo". Isso sem desejar ter sido injusto com as outras seis ótimas faixas.
O álbum está sendo distribuído pela Tratore para todo o Brasil, já sendo encontrado no site do Submarino e em algumas lojas de discos da cidade. Mais informações na página oficial da banda (clique aqui). O lançamento está marcado para o inicio de janeiro, possivelmente no dia 10, no Teatro Acbeu. Não perca por nada nesse mundo.
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por LEONARDO MAIA - 4:12 PM
Sábado, Dezembro 03, 2005
* Claro que é rock!
Com um cartel que trazia bandas internacionais como Sonic Youth, Flaming Lips e Iggy Pop com Stooges, a produção do Claro que é Rock, realizado no dia 26 de novembro em São Paulo e no dia 27 no Rio, não precisava fazer muito esforço para agradar a todos. Em Sampa, onde o Discoteca Narcisista esteve, mesmo com alguns absurdos cometidos pela organização, o resultado final foi bem positivo. Já no Rio, segundo dizem, foi uma zona completa, com direito a um sonoro "claro que é merda" (em português mesmo) de Mike Patton, do Fantômas.
A princípio, a pontualidade britânica em que o festival começou, às 15h05, como anunciado, dava margens aos mais diversos elogios. No palco B, a banda baiana Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta abria a seletiva final, disputada por oito grupos independentes. Em shows de no máximo 20 minutos, os grupos de várias partes do país tentariam seduzir um júri composto por gente como Carlos Eduardo Miranda, Lúcio Ribeiro e Pitty. No palco, os baianos mostraram o ótimo show de sempre, um pouco prejudicado pela corda que estourou na guitarra de Edinho, já na primeira música. Sem dúvida, o som mais competente e original que seria visto naquela noite, com um set que incluiu "Sete Sete", "Mulher Gigante", "O Drama", "Obediência" e "Vidinha". No púbico ainda minguado, dava pra ouvir elogios de gente que não conhecia o som. Logo depois, a Volpina (Sorocaba), liderada por um gordinho faceiro dos mais desafinados, recebeu as primeiras vaias e gestos obscenos da noite.
Então o que podia estar errado na pontualidade em que começou o show? Um "pequeno" detalhe: os jurados da seletiva ainda não tinham chegado. Numa confusão sem tamanho e mostrando um amadorismo irritante, a produção do Claro deixou as duas primeiras bandas tocarem e se estragarem de vez na seletiva. Mais tarde, chegaram a cogitar a repetição dos shows, idéia recusada pelas concorrentes. Ficou então a informação de que o júri iria assistir a gravação feita pela MTV. Se assistiram mesmo, só Deus sabe.
De fato, as bandas que se seguiram mostraram pouca criatividade e qualidade. O Cartolas, que viria a ganhar a seletiva, mostrou um rock com o jeitão gaúcho que leva no sangue, com destaque para o ótimo vocalista. Estava entre as melhores, isso não há duvida. A paraibana Star 61 conquistou o público com a divertida performance, especialmente pelo vocalista com alma glam e uma aparência que misturava Lacraia e Jean Wyllys. Figuraça, num rock bem debochado. Na lista das piores atrações, o páreo ficou duro, com o rock a la Charlie Brown Jr. do Spiegel (Florianópolis), que chegou a brigar com o público arredio, e 10Zero04 (Brasília), uma péssima banda que (não agüento) mistura rock com rap. Os Imperdíveis (São Paulo) e Moptop (Rio de Janeiro) fizeram bons shows e deixaram uma impressão melhor que a maioria das bandas.
Escalado entre os shows das bandas da seletiva, teve o sempre bom show do Cachorro Grande, uma das coisas mais divertidas, hoje, do rock brasileiro. Logo depois da seletiva, a patética Good Charlotte agradou apenas às aborrecentes presentes. Meu Deus, como podem gostar disso? A coisa foi ficando quente mesmo em seguida, quando os pernambucanos da Nação Zumbi entraram em campo. Showzaço, com o público em perfeita comunhão com os caras, dançando muito e cantando junto. Depois, veio o último anticlímax da noite. O Fantômas, projeto de Mike Patton (ex-Faith No More), fez uma apresentação absurdamente ruim, antimusical, pretensiosamente cabeça. Resumindo, um saco. Ele certamente acertou quando disse que muita gente não ia gostar do som da banda. Mas o que veio depois derrubou qualquer potencial mau-humor.
A alegria e fantasia do Flaming Lips lideraram a melhor apresentação da noite. Eles mostraram, em cerca de uma hora, como se faz de um show, um verdadeiro espetáculo. O louco Wayne Coyne, vocalista desta ótima banda de Oklahoma (EUA), conseguiu ganhar a simpatia de todos em poucos minutos, desde antes de começar a cantar. Durante o show da Nação Zumbi, a banda anterior do Palco B, ele já estava lá no palco, acompanhando tudo. Logo depois, enquanto rolava a chatice do Fantômas no Palco A, Coyne preparava o verdadeiro circo que é seu espetáculo visual, assumindo o papel de maestro. No palco, pessoas pinçadas na platéia vestidas dos mais diversos animais mostravam o lado fofo (mas nem por isso menos sacana) da banda. Um telão extra mostrava a câmera exclusiva de Coyne, trazendo um close do rosto dele. Balões e fitas coloridas, confetes e serpentinas formavam a beleza absurda do show. Antes da música se destacar, Coyne entrou na bolha gigante que já usou em outros shows e "andou" sobre a platéia. Singelo e emocionante.
Além do arrebatamento visual, a banda não deixou a peteca cair no campo musical. Cantou os maiores sucessos, em sua maioria do disco mais recente, "Yoshimi Battles The Pink Robots". Estiveram lá "Fight Test", a própria "Yoshimi Battles The Pink Robots", "Do You Realize", "She Don"t Use Jelly" (a música mais conhecida deles) e Race for the Prize". Dois covers fecharam o set, numa estratégia que acabou ganhando todo o público. A ótima execução de "Bohemian Rhapsody" (Queen), com um telão mostrando a letra, transformou o ambiente num grande karaokê. Fechando a noite, uma "homenagem" ao idiota do George Bush, com a apropriada "War Pigs". Não fosse a insistência em pedir que todos cantassem juntos as músicas, o Flaming Lips teria feito o show pop perfeito.
Sorte que lá no Palco A, quem se arrumava era Iggy Pop e a seminal Stooges. Se a singeleza marcou o show do Flaming Lips, a fúria foi o destaque com os Stooges. A apresentação dos veteranos foi uma verdadeira zona, com direito a Iggy pulando que nem um louco no palco, se jogando no meio da platéia, subindo nos equipamentos de som (e lá em cima simulando atos sexuais) e gritando impropérios para quem quisesse ouvir. O ponto alto foi quando Iggy chamou o publico para subir no palco. Aí, a saudável confusão se formou, com os seguranças tentando controlar a doideira que rolou. De repente, tinham pelo menos 30 pessoas ao lado do grupo, pulando, cantando "No Fun" a plenos pulmões e abraçando Iggy. Uma verdadeira orgia musical, que incluiu essencialmente canções dos dois primeiros discos da banda, "The Stooges" (1969) e "Fun House" (1970).
Voltando pro Palco B, o Sonic Youth tentou suprir as expectativas que sempre rondam os shows deles. Sempre correta e virtuose, a banda fez um ótimo show, mas não empolgou como devia. O excesso de músicas novas, do disco "Sonic Nurse", e a falta de muitos hits, deixou um gosto de quero mais na boca. Mas estiveram lá ótimas canções como "Teen Age Riot", "Druken Butterfly" e "The Empty Page". Os solos e distorções foram muito bem colocados, sem exageros que poderiam levar ao tédio. Não precisam provar mais nada, claro, mas ficaram aquém do Flaming Lips e Iggy Pop, mesmo sendo a banda preferida do Discoteca Narcisista entre as três.
Já para fechar a maratona de 12 horas de música, o Nine Inch Nails trouxe o peso de seu som, o rock industrial com muitos fãs na platéia. Com iluminação primorosa e técnica competente, o grupo agradou, mas não chegou a empolgar. Não está mesmo entre as melhores coisas do rock dos anos 90 e não faz jus a posição de principal atração do festival (segundo a organização), mas tem lá seus méritos. O melhor momento do show foi a execução de "Hurt", que já ganhou uma emocionante versão na voz de Johnny Cash. Valeu por todo o show.
O resultado final foi positivo e o principal mérito foi o pouco tempo entre um show e outro. Uma falha foi a diferença de som entre os palcos, que acabou deixando tudo muito mais baixo no Palco B. Mas nada que prejudicasse tanto. Fica agora a expectativa de uma eventual edição em 2006, comprometida pela confusão que rolou no Rio de Janeiro.
**Fotos do UOL**
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por LEONARDO MAIA - 4:18 PM
Segunda-feira, Novembro 21, 2005
*Disco da Semana - Mesmerize (System of a Down)
Quando assisti ao show do System of a Down em Lisboa, no início do ano, ainda não conhecia "Mesmerize", então recém-lançado disco desta que é uma das melhores bandas de rock pesado da atualidade, ao lado do Queens of The Stone Age. A referência era basicamente o famoso "Toxicity" e algumas músicas do primeiro e homônimo disco dessa banda de norte-americanos, de origem muçulmana. Mas a potência das novas músicas ao vivo não deixava dúvida quanto a qualidade do álbum. A surpresa ficou com a constatação de que "Mesmerize" consegue ser ainda melhor que "Toxicity", bem mais potente e mostrando uma banda ainda mais madura. Um álbum que é uma porrada sonora, com um complemento perfeito que são as letras de alto teor político, batendo pesado na sociedade americana, na indústria musical e mirando preferencialmente em Hollywood, nas duas músicas que encerram o disco ¿ "Old School Hollywood" e "Lost in Hollywood".
O primeiro single e mais famosa faixa do álbum é "B.Y.O.B.", a síntese perfeita da banda, assim como era "Chop Suey" em "Toxicity". Uma das melhores músicas lançadas em 2005, "B.Y.O.B." investe com vontade no peso, alternando momentos de fúria absoluta, com alguns mais melodiosos. Os dois vocalistas se alternam e se completam durante a faixa, que tem espetaculares riffs de guitarra e um baixo digno de nota. Fechando o hall de canções empolgantes estão a apoteótica "Revenga", a pornográfica "Cigaro" (cujo vocal dispara um sacana"my cock is bigger than yours"), a sarcástica "Radio/Video" e a mais comercial, mas nem por isso indigna de elogios "Question!". A melhor noticia é que o próximo disco do System of Down será lançado em meados de dezembro. A expectativa aumenta ainda mais quando se anuncia que "Hypnotize" é o completo desse "Mesmerize", sendo apenas o segundo ato de uma obra maior. Assim se espera, pois sobra de estúdio não enche o papo de ninguém.
CLARO QUE É ROCK!
Durante o próximo fim de semana, o Discoteca Narcisista estará em São Paulo, acompanhado o festival Claro que é Rock. Na expectativa em ver os show do Sonic Youth e The Flaming Lips, rever Iggy com Stooges, Cachorro Grande e Nação Zumbi, o Discoteca também está na torcida pela banda baiana Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta, que concorre na seletiva do evento. Por esse motivo, essa semana não haverá disco da semana. O retorno está marcado para a semana que vem, com os comentários sobre o festival! Até lá!
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por LEONARDO MAIA - 8:48 PM
Sexta-feira, Novembro 11, 2005
* Disco da Semana - Anacrônico (Pitty)
Pitty amadureceu. Se o primeiro disco, "Admirável Chip Novo", trazia hits certeiros e um rock vigoroso, pecava por composições irregulares e uma aura adolescente demais. "Anacrônico" vence essas duas barreiras e mostra uma Pitty ainda mais pesada e promissora. Agora ela é a estrela, não mais a artista revelação descoberta no underground, que conseguiu vencer na terra do Axé (pior clichê não pode existir). Hoje ela soma prêmios na MTV e tem fãs por todo o país.
Muito do sucesso de Anacrônico deve-se a banda que acompanha Pitty. Se no primeiro disco as gravações foram feitas por diferentes músicos, dessa vez, Joe (baixo), Duda (bateria) e Martin (guitarra, substituto de Peu Sousa) estavam lá, e respondem por grande parte dos méritos do disco. Instrumentalmente, Anacrônico chega próximo ao impecável e cresce ainda mais quando as músicas são transpostas para o palco. Parece realmente que o fato de Pitty andar escutando muito Muse e Queens of The Stone Age realmente fez bem ao som do grupo. A influência desta última banda citada, por exemplo, pode ser notada em uma das melhores faixas do álbum, "Memórias", um potencial hit ao lado de "A Saideira" e "De Você". Mas, como em Admirável Chip Novo, a tendência é que Pitty some ainda mais sucessos.
O primeiro single do disco já esta estourado nas rádios e passa incansavelmente na MTV. É a boa faixa homônima, de letra grudenta e ótimo riff. "Brinquedo Torto" é outro destaque, sendo a música mais antiga do disco, tendo sido apresentada durante o Festival de Verão de 2004, quando ainda era uma novidade. É também uma música bem pesada, claro, sendo esse o grande mérito desse segundo disco de Pitty. Quando faz rock direto e duro, Pitty mostra o seu melhor lado. É claro que ainda teremos que ouvir algumas baladinhas, como "Quere Depois" e "Na Sua Estante", mas somos também coroados com uma volta ao hardcore dos tempos de Inkoma, com a faixa "Aahhh...!" O grupo só peca mesmo com a constrangedora "Ignorin'u", com uma letra em inglês, o que por si só já é dispensável. No balanço, porém, o disco fica com uma nota bem redonda.
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por LEONARDO MAIA - 6:13 PM
Sexta-feira, Novembro 04, 2005
*Disco da semana - Los Hermanos 4
Pode parecer loucura, mas não é. Guardando as devidas proporções, as carreiras do Los Hermanos e Radiohead são bem semelhantes. A questão não é a sonoridade, que é bem distinta, mas o conceito em torno dos álbuns. Antes de apontar essas similaridades, a idéia é fazer o caminho contrário e discutir as diferenças. O grupo carioca nunca chegou perto da estranheza da trupe de Thom Yorke, ao mesmo tempo em que o Radiohead não tem em sua discografia um exemplar tão comercial quanto "Pierrot", do Los Hermanos. Mas, de fato, os dois grupos passaram por fases parecidas. "Pablo Honey" do Radiohead é o disco de audição mais fácil e tem um hit grudento, "Creep", assim como "Pierrot" traz a maçante "Anna Júlia". Meio numa tentativa de negar esse caráter comercial e mostrar a verdadeira faceta musical, os dois grupos lançaram álbuns de transição: "The Bends" e "Bloco do Eu Sozinho". O auge artístico de cada banda veio com o terceiro disco, o brasileiro "Ventura" e o gringo "OK Computer". Menos palatáveis que os antecessores, esses álbuns primam pelo apuro melódico e definiram de vez o público fiel às bandas. Não entrando na discussão de que esses discos são ou não os melhores do Los Hermanos e Radiohead, sabe-se seguramente que eles são as marcas registradas da sonoridade dos grupos. Depois, numa tentativa de negar tudo que veio antes, as duas bandas buscam o caminho mais difícil para o quarto rebento. O Radiohead lança o dificílimo "Kid A" e o Los Hermanos o melancólico e pouco roqueiro "4".
A sensação é quase a mesma. Ao ouvir "4" pela primeira vez, a estranheza fala mais alto. O grupo liderado por Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante perdeu o punch e decidiu mergulhar de vez numa sonoridade mais próxima da MPB. O ritmo é mais lento, os instrumentos de sopro quase desapareceram (a maior pena), as guitarras estão escondidas. Mas o disco é bom? Muito bom mesmo, ainda que depois de algumas audições. Muitas das canções são belas, singelas e encantadoras. O problema é que, olhando de modo retrospectivo, não tem como não ter saudade do Los Hermanos mais vibrante do passado. Em show, mesmo que o fã discuta, o clima com as outras canções já é outro. Todos continuam sabendo cantar todas as músicas, mas a animação já não é a mesma. O medo mesmo é de que eles fiquem chatos. A dosagem ideal dos dois antecessores, com canções baladeiras e faixas rockers, não foi alcançada em "4". Saiu de cena o Los Hermanos vibrante e ficou o mais contido.
Entre as novas músicas, o destaque fica com "O Vento", "Paquetá","Morena" e "Condicional". Pela primeira vez, Amarante superou com folga Camelo, sendo responsável pela maior parte dos pontos altos. Camelo parece que entrou num complexo de Dorival Caymmi e insiste em mar, barcos e morenas. O pior surge quando ele soa como um crente e faz letras um tanto quanto constrangedoras. "Horizonte Distante" tem a menos inspirada letra já feita pelo Los Hermanos, digna de hinos evangélicos. Uma pena, já que instrumentalmente é uma das melhores faixas. As letras de Amarante, porém, estão primorosas, especialmente "Paquetá" e "Condicional". "4" é altamente recomendável para ouvir o que há de melhor em música brasileira. O Los Hermanos ainda é sim a melhor banda do Brasil, mesmo quando age de modo mais introspectivo e melancólico. Agora é esperar o quinto disco e torcer bravamente para que não venha um "Amnesiac"...
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por LEONARDO MAIA - 5:14 PM
Sexta-feira, Outubro 28, 2005
Demorou, mas voltou. Pedindo desculpas mais um vez, o Discoteca Narcisista volta com as atualizações semanais, sempre com um novo disco. Obrigado pela paciência de todos!
* Disco da Semana - The Rise and Fall of Ziggy Stardust and The Spiders From Mars (David Bowie)
Não tem como gostar de tudo que leva a marca David Bowie. Esse veterano artista inglês passou por algumas fases problemáticas, incluindo o tenebroso período de China Girl. Mas não é por acaso que ele é chamado de camaleão do rock. Homem de diversas facetas, Bowie se renova e mostra ser um dos mais ecléticos artistas do showbizz. Hoje, ele continua lançando bons discos, mas nunca superou a obra-prima lançada em 1972, "The Rise and Fall of Ziggy Stardust and The Spiders From Mars". Disco conceitual, "Ziggy Stardust" trouxe Bowie encarnando um personagem andrógino e misterioso. E, do mesmo jeito que ele surgiu, surpreendendo a todos, foi eliminado na final da turnê do disco. A ascensão e queda de Ziggy Stardust e sua banda, The Spiders From Mars, exatamente como resume o título da obra.
Não seria exagero afirmar que este disco de Bowie entra com folga na lista dos 10 melhores discos de todos os tempos. Não são daqui alguns dos maiores clássicos do cantor, como "Space Oddity", "Heroes", "The Man Who Sold The World, Rebel Rebel" e "Changes". Mas aqui estão maravilhas como "Starman", "Ziggy Stardust", "Moonage Daydream" e "Five Years". E o disco exala emoção em um rock and roll com momentos mergulhados no soul. O vocal de Bowie é espetacular, as letras respiram o mundo criado por Bowie para seu personagem e as inserções de cordas em algumas das músicas sofisticam ainda mais o som desse gênio do rock. Um disco espetacular, daqueles que não temos vergonha de marcar com os mais sinceros elogios. Infelizmente, não é encontrado nas lojas brasileiras, estranhamente fora de catálogo. A opção é comprar a inferior trilha sonora do filme de mesmo nome.
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por LEONARDO MAIA - 5:48 PM
Segunda-feira, Junho 27, 2005
* Disco da Semana - Highway 61 Revisited (Bob Dylan)
É realmente um sacrilégio a ausência de um disco da lenda Bob Dylan no Discoteca Narcisista. Mas por onde começar? Qual disco deve primeiro se tornar uma peça do Discoteca Narcisista? Com uma discografia bastante extensa e vários álbuns clássicos, a tendência era mesmo começar pelos discos dos anos 60, os primeiros de uma vitoriosa carreira. E que tal começar por uma das suas melhores obras, que tem entre as canções um dos seus maiores clássicos (quiça o maior)? "Highway 61 Revisited" tem uma das aberturas mais impactantes da música, Dylan lança logo de cara "Like a Rolling Stone", aquela espetacular canção sobre solidão, mudanças na vida, naquela escrita toda especial de Dylan. Emociona e ainda tem umas das melhores performances vocais de Dylan. Mas ainda tem a faixa-título, "Tombstone Blues" e a revigorante "Ballad Of a Thin Man", uma das melhores canções deste sulista. Mas o que importa mesmo é que não há música ruim neste clássico de 1967, que ainda é bastante folk, mas engloba um maior teor "rock´n´roll" que os discos anteriores.
Aqui está o Dylan trovador no auge da forma, destacando-se como um dos artistas mais importantes da música mundial, isso levando em conta que ele possui uma das vozes mais esquisitas e anti-comerciais já ouvidas. Não há como negar que a voz rouca e desentoada de Dylan afasta muitos ouvintes, mas logo a pessoa se acostuma e passa-se realmente a gostar do tom todo especial do artista. Passando por cima desta característica especial na voz, estão as maravilhosas composições do artista, poesia em forma de música. Não à toa, sua palavra espalhou-se na cultura norte-americana e Dylan virou líder de toda uma geração. Mas a qualidade musical de Dylan ainda se deve à sempre boa banda de apoio que lhe acompanha, além do seu próprio talento como instrumentista, especialmente com a gaita e o piano. E ele ainda está por aí, fazendo esporádicos shows, lançando livros e criando expectativa quanto à novos discos. E passando por cima de críticos e fãs que afirmam que o velho revolucionário entregou-se ao "sistema", quando na realidade hoje ele já possui uma imunidade que o deixa fazer o que bem entender. Afinal com a lista de artistas que este trovador americano influenciou, fica difícil criticar. Dúvidas? The Beatles, Neil Young, Bruce Springsteen, Van Morrison, The Velvet Underground, The Band, Nick Drake, Nick Cave...
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por LEONARDO MAIA - 12:44 PM
Domingo, Junho 12, 2005
* Disco da Semana - Pod (The Breeders)
É realmente uma pena o quão irregular é o caminho traçado pela banda norte-americana The Breeders. Numa trajetória cheia de indas e vindas, sumiços e problemas com drogas, o grupo ainda foi eternamente prejudicado pelos projetos paralelos dos componentes. Principalmente a chefona Kim Deal, que agora está de novo com o Pixies rodando o mundo. Não, não estou aqui pedindo que Deal deixe o Pixies de lado, mas não dá para negar que fica mesmo aquela vontade de ver o Breeders lançando material em disco com mais freqüência. Por aqui pelo Discoteca Narcisista já passou o mais bem-sucedido disco da banda, "Last Splash", dono do maior hit, "Cannonball". Mas, voltando uma etapa, não poderia deixar de figurar aqui "Pod", disco de estréia do Breeeders, lançado em 1990. Não se deixe enganar, "Pod" é tão bom quanto "Last Splash" e ainda carrega uma sonoridade bem mais alternativa que o (por vezes) pop "Last Splash". Em curtos trinta minutos, a remendada Breeders, que então trazia Tanya Donelly (Throwing Muses, guitarra), Josephine Wiggs (Perfect Disaster, baixo) e Shannon Doughton (alter-ego de Brit Walford da banda Slint, na bateria), mescla momentos melancólicos com outros de alegria juvenil. A primeira faixa, "Glorious", encaixa-se perfeitamente no primeiro caso, com uma voz extremamente carregada de Kim, uma bateria marcante e uma guitarra que mais parece um lamento. A seguinte "Doe" é componente do lado mais alegre de "Pod". No meio das ótimas faixas autorais do Breeders, aparece um espetacular cover de uma das mais enigmáticas canções dos Beatles, "Happiness Is a Warm Gun". Sem receio, este é um dos melhores covers já gravados por qualquer banda de rock. Sem dever nada à versão original, e dá para imaginar o que significa não dever nada a ninguém menos que os Beatles, a "Happiness Is a Warm Gun" dos Breeders é apocalíptica, cheia de ruídos esquisitos e com uma simbiose entre bateria e guitarra das mais impressionantes. Isso sem falar na interpretação genial de Kim Deal nos vocais. Esplêndido. Mas, calma, ainda tem muito disco pela frente. A aparentemente abobalhada "Oh!" traz o violino de Carrie Bradley (creditada como membro do grupo no encarte do disco) em pleno destaque e é outra componente do lado melancólico do disco. O principal hit, ou algo próximo disso, do disco é "Hellbound", que acaba apontado mais para a sonoridade do disco seguinte, o tal "Last Splash". E ainda há boas canções como "Fortunately Gone","Iris" e "Opened". Ouça bem esse disco de estréia dos Breeders e tente tirar da cabeça a idéia de que o Breeders é uma banda de uma só canção. Essas garotas norte-americanas podem rapidamente ssipar este pensamento.
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por LEONARDO MAIA - 8:09 PM
Terça-feira, Maio 31, 2005
* 11ª Edição do Super Bock Super Rock
Já tinha passado da hora. Oito meses já na Europa e apenas alguns poucos shows assistidos: Violent Femmes, The Soundtrack Of Our Lives, Orishas e Alanis Morrisete. Bem, ainda não foi o festival dos sonhos do autor, mas já deu para saciar a sede por rock. Na bela capital portuguesa, a 11ª edição do Super Bock Super Rock trouxe um cast inferior aos anos anteriores, optando mais pelo peso que nas outras edições. Já sem a sombra do Rock in Rio, que no ano passado realizou-se na mesma época, o Super Bock certamente esperava reunir um público maior do que o de fato esteve presente. Realizado no gigantesco Parque do Tejo, logo ao lado da Ponte Vasco da Gama, o festival teve espaço de sobra. Entre tendas de discos e roupas, lanchonetes, stands de patrocinadores, mesas de totó (?) e carros debate-bate (??), havia demasiado espaço para circular. O melhor mesmo era se concentrar em frente ao palco principal que, ainda bem, trazia um excelente sistema de som. E, para pagar as complicadas despesas em euro, a solução foi dividir o passe geral e ir em dois dos três dias do Super Bock. Do cast de atrações, ficou a pena de não assistir ao The Hives e New Order, escalados para a noite de sábado.
Sexta-feira (27) foi o dia de abertura do festival, com grande expecativa para os shows de System of a Down e Prodigy, duas atrações que acabaram por mais agradar ao Discoteca Narcisista. Antes deles teve o Incubus, revelação do novo rock, daquelas que agradam aos fãs de Linkin Park e Limp Bizkit. Cansativo e pouco empolgante, o Incubus levantou o público na execução de "Wish You Were Here", o seu maior hit (que é apenas homônimo da música do Pink Floyd), além da boa versão ao clássico "Hungry Like a Wolf", da oitentista Duran Duran. Ensaio fraco para a excelente performance seguinte, do System Of a Down. O grupo norte-americano, com raízes árabes, fez o show mais longo do festival, com 1h40, desfilando os seus pesados hits e levantando o público. Não faltaram os sucessos do excelente disco "Toxicity" e alguns novas músicas do recém-lançado "Mesmerize". O pesadíssimo trio instrumental da banda impressiona, amparados pelos vocais esquisitos de Serj Tankian e Daron Malakian, este último que costuma assustar com os seus olhos esbugalhados. Superando as expectativas do Discoteca Narcisista, o System of a Down deixou o espaço livre para o Prodigy arrebentar. E não podia ser diferente. O grupo norte-americano fez o show mais vibrante do festival, transformando o Parque do Tejo em uma pista de dança. Um show espetacular, com um desfile de sucessos, incluindo, é claro, "Breathe" e "Smack My Bitch Up". O alucinado Keith Flint, que chegou a ir de encontro com o público e beijou a boca de duas fãs, era o contraponto ao mais sério e assustador Maxim Reality. Instrumentalmente impecável, o Prodigy mostrou que por mais que não esteja mais lançando ótimos discos como o famoso "The Fat Of The Land", ainda é um dos melhores grupos ao vivo do mundo.
O derradeiro domingo reuniu um público ainda mais underground, graças aos shows de Slayer e Marilyn Manson. Camisas pretas, piercings e muita droga, essa era a tônica do Super Bock. Com o habitual atraso que é comum aos brasileiros, o Discoteca Narcisista chegou depois do show de Slayer e com o show de Iggy Pop e Stooges já rolando. Ainda com energia para desbancar muito garoto, Iggy Pop se desdobrou no palco, mas não caiu muito nas graças do público. É indiscutível a competência do veterano grupo The Stooges, mas é fato que a sua música se desgastou um pouco. Com alguns bons momentos, o show passou e deixou poucas marcas. Em seguida, entrou no palco o Audioslave, um remendo de duas famosas bandas: o Rage Against The Machine e o Soundgarden. Com apenas dois discos lançados, sendo que o mais recente acabou de chegar às prateleiras, o Audioslave tem algumas boas músicas, mas agrada mesmo quando canta as canções das duas bandas que lhe deram origem. O setor instrumental é todo remanescente do Rage e parece desperdiçado na proposta pouco excitante do Audioslave. Quando despejou velhos sucessos do ex-grupo, com a falta sentida de Zack de La Rocha, o Audioslave conquistou o público presente. O vocalista Chris Cornell despejou alguns sucessos do Soundgarden e o Audioslave acabou passando na média, graças ao Rage e ao Soungarden. E para encerrar o festival, chegou o bizarro Marilyn Manson, que mais fãs reunia no Parque do Tejo. Vocês certamente não verão um disco de Manson figurando no Discoteca Narcisista, mas o show do norte-americano foi a grande surpresa do Super Bock. Como espetáculo, Marilyn Manson foi o mais completo, investindo pesado na iluminação e aparecendo cada vez com um novo utensílio. Com um figurino bizarro e maquiagem macabra, ele chegou a cantar em cima de gigantescas pernas de pau. E teve "Beautifil People", "Dope Show", "Mobscene" e as ótimas versões de "Sweet Dreams", do Eurythmics, e "Personal Jesus", do Depeche Mode. Público ganho, não custou muito a Marilyn Manson para fazer o melhor show do último dia do Super Bock.
PITTY ENGATINHA EM TERRAS LUSITANAS
E a baianinha Pitty já ensaia os primeiros passos em Portugal. O bem-sucedido "Admirável Chip Novo" toca com alguma frequência nas rádios portuguesas e o disco, em conjunto com o DVD, está sendo anunciado na TV portuguesa. E o narrador da propaganda se desmancha em elogios e a coloca como o mais novo sucesso do Brasil. Como não poderia ser diferente, ela também já figura na parada da MTV portuguesa, com "Admirável Chip Novo", a música, e "Máscara". Bons ventos sopram para Pitty.
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por LEONARDO MAIA - 4:16 PM
Segunda-feira, Maio 30, 2005
**EM BREVE**
Ainda esta semana, o Discoteca Narcisista traz a resenha do Festival Super Bock, realizado em Lisboa. O autor esteve presente em dois dos três dias do festival, que contou com os shows de Prodigy, System of a Down, Incubus, Audioslave, Stooges, Marilyn Manson, entre outros. E ainda tem novidades de uma tal roqueira baiana aqui pelas terras lusitanas... Até mais!
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por LEONARDO MAIA - 4:08 PM
Domingo, Maio 22, 2005
***Entrevista - Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta***
Custa muito escolher, mas, para o Discoteca Narcisista, Ronei Jorge e Os Ladrões de Bicicleta é hoje a melhor banda baiana de rock. A sonoridade original, com referências de MPB, jazz e samba numa base roqueira, é o que chama atenção e vem atraindo um público relativamente grande, além de reunir diversos elogios da crítica especializada. Ronei Jorge é o frontman, com uma performance teatral e voz marcante, esbanajando emoção. Os tais ladrões vão roubar a sua atenção, três músicos compententíssimos: Edinho (guitarra), Serginho (baixo) e Pedrão (bateria). Juntos, eles fazem shows espetaculares e brevemente vão colocar na praça um disco com músicas que já são cantadas na íntegra por um público fiel. Nessa entrevista, realizada por e-mail, Ronei Jorge fala da escolha da banda para representar a Bahia no Festival Claro Que é Rock, do histórico show com o Placebo e dos planos futuros. Confiram! E, se você não os conhece, não percam tempo e curtam um show da quadrilha liderada por Ronei, em Salvador.
Discoteca Narcisista - Certamente o show de vocês na seletiva do Claro que É Rock foi um dos mais importantes da carreira da banda. Qual a avaliação de vocês desta experiência?
Ronei Jorge - Tocar na Concha é importante para qualquer artista soteropolitano, ainda mais quando ela tá com tanta gente. A experiência é única e acho que marcante para todas as bandas que tocaram lá no festival. Acho que todas as bandas estavam no clima e expectativa para tocar pra tanta gente.
DN - Show de banda internacional , ainda mais no auge, é raridade em Salvador. O show do Placebo foi aprovado?
RJ - É verdade, espero que com o show da Placebo a coisa mude. Eu sinceramente não conheço a banda direito, mas achei o show competente e mostra um pouco de como os gringos vêem o show como um espetáculo. Particularmente achei o Brian o destaque, o cara canta muito bem.
DN - O Festival Claro Que É Rock sofre as mais duras críticias, devido ao regulamento dúbio e a acusações de favorecimentos a determinadas bandas. O que vocês acham de toda essa confusão?
RJ - O regulamento pode ter sofrido da inexperiência da organização o que resultou em dúvidas. Isso gera dubiedade e confusão. Quanto ao favorecimento, respondendo pela minha banda, não me sinto favorecido. Todo o festival adota critérios para a escolha e espero que no nosso caso tenha sido a música, pois não acho que exista maior atrativo em nós que não seja a música. Apesar da evidente beleza dos componentes... brincadeira. Mas também, além da questão do regulamento, em festival geralmente rola esse aborrecimento de não ter conseguido entrar e tal... Já tomei esse baque.
DN - Agora que o Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta já estão selecionados para o Claro Que É Rock em São Paulo e no Rio de Janeiro, há alguma preferência para a escalação de alguma banda internacional específica?
RJ - Não, quer dizer... pô, se for o Radiohead vai ser bacana. O Audioslave seria uma grande atração também. Mas queria mesmo que fosse o Nick Cave, então o que vier tá valendo.
DN - O que vocês acharam das bandas selecionadas nas seletivas dos outros estados?
RJ - Ouvi rapidamente, não dá pra dizer nada com convicção. Em Recife eu já tinha ouvido a Rádio de Outono e gostei, mas a banda que ganhou parece ser bacana.
DN - Em 2003, vocês levaram o prêmio de banda revelação (empatados com o Los Canos) no Prêmio Rock Independente Bahia. Em 2004, conquistaram o posto de Melhor Banda. O que mudou no grupo em um ano?
RN - Ganhar essas premiações é bom, mas não faz a banda. A gente fica feliz, mas não dá pra parar achando que tá tudo lindo. Agora é que tem que correr atrás, continuar ensaiando e compondo.
DN - Enquanto a maioria das bandas reclama da diminuição do público de rock em Salvador, o público do Ronei Jorge e Os Ladrões de Bicicleta cresce a olhos vistos. Como vocês se sentem aos ver cada vez mais pessoas cantando as músicas do grupo?
RJ - Essa coisa de público é um enigma. Eu só posso ficar feliz com o carinho e participação que o público tem mostrado a gente. A melhor coisa que você tem é fazer a sua música de forma livre, sem amarras e o público gostar disso, cantar e participar.
DN - Depois de finalizar as sessões de gravação do novo material, quando vai sair o sucessor do EP "A Dois"? Desta vez será um disco completo ou mais um EP?
RJ - Quando sai ainda não sabemos, mas já temos material gravado. É um disco completo, com as músicas que já rolam nos shows.
DN - Há muito já se fala num videoclipe do grupo. Quando a promessa será cumprida?
RJ - Sabemos da dívida, mas é que voltamos nossas atenções mais às músicas que produzimos e esquecemos do clipe -talvez um erro de estratégia nos dias de hoje - mas tem sido assim, a gente é assim meio turrão, quer fazer a música do nosso jeito, quer ficar produzindo cada vez mais. Mas vamos fazer esse clipe, agora sem promessas.
DN - Com tantas novidades para os próximos meses (Mada, Claro Que É Rock, disco novo), quais são as metas da banda para 2005? Algum passo futuro já encaminhado?
RJ - Bom, a gente tem que ver com vai terminar esse festival. Mas, como dizem meus amigos Mário Jorge e Mauríco Pedrão: não pode parar, tem que continuar o trabalho. Pau na máquina.
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por LEONARDO MAIA - 6:49 PM
Domingo, Maio 15, 2005
* Disco da Semana - Alexei (Belasco)
Um dia antes de vir passar uma temporada na Europa, fui a o último show de rock em Salvador, no Tangolomango. Numa promoção do evento Domenica Pop, a banda Ronei Jorge e Os Ladrões de Bicicleta recebia o grupo cearense Velasco, já na estrada desde 2001. Num show corretíssimo, o grupo de Fortaleza aguçou o interesse e "provocou" a compra do seu álbum de estréia, "Alexei". O disco transpira o rock briitânico dos anos 90 com muita competência e profissionalismo, ficando realmente difícil não lembrar dos escoceses do Teenage Fanclub, mesmo com a grande diferença no estilo vocal dos grupos. Típica banda brasileira que bebe com vontade nas fontes estrangeiras e não deixa a peteca cair, o Belasco opta por não incluir os "toques" da musicalidade brasileira na receita sonora. E isso passa longe de ser um defeito, mesmo sendo um atestado de que são bandas como essa que dificilmente saem do mercado alternativo. Um fato fácil de atestar, vide as bandas que estão no mainstream do rock brazuca. Mas o que seria do rock daqui se não fosse a qualidade e independência criativa do rock alternativo? E, antes de mais nada, não venham criticar a opção da banda em cantar em inglês. Já se passou desta fase e a escolha do idioma bretão se mostra eficiente e coerente para bandas que sofrem forte influência do mercado internacional. Se muitas bandas européias, como os bem-sucedidos grupos suecos, assim o fazem, por que os nosso não podem?
"Alexei" traz 10 faixas de produção caprichada, com bons arranjos de guitarra e um vocal inspirado de Fábio Rodrigues. Alguns efeitos sonoros dão uma leve aura psicodélica e complementam o básico trio guitarra-baixo-bateria. O destaque fica com as faixas "Oh My", " Wishes", "Outside" e a pesada "Intermission".
** Por falta de arquivos da capa do disco "Alexei" na Internet e no site oficial da banda (e também por falta de scanner), a resenha vai ilustrada com uma foto do trio que compõe a Belasco!
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por LEONARDO MAIA - 6:27 PM
Domingo, Maio 08, 2005
* Disco da Semana - Across The Great Divide - Music Inspired By The Band (Vários Artistas)
Na edição de abril, a revista inglesa Uncut reservou 15 páginas para contar a história de um grupo muito influente para o rock, mas pouco lembrado entre os maiores da música, o The Band. Mais conhecidos por terem sido músicos de apoio de Bob Dylan, ainda com o nome de The Hawks, esses canadenses com jeito de americanos sulistas, lançaram pelo menos duas obras-primas no final dos anos 60, "Music From Big Pink" e "The Band". Mas foi mesmo ao se reunir com Bob Dylan que eles entraram em evidência, mudando bastante o tom folk da música do artista norte-americano, colocando o tempero elétrico do rock and roll. Enfrentaram vaias e muita confusão, deixando o álbum "The Basement Tapes" como registro daqueles tempos com Dylan. A virada crucial para o rock de raiz, já com o nome de The Band, foi provocada por um acidente que afastou Dylan dos holofotes. Aí surgiu a segunda revolução americana, nas palavras da Uncut, quando Robertson, Helm, Manuel, Hudson e Danko nadaram contra a maré e colocaram em prática o som que remete ao folk, country, soul e gospel, num mundo musical já infestado por guitarras e shows explosivos. A importância do The Band daí em diante pode ser medida pelo trio que fez questão de participar do show de despedida do grupo: Neil Young, Van Morrison e, claro, Bob Dylan. Agora adivinhem quem foi o responsável por registrar o momento e transformá-lo num documentário? Ninguém menos que Martin Scorsese. Para fechar, só mesmo a frase de George Harrison, que considera o The Band superior aos Beatles...
Nada mais justo então que este disco composto por 16 faixas, trazendo alguns dos novos e velhos grupos influenciados pelo The Band. Para abrir tem "Opus 40", ótima música do Mercury Rev, do disco "Desert´s Songs", lançado em 98. Não por acaso dois membros do The Band, Garth Hudson e Levon Helm, participaram do álbum. A faixa seguinte, "Danko/Manuel", do Drive By Truckers, é uma homenagem aos membros do The Band que já faleceram e faz a ponte para o único escorregão desta compilação, a versão ingrata do Little Feat para "Rag Mama Rag", um dos maiores sucessos do The Band. Uma das melhores crias do grupo homenageado, o ótimo Wilco, é representado por "Theologians", música de um futuro alvo do Discoteca Narcisista, "A Ghost Is Born", mais recente disco do grupo de Jeff Tweedy. Vale lembrar que além do fator sonoridade, o Wilco guarda semelhanças com o estilo de compor do principal letrista do The Band, Robbie Robertson. O Grandaddy aparece com "Lost on Yer Merry Way", do elogiado disco "Sumday", de 2003. É o folk do The Band com toques modernos. A surpresa fica com a suingada "Frankie Doris", de Corey Harris, anônimo para o Discoteca Narcisista. Interessante mistura de estilos que leva uma pitada do rock de raiz do The Band. O folk minimalista de Ben Weaver é também destaque, seja por sua voz marcante, seja pelo estilo de compor semelhante ao do The Band (conhecido como "Americana"). Para fechar o tributo a esta importante banda do rock norte-americana, nada mais justo do que a aparição dos próprios, The Band. A fantástica "King Harvest (Has Surely Come)", que fecha o homônimo segundo disco do The Band, foi a justa escolhida, uma boa amostra da qualidade desta clássica e influente banda de rock.
* Outros artistas presentes no tributo: Brinsley Schwarz, Will Johnson, Ray LaMontagne, The Gourds, Procol Harum, Sparklehorse e Sufjan Stevens
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por LEONARDO MAIA - 8:50 PM
Segunda-feira, Abril 25, 2005
* Disco da Semana - Magical Mystery Tour (The Beatles)
Dando continuidade à série "clássicos dos Beatles", surge um álbum menos conhecido do grande público, "Magical Mystery Tour". Cada vez mais, fica claro que coletâneas não são as melhores pedidas para explorar a obra da banda mais importante de todos os tempos. Os discos por si só já são compilações dos maiores sucessos, vide a quantidade de hits que o quarteto de Liverpool compôs. Este "Magical Mystery Tour", trilha sonora do filme televisivo de mesmo nome, reúne grandes canções como "The Fool In The Hill", "I Am The Walrus" e a faixa-título. Como bônus (ironia, é verdade), aparecem pérolas como "Strawberry Fields Forever", "Penny Lane", All You Need Is Love" e "Hello Goodbye". Só esta seleção já faz do disco um sério candidato ao Top 5 na discografia do grupo.
Mesmo que o álbum ainda traga faixas de menor qualidade como "Flying" e "Blue Jay Way", o resultado final passa longe de ser prejudicado. Esta última canção citada, inclusive, é um raro exemplo de "fracasso" musical de George Harrison, que poucas músicas emplacava nos discos da banda, mas que quase sempre acertava no alvo. Entre os clássicos aqui apresentados, menção especial deve ser dada à psicodelica "I Am The Walrus", uma composição curiosa com diversos sons esquisitos e com o selo Beatles de qualidade. O interessante deste disco é que ele abriga um pouco das duas fases dos Fab Four: a mais alegre e descompromissada fase do "yeah yeah yeah" e o período mais maduro e experimental dos últimos discos. Na primeira classificação entram as faixas " Hello Goodbye" e "All You Need Is Love", enaunto do lado mais adulto florescem "I Am The Walrus" e "Strawberry Fields Forever". Nem precisava recomendar, mas o recado está dado para mais uma obra-prima dos Beatles.
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por LEONARDO MAIA - 6:42 PM
Segunda-feira, Abril 18, 2005
FALHA NOSSA
O Discoteca Narcisista pede desculpas pelas recentes falhas na atualização da coluna! Os problemas surgiram com a mudança do autor para uma outra cidade, de Santiago de Compostela para Coimbra, o que demandou uma série de providências e uma perda de acesso a Internet. Aos poucos, tudo se resolverá e o Discoteca voltará ao normal! Agradeço a compreensão, feliz pelo show do Placebo em Salvador e pela escolha de Ronei Jorge para a edição "oficial" do "Claro que é Rock". E até a próxima!
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por LEONARDO MAIA - 11:38 PM
Sábado, Abril 02, 2005
* Disco da Semana - Moondance (Van Morrison)
Pouco conhecido no Brasil, Van Morrison ficou famoso nos Estados Unidos graças a um hit estrondoso, "Brown Eyed Girl". Canção obrigatória em encontros de jovens típicos dos americanos (Younglife e afins) e aposta certeira em acampamentos ianques, "Brown Eyed Girl" poderia até dar a impressão que Van Morrison está no grupo dos "one-hit-wonder". Mas não, passa bem longe disso. Antes da sua sólida e reconhecida carreira solo, Morrison era o líder do Them, grupo da Irlanda do Norte que ficou conhecido pela música "Gloria" e que buscava um revival do R&B. Com o fim da banda, o cantor mudou-se para os Estados Unidos e lançou clássicos como "Astral Weeks" e este "Moondance", ambos na virada da década de 60 para a década de 70. Colocando o seu lado mais baladeiro e folk em voga, Morrison absorveu o estilo norte-americano em sua sonoridade.
No momento da feitura deste "Moondance", Van Morrison vivia na mítica e rural Woodstock e isso fica claro no tom folk das suas canções, sempre combinadas, porém, com as referências ao Jazz e R&B. E é esta simbiose que torna o trabalho de Morrison tão atrativo. A voz forte do artista, que John Lee Hooker uma vez afirmou ser a maior de todas na música, e as elaboradas composições colaboraram para a boa qualidade do material. A começar pela faixa de abertura, a ótima "And It Stoned Me", com a presença em destaque de instrumentos de sopro e do piano. "Moondance", não por acaso, é a melhor faixa do disco, com uma sensual levada jazzística. Piano, bateria, flauta, baixo, sax, violão, tudo pode ser identificado com uma facilidade incrível, o que torna a música de Van Morrison ainda mais especial. Uma curiosidade da faixa-título é que o próprio Morrison é o responsável pelo solo de sax da canção. Daí por diante, o nível não cai e nós somos brindados com ótimas músicas como "Crazy Love", "Into The Mystic" e "These Dreams Of You". Hoje, Van Morrison continua realizando turnês e lançando discos, mesmo que esporadicamente. Tornou-se conhecido também pelo jeito turrão e cara de poucos amigos, sendo apelidado inclusive de "Marlon Brando do rock". Mas sua música, certamente, sobrevive firme e forte.
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por LEONARDO MAIA - 2:44 PM
Domingo, Março 27, 2005
***Entrevista The Honkers***

Isso mesmo, foram eles que destruíram os instrumentos no Palco Pop do Festival de Verão 2005. Correto, o vocalista do Honkers é aquele que costuma tirar a roupa durante o show, pula que nem um louco, coloca o microfone em lugares inimagináveis e volta e meia arranja uma contusão durante as atuacoes. E, sim, aí está a banda que percorreu o Brasil de norte a sul e ainda deu uma esticada até a Argentina, a bordo de um Santana Quantum (a "Rebeca"). Acha pouco? Pois é, vocês já devem estar pensando que eles fazem de tudo para chamar atenção e que possuem um poderoso departamento de marketing por trás... Ledo engano. É tudo feito na base do instinto mesmo e o que importa mais, acreditem, é a música. Não tem como ficar parado no show do The Honkers, uma das melhores bandas baianas da atualidade. E não foi por acaso que eles levaram o prêmio de Melhor Banda Ao Vivo e dividiram o título de Melhor Banda com Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta, no recém-divulgado 2º Prêmio Rock Independente - Bahia. E o Discoteca Narcisista não os deixa nem descansar e quer saber como foi a volta ao mundo dos Honkers, nesses longos 40 dias. Quem responde (por e-mail) é o vocalista Rodrigo Chagas que, claro, não mostra papas na língua e deu algum trabalho ao setor de censura do Discoteca Narcisista!
Discoteca Narcisista - Mais de quarenta dias na estrada a bordo de um Santana Quantum. Logo para começar, como conseguiram colocar os cinco marmanjos dentro de um carro com todos os instrumentos e ainda saírem razoavelmente seguros pelas estradas brasileiras?
Rodrigo Chagas - Nada que um pouco de vaselina e carinho num dê jeito! E quem disse q saimos seguros???
DN - Qual era o principal objetivo da viagem? Este objetivo foi alcançado?
RC - O objetivo era a diversão e essa com certeza foi alcançada... E falando na parte séria que foi divulgar a banda também foi atingido, tanto é que na OUTS a Debbie (da Ordinary Records) conseguiu fechar com um outro selo, que não lembro o nome, para lançarmos um dos nossos álbuns esse ano.
DN - Como autênticos personagens de um road movie, quais foram os destaques da estrada?
RC - Os buracos com certeza! Cara, o mais legal é que aí você vê como o Brasil é grande pacas e você tem uma variedade de climas, vegetações e etc. Só faltou a gente pegar neve no sul, mas tudo que você imaginar a gente viu por aí: vales, rios, montanhas, fantasmas estradeiros...
Eu fiquei admirado com a quantidade de andarilhos e loucos sem destinos que você vê na estrada, também tem os cemitérios de beira de estrada, me lembro de um aqui já chegando pela Bahia, ou em Aracaju, que era uma igrejinha velha, descascada, no alto de uma montanhazinha e umas cruzezinhas no fundo dela, parecendo coisa de filmes de cowboy... Tem uma cena que eu me lembro também, e que os caras falaram que foi alucinação minha, que foi uma tarântula grandona atravessando a estrada deserta, parecia coisa de filme do David Lynch.Tteve também umas "estradas" inacreditáveis, que de tanto buraco não era mais estrada, daí eu surtei e fiz uma coisa absurda que vc pode ver aqui: http://ubbibr.fotolog.net/thehonkers/?photo_id=9565017
DN - Mas vamos ao que importa, os shows. Depois de passarem por dezenas de cidades e terem realizado mais de trinta shows, dá para destacar algum lugar em especial?
RC - É difícil falar, pq teve muito show foda e em lugares que a gente não conhecia, a galera cantava as músicas, vibrava... O primeiro show em Vila Velha, no Espírito Santo, a galera era insana, só que não contavam com o fato de que qa gente era mais ainda! Em Campana foi muito legal também, a galera lá também é muito louca, foi a cidade que eu mais gostei de conhecer, talvez por ser a primeira vez que eu saí do Brasil. Demos entrevista em espanhol, tocamos num dia de graça numa praça, foi lindo o pessoal sentado aplaudindo. No outro dia, tocamos num clube fechado com um bando de punk louco pogando, reza a lenda que foi o primeiro show em lugar fechado nas redondezas de Buenos Aires, depois do acidente dos rojões que matou centenas de pessoas. Florianópolis foi a primeira surpresa da tour, pq lá a casa estava lotada, num dia de quarta, sem ser feriado, saíram duas matérias no jornal e a galera dançou todas as músicas e não quis que a gente saísse do palco, pediram uns seis bis! Tocamos "Where´s Is My Mind?", do Pixies, uma música que a gente ensaiava em 1998 e depois não tocamos mais! O show de Teresina, no Piauí, foi muito bom, casa cheia e o público dançando pacas. Teve o da OUTS, em São Paulo, que foi o melhor de lá. E em João Pessoa sempre é foda. É tanto show em tanto lugar que fica chato citar, se a gente esquecer de falar dos lugares, o povo vai ficar revoltado!
DN - Rodrigo, você já é conhecido por sua atuações, vamos dizer assim, inusitadas. Você se superou durante a turnê?
RC - Eu subi em árvore, tomei banho nu em pleno palco com um balde sujo que servia para aparar a água da pia, subi em escadas, mordi e lambi pernas, joguei cerveja em bunda de bêbado e abaixei a calça dele, tomei altas quedas, me arranhei, pularam em cima de mim, luxei o tornozelo, subi em caixa de retorno e segurança veio me pegar, andei de bicicleta, fiz maldades com uma bêbada em pleno palco, dei cintada em gente, deram banho de cerveja em mim... Os caras ainda pegaram umas roupas minhas que estavam podres de sujas e jogaram na mala, me proibindo de tirar. E por aí vai...
DN - Alguns dos shows foram cancelados durante a viagem, especialmente os marcados para o Rio Grande do Sul, Paraguai e Uruguai. O que ocorreu?
RC -Primeiramente o Paraguai estava no pré-release da viagem e quando fechamos a tour, as datas lá tinham caído. O Uruguai caiu na viagem, porque a casa lá fechou, e no Rio Grande do Sul, a gente teve o azar de encontar um sacana que nem apareceu no show, mas é assim mesmo...
DN - No mercado independente, todos sabem da dificuldade que é vender discos e camisetas e que os shows normalmente sao mais favoraveis na divulgação da banda. As vendas foram boas durante a turnê?
RC - Sim, voltamos com poucas camisas, umas cinco. O primeiro EP da banda ("Between The Devil and The Deep Blue Sea") é artigo raro e teve gente que pagou até 15 reais por ele. O segundo EP ("Underground Music For Underground People (Covered By One Overground Band)") deve estar indo no mesmo caminho. Espero que o próximo EP de músicas próprias sirva para matar a fome do público nesse primeiro semestre e mostrar o que vem por aí.
DN -Levando em conta o esperado por vocês, o público presente nos shows atendeu às expectativas?
RC -Teve show lotado, show vazio, é sempre assim. Alguns shows se superaram, outros a gente esperava mais, mas é isso mesmo, todos foram tocados como se fossem o primeiro. Tinha show que a gente estava morto, mas tiramos forças não sei de onde para tocar o rock para frente!
DN - Recentemente, Bruno Carvalho assumiu uma das guitarras, substituindo PJ. Algo mudou no som do Honkers com a troca de instrumentistas?
RC - PJ continua ajudando nas composições e a entrada de Bruno ocorreu porque PJ não queria mais viajar, então Bruno assumiu as guitarras, ficou estagiando antes da tour e agora está contratado! Acho que a banda ficou mais performática, garageira e suja. Costumo dizer que não perdemos nada, pq PJ não saiu, ganhamos mais um louco para tocar com a gente, que é o Bruno. Aliás estamos todos trabalhando no novo cd e Pj e Bruno estão se entendendo bem nas composições, as músicas estão ficando ótimas.
DN - Depois de dois EPs lançados, vocês divulgaram que o próximo passo é um lançamento de um terceiro EP, todo de inéditas, e de um ambicioso projeto de cinco discos simultâneos. Expliquem um pouco mais sobre esse inovador projeto.
RC - O EP tem oito inéditas e vamos relançar de bônus o primeiro EP, que acabou. A nova demo era pra poder vender na tour, mas infelizmente não ficou pronta lá na Argentina. Essa demo também é para Debbie ( do selo Ordinary Records, que lança o Thee Butchers Orchestra) trabalhar na Europa para nossa tour lá em 2006, se tudo der certo.O lance era lançar três cd´s, mas daí quando tocamos no MADA, em Natal, uma banda de lá tinha lançado um cd triplo, então passamos para quatro que é o recorde do Billy Childish. Daí Brust (guitarrista do Honkers) disse: "Vamos lançar cinco e passar o Billy". Então estamos nos fudendo para fazer. Não é para soar pretensioso, apenas falamos e a bola de neve se formou...
DN - Os discos serão distintos ou vão seguir um caminho musical semelhante?
RC - Dois estão 90% prontos. Um é mais garageiro e se tudo der certo vai ser produzido por nós e pelo Marco Butcher. O outro vai ser mais denso, melancólico, que tem o nome "Bloody waves coming from the cold oceand to mutilate my lonely heart". Talvez um seja só de baladas e o outros um misto de rock e baladinhas. Os outros caras da banda falaram que vão fazer um em Portugal, eu não sei, porque até agora ninguém mostrou música nenhuma, eu tenho quase 100 letras (mais ou menos, não tenho idéia) e cada vez que me mostram uma canção, eu já tenho a letra pronta e daí a gente vai arrumando. De inéditas já temos 10, em quatro ou cinco dias que nos reunimos.
DN - Os álbuns devem ser lançados por diferentes selos. Como andam as negociações? Há planos de lançar os discos no exterior?
RC - Está quase tudo certo, mas como nessa vida tudo pode acontecer, outros selos poderão aparecer. Um dos selos gringos que está quase acertado é o Mutuca Records. Estamos torcendo para que o Rev. Beat Man goste do CD que vamos gravar com o Marco Butcher e lance pelo excelente selo dele, o Voodoo Rhythm, que é um selo suíço.
DN - Em 2003, numa entrevista com o iBahia.com, vocês falaram que a cena baiana tinha crescido bastante. De 2003 para cá, deu para notar alguma mudança?
RC - Muita banda boa surgiu, muitas bandas lançaram discos que foram destaques nacionais, acho que estamos com muitas grupos bons e pouco espaço na mídia local. Lá fora, a galera vinha falar sempre com a gente que ouvia muita banda daqui, pena que os espaços de shows sejam poucos em Salvador. Mas é isso, o rock nunca pode parar e muitas bandas boas vão surgindo para se juntar às antigas, assim espero. Como diz Rogério Big Brother (produtor): "Tem que batalhar, vei!". Não podemos parar, porque "pedra que rola não cria musgo", já dizia Muddy Watters. Por isso, a gente pegou nossas malas, botamos as guitarras no saco e fomos para a estrada. Acho que muita banda daqui devia fazer isso ao invés de ficar reclamando da vida.
DN - Para terminar, qual a agenda de vocês para os próximos meses?
RC - Bom, estamos preparando esses cinco cd´s e a idéia era parar com os shows por enquanto, mas nos dias 01 e 02 de abril vamos tocar com a Rádio de Outono, de Recife. Estamos fechando um show com a Fluid, de Campinas, parece que vai ter um show de lançamento do EP da Lou pela Big Bross Records e queremos fazer um show ou com Marco Butcher, ou com o Thee Butchers Orchestra, ou com os dois. Mas a idéia é fazer as canções novas e ir mostrando nesses shows por aí. Aguardem que novos hits obscuros surgirão do rock mais garageiro ao power pop grudento!
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por LEONARDO MAIA - 3:32 AM
Sábado, Março 19, 2005
* Disco da Semana - Velvet Underground & Nico
"Velvet Underground & Nico" é um dos discos clássicos do rock mundial. O grupo liderado por Lou Reed e John Cale pode não ter alcançado uma significativa popularidade nos anos 60 e 70, muito devido a sua sonoridade pouco comercial, mas tornou-se referência para muitas bandas que surgiram desde então. E este "Velvet Underground & Nico", também conhecido como o "disco da banana", graças a simples e marcante capa elaborada pelo artista plástico e tutor do grupo Andy Warhol, é o melhor álbum do grupo norte-americano, com sobras. Meio que por imposição de Warhol, os garotos do Velvet (e uma garota, a baterista Maureen Tucker) tiveram que acatar a participação da modelo e aspirante à cantora Nico, gélida alemã que por fim muito somou para o sucesso deste álbum. O principal desafeto de Nico era Lou Reed,. que não enxergava nenhum benefício em divididr os vocais com a garota. No final das contas, Nico se tornou um dos maiores charmes do disco, com seu vocal que vai do sensual ao sinistro, em canções como "I´ll Be Your Mirror", "Femme Fatale" e "All Tomorrow´s Parties".
Mas o destaque mesmo do Velvet Underground está na inovação instrumental e na ousadia de sua composições. Drogas e sexo não eram tabus para o Velvet, que enfrentava a ainda opressora sociadade americana dos anos 60. O instrumental é minimalista, bem chegado às repetições e por vezes pertubador. O vocal rouco de Lou Reed casa perfeitamente com o estilo blasè do grupo, que ficou conhecido em Nova Iorque por suas excelentes performances nos clubes da cidade. Essa simplicidade instrumental e a atitude auto-destrutiva de seus membros mostram que o Velvet foi a semente do que anos depois se transformaria no movimento punk. E a nata do repertório do grupo está neste disco, desde as já citadas faixas cantadas por Nico até as ótimas "Sunday Morning", "I´m Wating For The Man", "Venus In Furs", "Heroin" e "There She Goes Again". Um discaço, obrigatório para aqueles que querem enteder um pouco mais sobre esse vício chamado rock´n´roll.
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por LEONARDO MAIA - 1:23 PM
Domingo, Março 13, 2005
* Disco da Semana - Pink Moon (Nick Drake)
Música e depressão são coisas radicalmente opostas. A música em si não foi feita para deprimir, mesmo que muitos façam questão de relacionar determinadas canções com passagens não tão felizes de suas vidas. Mas isso é problema de cada um, não da música. Claro nem todas foram feitas para pular, bater cabeça ou cantar junto. Existem sim algumas canções introspectivas, lentas e reflexivas. Mas o Discoteca Narcisista discorda que "triste" e "depressivo" possam ser adjetivos para uma banda ou uma canção. A tristeza pode até ser o estado de espírito do compositor ou do ouvinte, mas a (boa) música em si sempre é revigorante. Ao escutar Radiohead, Coldplay, Nico, Jeff Buckley e Nick Drake, só para citar alguns, a sensação é de uma crescente esperança. Sabe aquela felicidade e satisfação que não tem nada de euforia? Pois essa tal felicidade nunca poderia ser chamada de depressão.
"Pink Moon", obra-prima do britânico Nick Drake, é uma das mais emocionantes pérolas da música mundial. Último disco do atormentado "cantautor", o sublime "Pink Moon" é o testamento do artista que logo depois se entupiu de antidepresivos e morreu. Os seus quase 30 minutos passam como uma brisa confortante de final de tarde, talvez rápida demais, como sempre são as boas coisas da vida. Tendo em conta o difícil momento enfrentado por Drake, impressiona muito a paz transmitida pelo disco. Muito disso deve-se a voz rouca e sofrida do artista, simples e envolvente. O instrumental econômico, um básico violão com acompanhamento de um piano somente na faixa-título, mostra que o rebuscamento nem sempre é necessário para emocionar e agradar. Drake certamente sabia disso e fez da economia um dos seus grandes trunfos. De triste mesmo só a precoce partida de um grande artista, hoje referência para muitos músicos.
Para saber mais sobre Nick Drake, visite o Clash City Rockers (http://clashcityrockers.blogspot.com), site de jornalistas baianos com intererssantes artigos sobre música.
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por LEONARDO MAIA - 2:58 PM
Quinta-feira, Março 10, 2005
* 2º Prêmio Rock Independente ¿ Bahia divulga vencedores
Numa parceria entre os sites Bahiarock, El Cabong, Discoteca Narcisista e Claque foi realizada a segunda edição do Prêmio Rock Independente - Bahia, com a escolha dos melhores de 2004 na cena de rock baiana. O equilíbrio foi grande em muitas categorias, o que pode ser atestado na escolha de melhor banda do ano, com Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta e The Honkers empatados no primeiro posto, com 24% dos votos, cada. Abaixo, confiram quem levou a melhor neste ano. A lista também está disponível aqui, é só clicar!
Bandas
The Honkers: 24%
Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta: 24%
Cascadura: 19%
Los Canos: 18%
Retrofoguetes: 15%
Banda ao Vivo
The Honkers: 35%
Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta: 28%
Retrofoguetes: 20%
Nancyta e os Grazzers: 13%
Sangria: 4%
Revelação
Cissa Guimarães: 24%
Sangria: 22%
Little Bell for Sing: 20%
Teatro de Seraphin: 20%
A Sangue Frio: 14%
CD
Ativar Retrofoguetes - Retrofoguetes: 32%
Vivendo em Grande Estilo - Cascadura: 31%
Basquete - Cissa Gumarães: 16%
Histórias sem Meio, Começo e Fim - Brinde: 14%
Macaca - Guizzzmo: 7%
EP
A Dois - Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta: 40%
O Natal do Retrofoguetes - Retrofoguetes: 24%
Tudo que Você me Disse - A Grande Abóbora: 15%
Dentro de Você - Vinil 69: 11%
Sangria - Sangria: 10%
Banda do Interior
Declinium: 27%
Ácaros I.P.A: 24%
Ardefeto: 20%
A Fábrica: 17%
Reason: 12%
Banda visitante
Autoramas: 42%
Forgotten Boys: 27%
Pelvs: 11%
Marco Butcher: 10%
Vamoz: 10%
Selo
Bigbross: 48%
Frangote: 20%
Maniac: 15%
Estopim: 12%
Divino Tape: 5%
Espaço para Shows
Calypso: 45%
Tapioca: 20%
Idearium: 16%
Clube de Engenharia (Pop Dance): 10%
Tangolomango: 9%
Imprensa
Bahia Rock: 61%
Dez!: 11%
el Cabong 10%
blog Rock Loco: 10%
Claque: 8%
Veículo
Curto Circuito: 27%
Soterópolis: 26%
Rock Loco: 21%
Punkada: 18%
Todos os Tons: 8%
Loja
São Rock: 51%
Berinjela: 23%
Maniac: 11%
Pérola Negra: 9%
Ajuda 39: 6%
Eventos
Admirável Rock Novo: 41%
Matinês da São Rock: 22%
Conquista Rock Festival: 18%
Big Hits: 13%
Soterock: 6%
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por LEONARDO MAIA - 7:25 PM
Terça-feira, Março 08, 2005
* Discoteca fica para a próxima semana
O disco da semana fica para a próxima semana, com um grave pedido de desculpas do Discoteca Narcisista. Enquanto isso, não deixem de votar no melhor do rock baiano de 2004. Clique aqui! Como promessas para as próximas semana estão as resenhas de "Pink Moon", de Nick Drake, e do clássico "Velvet Underground e Nico", além de uma entrevista com uma das melhores bandas de rock baiano.
Abaixo, a ótima programação do Abril Pro Rock 2005, que deixou esse que vos escreve com água na boca. De resto mesmo, só a raiva por não estar presente no show do Placebo, confirmado para abril em Salvador. Quando estou longe, rola um show decente na carente capital baiana... Para compensar, tentarei assistir algo à altura aqui na Europa!
Abril Pro Rock
Sexta (15) - 21h
Placebo (UK)
Los Hermanos (RJ)
+ 5 bandas do concurso Claro que é Rock
Sábado (16) - 17h
Sepultura (BH)
Shaaman (SP)
Dead Fish (ES)
Massacration (SP)
Retrofoguetes (BA)
MQN (GO)
Matanza (RJ)
Chaosphere (PE)
Silent Moon (PE)
Domingo (17) - 17h
Orquestra Manguefônica (PE)
DJ Dolores : Aparelhagem (PE)
Mombojó x Arto Lindsay (PE)
Gram (SP)
The Legendary Tiger Man (Portugal)
Leela (RJ)
Superoutro (PE)
Volver (PE)
Daniel Belleza e os Corações em Fúria (SP)
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por LEONARDO MAIA - 6:27 AM
Segunda-feira, Fevereiro 28, 2005
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* Disco da Semana - Greatest Hits (Neil Young)
Em janeiro de 2001, ainda longe do nascimento do Discoteca Narcisista, um sonho era realizado na Cidade do Rock, Rio de Janeiro. Em sete dias, realizava-se o Rock in Rio 3, reunindo artistas estelares como R.E.M., Red Hot Chilli Peppers, Oasis, Iron Maiden, Silverchair e Guns and Roses. No meio desta programação, entre os headliners, estava o cultuado Neil Young, sempre perseguido por Roberto Medina para tocar nesta que é um dos maiores festivais do mundo. Para mim, apenas uma referência nominal, com conhecimento quase nulo sobre a música deste norte-americano. Fomiha por consumir tudo, menos (claro) a noite teen de Spears, NSYNC e congêneres, não poderia deixar de ir na noite menos popular de Sheryl Crow, Dave Matthews Band e Neil Young. Nitidamente a noite mais vazia do Rock in Rio 3, talvez pela ignorância do público (a minha aí incluída) para com o veterano artista. O resumo da ópera (ou melhor, do rock) é que ali presenciei o show que mais me surpreendeu na minha curta trajetória e o melhor do festival, ao lado do R.E.M (não por acaso, bastante influenciados por Neil Young). Já repeti aqui algumas vezes que o show do Pixies no Curitiba Pop Festival foi o melhor já visto pelo Discoteca Narcisista, mas isso já era de certo modo esperado. Neil Young, mesmo com toda reverência e respeito, não reunia tantas expectativas. Eis que no quilométrico Palco Mundo entra Young e a sua banda de apoio Crazy Horse, velhinhos usando surradas calças jeans e ostentando protuberantes barrigas. Sem nenhuma parafernália extra, sem cenário, sem telão, só os quatro veteranos sendo engolidos na grandiosidade do palco principal.Só que Roberto Medina já sabia: Neil Young é grande demais para qualquer palco, sua música passa por cima de tudo e de todos. Meu Deus, que show. Músicas poderosíssimas, instrumentistas virtuosos e uma veneração do público até então vista somente nos shows do R.E.M. e Guns and Roses (não esqueçam, estes últimos estavam sumidos há anos). Em cada música, Neil Young e seus comparsas davam aula e pareciam nunca desejarem o fim da canção. Solando até dizer chega e distorcendo o som da sua barulhenta guitarra ao fim de cada música, Young parecia endiabrado. E ali estam 120 mil pessoas embasbacadas, reverenciando um dos maiores deuses da guitarra.
Com uma prolífica discografia, Young exige um investimento pesado para adquirir as melhores obras originais dele. Sempre uma opção ao alcance, a coletânea raramente supre as necessidades do fã de música. A sensação é de que sempre falta algo. Em minhas andanças pela FNAC de Lisboa, dei de cara com o mais novo lançamento de Young, esta preciosa recompilação de sucessos. Acreditem, tem quase tudo aqui, um passeio vigoroso pela carreira deste espetacular artista. Tá bom, da fase Crosby, Stills, Nash e Young, só aparecem "Ohio" e "Helpless", mas isso não é problema, o que vale aqui é o Young solo. Daí surgem hinos como "The Needle and The Damage Done", "Like a Hurricane", "Hey Hey, My My" e "Rockin´ in a Free World", todas presentes na antológica apresentação do dia 21 de janeiro de 2001. Se fosse só isso, já estava bom. Mas ainda tem "Down By The River", "Cinnamon Girl", "After The Gold Rush", "Only Love Can Break Your Heart", "Heart of Gold", "Harvest Moon"... Só clássicos, numa geral de 1969 até 1991. Ainda não conhece Neil Young? Não perca tempo, é folk, country, rock na veia. Se é que as gravadoras brasileiras vão ter a decência de lançar esta espetacular coletânea por aí.
N.R. - Pois é, estou longe e perdido. Pelo jeito, a coletânea de Neil Young já foi lançada no Brasil! Pois então não perca tempo e corra atrás do seu!
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por LEONARDO MAIA - 3:20 PM
Domingo, Fevereiro 20, 2005
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* Disco da Semana - Grand Prix (Teenage Fanclub)
Trabalho mais adorado dos escoceses do Teenage Fanclub, "Grand Prix" é artigo dos mais procurados no mercado dito "alternativo". Depois da vinda desta já experiente banda ao Tim Festival, sendo headliner do dia anterior ao show do Pixies, esperava-se um respeito maior à discografia do grupo. Mas o que sobrou mesmo foi a coletânea "Four Thousand Seven Hundred And Sixty Seconds", único produto Teenage Fanclub que pode ser facilmente encontrado nas lojas de discos. Ainda desconhecida por muita gente, o Teenage´Fanclub é um interessante caso de análise. Como essa banda nunca emplacou sucessos nas paradas? O som é altamente pop, típica música para cantar junto, com discreta emoção. E o mais interessante é que é pop sem fazer pouco da sua inteligência. Certamente, dos anos 90 para cá. o Teeange Fanclub foi a banda que melhor transformou e homenageou o som de uns caras bem mais conhecidos, da mesma ilha: os Beatles. Para aqueles que não tem cacife de beber da fonte dos garotos de Liverpool, o Teenage Fanclub dá aula, especialmente com o belo trabalho de vocalização. E podem esquecer os chatos irmãos do Oasis, que nunca foram completamente digeridos pelo Discoteca Narcisista.
Quer testar o potencial radiofônico do Teenage Fanclub? Ouça o trio de abertura deste "Grand Prix": "About You", "Sparky´s Dream" e "Mellow Doubt". Três clássicos do grupo que causaram grande comoção na ótima apresentação do Tim Festival. Mas ainda tem "Verisimilitude", "Neil Jung", "Tears", "Going Places" e "I Gotta Know", todas excelentes exemplos da boa música do Teeange Fanclub, esbanjando emoção e emulando o amor. Algumas das já citadas músicas, inclusive, estão na coletênea "Four Thousand Seven Hundred And Sixty Seconds", que faz um decente apanhado da carreira da banda. Hoje já trabalhando num ritmo mais lento, com espaçados lançamentos, esses escoceses do Teenage Fanclub merecem a sua atenção. Aliás, que nome legal para uma banda, não é mesmo? Ainda mais no contexto de que eles não são uma boy band... Longe disso, é bom ressaltar!
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por LEONARDO MAIA - 12:55 PM
Domingo, Fevereiro 13, 2005
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* Disco da Semana - Dirty (Sonic Youth)
Lançado em 1992, "Dirty" é o mais pop dos (muitos) discos do Sonic Youth. Pode soar até como uma heresia, afinal de pop, pelo menos no significado usual que este termo é usado, o grupo norte-americano não tem nada. Mas, dentro da difícil discografia da banda, "Dirty" pode ser digerido com maior facilidade. Talvez por isso, parte da crítica e alguns fãs mais radicais, colocam "Dirty" e o anterior "Goo" num patamar mais inferior se comparados com outras obras do grupo de Nova Iorque. Bem, sem medo de soar "comercial" e óbvio demais, o Discoteca Narcisista elege "Dirty" como o melhor álbum do Sonic Youth. O disco continua sendo o maior sucesso de vendas da banda e traz alguns dos poucos hits do grupo como "Sugar Kane" e "100%", que passavam com freqüência na MTV norte-americana. Isso no circuito comercial, pois no meio alternativo e nas rádios das Colleges americanas, o grupo sempre reinou. No Brasil, tem um considerável público e se apresentou de forma histórica no Free Jazz de 2000.
Mas, por que diabos o Sonic Youth pode soar difícil de escutar? Com um som cru ao extremo, experimentalismos, insistentes distorções de guitarra e muito, muito barulho mesmo, a banda é muitas vezes o alvo preferencial das mães que repetem: "Mas isso não é música, é só barulho!". Ledo engano. O Sonic Youth consegue como poucos colocar barulho e melodia para atuarem lado a lado, empolgando nos mais diversos momentos. "Dirty reserva muitos deles entre as suas 15 músicas, com destaque para as excepcionais "100%", "Theresa´s Sound-World", "Drunken Butterfly", "Wish Fulfillment", "Sugar Kane", "Chapel Hill" e "Purr". Os vocais são divididos por Thurston Moore e Kim Gordon, certamente umas das mais impressionantes mulheres do rock mundial. Ah, claro, ela tinha que ser a baixista do grupo (ainda escrevo uma tese sobre as mulheres baixistas do rock). Mas o que faz de "Dirty" uma obra realmente especial é que ela pode ser escutada na íntegra sem termos vontade de pular uma faixa sequer, algo que pode ocorrer com outros discos do grupo. O conselho fica desse jeito: se você não conhece o Sonic Youth, comece por "Dirty" passe por "Goo" e "Daydream Nation" e depois vá desvendando a ótima discografia destes nobres norte-americanos (é, ainda existem alguns).
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por LEONARDO MAIA - 11:28 AM
Domingo, Fevereiro 06, 2005
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* Disco da Semana - Teenager Of The Year (Frank Black)
A carreira solo do glorioso Frank Black sempre foi recheada de altos e baixos, mesmo levando em consideração que os baixos nunca chegam a ser tão baixos assim. O apogeu do caminho tomado pelo vocalista do hoje reformado Pixies é esse "Teenager Of The Year". A patética capa pode até afugentar os mais céticos, mas aí está o grande disco solo de Black. Segundo álbum lançado após a separação do Pixies, "Teenager Of The Year" só peca por ser longo demais, com suas 22 músicas. São canções curtas que carregam a excentricidade que é a marca deste artista, ainda aqui sem o apoio do The Catholics, que tornou-se sua banda de apoio a partir do disco seguinte. Curiosamente, "Teenager Of The Year" é um dos álbuns mais difíceis de serem encontrados no Brasil, o que é uma verdadeira heresia. Neste disco, Black conseguiu reunir suas mais diversas facetas, desde o louco dos tempos do Pixies ("Whatever Happened To The Pong") até o cantor baladeiro e folk ("I Want To Live On An Abstract Plan", "Calistan" e "The Vanishing Spies"), passando ainda pelo rock mais hard ("Thalassocracy", "Headache" e "Freedom Rock").
Todas as músicas acima citadas são perfeitas amostras da qualidade musical do gênio Frank Black. Um músico mutante, atormentado, sempre vibrante e imprevisível. Rei no mercado alternativo e líder do Pixies, uma das bandas mais cultuadas do mundo, tanto pela crítica quanto por outros famosos músicos, Black já poderia se aposentar, pois seu nome já está gravado entre os grandes do rock. Mas, ainda bem, ele resolveu ressucitar o Pixies e, ainda mais inacreditável, tocou com eles no Brasil. Momento documentando aqui no Discoteca alguns posts abaixo, no melhor show já visto pelo redator desta coluna. No meio disso tudo só uma coisa atormenta: alguém tem idéia de quando sairá o primeiro disco de inéditas do Pixies depois de mais de uma década de silêncio? Prometido assim que a volta da banda foi anunciada, com a suposta produção de Tom Waits, o álbum ainda é um mistério. Se depender das minhas preces, o bem-vindo lançamento chegará às lojas ainda no primeiro semestre de 2005. E que assim seja...
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por LEONARDO MAIA - 3:14 PM
Sábado, Janeiro 29, 2005
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* Disco da Semana - Get Born (Jet)
De vez em quando é bom fazer uma aquisição às escuras, mesmo levando em contas que o preço dos discos ultrapassa o bom senso. Mas, como muitos de vocês já devem saber, para muitos amantes da música, CD é moeda corrente e artigo de primeira necessidade. Nada como ter a bolachinha com encarte, compondo uma orgulhosa coleção. O Discoteca Narcisista assume certos riscos de vez em quando, apostando em discos que, apesar de já comentados por outros, são incógnitas por aqui. Recentemente aconteceu com o disco do The Killers e já rolou com obras do The Thrills, The Coral, Raveonettes, The Music e Meat Puppets, por exemplo. O velho pagar para ver. É aquele disco que não está nem na lista das vinte maiores prioridades de compra, mas de repente surge na sua frente e você não resiste. Este "Get Born", disco de estréia dos australianos do Jet, penou para que alguma grana saísse dos meus bolsos. Na cabeça só vinha o meia-boca conterrâneo The Vines e um som que poderia ser facilmente esquecível. entretanto, clischês dos clichês, preconceitos existem para serem quebrados.
Atenção, o Jet não é a banda do momento (e provavelmente nem será), não possui uma legião de fãs histéricas, não inova e tampouco vai estar liderando algum festival de renome no verão europeu. Mas faz um hard rock delicioso, garageiro, vibrante e que gruda quem nem chiclete. O grupo já ganha o ouvinte com as cinco primeiras e ótimas músicas. Tudo passa rápido demais e quando você vê, o disco já chegou na metade. A faixa de abertura mesmo, a adolescente (e isso pode ser bom) "Last Chance" não chega nem aos dois minutos de duração. Ouvindo as faixas seguintes, as referências vão se tornando mais claras: em "Are You Gonna Be My Girl?", mesmo que o solo inicial de baixo tente dissipar essa impressão, o grupo que vem logo à cabeça é o garageiro White Stripes, culpa da guitarra e do vocal de Nic Cester; em "Rollover DJ", o Black Crowes parece ressucitado. Como o grupo dos irmãos Robinson, infelizmente extinto, o Jet bebe em fontes dos anos 60 e 70, de bandas como Rolling Stones e AC/DC. De cara, a seguinte faixa, "Look What You´ve Done", periga provocar uma sensação de desânimo, afinal colocar uma balada logo depois de três porradas é periogos por demais. Certamente seria melhor colocá-la mais para o meio do disco. Mas, sabem do que mais? A faixa é até bem bonita. Para receber a benção dos deuses do rock, eles voltam ao som mais pesado com "Get What You Need", outro hit para lá de simpático. Daí em diante, é só jogar pelo empate que o ouvinte já foi conquistado. E é em banho-maria que eles prosseguem, com faixas mais lentas (algumas delas fracas, é verdade) e bons destaques como "Cold Hard Bitch e "Take It Or Leave It". Um bom disco, que pode não figurar com destaque entre os melhores do ano passado, mas diverte pacas!
PRÊMIO ROCK INDEPENDENTE BAHIA ENTRA NO SEGUNDO ANO
Criado no ano passado numa parceria entre os sites Discoteca Narcisista, El Cabong, Musicbox e Bahiarock (esse ano sai o Music Box e entra o Claque), o Prêmio Rock Independente Bahia entra na segunda edição, ainda na intenção de escolher os melhores do ano do rock baiano. Ano passado, Pitty foi homenageada pelo seu sucesso em todo o país e pela divulgação das bandas que fazem o bom e velho rock em Salvador. Desta feita, o homenageado é Emerson Borel, guitarrista da lendária Úteros em Fúria e de muitas outras bandas, que nos deixou neste ano que passou. A sua morte prematura certamente deixou uma lacuna na cena local. A novidade foi a pré-seleção dos indicados, feita por 18 figuras ligadas ao rock local, incluindo a própria Pitty, os produtores Rogério Big Brother e Jean Claude Wolpert, o jornalista Luciano Matos e este aqui que vos fala. A lista completa você pode conferir no http://premiorockba.v10.com.br/, mesmo endereço onde você pode fazer as suas escolhas para os melhores de 2004. O resultado será divulgado em março! Não deixe de participar!
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por LEONARDO MAIA - 4:39 PM
Sábado, Janeiro 22, 2005
* Disco da Semana - Pet Sounds (The Beach Boys)
Uma das mais famosas disputas do rock possibilitou o surgimento de obras-primas indiscutíveis nos anos 60. A briga em busca da perfeição colocou de um lado do ringue os Beatles, com discos do quilate de "Rubber Soul", "Revolver" e "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band". Do outro lado, a banda do atormentado Brian Wilson, The Beach Boys, que, exatamente como os rivais do outro lado do Atlântico, estava alcançando a maturidade enquanto criava pérolas com "Pet Sounds" e o inacabado "Smile", que só recentemente alcançou sua forma definitiva, sob a tutela de Wilson. Para compreender a importância de "Pet Sounds", basta dizer que foi numa tenativa de superar este que é o melhor disco dos californianos que os Beatles gravaram "Sgt. Peppers". E foi exatamente este disco dos garotos de Liverpool que desencadeou a loucura de Brian Wilson, que abandonou a gravaçao de "Smile", sentindo-se impossibilitado de gravar alguma coisa à altura de "Sgt. Peppers". Nesse momento, porém, os Beach Boys já estavam com crédito, graças a esse belíssimo "Pet Sounds".
Relançado em 2000 no formato CD, "Pet Sounds" conserva exatamente o mesmo som original, sem mixagens e remasterizações. Decisão acertadíssima, pois assim manteve o material do jeito que os seus criadores desejaram no momento da gravação. Ouvir "Pet Sounds" nos faz voltar no tempo e imaginar o impacto deste lançamento em 1966. Não se trata de compará-los aos Beatles, pois os dois grupos criaram obras grandiosas e bem distintas. O que mais chama atenção no trabalho dos Beach Boys, além do extremo apuro com a melodia e a gama de instrumentos utilizados nas canções, é o trabalho vocal dos irmãos Carl e Brian Wilson. As harmonias vocais dos Beach Boys são realmente insuperáveis e deram origem a músicas espetaculares como "God Only Knows", a canção pop perfeita na opinião do Discoteca Narcisista, "Sloop John B.", "Wouldn´t It Be Nice", "I Know There´s An Answer", "Here Today", "Caroline No" e "Don´t Talk (Put Your Head on My Shoulder)". Com essas faixas, "Pet Sounds" abocanhou certamente um lugar no Top 5 dos melhores álbuns da história. E abençoados sejam aqueles que tiveram a oportunidade única de assistir a Brian Wilson no recente Tim Festival. Fácil de imaginar as lágrimas e os arrepios que rondavam a platéia do já histórico festival.
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por LEONARDO MAIA - 4:25 PM
Sábado, Janeiro 15, 2005
Antes tarde do que nunca... O Discoteca volta desejando um ótimo 2005 para todos!
* Disco da Semana - The Libertines
Para começar, "Can´t Stand Me Now", faixa de abertura do segundo álbum do The Libertines, entra fácil no Top 3 das melhores músicas de 2004. É empolgante como poucas, daquelas que nos ajudam a acreditar no novo rock, que produz demasiadas bandas por segundo. Está lá no pódio ao lado de duas músicas do Franz Ferdinand, que ainda estão em processo de escolha, culpa do excelente disco de estreia dos escoceses, o melhor do ano que passou. Mas falamos do Libertines, o grupo mais inconstante (e ainda assim, ou até por isso, o mais interessante) do rock mundial. As brigas de Carl Barat e Peter Doherty já foram propagadas em exaustão, certamente ajudando na promoção da banda. Para gravar esse disco, uma trégua foi instituída, o que acabou colaborando para a qualidade do produto, à altura do antecessor "Up The Bracket". É bem verdade que desde a primeira audição, esse "The Libertines" não soa como uma mera continuação do álbum de estréia, mesmo levando claramente a marca da banda de guitarras suingadas, sonoridade dura e vocais dementes. Mas Peter Doherty logo pulou fora outra vez, envolvido até o pescoço com drogas, prejudicando mais uma vez o grupo. Ainda assim, como atestado no show do mais recente Tim Festival, o poderio das canções do Libertines é tamanho que, mesmo desfalcada, a banda é um estrondo. Mas o futuro agora é incerto e Carl Barat já deixou claro que o grupo pode se desmanchar se Peter, que já comanda outro grupo, não retornar. Mas nem tudo é tão simples quanto parece e a história dos britânicos ainda deve sofrer surpreendentes reviravoltas.
Álém da excepcional "Can´t Stand Me Now", o disco traz outras ótimas faixas como "Last Past On The Bugle", "The Man Who Would Be King", "The Ha Ha Well" e a derradeira "What Became Of The Likely Lads". E com propriedade, eles continuam pinçando umas "quase-baladas" como "Music When The Lights Go Out" e "What Katie Did", que não destoam do resto do material e apenas trazem uma saudável variedade ao som. Tarefa difícil é apontar uma única canção que não seja boa neste disco, prova cabal de que eles passaram com folga no teste do segundo disco. Vale registrar também que Mick Jones, lendário guitarrista do The Clash, que é a principal referência ao som do Libertines, continua respondendo pela produção e mixagem do material. E agora só resta aguardar as cenas do próximo capítulo desta imprevisível novela do rock.
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por LEONARDO MAIA - 11:40 PM
Sábado, Dezembro 18, 2004
**Atenção!! A partir de 2005, o Discoteca Narcisista deverá ser acessado pelo endereço www.discotecanarcisista.blogger.com.br. Termina aqui uma parceria de mais de dois anos com o iBahia.com, mas o Discoteca segue em frente! Aguardem em breve novidades na página do iBahia.com, ainda no campo da música.**
* Disco da Semana - Automatic For The People
Não chega a ser maioria absoluta, mas uma boa parte dos admiradores da veterana banda norte-americana R.E.M. considera "Automatic For The People" o melhor álbum do grupo. Mesmo não tendo vendido tanto quanto o também ótimo "Out Of Time", esse disco lançado em 1992 é a obra-prima definitiva desta banda de Athens, cidade da Geórgia. Não é o R.E.M. feliz de "Shinny Happy People", nem o hitmaker de "Losing My Religion" (mesmo considerando que "Everybody Hurts" é uma das mais clássicas do grupo), mas sim o R.E.M. sublime, das belas e singelas canções. Aliás, poucos grupos conseguiram criar um leque de canções pop tão rico e sem prazo de validade. Parte disso se deve a voz singular de Michael Stipe, que se coloca à frente de tudo e mostra como ele é a cara da banda. Como um Billy Corgan, que é indissociável ao Smashing Pumpkins, não há como pensar no R.E.M. sem lembrar logo de Stipe. Sua voz marcante é das melhores do rock mundial e sua presença de palco é das mais vibrantes, como atestou este que vos escreve no espetacular show do Rock in Rio 3, em 2001. Simplesmente inesquecível.
"Automatic For The People" é de uma coesão impressionante e não deixa a bola cair em nenhum momento, ao contrário dos três últimos discos do grupo, por exemplo, que são bons, mas apresentam sempre altos e baixos. As quatro primeiras músicas são de chorar de tão boas. O lado mais light e folk do grupo já aparece com a faixa de abertura, "Drive", com o violão que é marca registrada do grupo e um belo arranjo de cordas. "Try Not to Breath" segue no mesmo ritmo, enquanto "The Sidewinder Sleeps Tonite" é mais dançante e afeita a álbuns como "Out Of Time" e "Green". Fechando o quarteto de ouro, aparece "Everybody Hurts", uma das mais belas músicas já escritas, com um clipe igualmente espetacular e emocionante. Outro grande clássico presente no disco é "Man On the Moon", uma das homenagens mais marcantes já feitas a uma pessoa, no caso o comediante Andy Kauffman. Uma música para aprender a cantar e torcer para o R.E.M. colocar no set dos shows (algo bem comum, diga-se de passagem). Quando já parece suficiente, as duas excelentes faixas de encerramento aparecem para ressaltar como o disco é bom: "Nightswimming", com um piano "daqueles", e "Find The River", canção que merecia maior atenção, tendo ficado de fora das duas coletâneas "In Time", lançadas em 2003. Na ampla discografia do R.E.M., pode apostas neste "Automatic For The People", sem pestanejar.
GRUPO DA FACOM LANÇA A REVISTA FRAUDE
Numa iniciativa do grupo Pet (Programa de Educação Tutorial) da Faculdade de Comunicação da Ufba, foi lançada no último dia 16 a segunda edição da Revista Fraude, que aborda temas relativos à cultura e comunicação, incluindo aí, como não poderia deixar de ser, a música. Neste número, apresentado num coquetel na Sala de Arte do Bahiano, destaca-se uma matéria sobre o rock alternativo estrangeiro, desde o final da década de 70 até os dias de hoje, e uma entrevista com o polêmico produtor cultural Yakoff Sarkovas. A revista, que custa apenas dois reais, pode ser encontrada no Circuito Sala de Arte (Bahiano, Cinema do Museu e Cine XIV, no Pelourinho), na Livraria Berinjela, na São Rock Discos e na Locadora Casa de Cinema, além de algumas bancas especializadas.
* Por motivo de viagem, o Discoteca Narcisista não será publicado nas duas próximas semanas, voltando somente no dia 08 de janeiro. Um Bom Natal e Reveillon para todos!
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por LEONARDO MAIA - 8:30 PM
Quinta-feira, Dezembro 09, 2004
* Disco da Semana - This Is Music (Vários Artistas)
Jornalismo musical no Brasil é campo dos mais difíceis. Desde o fim da Showbizz que estamos carentes de uma revista decente que fale sobre música. Volta e meia aparecem algumas boas intenções, como a Revista Zero (que não segurou a barra e já é história), Mosh, Laboratório Pop e a Outracoisa. Mas, seja pela precária distribuição (Mosh e Laboratório Pop), seja pelos textos não mais que razoáveis (Outracoisa), não dá para ficar satisfeito. De boatos, porém, já estamos cheios. A volta da Showizz de vez em quando é alardeada como possibilidade e o lançamento da Rolling Stone brasileira já virou a típica história de pescador. Resta, pois, as revistas americanas e inglesas, como Rolling Stone, NME, Q Magazine e Uncut. No Brasil, pode esquecer, pois elas chegam importadas e com preços absurdos. Mas, viver no exterior pode ter as suas vantagens. Está bem, ainda não é barato (vide a relação euro-real), mas dá para enganar a consciência. O pior (ou melhor) é que algumas das revistas vêm recheadas de coletâneas mais que especiais.
Tudo isso serve para apresentar "This Is Music", compilação encartada na edição de setembro da Uncut, cuja capa comemora os 25 anos do disco "London Calling". Dentro, matérias de Neil Young, Brian Wilson, R.E.M., John Lennon, Smokey Robinson, entre outros. O disquinho que vem de brinde traz algumas novidades da cena musical mundial e apresenta também novos (e velhos) trabalhos de veteranos. São 15 músicas que podiam ser destrinchadas aqui, mas opto pelo modelo menos cansativo. Vamos aos destaques, deixando as faixas mais fracas apenas com rápidas menções. No campo dos novos artistas, vale destacar a inclusão do The Earlies, The Go! Team, The Concretes e Micah P. Hinson, esses dois últimos participantes da lista dos 70 melhores discos de 2004, elaborada também pela Uncut. O grupo sueco (mais um!) The Concretes, que ficou em 69º lugar, aparece com "You Can´t Hurry Love", faixa do homônimo segundo álbum. Com um vocal feminino sacana amparado por um instrumental alegre com cara de new wave e recheado de vestígios sessentistas, "You Can´t Hurry Love" deixa uma ótima impressão. Pegue o Raveonettes, tire o barulho e as distorções que dá para ter uma pequena idéia do Concretes. Já Micah p. Hinson, que ficou com um honroso 30º lugar, é um jovem texano com uma sofrida infância e que despeja seu histórico em letras maduras e belos arranjos, passando longe do sentimentalismo. Sua voz parece de veterano, como prova a canção "Close Your Eyes", incluída nesta compilação. The Earlies e The Go! Team trabalham em campos opostos, com as faixas "One Of Us Is Dead" e "Bottle Rocket", respectivamente. O Earlies aposta em um instrumental minimalista, com toques bem dosados de psicodelia. O vocal frágil e algumas passagens sonoras remetem ao grupo norte-americano Flaming Lips. The Go! Team é um coletivo de Brighton, Inglaterra, que faz uma sonzeira das mais insanas, com vocal de hip-hop e instrumental que flerta com a eletrônica e o rock. De acordo com a Uncut, seria um encontro entre a audácia do Sonic Youth com o funk ensolarado do Sly and Family Stone. Ahn?
Entre os veteranos, o destaque fica com Steve Earle ("The Revolution Starts..."), Paul Westerberg ("Looking Up In Heaven") e Phil Manzanera ("Green Spikey Cactus"). Earle investe no frutífero campo da música anti-Bush, sendo mais um assustado com a perspectiva de ter o louco texano por mais quatro anos na Casa Branca (temor que acabou se confirmando). Mas, felizmente, não são só as letras de teor político que chamam atenção, mas também um rockão dos bons, simples e direto do veterano artista. Já Westerberg é o antigo líder do The Replacements, que mostra sua faceta folk, como atesta o seu novo álbum solo - "Folker". E o reencontro de Manzanera com antigos membros do Roxy Music - Brian Eno, Andy Mackay e Paul Thompson -, além de participações especiais de David Guilmour e Chrissie Hynde, é o destaque do disco "6PM", de onde foi extraída a faixa "Green Spikey Cactus".
Entre os outros participantes, passa na média o grupo Marah (com "East", influenciados por Springsteen), The Czars (com "Paint The Moon", num terreno mais country), Dave Alvin (veterano de potente voz representado pela música "Rio Grande", country parecido com muitos outros) e The Blue Nile (liderado por Paul Buchanan que, pela música "Soul Boy", carrega o vocal de emoção e aposta na simplicidade dos arranjos). De fraco mesmo só "Mississauga Goddam", da esquisita The Hidden Cameras, e "Last Exit", uma chatice eletrônica da Junior Boys. E ainda tem "Merrittville", interessante registro ao vivo da banda oitentista The Dream Sindicate, e a versão demo de "Rudie Can´t Fail", clássico do The Clash que deve ser escutado mesmo é na versão final do álbum "London Calling".
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por LEONARDO MAIA - 9:34 PM
Sábado, Dezembro 04, 2004
* Disco da Semana - You Are The Quarry (Morrissey)
É importante enfatizar: Morrissey normalmente não é o cara que vai logo pegá-lo pelo pé com sua música. Desde o seu genial trabalho à frente do The Smiths até seus discos solos, parece sempre necessário investir em algumas audições para entrar no mundo particular desse artista inglês. Ao entrar, porém, as chances de você gostar são muitas, podendo chegar inclusive ao extremismo impressionante de alguns fãs, que encaram a música de Morrissey como uma espécie de religião. Demorei a compreender os Smiths, mas hoje eles têm um lugar de destaque no Discoteca Narcisista. E, como não poderia ser diferente, "You Are The Quarry" penou para conquistar o seu devido valor. Morrissey começa em grande estilo com "America Is Not The World", destilando sarcasmo em cima do saco de pancadas que se tornou os Estados Unidos de George W. Bush. Na mira dele estão a declarada "liberdade" do povo ianque, o fast-food e o preconceito sexual e racial. Morrissey atira para todos os lados e num acesso de ironia encerra a música repetindo "I love you" para a polêmica nação de Tio Sam. Mas não pense que o tiozão britânico não olha também para o seu próprio umbigo. Na faixa seguinte, a ótima "Irish Blood, English Heart", o alvo é a Inglaterra com a sua família real, os partidos políticos e mais uma vez o racismo. Logo depois, em "I Have Forgiven Jesus", Morrissey não descansa e declara seu perdão a Jesus, que o teria ferido por diversas ocasiões. Nesse trio matador recheado de polêmica, Morrissey já mostra que está de volta e que quer de novo satisfazer os seus fanáticos fãs.
Desde que liderou um dos maiores grupos da década de 80, The Smiths, Morrissey virou lenda e, para uns mais loucos, sua música é uma doutrina. Isso principalmente por suas ótimas composições e por sua voz singular, carregada de emoção. Emoção essa que Morrissey sabe dosar sem cair na pieguice, como na bela "Come Back To Camden", que está no limiar entre o sublime e o brega. Com "You Are The Quarry", Morrissey ainda não consegue superar o seu álbum solo de estréia, "Viva Hate", lançado em 1988. Mas pelo menos quebrou o silêncio de sete anos e soltou boas canções como "The World Is Full of Crashing Bores" e "How Can Anibody Posibly Know How I Fell?", além das já citadas.
MAIS UMA LISTA
Dessa vez, uma bem interessante. O jornal inglês Daily Telegraph escolheu as 50 melhores regravações de todos os tempos, com a ressalva de que a regravação deveria ser de uma canção já conhecida e também que tenha tido sucesso próprio. O primeiro lugar foi com justiça para a espetacular versão de Jimi Hendrix para "All Along The Watchtower", de Bob Dylan. A lista traz alguns outros destaques como a divertida "My Way" na voz de Sid Vicious e "Respect", imortalizada por Aretha Franklin. Pessoalmente, senti falta da versão do Breeders para "Happiness Is A Warm Gun", dos Beatles. Nada menos que espetacular. Abaixo, o top 10:
1. "All Along The Watchtower", original de Bob Dylan por Jimi Hendrix
2. "Always On My Mind", original de Elvis Presley por Pet Shop Boys
3. "My Way", original de Frank Sinatra por Sid Vicious
4. "Hallelujah", original de Leonard Cohen por Jeff Buckley
5. "Respect", original de Otis Reading por Aretha Franklin
6. "Tainted Love", original de Gloria Jones por Soft Cell
7. "Mr Tambourine Man", original de Bob Dylan por The Byrds
8. "Twist and Shout", original dos Isley Brothers por The Beatles
9. "Confortably Numb", original do Pink Floyd por Scissor Sisters
10. "Mr Bojangles", original de Jerry Jeff Walker por Nina Simone
DRUM´N´BASS NO CALYPSO
A cena eletrônica de Salvador vem ganhando força, acompanhando os passos da cada vez mais atuante cena de rock. A partir deste domingo (5), o Calypso, tradicional reduto roqueiro que volta e meia sedia eventos da eletrônica, abraça o drum´n´bass, um dos estilos mais prestigiados no Brasil. Todo domingo DJ´s locais e nacionais colocam as pick-ups para funcionar, sempre das 17h às 22h. Escalação da primeira edição: DJ Roots, DJ Lovsta, DJ Victor Bassick e DJ Mauro Telefunksoul. A entrada custa sete reais, mas até as 18h as mulheres não pagam.
VIOLENT FEMMES E THE SOUNDTRACK OF OUR LIVES EM SANTIAGO DE COMPOSTELA
Depois da espetacular série de shows que rolou no primeiro semestre de 2004, já citados em outro post com um grande pesar, pois ainda não estava em Santiago de Compostela, enfim um show para saciar a sede por rock. Como headliners, a veterana banda norte-americana Violent Femmes e a sueca The Soundtrack Of Our Lives, além de duas bandas espanholas (Los Coronas e High Sierras) e uma norueuesa (Gluecifer), que acabou não aparecendo. É o Festival Indie-Rock, sediado no Pavillón de Multiusos do SAR, um ginásio com uma excelente estrutura para acolher umas cinco mil pessoas. Mesmo com ingressos a preços módicos (seis euros), o espaço não lotou, com mais ou menos 70% dos ingressos vendidos. Acostumado com eventos em terras baianas, cheguei atrasado no festival. A informação era de que os portões abririam às 20h30, mas sem um dado preciso quanto ao início dos shows. Mal sabia que em menos de meia hora a banda Los Coronas entraria no palco. Resumindo: cheguei na hora em que o palco era preparado para a Soundtrack Of Our Lives, banda sueca que, mesmo não tendo a mesma fama das irmãs Hives, Backyard Babies e Hellacopters, recebe muitos elogios da imprensa especializada.
No palco, os escandinavos fizeram um show vibrante, cheio de atitude poser, distorções e alguns bons solos de guitarra. A dupla de guitarristas, o baixista e o tecladista faziam um gênero glam rock e investiam num jeitão meio blasè. Um dos guitarristas dava os tradicionais pulos com a guitarra em punho, enquanto o baterista jogava ao ar as baquetas. Pois é, a idéia é investir pesado na performance. O vocalista, imenso, com uma cara de leão marinho, desceu para a platéia, urrou no microfone e não ficou muito atrás na função de showman. Musicalmente, mesmo não conhecendo uma única canção da banda, o show foi aprovado. Alternando músicas mais calmas, mas com altas doses de psicodelia, com porradas sonoras típicas dos suecos, o grupo mostrou que tem um repertório consistente, baseado nos quatro álbuns de estúdio.
Logo depois, foi a vez da atração principal, o Violent Femmes, que contava com um público conhecedor do seu repertório, formado principalmente por homens de 30 a 35 anos. O grupo viveu seus anos de glória no início dos anos 80, quando lançou um disco homônimo clássico, que alcançou um sucesso nunca mais repetido. Não sucesso comercial, mas sim de crítica. O disco, curiosamente, nunca entrou no top 200 da Billboard, mas chegou a ganhar disco de platina nesses seus 22 anos de existência. Uma prova de que o som deles não é datado e sobrevive até hoje numa inventiva mistura do country e folk com o punk rock. Ótimas músicas como "Blister In The Sun", "Add It Up", "Please Do Not Go" e "Kiss Off" foram pontos altos no show bastante intimista, um interessante contraponto ao show over anterior. O vocal bem característico de Gordon Gano, o baixo inventivo de Brian Ritchie e a energia dispensada por Victor De Lorenzo em seu mini-kit de bateria (que ele massacra em pé) apontaram para um nostálgico passeio pelos anos 80. E para o Discoteca Narcisista, que conhecia só três músicas do repertório, provocou uma vontade de correr atrás desse aclamado disco de estréia do grupo. Fim de festival. Um aperitivo, espera-se, para os shows do verão de 2005, quando as melhores bandas do mundo passeiam pela Europa.
* A partir desta semana, a data e atualização do Discoteca Narcisista passa de quinta para sábado!
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por LEONARDO MAIA - 7:49 PM
Domingo, Novembro 28, 2004
* Disco da Semana - Yoshimi Battles The Pink Robots (The Flaming Lips)
Banda média (N.R. - "Média" se refere ao tamanho mesmo e não a qualidade sonora do grupo, que está entre os melhores do rock alternativo americano) do cenário independente norte-americano, o Flaming Lips lançou um grande álbum em 2002, o temático "Yoshimi Battles The Pink Robots". Liderado pelo lunático Wayne Coyne, o grupo mesclou referências orientais com ficção científica em 11 faixas que exalam pop, ao mesmo tempo que abre espeço para um latente experimentalismo. O Flaming Lips pode até ser pouco conhecido no Brasil, ainda que volta e meia surja como possível atração para grandes festivais do país, mas é bem respeitado no exterior e construiu uma sólida carreira em 20 anos e 11 discos, sendo um deles coletânea. Neste "Yoshimi Battles...", eles deixaram a criatividade fluir. As músicas do disco passeiam pelo pop recheado de efeitos sonoros que se alternam com arranjos simples de violão, algum piano e um baixo vigoroso. O vocal de Wayne é doce como de um contador de histórias infantis. Ao fundo, backing vocals bem bizarros lembram que as histórias contadas fogem do normal.
O principal conto deste pequeno livro sonoro é o embate entre a guerreira Yoshimi e os Pink Robots, uma reedição do clássico Davi e Golias com um caldo oriental. Viagem demais? Vocês não viram nada: não esqueçam que este mesmo grupo lançou uma caixa de quatro discos que só faziam sentido quando tocados ao mesmo tempo, em quatro aparelhos de som diferentes. Antes da faixa-título, tem "Fight Test", uma pequena crônica em primeira pessoa, um lamento de quem não estava preparado para a luta e teve que enfrentar um difícil teste. Não por acaso, essas são as duas melhores músicas do disco, que traz outras belíssimas faixas, muitas delas recheadas de romantismo e desilusão, como "In The Morning of The Magicians", "Ego Tripping at The Gates of Hell" e a empolgante "Do You Realize?". Merece também menção a cool "One More Robot/Sympathy 3000-21", que parece tema do filme "A.I. Inteligência Artificial", de Steven Spielberg. A máquina que quer amar, que anseia sentir-se como um humano. Aliás, o disco inteiro parece construído para uma ficção científica das mais filosóficas. Ao ouví-lo, imagens auditivas são facilmente criadas. Uma sugestão para dirigir uma fantasia inspirada neste disco do Flaming Lips? Nada de Spielberg, é melhor ficar com um outro "doido varrido": David Lynch.
* Daqui da Espanha, boas vibrações para que a celebração do rock baiano na Concha Acústica, nesse domingo, seja espetacular. No palco, Pitty, Ronei Jorge e Os Ladrões de Bicicleta, Los Canos e Sangria. Imperdível. Para a galera das bandas um grande abraço de quem queria estar aí por um dia, para não perder este grande evento.
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por LEONARDO MAIA - 4:08 PM
Sexta-feira, Novembro 19, 2004
* Disco da Semana - Hot Fuss (The Killers)
Álbum de estréia do grupo norte-americano The Killers, "Hot Fuss" é composto por duas partes. Um início arrebatador e um deslance e desfecho próximos do desprezível. Como referência inicial, o grupo pode ser colocado na mesma escola dos escoseses do Franz Ferdinand, mas não chegam nem perto da genialidade dos autores de "Take Me Out" e "This Fire". A música de abertura é a empolgante "Jenny Was A Friend Of Mine", uma das preferidas do Discoteca Narcisista na lista das melhores de 2004. Reviosionista dos anos 80, lembrando a era do New Order, Duran Duran e The Cure, o Killers mais parece inglês do que americano. "Jenny Was A Friend Of Mine" tem uma ótima linha de baixo que perpassa toda a música e é um dos motivos do seu êxito. O vocal seguro de Brendan Flowers é outro ponto positivo da banda, por vezes soando como o irlandês Bono Vox (U2). Mas, em geral, Brendan vem sendo comparado é com o inglês Jarvis Cocker. A mesma música traz um teclado que exala nostalgia e se sobressai no final da canção, remetendo àquela linha de baixo já citada. O teclado cumpre função perigosíssima, mas é usado com tanto esmero que não soa datado. São quatro minutos da mais pura força do rock.
As três músicas seguintes mantém o nível na estratosfera: "Mr. Brightside", com um esperto e abafado vocal, "Smile Like You Mean It", mais calminha que as anteriores e a que lembra muito o U2, e "Somebody Told Me", que fecha o quarteto de ouro. Se o disco acabasse aí, poderia ser o lançamento do ano. Mas não, algumas faixas bem fracas e outras não mais do que boas vão fazer o caldo desandar. "All The Things That I´ve Done" se salva no meio do restante, mas se parece com outras quinhetas canções do rock. Pode ser considerada a música de transição entre o bom e o mau Killers. "Andy You´re A Star" é chata e por vezes constrangedora. "On Top" começa como uma daquelas músicas de festa de aadolescentes de 15 anos, com um teclado com efeito oposto ao da música de abertura. Daí para a frente, não tem praticamente nada que valha o seu precioso tempo. E considere que o disco tem apenas 10 faixas. Poupe o seu bom humor e não ouça a bomba que é a décima primeira faixa. Espera-se que, futuramente, essa banda de Las Vegas repita a agressividade e energia das quatro primeiras músicas de "Hot Fuss". Se isso acontecer, o killers pode sim se tornar a melhor banda dos últimos tempos da última semana.
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por LEONARDO MAIA - 3:46 PM
Sexta-feira, Novembro 12, 2004
* Disco da Semana - Siamese Dream (Smashing Pumpkins)
O Smashing Pumpkins entrou para a história do rock norte-americano por dois discos de primeira classe e uma seqüência arrebatadora de sucessos indiscutíveis. O primeiro dos álbuns foi esse "Siamese Dream", um aperitivo genial para a obra-prima que se seguiu, "Mellon Collie and The Infinite Sadness", um álbum duplo dos mais petensiosos, só com inéditas, que acabou colocando a banda de Billy Corgan entre as mais importantes do mundo. É bem verdade que não foi só a música que colocou a antes alternativa banda de Chicago na frente dos holofotes. O vocalista Billy Corgan tratou sempre de atrair a atençao de todos, seja por seu temperamento explosivo, seja por sua voz inconfundível. A banda, entretanto, sempre foi formada por nomes competentes, como o bom guitarrista James Iha, o não menos potente baterista Jimmy Chamberlin e duas mulheres que se alternaram e mantiveram a tradição de mulheres empunhando o baixo: D´arcy e Melisa Auf Der Maur (Correção: Melissa só entrou na banda em seu último momento, no lançamento do disco "Machina - The Machines of God").
O Smashing Pumpkins sempre foi competente na alternância dos momentos de calmaria e fúria, conduzidos pela emoção latente da voz de Corgan. Em "Siamese Dream", eles emplacaram seus primeiros clássicos, "Cherub Rock", "Today" e "Disarm", além de outras ótimas canções como "Quiet", "Silverfuck" e "Luna". Os abóboras se destacavam pelas guitarras pesadas que emanavam uma potência quase metaleira, pela influência do grunge em seu auge (especialmente notada no disco anterior, o début "Gish") e pelas letras de amor. Amor este atordoado como a figura do seu principal compositor, Corgan. Ouvir "Siamese Dream" e "Mellon Collie..." é conhecer a finada Smashing Pumpkins no seu momento ideal. Logo depois, o grupo cederia às brigas constantes entre os membros e pecaria por alguns discos pouco inspirados. Sugestão? Fique com o que há de melhor, já é suficiente.
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por LEONARDO MAIA - 7:10 PM
Quinta-feira, Novembro 04, 2004
* Disco da Semana - London Calling (The Clash)
Violência, rebeldia, instatisfação. Baixo vibrante, riffs clássicos, vocais dementes. Uma capa clássica. Hits. Bodas de prata para o clássico terceiro disco do The Clash, que volta às lojas com um disco extra de versões originais e um DVD com imagens das sessões de gravação. Boa homenagem aos 25 anos de "London Calling", mas o que importa mesmo é o álbum em si, que originalmente saiu como um LP duplo com 19 canções. O Clash foi o maior representante do punk inglês, sendo bem superior, no que tange à musicalidade e composição, aos seus contemporâneos do Sex Pistols. Os Pistols podem ter sido influentes no movimento e na conquista de seguidores, mas nunca seriam capazes de fazer um disco como este "London Calling". Recentemente, o editor da revista Playboy colocou a obra-prima do The Clash na posição de melhor disco de rock da história. Exagero, é importante ressaltar, mas que mostra a importância de "London Calling". Top 10? Pode causar polêmica, mas dá para encaixá-lo entre a dezena mais bem-sucedida do rock mundial.
Sem rodeios, o Clash já abre o disco com a clássica faixa-título, chamando todos para a guerra já declarada. Com um baixo genial, rápidos solos de guitarra e a voz demente de Joe Strummer, todos combinados em perfeita comunhão, já dá para perceber que este disco é um clássico. E a seqüência de músicas é matadora, passeando pelos mais diversos estilos e mostrando que para ser punk não necessariamente precisa ser radical. E isso o Clash provou no auge do movimento, batendo de frente com seus fiéis seguidores e recebendo muitas críticas dos mais conservadores. Sabem o que é colocar instrumentos de sopro e teclados em um disco punk de 1979? Certamente não é para qualquer um. Nele há ecos do rock clássico, jazz, ska, reggae, sempre com a necessária energia do estilo que os consagrou.
E não é fácil achar um disco que tenha 11 músicas excepcionais seguidas. Começa com a própria "London Calling" e segue até "Wrong´Em Boyo", ressaltando nesse meio "Jimmy Jazz", "Rudie Can´t Fail", "Clampdown" e "The Guns Of Brixton". Até o fim do disco, a empolgação diminui um pouco, mas ainda há espaço para a ótima "Train in Vain", que quase fica fora do disco por vontade dos próprios componentes do The Clash. Como registro fica então um brinde aos 25 anos de mais um clássico do rock.
P.S. - O sistema do blogger estava com defeito de quinta (04) a domingo (07), causando um atraso na atualização da coluna. Às vezes nos tornamos reféns da tecnologia...
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por LEONARDO MAIA - 3:58 PM
Quinta-feira, Outubro 28, 2004
* Disco da Semana - Hopes and Fears (Keane)
Nem sempre há incômodo quando uma nova banda surge trazendo pouca novidade no seu som. Os revivals dos anos 70 e 80, reciclados com cara de novo milênio, estão aí aos montes e não chegam a aborrecer. Mas, volta e meia, você pode ficar de saco cheio. Bem, veja só, a banda inglesa Keane não chega a ser uma banda ruim, ela tem lá suas competências. Mas falta emoção e uma boa justificativa para a sua atual veneração. É bem verdade que o hype não chega a ser tão grande, mas eles já entraram na lista dos queridinhos da mídia internacional. O Keane segue a tradição do Travis e Coldplay e soa realmente como um remendo deste último. Não tem um que não escute ao Keane e não se lembra da também britânica banda de Chris Martin. Mas enquanto o Coldplay transborda emoção em seus discos e cria canções belíssimas, o Keane fica no meio do caminho. O principal ponto de convergência é o onipresente piano, diferencial dos dois grupos. Só que o Keane deu um tiro no escuro quando resolveu esquecer a guitarra. Abandonada após a saída do instrumentista da formação original, a guitarra poderia dar um "upgrade" nas insossas faixas deste "Hopes and Fears". Em certos momentos, percebe-se nitidamente buracos nas músicas do grupo.
O disco não chega a ser ruim, tem algumas canções interessantes, mas, como um todo, é enjoativo, para não dizer monótono. O tom morto do vocalista Tom Chaplin é o responsável pela pouca qualidade de algumas faixas, mas a culpa recai mesmo é na obviedade das melodias. E a decepção é ainda maior quando se constata que a primeira faixa do disco, "Somewhere Only We Know", é bem superior a todas as outras, e se transforma num enganador cartão de visita. "Bend and Break", "Everybody´s Changing" e "Your Eyes Open" são outras canções que passam na média, nada de excepcionais. Uma pergunta surge: como este disco foi escolhido como o melhor do ano pela revista britânica Q? Vai ver que eles valorizam por demais o hoje um tanto quanto desgastado britpop. Melhor voltar as energias na espera do terceiro rebento do Coldplay. E que eles não nos decepcione...
COMO PERDER VÁRIOS SHOWS POR TRÊS MESES DE ATRASO
Como já foi explicitado num dos posts abaixo, o autor deste blog está vivendo em Santiago de Compostela, na Espanha. A cidade está no ano festivo do Xacobeo, que acontece apenas, em média, de sete a sete anos. O pico do verão no Hemisfério Norte, como todos devem saber, são os meses de junho e julho. Nesta época, o Velho Continente está infestado de grandes bandas em excursão. Pois bem, ano festivo que se preze tem que ter grandes shows. E Santiago de Compostela se encarregou disso. Vejam só a lista: Muse, David Bowie, The Cure (estes três no mesmo evento), Red Hot Chilli Peppers, Massive Attack, Chemical Brothers, Bob Dylan, Peter Gabriel e The Stooges (com Iggy Pop, claro). Pois é, perdi todos esses, pois só cheguei aqui no final do mês de setembro. Resta agora esperar o próximo verão, economizar alguns euros (meu Deus, como é caro...) e apelar para todos os santos.
Até o momento, deu para curtir uma festa da Faculdade de Direito de Coimbra, cidade que fica cinco horas longe de Santiago. O evento, chamado Latada, contou com apenas uma atração de peso e uma meia-boca que deve agradar a alguns aborrecentes brasileiros. O peso fica com a banda cubana Orishas, que fez um show impecável, mostrando uma mistura bem dosada de rap com ritmos caribenhos. Destaque para a poderosa voz do vocalista principal, que chegava a apagar os dois vocais de apoio. O meia-boca é o grupo norte-americano The Calling, com o afetado Alex Band (uma espécie de fugitivo do Backstreet Boys) e seu único hit "Wherever You Will Go". Abaixo da crítica. Digno de nota foi a presença maior do público no show dos cubanos, mesmo com a fama e o "nome" do The Calling. Pois é, de vez em quando os portugueses mostram que não são tão burros assim...
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por LEONARDO MAIA - 1:04 PM
Terça-feira, Outubro 26, 2004
ATRASO: DISCOTECA SÓ NA PRÓXIMA QUINTA
Já pedindo desculpas pela falha, informo que o Discoteca Narcisista volta ao normal na próxima quinta (28), com a resenha do disco de estréia da banda britânica Keane. Até lá!
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por LEONARDO MAIA - 1:31 PM
Quarta-feira, Outubro 13, 2004
* Disco da Semana - Underground Music For Underground People (Covered By One Overground Band) (The Honkers)
Se você gosta de rock e é baiano, deve ter ido a algum show do The Honkers. Ou, pelo menos, ouviu falar desta banda formada em 1997, conhecida por suas performances energéticas. Se fosse só isso, já estaria bom, mas o grupo também faz música da boa, flertando com os mais diversos estilos - ska, punk, surf music, rockabilly, pop... Mas é ao vivo que o Honkers ultrapassa as questões de gosto e conquista os mais diversos ouvintes. Palavra de quem já ouviu admirador de pagode elogiar o show desses baianos que, de pagodeiros, não têm é nada. Com muito rock na veia, os cinco componentes da banda exalam diversão e paixão durante as performances. O vocalista Rodrigo Chagas então, nem se fala, é um caso à parte. Ele grita, tira a roupa, se joga no chão, cospe água no público, sangra, pula, coloca o microfone em todos os locais possíveis... Como disseram em uma recente passagem do grupo por Natal (no Mada, um dos mais importantes festivais de rock do país, onde o grupo foi um dos destaques), Rodrigo é o Iggy Pop do Nordeste. E isso sem parecer forçado e sem deixar-se perder como uma cópia do lendário roqueiro norte-americano.
Hoje, o Honkers tem um repertório próprio de respeito, parte dele registrado no EP "Between The Devil and The Depp Blue Sea". Outras várias músicas ainda não foram gravadas, o que pode provocar algumas críticas a este segundo trabalho do grupo, o álbum de covers "Underground Music For Underground People (Covered By One Overground Band)". Mas não se enganem, tudo tem uma explicação. O Honkers não pode nunca ser considerada uma banda de covers, mas faz das versões uma marca mais do que especial. As releituras não são nada óbvias, recaindo sobre bandas desconhecidas da maior parte do público. E, mesmo com um ecletismo evidente, a escolha dos covers nunca parece sem sentido. Se você escuta algumas das sete músicas do EP e as confunde com as do repertório próprio do grupo, não se surpreenda, isso se chama coerência. Claro, durante alguns shows, rolam músicas mais conhecidas de grupos como Pixies, White Stripes, Strokes e Stooges, por exemplo. Mas são os covers mais desconhecidos, e que demandam um bom conhecimento musical, que se destacam. O EP já começa com "Plane Crash", a melhor de todas, parte da série "Rodrigo Chagas-morre-de-medo-de-andar-de-avião", assim como a autoral "Between The Devil and The Deep Blue Sea" (baladinha do homônimo disco anterior). Duas das músicas mais festejadas nos shows estão presentes, "One More Chance" e "Monkey Man", skas vibrantes e dançantes das bandas Peacocks e The Maytals, respectivamente, sendo que esta última é inspirada na versão do grupo The Specials. Outro destaque é "Girl From 62", uma das mais pesadas, com um abafado vocal de Rodrigo. Disco com um primoroso projeto gráfico, como é de praxe também com as camisas e cartazes do grupo, "Underground Music For..." foi gravado de uma vez só, como se fosse ao vivo, captando toda a energia da banda. Daquele jeito caseiro, "faça você mesmo", que vem permitindo que bandas baianas lançem CDs com uma freqüência nunca antes vista. E não se surpreenda se, dentro de pouco tempo, chegar mais um álbum do Honkers, dessa vez recheado de inéditas. Eles prometem 50 músicas num disco só... É esperar para ver!
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por LEONARDO MAIA - 3:54 PM
Quarta-feira, Outubro 06, 2004
* Disco da Semana - The Cure
Para os céticos, Robert Smith avisa: "estou vivo!". De cara, na primeira frase proferida pelo esquisito vocalista do The Cure, aparece um "I can´t find myself", que é repetida inúmeras vezes na faixa "Lost". Mas não se engane, por mais que ele repita o bordão, a sensação é exatamente oposta. Depois de alguns anos de ostracismo, Robert Smith e o Cure encontram mais uma vez o caminho das pedras. Os bons tempos de discos como "Boys Don't Cry" e "The Head on The Door" estão de volta, recauchutados e adaptados ao novo século. Como um dos principais símbolos do rock oitentista, o Cure dosa bem neste novo disco os elementos góticos que o tornaram conhecido, a sonoridade do pós-punk e algumas tendências da atualidade. Para isso, convidou Ross Robinson, que trabalhou com bandas como Limp Bizkit e Slipknot, para produzir este álbum homônimo. Mas calma aí, o Cure não virou new metal, nem perto disso.
Robert Smith está de novo em ótima fase, cantando como nos seus melhores dias. Na já citada "Lost", o desespero de sua voz marcante luta ferozmente com um instrumental que gradativamente vai atordoando o ouvinte. O Cure está pesado sim e a ótima "Labyrinth", música seguinte, apenas confirma isso. Mas a melhor mesmo é "The End Of The World", primeiro single do álbum. É hit instantâneo, daquelas que apendemos a letra bem rápido. Pode ser alçada desde já ao patamar de clássicos como "Boys Don´t Cry", "In Between Days" e "Close To Me". O grupo consegue manter um bom nível no restante do álbum, valendo destacar "Anniversary", a exemplar mais oitentista. Se você tinha se esquecido do The Cure, dê mais uma chance à voz sofrida de Robert Smith, ao clima sombrio e às letras de amores perdidos ou nunca conquistados. Afinal de contas, o rock dos anos 80 está de novo na moda!
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por LEONARDO MAIA - 3:33 PM
Sexta-feira, Outubro 01, 2004
*Disco da Semana - Lei It Bed (Arnaldo Baptista)
Primeiro, vamos deixar uma coisa bem clara: Arnaldo Baptista, lendário líder do não menos lendário Mutantes, é louco, doido de jogar pedra, lelé da cuca mesmo. Daqueles que tem muitas idéias na cabeça, um forte traço de genialidade e que usa a música para extravasar as inquietações. Uma espécie de Brian Wilson brasileiro. Mas, de vez em quando, esses gênios precisam de um empurrãozinho para sair da reclusão, entrar em estúdio e dar vazão à sua criatividade. Desta vez, um conjunto de pessoas se juntou a Arnaldo, incluindo aí os editores da revista Outracoisa (que lançaram o álbum) e o produtor John (ele mesmo, do Pato Fu), para dar luz a este disco solo. E o produto final é doidão mesmo. Cheio de barulhinhos e com Arnaldo no controle completo do processo. Ele canta (daquele jeito todo "especial"), toca piano, teclados, guitarra, violão, bateria, baixo, banjo, gaita, caixa de fósforo... E deixou John com as programações de computador, uma inovação que caiu nas graças de Arnaldo.
Bem, mas vamos ao conteúdo do disco. Conhecendo Arnaldo e admirando o trabalho dele, você deve gostar bastante de "Let It Bed". Se você não é iniciado no universo do veterano artista, pode achar tudo uma maluquice sem tamanho e até mesmo um engodo. O Discoteca fica no meio termo, sem se envergonhar de ficar em cima do muro. Dentro da proposta de Arnaldo, é um bom disco, que deve ser digerido aos poucos, em espaçadas audições. Mas aqui no Discoteca, o trabalho dos Mutantes é bem mais valorizado. E a comparação acaba soando inevitável. Não há como negar, porém, que o disco é de um lirismo impressionante e tem algumas canções bem interessantes como "Tacape", "Cacilda" (as duas gravadas nos anos 80), "Deve Ser Amor" e "Everybody Thinks I'm Crazy", esta última com um Arnaldo confessando a sua insanidade. Como destaque tem também "Gurum Gudum", faixa de abertura baseada em uma música folclórica que o avô de Arnaldo cantava. O restante é bem mais difícil de digerir. Não deixem também de usar os recursos multimídia do disco, com clipes, discografia, releases e álbum de fotos.
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por LEONARDO MAIA - 4:55 PM
Sábado, Setembro 25, 2004
* Disco da Semana - As Próximas Horas Serão Muito Boas
Se você conhece um pouco do rock alternativo brasileiro, certamente já ouviu falar do Cachorro Grande, um dos principais representantes do rock gaúcho. Ao menos escutou sobre as performances explosivas em festivais independentes do país, que tornaram a banda conhecida. Não é pra menos que eles optaram em gravar este álbum como se fosse ao vivo, de uma paulada só, querendo mesmo ser fiel ao estilo garageiro e bem sujo. O mod é a praia dos caras, que se vestem com aqueles terninhos pretos de corte italiano e se divertem à beça. O título do disco - "As Próximas Horas Serão Muito Boas" - não poderia ser outro, afinal o que eles querem aqui é divertir e não se preocupar com grandes inovações na sonoridade e apuro técnico. Isso não significa, porém, que eles toquem mal.
O álbum veio encartado na Outracoisa de Lobão, depois do grupo passar por maus bocados para conseguir lançá-lo. Quase saiu pela Orbeat (que queria mudar algumas coisas na gravação e ouviu um sonoro palavrão em troca) e pela gigante Universal, que acabou cozinhando os gaúchos. A opção ficou em lançar no jeitão independente mesmo, amparado na grana dos shows pelo Sul do país. O resultado é fiel ao estilo Cachorro Grande, que bebe na inesgotável fonte sessentista de Beatles, Kinks e The Who. Um pianinho bacana acompanha o tradicional trio guitarra-baixo-bateria, numa sujeira ideal para o vocal gritado de Beto Bruno. Tudo com muito escracho, alguma qualidade e potencial para se tornar uma grande diversão em shows. À venda nas bancas, por R$ 12,90.
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por LEONARDO MAIA - 1:37 PM
Sábado, Setembro 18, 2004
DISCOTECA NARCISISTA EM FASE DE TRANSIÇÃO
Nesta semana, excepcionalmente, não haverá dica de disco. O Discoteca Narcisista retorna ao normal, possivelmente, na próxima quinta (23). Estarei viajando para a Espanha, onde estudarei na Universidade de Santiago de Compostela por seis meses. Durante este período, que pode inclusive estender-se por até um ano, farei o possível para continuar atualizando o Discoteca Narcisista. Conto com a compreensão de todos pra eventuais falhas nessas primeiras semanas. Espera-se também que novidades interessantes possam rechear o espaço nos próximos meses. Para entrar em contato, o melhor canal é o e-mail: leoseixasmaia@yahoo.com.br. Aguardo o contato de vocês!
Um recado às bandas e produtores da Bahia: continuem mandando informações, pois o Discoteca não vai deixar de divulgar eventos da cena baiana! E até a volta...
CHAMOU A ATENÇÃO NOS ÚLTIMOS DIAS
Para não perder o costume, algumas boas notícias que chamaram a atenção. The Libertines, Brian Wilson, Primal Scream, P.J. Harvey e Kraftwerk no Tim Festival. Los Hermanos em Salvador, no dia 24 de outubro, Área Verde do Othon. A banda goiana Mechanics no Colapso (ops, Calypso), dia 22 de outubro. The Honkers e Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta, em outubro, no Punka Festival, dos nossos vizinhos sergipanos. De novo Ronei Jorge, só que este domingo (19) com a banda novata Belasco (Ceará), no Tangolomango, dentro do projeto Domenica Pop. Às 18h, por cinco contos. A veterana brincando de deus no Festival Coquetel Molotov Independente, em Recife, neste fim de semana.
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por LEONARDO MAIA - 12:56 PM
Quinta-feira, Setembro 09, 2004
* Disco da Semana - White Album (The Beatles)
Quer criar polêmica? Pergunte qual é o disco favorito dos Beatles para um fã. Uns preferem "Revolver", alguns não abrem mão do "Sgt. Peppers", enquanto outros tantos não esquecem do pioneirismo de "Rubber Soul". Mas uma coisa todos concordam: o "White Album", como ficou conhecido o disco "The Beatles", é do caralho, com o perdão da palavra. Ele entra com força na acirrada briga pelo primeiro lugar, com um repertório de 30 músicas em um álbum duplo. E que músicas. É certo que o disco 1 reúne as melhores canções mas, em se tratando dos Beatles, todos os álbuns devem ser ouvidos do início ao fim. Dizendo melhor, o disco 1 é intocável e o 2 é ótimo.
Gravado na época em que os ânimos já estavam bem acirrados, o "White Album" é um emaranhado da genialidade de cada um dos componentes que, pelo que dizem, trabalharam menos coletivamente e deixaram aflorar mais as suas individualidades neste trabalho. E o disco é realmente o mais diverso dos Beatles, flertando em momentos com o blues, country e hard rock. Se por vezes, os Beatles deixam aflorar o lado engraçadinho, como em "Ob-La-Di, Ob-La-Da", não esquecem também do sublime em "Dear Prudence", "While My Guitar Gently Weeps" (possivelmente, a melhor canção de George Harrison), "Happiness is A Warm Gun", "Martha My Dear" e "Julia", algumas das mais belas pérolas dos garotos de Liverpool. Mas são com as pedreiras (na medida do possível) "Back in The USSR", "Birthday", "Helter Skelter" que os Beatles inovam, numa pegada bem mais intensa que o normal. E se você quiser viajar um pouquinho, bote "Revolution 9" pra tocar. Doideira.
ROCK LOCO PEDE UNS TROCADOS
"Mais esperada que o novo CD do Libertines, mais querida que a bicha louca do Morrisey e mais temida que um retorno do Guns N'Roses". É assim que o divertido povo do Rock Loco convoca o seu público para mais uma festinha no Calypso Heineken Station. O primeiro encontro foi uma loucura sem tamanho e esse próximo tem tudo para superar o seu antecessor. A idéia é arrecadar alguns trocados mesmo, ajudando a manter o programa na Primavera FM 103.5, de terça à sábado, sempre das 20h às 22h. A discotecagem fica por conta dos apresentadores do programa: Sora Maia, Chico, Ronei Jorge, Braminha, Mário Jorge, Big Brother e Luciano Mattos. Sexta, dia 10 de setembro, a partir das 23h, por seis reais.
CISSA GUIMARÃES E VINIL 69 DE GRAÇA
A banda gaiata Cissa Guimarães dá as caras no Rio Vermelho (o bairro da playboyzada do rock, segundo os próprios) para um show gratuito no Nhô Caldos. A Vinil 69, com disco recém-lançado na praça abre a noite, num tom um pouco mais sério. Nesta sexta (10), a partir das 22h.
PULSAR LEVA TRANCE AO CIA
Numa organização dos coletivos Soononmoon, Serphia (SP) e What's Up, acontece neste 11 de setembro a festa eletrônica Pulsar. A promessa é de doze horas de muita música e dança, com predominância do gênero trance. Se ligue nos convocados: DJs noon, compset, teko , zenkay, mondo.bone, taurus e e.t.s., além dos VJs Charlie e crazymonkey. Os ingressos (R$ 15,00)estão sendo vendidos na Companhia da Pizza (Rio Vermelho)
e na Acessórios e Piercing (Expo e Arte - Shopping Barra). Local: Km 2 da Estrada do Cia (mapas disponíveis nos pontos de venda).
Confira também: "On The Rocks" com as bandas Cobalto, C.O.D.E, Lou e Mais Treta. No fatídico 11 de setembro, às 19h. No Idearium.
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por LEONARDO MAIA - 6:28 PM
Sexta-feira, Setembro 03, 2004
* Disco da Semana - Tyrannosaurus Hives (The Hives)
Meia hora. Um piscar de olhos quando se está ao lado de uma pessoa querida. Uma verdadeira eternidade quando se está assistindo a uma aula do mais chato dos professores ou uma palestra patética de auto-ajuda, típica das empresas modernas. Não é nem um tempo completo de um jogo de futebol e pode se tornar uma só música em shows de bandas mais prolixas. Esse é o tempo de duração de "Tyrannosaurus Hives", o mais novo petardo da melhor e mais famosa banda sueca. Pois é, eles não mudaram. Em "Veni Vidi Vicious", o ótimo álbum anterior, eram 27 minutos divididos em 12 músicas. Agora, depois de quatro anos, os nórdicos retornam com um álbum à altura (ou até melhor, faltando algumas audições para decidir) que aquele que os colocou no centro das atenções, graças a hits como "Die, All Right!", "Main Offender" e "Hate To Say I Told You So". Se você gostou de "Veni Vidi Vicious" e do pouco escutado disco de estréia, "Barely Legal", não vai se decepcionar com este terceiro lançamento (na verdade quarto, pois o Hives lançaram uma coletânea caça-níqueis há uns dois anos).
O hiato de quatro anos sem nada inédito podia até apontar um vazio criativo ou uma falta de confiança no trabalho, mas a chegada de "Tyrannosaurus Hives" coloca abaixo estas especulações. Eles estão, sim, com a bola toda. A energia punk e a emergência sonora continuam compondo o som do Hives, que agora incorpora alguns elementos da new wave e alguns discretos elementos eletrônicos. A influência da new wave é mais perceptível na segunda faixa, "Two-Timing Touch and Broken Bones", e no primeiro single, a ótima "Walk Idiot Walk", esta última a que menos parece um filhote do Hives. Mas, no geral, eles seguem a cartilha do punk, com um rockão vibrante, curto e grosso. Não há como negar, a vontade é de sair pulando. Entre as melhores faixas, além das já citadas, tem a primeira e rapidíssima "Abra Cadaver", a suingada "A Little More For Little You", "B is For Brutus", que parece até sobra do disco anterior, e "Diabolic Scheme", uma cria clara do The Clash. Se você nutre alguma simpatia pelo Hives, compre sem pestanejar.
SEXTA E SÁBADO NO CALYPSO
Na sexta-feira (3), as bandas Starla e Demoiselle são os destaques do evento "Música-Vídeo-Desenho", que reúne as três artes no Calypso Heineken Station. As duas bandas são novatas na cena local, sendo que a Demoiselle investe no rock'n'roll clássico, carregando também no acento country, e a Starla aponta como referências coisas tão díspares como Queens of The Stone Age e Fagner (ele mesmo). No setor vídeo, serão apresentados curtas de alunos da Facom, FTC e Ucsal. Os desenhos de Marcos Mários completam o cast do ev evento multimídia. Às 23h, por seis reais. No dia seguinte, no mesmo lugar, tem a banda Theatro de Séraphin, que está se preparando para gravar o primeiro disco. Como convidada, tem Sangria, que conta com veteranos como Mauro e Apú (Úteros em Fúria) e Pedro (Dinky Dau). No mesmo horário do show de sexta, pelo mesmo preço.
FESTA EM QUADRINHOS TRAZ OTTO A SALVADOR
A 11ª edição da Festinha em Quadrinhos, um dos eventos mais tradicionais do calendário baiano, terá como atrações o cantor pernambucano Otto e a banda baiana Scambo, mantendo o estilo da edição passada, que contou com os pernambucanos do Mundo Livre S/A e a local Lampirônicos. A tendência é manter o sucesso de uma década, com milhares de pessoas encarnando os mais diversos personagens numa festa que rola até o dia amanhecer. O local é o mesmo de sempre, a Fazenda Portão (Buraquinho). Anotem na agenda: dia 06 de novembro. Imperdível!
A VOLTA DA SEXTA SURF NO TAPIOCA
A primeira edição da Sexta Surf, no Tapioca, foi um sucesso. Reunindo um público eclético, o Retrofoguetes colocou todo mundo para dançar até altas horas da manhã. Demorou um pouco, mas a segunda edição vem aí: dia 10 de setembro, sexta-feira, no mesmo Tapioca. O valor do ingresso é de sete reais, sem consumação mínima. A produção fica a cargo de Nancy Viégas, que ainda cumpre com sua tradição de dar canja nos shows dos fabulosos Retrofoguetes.
THE HONKERS E AUTOMATA TAMBÉM INVADEM O TAPIOCA
É, parece mesmo que o Tapioca virou reduto rocker de Salvador! Nesta segunda (6), véspera de feriado, tem The Honkers e Automata. Leve uma graninha extra, pois os caras do Honkers vão estar vendendo as criativas camisas da banda. Os ingressos antecipados saem por cinco reais e são encontrados na Andarilho Urbano e na loja São Rock (Shopping Yemanjá). Na hora, saem por sete reais. Não será cobrada consumação mínima.
MORRE O PRODUTOR TOM CAPONE
Uma fatalidade levou um dos melhores produtores musicais brasileiros, Tom Capone, de apenas 37 anos. Diretor artístico da Warner Music, produtor de discos de Maria Rita, O Rappa, Skank, Wander Wildner, Nando Reis, Gilberto Gil e Pavilhão 9, marido de Constança (ex-Penélope), Capone sofreu um acidente de moto em Los Angeles. Ele tornou-se esse ano o produtor brasileiro recordista em indicações para o Grammy Latino e estava em Los Angeles para a entrega do prêmio. A comemoração pela vitória com o primeiro disco de Maria Rita durou apenas poucas horas. Uma perda e tanto para o cenário musical brasileiro.
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por LEONARDO MAIA - 2:25 PM
Quinta-feira, Agosto 26, 2004
* Disco da Semana - Dentro de Você (Vinil 69)
O cenário musical do pop e rock baiano está em alta. Com as facilidades oferecidas pela tecnologia e um grande número de bandas tocando nas poucas casas de show da cidade, não faltam lançamentos em CD e EP (versão reduzida, com poucas músicas). A ordem é gravar, dar a cara a tapa e tocar em qualquer lugar. E tem dado certo. O destaque dessa semana é o disco de estréia da banda local Vinil 69. As músicas são de fácil assimilação, com boas letras e uma temática no universo do amor e sexo. A insinuante capa do EP e o título "Dentro de Você" dão ainda mais elementos ao objetivo da banda: conquistar as mulheres. No encarte, está escrito: "Sucesso garantido: as meninas adoram, os rapazes só vão por causa delas". Brincadeiras à parte, a Vinil 69 aposta numa sonoridade que deve agradar aos mais diversos públicos. É rockão básico, puxado pro pop, com um bom vocalista e canções rápidas como "Dentro de Você", "Tremendo ao Som de um Blues" ou outras mais elaboradas como "Música Para Ti", bem bluesy.
Quem conhece a trajetória da banda não vai estranhar este EP de estréia. A Vinil 69 ficou conhecida nos espaços de shows de Salvador como cover de The Doors, realizando competentes versões para os clássicos de Jim Morisson e cia. No trabalho autoral, eles mantiveram o teclado que é a marca registrada do grupo americano dos anos 60, mas incluíram também instrumentos de sopro. Comparando indevidamente, isto porque a intenção da Vinil 69 não é soar como o The Doors, o som deles ganha em animação e perde bastante em elegância. Os arranjos de teclado são meio pobres, mas o punch da banda é de responsa. Ao escutar sem compromisso, você vai se deixar conquistar mais facilmente pelo bom humor do Vinil 69. Ah, acatem a sugestão da contracapa: "Quem não copiar este CD é mulher do padre". Ou então, ajude os caras e compre o EP original mesmo, é baratinho. A idéia é colocar pra tocar!
PROGRAMAÇÃO INTENSA PARA A NOITE DE SEXTA
O show do Ronei Jorge e Os Ladrões de Bicicleta com a Guizzzmo já foi destaque no post abaixo, mas a noite desta sexta (27) promete muito mais. Primeiro, às 18h30, tem Sua Nota É Um Show com as bandas Pato Fu e Scambo. Depois de meses parada, devido à gravidez da vocalista Fernanda Takai, a banda mineira volta a tocar em Salvador e deve mostras algumas inéditas do próximo disco. Acabando o show na Concha Acústica, corra para o Rio Vemelho, tome uma de leve em Dinha e chegue a tempo de ver Ronei Jorge e Guizzzmo no Teatro Sesi. Lembrando: às 23h30. Vale ressaltar que os ingressos devem acabar cedo, ou seja, garanta logo o seu. Se perder, tem no sábado (28) de novo. Bem, saindo do Sesi, corra para o Idearium, logo ali ao lado. Com o ingresso da dobradinha Ronei/Guizzzmo, você ganha desconto para A Festa 3. Na pista, tem DJ Big Brother às 22h, DJ Rogério com DJ Bandido à 1h, banda Retrofoguetes às 2h e DJ Roger'n Roll (Rock e Soul) às 3h. Pelo menos a partir de Retrofoguetes dá para pegar, isso para quem estiver saindo do Sesi. No terraço do Idearium, tem DJ Bruno Aziz (HipHop e Indie Rock) às 23h e DJ Satrô (Samba Rock) às 2h. Programe-se e caia de cabeça.
SÃO CAETANO RECEBE O SKOL BAÚ ELÉTRICO
O Skol Baú Elétrico, projeto que leva shows e oficinas gratuitas a bairros populares de Salvador e a cidades do interior baiano, chega este sábado (28) a São Caetano, no Largo da Formiga. O evento é realizado em parceria com a Bamba Music, projeto do empresário Reinaldo Pamponet que também é responsável pela Eletrocooperativa. Entre as atrações musicais estão os MCs Spock e Betinho, o DJ Bandido, os rappers da Quilombo Vivo, os sambistas do grupo Os Formigões, o Cortejo Afro e o novo projeto de Nikima (ex-Lampirônicos), Tabuleiro da Mídia. Entre as oficinas gratuitas oferecidas durante o Skol Baú Elétrico estão as de grafite, DJ e dança de rua. As oficinas serão iniciadas às 14h e os shows às 18h. Na próxima semana, o Skol Baú Elétrico vai a Ribeira, levando a tiracolo as bandas Diamba, Scambo e outras atrações.
BANDA NOVA NO TANGOLOMANGO
Neste domingo (29) tem mais uma edição do Agente Laranja, às 18h, no Tangolomango. A anfitriã Orange Poem recebe a Jimmy Six, nova banda do cenário pop-rock que, além de músicas próprias, apresenta covers de Los Hermanos, Incubus e Audioslave. Por seis reais, sem consumaçõ mínima e com roska dobrada.
DREARYLANDS À PROCURA DO BATERISTA PERFEITO
Com um novo baixista na formação, César Lima (ex-Mystery), a Drearylands está agora procurando um novo baterista. Louis está saindo para se dedicar a outros projetos e a banda de metal está caçando um substituto à altura. Interessados podem entrar em contato pelo telefone (71) 9102-8171 ou por e-mail drearylands@drearylands.com. Se tudo der certo, o novo "contratado" pode participar dos próximos shows na agenda da Drearylands: 06/09 em Ipirá e 25/09 em Alagoinhas.
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por LEONARDO MAIA - 7:07 PM
Quinta-feira, Agosto 19, 2004
* Disco da Semana - Kill Bill Vol. 1
Depois do espetacular Pulp Fiction, Quentin Tarantino tornou-se referência em trilhas sonoras. Com uma capacidade singular de escolher as músicas certas para determinadas passagens de seus filmes e transformar canções pouco conhecidas em clássicos, o cineasta norte-americano reafirmou que a música pode ser um elemento essencial no cinema. No caso de Tarantino, ao ouvir o disco, parece que nos transportamos de novo para as cenas de suas produções, relembrando os seus bizarros personagens e os impactantes diálogos. "Kill Bill Vol. 1" não foge a regra e a música é um dos principais personagens da trama, embalando duelos ou contando um pouco da saga idealizada por Tarantino. Mas, mesmo para aqueles que não assistiram ao filme, o disco pode ser uma grata surpresa.
A abertura já é excepcional, com a melancólica voz de Nancy Sinatra em "Bang Bang (My Baby Shot Me Down)", com um singelo instrumental ao fundo. Daí para frente tem o country de Charlie Feathers, o rap de RZA, o surf music com punk da japonesa The 5,6,7,8's, a apoteótica versão do Santa Esmeralda para "Don't Let Me Be Misunderstood" e as instrumentais de Luis Balacov, Isaac Hayes, Al Hirt e Tomoyasu Hotei, todas lembranças frescas de geniais passagens do filme. Alguns efeitos sonoros do filme como o "Twisted Nerve" de Bernard Hermann e o "Ironside" de Quincy Jones colaboram para uma maior agilidade do disco, além de reforçar a simbiose entre a obra cinematográfica e o produto musical. E, claro, como de praxe, Tarantino incluiu dois diálogos do filme, dois dos melhores, diga-se de passagem. De dispensável mesmo, apenas os efeitos sonoros de bônus, logo depois da 17ª faixa. Vale a pena escutar o disco e relembrar o Kill Bill Vol. 1, enquanto a segunda parte da saga não chega ao Brasil. Isso, claro, se você ainda não assistiu pela Internet.
SOMA E BRINDE NO DOMENICA POP
Um novo projeto musical promete trazer muito pop e rock para as antes chatas tardes de domingo. Sabe aquele fim do dia, quando você começa a perceber que a segunda-feira está chegando e a última coisa que você quer ouvir é a música do Fantástico? Pois é, periodicamente, a partir deste domingo (22), o Bar Tangolomango (Rua Alagoas, nº58, na Pituba) vai receber duas calejadas bandas locais e mais uma novata, no projeto Domenica Pop. Música e exibição de DVDs com shows e videoclipes por apenas cinco reais, sem consumação mínima. Na estréia, as convidadas são Soma e Brinde, numa parceria que há tempos não era reeditada. A abertura fica por conta da novata Partido Alto que, não, não toca samba. O negócio é rock mesmo. Mais detalhes aqui.
ROCK BAMBA NO SESI DO RIO VERMELHO
Na próxima semana, dias 27 e 28 de agosto (sexta e sábado), a Ronei Jorge e Os Ladrões de Bicicleta e a Guizzzmo comandam o evento Rock Bamba. Os shows acontecem na parte interna do Teatro Sesi (Rio Vermelho) e mostram um pouco do trabalho desses dois destaques da cena local. A Ronei Jorge com o EP "A Dois" e a Guizzmo com o disco "Macaca", ambos da Big Bross Records. Às 23h30, por oito reais. A idéia é chegar cedo e adquirir logo seu ingresso.
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por LEONARDO MAIA - 9:20 PM
Quinta-feira, Agosto 12, 2004
* Disco da Semana - Toda Prece (Lampirônicos)
O Lampirônicos, com Vince nos vocais, mostra que está de novo à frente dos holofotes, com um ótimo e promissor segundo disco. A saída de Nikima, que parecia traumática, acabou por não afetar muito a trajetória do grupo. Numa excelente estratégia, a banda resolveu acostumar o público com o novo vocalista gradativamente, com espaçados shows e eventuais turnês pelo exterior. Agora, no lançamento do segundo disco, a imagem de Vince já é ligada logo ao projeto Lampirônicos. A impressão que fica é que outro não poderia substituir Nikima com tanta competência.
Neste "Toda Prece", algumas músicas da época de Nikima foram inclusas, como "Aportou Bananeira" e "Aduaneira", já bem conhecidas do público e duas das melhores do disco. Outra canção recorrente nos shows é a versão para "Cada Macaco no Seu Galho", de Riachão, que tem a participação de Rebeca Matta. Mas as canções da nova fase, como "Aliança" e "Toda Prece", não perdem em qualidade e mostram inclusive um amadurecimento do som do grupo. Parece que o Lampirônicos encontrou a dosagem ideal entre o som regional e a moderna eletrônica, sem esquecer as suingadas guitarras. Mas mesmo com a excelente produção do disco e o caprichado projeto gráfico, não há como negar que a energia que o grupo mostra no palco não é comparável a qualquer trabalho em estúdio. Ouça o disco, grave as letras e corra pro show mais próximo.
* O Lampirônicos é o entrevistado deste sábado (14) no Todos os Tons. O programa vai ao ar às 11h, apenas para assinantes da Net. Na quarta seguinte (18), tem reprise às 11h, 18h e 22h, esses dois últimos horários também para aqueles que assistem pelo UHF. Atenção para os canais: 28 (UHF) e 36 (NET).
BIG BEATS E AGENTE LARANJA NESTE FIM DE SEMANA
A banda Los Canos é a atração do Big Beats de agosto, que conta ainda com a performance dos DJs Sora Maia e El Cabong. A promessa é de muito rock, a partir das 23h desta sexta (20). Onde? Bem, você já sabe, no lugar de sempre, o Calypso Heineken Station. Ingressos a sete reais.
E o projeto Agente Laranja, que sempre tem a banda Orange Poem como atração principal, rola mais uma vez no Tangolomango. Dessa vez, o convidado é o grupo Indústria Cultural. Além da música, tem exposição de vídeos e trabalhos plásticos. A produção do evento pede que quem tem interesse em expor trabalhos, pode entrar em contato pelo e-mail laranjagente@yahoo.com.br. Couvert a seis reais. Na semana que vem, um novo projeto no Tangolomango com a participação da dobradinha Soma-Brinde, há tempos sumida. Mais informações na semana que vem.
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por LEONARDO MAIA - 6:59 PM
Sexta-feira, Agosto 06, 2004
* Disco da Semana - nadadenovo (Mombojó)
O Mombojó é a típica banda de Pernambuco. Rock light com altas doses de regionalidade, forte sotaque e elementos eletrônicos em evidência. Pode não ter a percussão característica de muitos grupos pernambucanos, mas está na esteira do mangue beat, especialmente do Mundo Livre S/A de Fred Zero Quatro. Mas não soaria estranho colocá-los na pseudo-categoria "Nova MPB". Formado por sete músicos jovens, na faixa etária de 17 a 21 anos, o Mombojó é a mais nova promessa da cena recifense. Eles dão especial atenção às composições, mas é nos arranjos instrumentais que o grupo se destaca. O som é delicioso, daqueles que dá vontade de cantar baixinho, com os olhos fechados, dançando agarrado, mesmo que discretamente. Os elementos eletrônicos são utilizados de forma elegante e ainda tem um teclado e uma flauta que compõem o som de forma surpreendente. E o nem sempre presente cavaquinho dá o toque bem brasileiro ao grupo. Ah, a voz preguiçosa de Felipe S., diga-se de passagem, colabora bastante para clima light do disco.
Este "nadadenovo", além da venda segmentada do mercado independente, foi encartado na "Outracoisa", revista de distribuição nacional. Para quem não sabe, a Outracoisa é a revista editada por Lobão, que todo mês traz um disco encartado. Nada daquelas coletâneas pobres, mas sim discos originais de revelações do rock independente. Se a revista em si não é um primor de jornalismo, vide a patética reportagem sobre o rock baiano nesta mesma edição (março/2004), o disco já vale o preço que se paga. As melhores músicas são "Deixe-se Acreditar", uma das mais vibrantes, "O Céu, O Sol e O Mar", com uma introdução a la Mano Negra, "Nem Parece" e a dobradinha "Discurso Burocrático" e "A Missa", que funcionam com uma só, numa sonoridade mais próxima ao rap, que depois vira um sambinha. Mas, no final das contas, o disco todo é uma satisfação só, que pode colocar o Mombojó na linha de frente da música brasileira.
ROCK DA PESADA NO ROCK IN RIO
Pois é, de vez em quando, o Rock in Rio abre suas portas para o gênero musical que leva no nome. A programação maciça é pagode, samba, axé, reggae, numa mistureba que quase nunca privilegia o rock. Mas neste fim de semana, mais precisamente no sábado (7), o lugar deve ir abaixo com altos decibéis e muita gente de preto. A programação traz Ratos de Porão e Rodox como atrações principais, que serão acompanhadas pelas locais Nancyta e Os Grazzers (mais do que nunca em alta, após mais uma excelente performance fora do Estado, dessa vez em Brasília), Ácaros I.P.A., Cobalto, Right Vision e Súditos da Febre. Os shows devem começar às 22h e o valor do ingresso é de R$ 12 (pista), R$ 15 (camarote lateral) e R$ 20 (camarote).
PARA DEIXAR FAUSTÃO FALANDO SOZINHO
É, este é o nome do show da banda Zambotronic, que volta aos palcos depois de um longo recesso. O baterista Kobaia precisou de alguns meses pra se recuperar de um acidente e a promessa agora é de agenda intensa! "Para deixar Faustão falando sozinho" rola a partir das 16h, no Conjunto Marback (Boca do Rio). Grátis.
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por LEONARDO MAIA - 7:26 PM
Quinta-feira, Julho 29, 2004
* Disco da Semana - What About Now? (Thee Butchers' Orchestra)
Como referência para o bom rock alternativo feito no Brasil, já tinha o Thee Butchers' Orchestra (TBO) como exemplo há muito tempo. Conhecer mesmo o som dos caras, porém, nada feito. Covardia foi ter o contato inicial por meio deste quatro disco, "What About Now?", uma verdadeira pérola do independente. Depois desse, corri atrás da fase anterior do grupo, bem mais podreira, punk e garageira. Mas nenhum álbum me conquistou tanto quanto este, ainda com a urgência dos trabalhos anteriores, mas dosando também influências do soul, blues e dos Rolling Stones (fase "Exile On Main Street", segundo a banda). São 11 excelentes músicas, com o seguro vocal de Marco Butcher e duas guitarras que podem ser sujas ou suingadas, dependendo da ocasião. E ainda tem alguns backing-vocals femininos que são boas somas ao estilo TBO de ser.
Se fosse lançamento estrangeiro, "What About Now?" estaria sem dúvida na lista de melhores de muitos críticos, vide a sonoridade universal, que não é exatamente nova, mas transborda em criatividade. Fica realmente difícil apontar os destaques do disco, mas basta ouvir desde "2003", a primeira faixa com um pegajoso riff de guitarra, até a faixa- título, a quinta do disco e mais bluesy de todas, para se apaixonar pelo álbum. Neste miolo, sobressai-se "Blue Moon", com influência do soul, a faixa mais sensual de todo o disco. Mas não pense que a qualidade cai a partir da sexta faixa, a pesada "Bunch of Losers". Nada disso. Aliás, esta "Bunch of Losers" é um punk que coloca a maior parte dos hypes do mundo no chinelo, chamando todos para pular sem compromisso. Vale lembrar também a homenagem nominal da TBO a Johnny Thunders, lenda do rock que liderou o New York Dolls e Heartbreakers. Depois da recente e inesquecível passagem do vocalista e guitarrista Marco Butcher em Salvador, resta esperar que a banda completa venha incendiar os nossos inferninhos logo. E fiquem de olho, pois dois outros lançamentos da TBO estão para chegar: "Stop Talking About Music", produzido pelo americano Tim Kerr, e um álbum ao vivo.
** Conheça mais um pouco sobre este trabalho no Todos os Tons deste sábado (31), às 11h, com três reprises na quarta (4), às 11h, 18h e 22h. Marco Butcher é o entrevistado do programa e, além de falar do TBO, mostra um pouco do seu trabalho solo, uma espécie de blues primitivo (palavras do próprio Butcher). E a trilha de todo o programa é exatamente este "What About Now?". Imperdível!!
ATITUDE ROCK FESTIVAL CHEGA À SEXTA EDIÇÃO
Camaçari sedia mais um Atitude Rock Festival, que acontece por três sábados consecutivos e esse ano tem a banda carioca Jason como destaque. A paulista Oligarquia era outro nome cogitado, mas teve que cancelar a participação nas vésperas do festival. O evento acontece no Clube Derba e o ingresso sai por cinco reais/dia. O passaporte promocional para as três noite sai por 12 reais. Abaixo, todas as atrações do evento, marcado para as 20h (pontualmente, dizem):
31/07 - Mórbido Sistema (Simões Filho), 3 Procurados (SSA), Neutrals (SSA), No Comply (Camaçari), Estado de Sítio (Camaçari), Jason (RJ) e Impetuos Rage (SSA)
07/08 - O Festa (Simões Filho), Pastel de Miolos (Lauro de Freitas), Declinium (Dias D'Avila), A Fábrica (Camaçari), Lou (SSA), The Prophecy (SSA), Geminicários (SSA)
14/08 - Ninfa (SSA), Blair (Aracaju), Eletrochukies (SSA), Necrófilos (SSA), Eternal Sacrifice (SSA), Mobydick (Camaçari), Veuliah (SSA)
A FESTA 2 - DOIDERA NO IDEARIUM
Uma noite no mínimo diferente deve colocar todo mundo para dançar no morto-vivo Idearium, nesta sexta (30), a partir das 21h. É A Festa 2, com DJs em live PA e um terraço com acústico. Na pista, o DJ Bruno Aziz mostra um set de hip-hop e rock, abrindo passagem para a performance do DJ Rogério Big Brother ao lado do guitarrista Morotó Slim, em live PA. Fechando a noite na pista tem o set "na lama e no caos" do DJ Ruy Santana com a participação percussiva de Peu Meurray. No terraço rock'n'roll, Márcio Mello em versão acústica é promessa para meia-noite, com a ajuda de Luciano Silva no sax. Em seguida, o DJ Roger'n'roll mostra o set de rock e soul. Tudo por cinco reais.
COLETÂNEA DO ROCK BAIANO É LANÇADA
Catorze bandas locais e mais duas convidadas do Rio e Aracaju figuram na coletânea "Boas, Novas", que pretende dar uma geral no rock produzido em Salvador. Excelente iniciativa que mostra algumas bandas interessantes, mas deixa de fora o que há de melhor no rock local. Questão de opinião, pois. Outro problema é a inclusão destas duas forasteiras, meio deslocadas, já que o objetivo é divulgar a música de Salvador. O lançamento aconetce neste domingo (31) no Nhô Caldos (Rio Vermelho), a partir das 21h. O show de lançamento é grátis e o disco sai por quatro reais. Confira quem está no disco: Little Bell For Sing; Simples Rap´ortagem; Dorothy; Pã; Ritmia; enquanto Isso...; Birds of The Holy Ville; Modus Operandi; Lírio; Os Agentes; A Sangue Frio; Diva; Like A Suicide; The Hughes; Blair (SE); Cappuccino [RJ].
* E tem mais: Rock no Trio nesta quinta (29), às 20h, no Largo da Dinha. Em cima do trio, Movidos a Álcool e convidados. No sábado (31) tem mais Movidos a Álcool, desta feita acompanhada da Los Canos, no evento Bahia Let's Rock. No Calypso, por seis reais. Já no domingo (1º), a Orange Poem dá continuidade ao projeto no Tangolomango, desta vez com a participação da banda Besouro do Sertão. Couvert a seis reais, a partir das 17h.
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por LEONARDO MAIA - 3:14 PM
Quinta-feira, Julho 22, 2004
*Disco da Semana - Desperate Youth, Blood Thirsty Babes (TV on The Radio)
Disco de estréia da esquisita banda nova-iorquina TV on The Radio, "Desperate Youth, Blood Thirsty Babes" vale o registro principalmente pelo teor inusitado do seu lançamento. Numa iniciativa de quatro amigos paulistas, foi formada a Peligro Discos, que lança álbuns importados em parceria com selos independentes estrangeiros. Os discos não saem exatamente por um preço barato (R$ 35,00), mas ficam bem mais em conta do que se chegasse nas lojas sem esta interferência da Peligro. Enquanto a lerdeza nacional impede que algumas novidades cheguem ao Brasil em tempo hábil, você pode adquirir alguns deles nesta loja virtual. Tudo é resolvido na base de e-mails, barateando ainda mais os custos. Saiba mais aqui.
Bem, mas eles acertaram no primeiro lançamento? Sim e não. O caso é que este TV on The Radio é realmente uma novidade da cena norte-americana e recebeu alguns elogios rasgados. Saíram com um EP e logo em seguida este disco de estréia, sendo logo chamados de "o futuro da música". Eles utilizam à exaustão recursos eletrônicos, misturados aos instrumentos tradicionais (guitarra e bateria) e instrumentos de sopro. Bem, não acredito que seja exatamente a música do futuro, mas certamente soa estranho. O "não" de lá de cima, que não se configura exatamente como um erro de lançamento, deve-se à latente falta de emoção do disco. Alguns momentos são interessantes (as três primeiras faixas - "The Wrong Way", "Staring At The Sun" e "Dreams"), mas o restante é realmente um saco. A faixa 5, "Ambulance" é irritante até dizer chega, com uma harmonia vocal de fundo paupérrima e chata. Chata mesmo. O maior destaque do álbum é o vocalista Tune Adebimpe, um descendente de africanos com um cabelo gozadíssimo, que canta muito bem. A voz dele é bonita e segura bem as três músicas que destaquei acima. Depois, não tem jeito, acaba enjoando. A impressão que fica é que se elogiassem menos lá fora, a TV On The Radio talvez ganhasse pontos com o Discoteca Narcisista. Mas este hype é infundado, deve morrer logo. E, pelo que imagino, o disco deve ser rapidamente esquecido na coleção deste que vos fala.
DICAS MUSICAIS PARA O FIM DE SEMANA
Para os amantes do metal a melhor pedida é o show da banda Dr. Sin, que vem a Salvador lançar o CD e DVD "Dr. Sin - 10 anos ao vivo". Quem abre é o destaque baiano do heavy metal Drearylands. Rola na sexta (23), a partir das 22h, no Rock in Rio Café. Ingressos antecipados a 15 reais. No mesmo dia, tem brincando de deus e Mutation Lab no Calypso Heineken Station, um pouco mais tarde - 23h. Ingressos a sete reais. No sábado (24), tem programa free no Pelourinho. Voltando de uma bem-sucedida turnê na Europa, o Lampirônicos se apresenta na Praça Teresa Batista, lançando o disco "Toda Prece". E eles já tem data marcada para voltar a Europa, com show marcado para o final de agosto em Zurique. E quem está indo também para a Europa é a Navio Negreiro, com shows marcados em Portugal, França e Suécia. Os caras contam com o apoio da Produtora Júnior, sediada na Faculdade de Comunicação (Facom) da Ufba.
** Uma dica para esta semana é o Todos os Tons de segunda (26), às 11h e 19h. O programa traz um bloco especial sobre o Pixies, favorito aqui da coluna. Na pauta estão três clipes: "Bone Machine" (ao vivo), "Debaser" e um mix de "Dig For Fire" e "Alisson". Imperdível.
** Outra dica? Visitem o reformulado site da Claque. Aqui!
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por LEONARDO MAIA - 2:10 PM
Quinta-feira, Julho 15, 2004
* Disco da Semana - Os Mutantes
Sempre é bom fazer uma ode à músicas das antigas. Quando a qualidade é sofrível, ninguém lembra mesmo, a não ser que a vontade seja de sacanear mesmo. Se um disco atravessa os anos e consegue conquistar novos públicos décadas depois, além de reconquistar aquele velho fã a cada audição, ele não pode ser deixado às traças, mesmo que datado. Ele já entrou no hall dos clássicos, referência básica a qualquer amante da música. No caso do álbum de estréia dos Mutantes, o título de clássico cabe bem, mesmo que o disco continue causando estranheza, 36 anos após a sua feitura. Ainda hoje, ele é vanguardista ao extremo, carregando uma dose estrondosa de psicodelia. Só os loucos irmãos Baptista (Sérgio e Arnaldo) e a maluquete Rita Lee poderiam alcançar tamanho frescor após mais de três décadas. Ao ouvir o álbum homônimo, fico imaginando o impacto que ele causou no seu lançamento. Não à toa, os Mutantes ainda são redescobertos a todo instante pelo público estrangeiro, que pouco acesso teve na época do lançamento. O brasileiro, porém, pouco conhece sobre um dos maiores grupos já vistos por aqui.
Misturar o rock psicodélico dos anos 60 com ritmos brasileiros sempre foi uma especialidade dos Mutantes. Com barulhinhos de ambientes, sons mais que estranhos e vocais gaiatos, os Mutantes conseguem surpreender a todo instante. Neste álbum, o grupo teve a colaboração de compositores de peso, como Jorge Ben ("A Minha Menina"), Sivuca ("Adeus Maria Fulô"), Caetano Veloso e Gilberto Gil ("Panis et Circences", "Bat Macumba" e "Baby"- esta última apenas de Caetano). Ainda fizeram uma versão belíssima para "Le Premier Bonheur Du Jour", dos franceses Jean Renard e Frank Gerald. Arrepiante, de verdade. E quem mais poderia usar com tanta propriedade um órgão brega ao extremo, como os Mutantes no clássico "Baby"? Difícil dizer. Assim como é difícil encontrar grupos de rock que conseguiram marcar o som com uma brasilidade tão notável. Proponho, pois, um brinde aos bons e velhos Mutantes.
MARCO BUTCHER EM DOSE DUPLA
Depois de uma noite memorável no Calypso, segundo contam pois não pude comparecer, Marco Butcher já tem outros dois shows agendados na cidade. Vocalista e guitarrista da Thee Butchers' Orchestra, ele está na cidade com seu projeto solo, algo como um "blues primitivo", como ele mesmo chama. Só que não é só isso, pois participações muito especiais estão programadas. Na sexta (16), Butcher deve receber Moskabilly e Morotó para tocar clássicos do rock e, quem sabe, músicas do Dead Billies. E ainda tem a galera do Honkers fazendo papel de "açougueiros", ou seja, músicos de apoio de Marco Butcher. Marcado para as 19h, na São Rock 2 (Shoping Rio Vermelho), saindo por apenas dois reais. No domingo (18), rola a Matinê do Rock no Porão da Barra, às 16h (mesmo). Marco Butcher e os mesmos açougueiros, além das bandas The Honkers e Los Canos. Dessa vez, o desembolso é um pouco maior: cinco reais.
ROCK EM NOVO ESPAÇO
Nunca iniciativa de Emmanuel Mirdad, vocalista da banda The Orange Poem, o bar Tangolomango (Pituba) agora também recebe o rock. Quinzenalmente, aos domingos, a Orange Poem recebe uma banda convidada para um fim de tarde que promete mais que música. Além dos shows, rolam ainda recitais, exibições de vídeos, exposições e venda de CDs e livros. Na primeira edição deste domingo (18), a banda convidada é A Dama e Os Vira-Latas. No dia 1º de agosto, a pauta já está fechada com Besouros do Sertão. O movimento começa a rolar às 17h e é cobrado um couvert de seis reais. Ah, a roska é dobrada...
TODOS OS TONS VOLTA COM NOVIDADES
O Todos os Tons, exibido na TV Salvador (canal 28 - UHF e canal 38 - NET), volta a exibir programas inéditos a partir de segunda (19). A atração está com nova proposta gráfica e no primeiro programa traz clipes de Oasis, Evanescence, Arnaldo Antunes e um bloco especial sobre o No Doubt. Na quinta (22), a trilha sonora do programa é o disco "Paraquedas do Coração", de Wander Wildner. Outro destaque é a exibição do clipe "Be Bigger", do Úteros em Fúria, em homenagem ao recém falecido guitarrista Emerson Borel. No sábado (24), o Todos os Tons celebra os 50 anos do rock com clipes de Led Zeppelin, Rolling Stones, The Clash, Sepultura, além de uma entrevista com a banda baiana Automata. Anotem os horários de exibição: segunda (11h e 19h10), quarta (11h, 18h e 22h), quinta (11h e 19h10) e sábado (11h).
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por LEONARDO MAIA - 9:42 PM
Quinta-feira, Julho 08, 2004
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* Disco da Semana - Paraquedas do Coração (Wander Wildner y sus Comancheros)
Lenda do cancioneiro gaúcho, Wander Wildner é rock na veia. Ele tem pose, aposta em misturas que beiram o brega, compõem canções hilárias e faz shows inesquecíveis. Fez história (e continua fazendo, nas horas vagas) com a banda Replicantes e virou influência para muita gente, incluindo aí a banda baiana Los Canos. Wildner aposta no "punk-brega" e tem uma voz rouca mas poderosa, que já levou-o a ser apelidado de "Tom Waits brasileiro". Depois de muito ouvir falar dele e pouco escutar, tive a oportunidade de conferi-lo ao vivo no Curitiba Pop Festival deste ano. Na verdade, Wildner se apresentou ao lado de outras duas figuras gaúchas, Frank Jorge (Graforréia Xilarmônica) e Flu (De Falla). Mas, cá entre nós, ele foi o grande protagonista do show, cantando a maior parte das músicas e levantando o público com velhas e novas canções. Depois do fenomenal show do Pixies, o trio gaúcho foi responsável pelo melhor momento do festival. Sabe quando a apresentação acaba e o que sobra é um leve sorriso de satisfação no rosto? Pois é, Wildner consegue fazer dessas.
E neste Paraquedas do Coração, o quinto disco da carreira solo (contando "No Ritmo da Vida"), Wildner junta-se aos seus comancheros e lança um excelente trabalho com um safado toque latino. Cantando em portunhol algumas das músicas e recheando o encarte de informações neste idioma próprio dos brasileiros malandros, Wildner acerta numa mistura de estilos, com direito inclusive a belos arranjos de cordas e sopro. Dentre as faixas inéditas, destacam-se "Rodando el Mundo", que melhor resume a proposta do disco, e a sofrida "Eu Não Consigo Ser Alegre o Tempo Inteiro", com um belo quarteto de cordas. Mas o destaque mesmo fica com as versões. Primeiro "Candy", cover do alucinado Iggy Pop, que carrega uma doçura que só os mais loucos conseguem, não exagerando na dose. Tem a versão de "I Believe in Miracles", que se tornou a divertida "Eu Acredito em Milagres" e uma releitura de "Hippie-Punk-Rajneesh", sucesso dos Replicantes que foi um dos pontos altos do show no Curitiba Pop Festival. Quer curtir mais de Wildner? Uma dica é procurar "Baladas Sangrentas", o primeiro disco solo do gaúcho, que incluiu os sucessos "Bebendo Vinho" (regravada pelo Ira!) e "Eu Tenho Uma Camiseta Escrita Eu te Amo".
MÚSICA DE GRAÇA
Pois é, neste fim de semana que está chegando, dá para se divertir muito sem desembolsar um único centavo (fora as cervejinhas, claro). Na sexta-feira (9), a Faculdade de Comunicação (Facom) entra de novo na rotas dos eventos musicais. A partir das 21h, as bandas A Grande Abóbora, Tudomundo e Abre-te Sésamo fazem o som, tendo de lambuja ainda uma banda de forró (para quem ainda não está de saco cheio desta overdose). A nota ruim é a péssima divulgação do evento, que não mereceu nem ao menos cartazes nas unidades da Ufba. Já no sábado (10), tem o relançamento da Revista Eletrônica Claque, um ótimo site que já estava fazendo falta. E a música é de primeira, com as bandas Satélite do Amor, Soma e Ronei Jorge e Os Ladrões de Bicicleta. Atenção para o horário e local: 16h, na São Rock 2 (Shopping Rio Vermelho).
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por LEONARDO MAIA - 5:18 PM
Quinta-feira, Julho 01, 2004
* Disco da Semana - Tudo que Você Me Disse (A Grande Abóbora)
Há mais de um ano, assisti a um show da Grande Abóbora no finado Havana Music Bar. A primeira impressão não foi das melhores. O grupo não me conquistou e eu fiquei realmente irritado com a performance deles. Radicalizando por demais, não vi mais nenhum show, um pouco pelas circunstâncias e outro tanto pela falta de vontade mesmo. Mas, ao ter em mãos este primeiro EP lançado pelo selo Musicbox, resolvi dar mais uma chance e pagar para ver. Pois é, fui pego pelo pé. Este "Tudo Que Você Me Disse" conquistou minha simpatia e apagou bastante a inicial má impressão. Um rock dos bons, light, com um toque bem brasileiro.
A Grande Abóbora tem três vocais alternados, bem diversos entre si. Tem Guardanapo, mais fanho, mesmo que encorpado, tem o escracho de Penna (ele mesmo, do Los Canos) e tem um mais que válido contraponto feminino, o vocal de Nanda. O melhor exemplo desta conjução é a faixa de abertura, "Linguagem Corporal", que também tem uma ótima levada de guitarra. As letras são sempre românticas, casando perfeitamente com a proposta sonora do grupo. Duas delas são otimistas, a já citada "Linguaguem Corporal" e a ótima "Oi! Tudo Bem?". O restante é amor sofrido mesmo, mas sempre bem-humorado. Nos momentos mais lentos, de linguagem bem pop, o grupo mostra-se também competente, como em "Como Eu Quero". Ah, ainda tem uma faixa escondida no final do disco, que começa singela na voz de Nanda e depois torna-se um punk descompromissado com os já conhecidos gritos de Penna. Pode ter certeza: essa banda não vai mudar sua vida, mas vai render alguns bons e relaxados momentos.
PAPEL E CANETA A POSTOS
A partir desta quinta (1), a agenda cultural do rock baiano está bem animada, com programação das boas até o sábado (10) da próxima semana. Vamos por partes que a narração é longa! Hoje (quinta) já tem o início da temporada do Movidos a Álcool na São Rock 2, a partir das 19h. É o "Meiota in Concert", com a exigência apenas de um chopp de consumação! Mas tem que ficar ligado, pois o espaço só comporta 30 pessoas. Todas as quintas até o final de julho. Amanhã (feriado de 2 de julho), a Associação Cultural Clube do Rock (ACCR) dá prosseguimento às comemorações pelo Dia Municipal do Rock (28/06) com o show "Raul Ainda Vive". No Teatro da Praia, a partir das 19h, por seis reais. O som fica por conta das bandas The Hughes, Lollyta, Ulo Selvagem e Aluga-se (cover de Raul), com participação especial de Thildo Gama, ex-guitarrista dos Panteras, primeira banda de Raulzito. E no sábado (3), tem Mutation Lab, de graça, na Matinê São Rock. No mesmo lugar de sempre, Shopping Yemanjá, às 16h.
Vamos lá que ainda tem a semana seguinte! A farra começa cedo, na quarta (7). A banda carioca Jason é a principal atração de uma noite que ainda traz os grupos A Sangue Frio e Nothing to Declare (NODE). Rock às alturas no ouvido, no nosso inferninho predileto, o Calypso Heineken Station. Às 20h, com ingressos a sete reais. Depois de um dia de descanço, a pedida é a comemoração de 6 meses de vida do programa Rock Loco, que vai ao ar na Primavera FM (103.5), de terça à sexta, sempre das 20h às 22h. Pois bem, a festa chama-se "O que é Rock Loco" e rola lá mesmo, no Calypso. A equipe de disc-jockey do Rock Loco vai estar comandando a festa, que deve começar lá pela meia-noite e vai custar cinco reais ao seus bolso.
Bem, a dica é guardar energias, mesmo. Isso porque o último dia promete ser o mais insano de todos. Mais um Big Hits no Calypso, sob o comando do produtor Rogério Big Brother. O convidado é de peso: o vocalista e guitarrista da banda paulista Thee Butchers' Orchestra, Marco Butcher. A promessa é de uma grande jam session na companhia dos Açougueiros, roqueiros baianos ainda não conhecidos. A noite é na base da surpresa. De certo mesmo só a presença do mesmo Marco e de Rodrigo Sputter (The Honkers) como Djs, tocando rock'n'roll primitive e garage 60's, como eles mesmos denominam. Ingressos antecipados a oito reais e na hora por 10 reais. Façam suas apostas!
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por LEONARDO MAIA - 6:46 PM
Terça-feira, Junho 22, 2004
* Disco da Semana - Toxicity (System of a Down)
Não gosto de Limp Bizkit. Abomino Linkin Park. Não suporto Papa Roach. Apenas respeito o Korn. É perceptível o meu desapreço pelo new metal, que infesta os ouvidos dos adolescentes e roqueiros de butique. Bem, você pode até gostar de alguma dessas bandas. Nada de grave. O problema está com quem só gosta destas bandas de terceiro escalão. E olhe que são muitos, até demais para o meu gosto. Mas sempre aparecem exceções. O System of a Down é uma delas, mesmo não sendo exatamente new metal, a meu ver (muitos dizem que é um banda de new metal). Este "Toxicity", lançado em 2001, é um excelente álbum do mais pesado rock, com guitarras altíssimas, músicas que alternam momentos de calmaria e fúria, um vocalista com um gozado e sonoro sotaque, um baterista alucinado e letras políticas. Tudo feito por quatro músicos de origem armênia, residentes nos Estados Unidos e que não cansam de criticar a política norte-americana.
Neste segundo álbum, o grupo mescla metal com elementos da música folclórica armênia, criando uma sonoridade inusitada. É peso do início ao fim, com críticas ácidas ao sistema penitenciário americano, na ótima "Prision Song", e ao sistema educacional, em "Shimmy". As melhores músicas são exatamente aquelas que combinam peso e melodia de modo ideal: "Chop Suey", "Toxicity" e "Aerials". Experimentem uma audição às alturas destas canções e aproveitem o que há de melhor no System of a Down.
PIXIES LANÇA PRIMEIRA INÉDITA
A série espetacular de shows, incluindo o fascinante espetáculo na Pedreira Paulo Leminski, em Curitiba, já dava a pista: o Pixies voltou com a corda toda. Até mesmo os mais céticos se certificaram que a banda de Boston está na melhor forma, tocando com empolgação clássicos que não envelheceram. Só faltava uma coisa: canções inéditas. Bem, não falta mais. Já está na Net a ótima "Bam Thwok", que dura pouco, mas o suficiente para mostrar que os caras estão no caminho certo. O mais legal é que o vocal principal é de Kim Deal, o que mostra que o humor entre Frank Black e a garota está excelente. E ainda tem um órgão, gravado há mais de uma década pelo sogro de Joey Santiago. Agora é só esperar um disco de inéditas. E que não demore.
DISCOS BRITÂNICOS EM LISTA
Nos últimos dias, duas diferentes revistas elaboraram listas dos melhores discos ingleses de todos os tempos. A mais recente foi a "Observer Music Monthly", que fez uma pesquisa com 100 críticos e músicos como Morissey, Ozzy Osbourne e Brian May (Queen). Em primeiro lugar ficou o disco de estréia do Stone Roses, lançado em 1989. O clássico "Revolver", dos Beatles, ficou em segundo entre os discos mais importantes da terra da Rainha Elizabeth. Curiosamente, o mesmo álbum papou a vice-liderança na outra lista, da "Q". Mas nesta outra revista, o Oasis ficou em primeiro com "Definetely Maybe". Um absurdo, diga-se de passagem. Confiram o top ten da lista da "Observer Music Monthly", que também não recebeu a aprovação do Discoteca Narcisista. Beatles tinha que estar em primeiro e falta Led Zeppelin.
Stone Roses - "Stone Roses"
The Beatles - "Revolver"
The Clash - "London Calling"
Van Morrison - "Astral Weeks"
The Beatles - "Sgt. Pepper´s"
The Beatles - "White Album"
The Rolling Stones - "Sticky Fingers"
The Rolling Stones - "Exile On Main Street"
Massive Attack - "Blue Lines"
P.I.L - "Metal Box"
* Por motivo de viagem, o Discoteca Narcisista não foi atualizado na última quinta (17). Entra então este Discoteca "curinga" que serve tanto para a semana que passou quanto para a que virá. No dia 1º de julho, espera-se, tudo volta ao normal!
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por LEONARDO MAIA - 4:37 PM
Sexta-feira, Junho 11, 2004
* Disco da Semana - Franz Ferdinand
Você já deve estar cansado do novo hype do New Music Express (NME). A cada momento, o famoso semanário inglês coloca uma nova banda como a sensação e promessa do rock. Mas, você também sabe disso, onde há fumaça, geralmente há fogo. E no caso da incessada Franz Ferdinand, há um princípio de incêndio. Eles são escoceses, mas não são moderados como as conterrâneas Travis, Teenage Fanclub e Belle and Sebastian. O som do Franz Ferdinand (isso mesmo, o nome é inspirado no arquiduque austro-húngaro, cuja morte deflagrou a I Guerra Mundial) é dançante, com guitarras suingadas, letras facilmente assimiláveis e melodias empolgantes. Como eles mesmos já afirmaram, a música da banda é feita para as meninas dançarem. Mas não se preocupe, não chega a tanto. Não estamos falando de mais um banda de electro-punk, no estilo do The Rapture, mas de um Strokes mais ensolarado ou um Talking Heads revigorado. Sem dúvida, o Strokes é novo demais para já ser uma influência para o grupo escocês, ainda mais quando pensamos que a própria banda nova-iorquina tem um leque grande de influências. É inegável, porém, as semelhanças. Tire a prova ouvindo "Take Me Out", o primeiro single deste álbum, e "The Dark Of The Matinée".
Mas o que mais impressiona é a semelhança com o Talking Heads, principalmente a voz de Alex Kapranos, que é bem parecida com a de David Byrne. No conjunto com o instrumental, "Tell Her Tonight" é Talking Heads puro e "Auf Achse" não esconde a mesma referência. Mas, claro, você ainda vai lembrar do New Order e de outros expoentes da New Wave no som do Franz Ferdinand. O diferencial deste disco de estréia é o modo como a banda britânica sustenta o interesse do início ao fim.
Aliás, o início emocionado é arrebatador. "Jacqueline" abre o álbum com um vocal a capela e um violão quase imperceptível ao fundo. Depois de 40 segundos, entra uma linha de baixo vigorosa e a guitarra estréia com força. Aí a singela canção se transforma num rock contagiante que decreta o ócio como a melhor opção: "It's always better on holiday/ So much better on holiday/ That's why we only work when/ We need the money". Daí até a última faixa, a única certeza é a boa música. E a dica é investir a atenção em várias audições, pois a tendência é gostar cada vez mais do Franz Ferdinand.
ROCK BAIANO DE LUTO
Faleceu na última quarta-feira (9), o guitarrista Emerson Borel, aos 32 anos. Jovem demais para morrer, Borel fez parte de uma das bandas mais importantes do rock baiano, o Úteros em Fúria, tocando também na Black Trunk, Palhaços do Universo, Os Barbas e Guizzmo. O Úteros em Fúria encerrou as atividades em 1995, influenciando uma série de músicos da nova geração do rock baiano. O disco "Wombs in Rage", lançado em 1993 pela Natasha Records, é o melhor modo de conhecer a banda, que, dizem, era ainda melhor ao vivo. Ficam aqui os pêsames a família de Borel e a toda comunidade do rock baiano.
HONKERS HOMENAGEIA BOREL E RAY CHARLES
No próximo dia 17 (quinta), o The Honkers é uma das atrações do Festival de Música, promovido pela Estação da Juventude. O show é gratuito e terá homenagens especiais a dois artistas que nos deixaram nesta semana. O guitarrista baiano Emerson Borel e o americano Ray Charles vão ser homegeados pela banda, que entra no palco às 20h15, de acordo com estimativa da produção do evento. Antes deles, o destaque fica por conta da banda punk Calamidade, que conta com um novo vocalista na formação. O evento acontece na Estação da Calçada.
NANCYTA RUMO À BRASÍLIA
A banda baiana Nancyta e Os Grazzers está confirmada para a sétima edição do Porão do Rock, realizado no estacionamento do Estádio Mané Garrincha, em Brasília. O evento está marcado para os dias 17 e 18 de julho e já confirmou algumas atrações como Marcelo D2 (RJ), CPM 22 (SP), Nando Reis (SP), Korzus (SP), Supla (SP), República Djou (SP), Rumbora (DF), Khallice (DF), Celso Salim (DF) e Etno (DF). Mais informações aqui.
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por LEONARDO MAIA - 11:36 AM
Quinta-feira, Junho 03, 2004
*Disco da Semana - Waiting For The Sun (The Doors)
Quem acompanha o Discoteca Narscisista deve lembrar que o The Doors já recebeu um destaque semanal. Na dúvida, é só rolar a página que está lá por baixo. E, seguindo a promessa feita, o destaque é o terceiro disco do grupo, "Waiting for The Sun". A justificativa é o equilíbrio na discografia do grupo, que sempre lançou álbuns acima da média. E como a escolha pelo melhor é árdua, vamos no sorteio mesmo. Um dia a gente chega lá!
Segundo disco da banda liderada por Jim Morisson, "Waiting For The Sun" não trouxe tantos hits quanto a estréia ("Break On Through", "Light My Fire" e "The End"), mas mostrou um grande amadurecimento melódico da banda. "Hello I Love You" é a primeira faixa, um desesperado pedido pela atenção da amada, com um teclado barulhento, dando um clima fanfarrão à canção. Ótima abertura, cartão de visita para as canções bem diversas que estão por vir. Quer uma amostra? Tem a singela "Love Street", que soa como um distraído passeio no parque, bem no finzinho da tarde; as apocalípticas "Not To Touch The Earth" e "The Unknown Soldier", com destaque para esta última, protesto pacifista, com direito a marcha de soldados e tiros; "Spanish Caravan" e sua atmosfera latina, com referências a ritmos da mística Espanha; "My Wild Love", que parece uma canção de cultos africanos, com côros e palmas ao fundo; e a saideira "Five To One", sempre destaque nas apresentações do The Doors e com uma das melhores performances vocais de Jim Morisson. E olhem que a excelente música título, "Waiting For The Sun", nem entrou neste disco, aparecendo apenas no terceiro disco - "Morisson Hotel". De fato, poucas bandas conseguiram criar climas tão próprios em suas canções como o The Doors. Cada música contém elementos que a torna especial, exemplar de um universo próprio. Difícil de explicar, porém fácil de sentir. E quem nunca se deixou apaixonar pelo alucinante som do Doors e pela energia de Morisson, está perdendo tempo. Corra lá e descubra o som desta lendária banda norte-americana.
ROCK LOCO TRAZ O MELHOR DO ROCK
Ouvir rádio em Salvador pode ser um suplício. De vez em quando, rola algo de interessante na Globo FM, Educadora e Nova Brasil. E, se você é chegado em programações esquizofrênicas, talvez goste da mistureba bizarra que atende pelo nome de Itaparica FM. Como eu, você pode pegar uma seqüência misturando White Stripes, Foo Figthers e A Zorra. Isso mesmo, uma após as outras. Mas existem as opções das rádios comunitárias. Já teve a boa Rádio Facom, que anda capenga. Entre algumas outras, o destaque é a Rádio Primavera FM (103.5), localizada na Santa Cruz. O sinal é bom em lugares diversos como Federação, Barra, Pituba, entre outros. Ajuda se o seu rádio for digital. O programa Rock Loco é a dica do Discoteca Narcisista, de terça a sexta, das 20h às 22h. Cada dia a programação fica por conta de uma dupla diferente. Escolha a sua: terça - Luciano Matos (jornalista e DJ) e Ronei Jorge (músico); quarta - Don Jorge (MTV Salvador) e DJ Bramz; quinta - Mário Jorge (músico) e Sora Maia (fotógrafa); sexta - Mário Jorge e Chicão (jornalista). Vale conferir.
NANCYTA E OS GRAZZERS PARA DAR E VENDER - errata!
Ao contrário do que foi divulgado por aqui, a banda Nancyta e Os Grazzers se apresentou apenas no Shopping Yemanjá (Rio Vermelho), no sábado passado (5). Com boa presença de público, a banda tocou durante pouco mais de uma hora, com um repertório dos mais conhecidos na cidade. O anunciado show do Tapioca (Shopping Boulevard 161, Itaigara) é produzido por Nancy Viegas, vocalista da Nancyta e Os Grazzers, mas a banda não vai tocar no evento. A atração única da noite é o Retrofogutes e sua surf music de primeira linha. Não à tôa, o evento chama-se Sexta Surf. Recapitulando: sexta (11), a partir das 22h, com ingressos a sete reais. Ei, mas continua o recado: se você reclama do inferninho Calypso Heineken Station, não tem desculpa dessa vez. Curta o ótimo rock de Salvador em um reduto um pouquinho diferente, muitas vezes casa de mauricinhos e patricinhas. Pois, vocês já sabem, o que vale é a música!
ABDUZIDOS TRANCE PARTY NA ESTRADA DO CÔCO
Chegando como mais uma opção para os amantes da música eletrônica, a Abduzidos Trance Party é um evento multimídia com DJs de Trance, projeção de vídeos, malabares, decoração flúor e iluminação especial. Na sexta da próxima semana (11), a partir das 23h47 (sic), com ingressos a sete reais. Os DJs Mondo.Bone, E.T.s, Marthinez e Fino comandam as pick-ups. Atenção para o local - Sítio Alto do Sol, Colônia Boa União, lote 6, Estrada do Côco (Km 10).
CLUBE DE ENGENHARIA ABRIGA A NOITE METAL
E tem metal também. A banda Malefactor faz as honras da casa e convida a também baiana Drearylands e a mineira Pathologic Noise para fazer a festa dos headbangers. No Clube de Engenharia (R. Carlos Gomes, Centro), nesta sexta (5). Os ingressos são limitados estão à venda na Maniac Records (Shopping Vivi Center), Andarilho Urbano (Shopping Iguatemi) e Lute Copiadora (R. Carlos Gomes).
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por LEONARDO MAIA - 4:59 PM
Terça-feira, Junho 01, 2004
PRÊMIO ROCK INDEPENDENTE - MELHORES DE 2003
O Prêmio Rock Independente surgiu para premiar os melhores do ano na cena do rock de Salvador. Uma iniciativa dos sites Bahiarock, El Cabong, Discoteca Narcisista e Musicbox, o Prêmio já tem os seus vencedores para a primeira edição. O grande número de bandas citadas demonstra como a atual fase está rendendo frutos. Agradecemos as bandas e a todos que trabalham pelo rock baiano. Não há perdedores, pois todos colaboram pelo crescimento da cena.
Como prometido, alguns prêmios foram sorteados para os votantes. Confira se você foi o vencedor:
Lara Santana Brito
Juliana Silva de Azevedo
Márcio Rodrigo Oliveira do Vale
André Gustavo Barbosa
Carine Santod Miranda
E agora, os vencedores em casa categoria!
BANDA (votação em livre escolha)
Los Canos - 9,25%
Retrofoguetes - 8,65%
Zambotronic - 8,02%
Cygarlycaros - 7,40%
Movidos a Álcool - 6,17%
Mutation Lab - 6,17%
Soma - 6,17%
The Honkers - 5,55%
Nancyta e Os Grazzers - 4,94%
Ronei Jorge e Os Ladrões de Bicicleta - 4,94%
Delta de Vênus - 4,32%
Drearylands - 3,09%
Petercantropus - 3,09%
Brinde - 1,85%
Malefactor - 1,85%
Adcional - 1,23%
brincando de deus - 1,23%
Dever de Classe - 1,23%
Eskaravelho - 1,23%
Plexus - 1,23%
Ácaros IPA - 0,62%
Almanáará - 0,62%
Almas Mortas - 0,62%
Associação Mr. Halley e o Samba do Patinho Feio - 0,62%
Bold - 0,62%
Calabar - 0,62%
Dialética - 0,62%
Dorothy - 0,62%
Eternal Sacrifice - 0,62%
Feto Amargurado - 0,62%
Navio Negreiro - 0,62%
Nothing to Declare - 0,62%
Pato Rocko - 0,62%
Plug and Play - 0,62%
Presente de Grego - 0,62%
Rebeca Matta - 0,62%
Rewinders - 0,62%
Veuliah - 0,62%
DISCO
Zambotronic - 25,8%
The Honkers - 17,42%
Los Canos - 15,48%
Drearylands - 10,97%
Movidos a Álcool - 10,97%
Soma - 9,03%
Plexus 4,52%
Adcional -2,58%
Automata - 1,94%
Jurema -1,29%
SELO
Big Bross - 52,48%
Frangote - 24,82%
Maniac - 14,89%
Estopim - 4,96%
Radioative Hippies - 2,84%
REVELAÇÃO
Los Canos - 31,39%
Ronei Jorge - 31,39%
Mutation Lab - 13,14%
Automata - 8,76%
Adcional - 8,03%
A Grande Abóbora - 7,30%
BANDA AO VIVO
Retrofoguetes - 24%
The Honkers - 22%
Zambotronic - 16,67%
Nancyta e Os Grazzers - 13,33%
Drearylands - 12%
Soma - 12%
EVENTOS
Big Hits - 37,69%
Sexta Básica - 23,07%
Musicbox - 15,39%
Rock Yemanjá - 13,08%
Outono Alternativo - 6,15%
Mad Zoo - 4,62%
SITE
Bahia Rock - 64,44%
El Cabong - 14,07%
Musicbox - 8,89%
Discoteca Narcisista - 7,41%
Reidjou - 5,19%
VEÍCULO DE COMUNICAÇÃO
Curto-Circuito - 38,75%
Rádio Facom - 23,13%
Punkada Rock -20%
Todos os Tons - 10%
Rock em Geral - 8,13%
ESPAÇO DE SHOWS
Calypso - 50%
Havana - 19,86%
Sesi - 10,27%
Galeria do Rock - 10,27%
Teatro da Praia - 6,85%
Blue House - 2,74%
LOJA
São Rock - 46,58%
Berinjela - 26,03%
Mutantes - 16,44%
Pérola Negra - 5,48%
Maniac - 5,48%
BANDA VISITANTE
Autoramas - 36,8%
Vamoz! - 16%
Violins - 16%
Estrume'n'tal - 12,8%
Dance of Days - 12%
Holly Sagga - 6,4%
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por LEONARDO MAIA - 4:41 PM
Sexta-feira, Maio 28, 2004
*Disco da Semana - En Una Onda Neo-Punque... (Los Pirata)
Quem acompanha o mercado independente nacional já deve ter ouvido falar no Los Pirata, que vem arrancando elogios por onde passa. O trio paulista mais mexicano que existe conquistou um público cativo com um som que mistura surf music, rock and roll, punk, rockabilly, entre outros ritmos, tudo com um caldo bem latino. As letras, quando existem, estão em espanhol e o trio investe muito na temática dos nossos vizinhos de continente. A ordem é a diversão, especialmente nos shows, e um pouco neste disco de estréia - "Es Una Onda Neo Punque...". O disco vem cheio de recomendações de quem já ouviu, mas não agradou tanto assim ao Discoteca Narcisista.
"Nada", faixa de abertura do disco, faz jus ao seu nome com uma letra que se resume a "nada nada nada... en mi corazón". Animadinha, mas chega uma hora que dá nos nervos. Não passa de um minuto e meio, curtinha como todas as músicas dos discos, que é recheado de vinhetas e citações. Tudo passa muito rápido e o disco não possui uma unidade, sendo um emaranhado incômodo de fragmentos. É divertido por horas, especialmente em "Batechica", que fala do relacionamento duvidoso de Batman e Robin, e em "A Mi Me Gustan Las Hamburguesas", uma ode aos hambúrgueres que mais parece uma daquelas canções típicas de cursos de espanhol, daquelas para "treinar" o vocabulário. Mas tem horas que as piadas ficam sem graça, quando se trata das vinhetas intituladas "X" e de algumas músicas como "Vader" e "Shirley Sala 3". A parte instrumental é sempre competente, mas também não traz nada de excepcional que justifique tanto barulho ao redor da banda. Parece mesmo que eles funcionam ao vivo, vide a lotação esgotada no lançamento deste álbum. Mas por este disco, com tantas bandas competentes que hoje existem no mercado independente nacional, o Los Pirata não passou de uma decepção para o Discoteca Narcisista. Vamos ver se dou o braço a torçer num eventual show da banda. Ah, ponto positivo é o encarte do CD, simples, mas muito bem trabalhado.
VEM CHEGANDO O FIM DE SEMANA...
Façam suas escolhas. Neste sábado (29), o público rocker de Salvador tem duas boas opções de shows. No Calypso Heineken Station, rola mais uma edição do Big Beats, evento mensal organizado por Rogério Big Brother. Sempre no formato DJ-banda-DJ, o Big Beats traz como convidados a banda Ronei Jorge e Os Ladrões de Bicicleta, que está com disco novinho na praça, e os DJs Mário Jorge (aquele, ex-Penélope) e, ele mesmo, Ronei Jorge. Os dois apresentam o programa Rockloco na 103.5 FM. Sai por sete reais, a partir das 23h. Já no Clube de Engenharia, o Soterock chega a oitava e última edição, com as bandas Plexus, Stancia, Órbita Zero e Arapuka (Tributo a Raul Seixas). Desta vez, as damas não pagam, enquanto o restante precisa desembolsar a módica quantia de seis reais.
** Para não dizer que não falei de flores, entrem no Burn Bahia Burn e saibam um pouco mais sobre a arrasadora passagem do The Honkers e Los Canos pelo Mada, big festival de Natal, que só perde no Nordeste para o Abril Pro Rock. Acessem os links lá postados e notem como as bandas, especialmente o Honkers, fizeram sucesso nesta semana que passou.
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por LEONARDO MAIA - 3:44 PM
Quinta-feira, Maio 20, 2004
* Disco da Semana - Last Splash (The Breeders)
O destaque desta semana é fruto da viagem para Curitiba. Há tempos estava na lista de prioridades de compra do Discoteca Narcisista e foi encontrado por um preço razoável na Pedreira Paulo Leminsky. Bem, deu para perceber que ainda não saí muito da mania Pixies. Isso porque o Bredeers foi formado em 1989 pela baixista do Pixies, Kim Deal, em parceria com as amigas Tanya Donelly, Josephine Wiggs e Carrie Bradley, convidando Britt Walford para assumir a bateria. Mas também não foi com o Breeders que Kim sobreviveu com tranqüilidade, pois depois do lançamento do primeiro álbum, Pod (1990), o grupo acabou. Voltou em 1992, com um lançamento do EP "Safari" e assumiu sua formação clássica com a saída de Tanya, a entrada da irmã gêmea de Kim, Kelley Deal, e a substituição de Britt Walford por Jim Macpherson. Com o fim do Pixies, também em 92, Kim dedicou-se mais ao Breeders e foi aí que surgiu este "Last Splash" (93).
A banda se separou mais uma vez, desta vez devido a problemas de Kelley com drogas pesadas, mas está na ativa de novo. E, no ano passado, participou do Curitiba Pop Festival, apresentando o mais recente álbum de inéditas, "Title TK". Mas não pensem que o Breeders viveu como uma sombra do Pixies. Com bons discos lançados, o grupo experimentou o auge neste "Last Splash". O charme da banda é a dupla das irmãs Deal, que respondem pelos vocais e guitarras. O maior hit do grupo, "Cannonball", divide com "Divine Hammer" o título de melhor música deste excelente álbum. O espírito alternativo dos Estados Unidos nos anos 90 permeia todo o disco, que traz o frescor das belas vozes femininas, combinadas com um instrumental elaborado, que abusa de distorções e guitarras altas. Ah, e Kim Deal não entregou o baixo a qualquer uma, pois Josephine é outra ótima musicista. Fora os dois hits já citados, imbatíveis, tem a deliciosa "New Year", com um teor apocalíptico, a climática "No Aloha", com um hipnotizante riff de guitarra, e a lentinha "Do You Love Me Now". Claro, tem músicas mais difíceis, com "Le Roi" e "Mad Lucas". Merece também ser destacada a instrumental "Flipside". Bem, é certo que as mulheres do Breeders se complementam, mas não posso deixar de colocar Kim Deal como a maior de todas. Não há hoje no mundo da música uma figura feminina tão intrigante e apaixonante como Kim. Num panorama geral, está Kim Deal e Janis Joplin no topo. O resto abaixo.
BANDAS INDEPENDENTES GANHAM ESPAÇO NA TRAMA
Numa excelente iniciativa, a Trama mantém no ar um site que abre espaço para trabalhos autorais de bandas independentes. A Trama Virtual hospeda uma quantidade ilimitada de MP3 de bandas nacionais, tornando-se uma interessante vitrine do que está rolando no Brasil. O site está em fase de teste há mais de um ano, mas foi lançado oficialmente há poucos meses. Até o momento, já estão cadastradas mais de cinco mil músicas de cerca 1,7 mil artistas de todo o país, divididos em estilos ou estados. Da Bahia, por enquanto, só constam músicas do Mano Véio, Daniela Tourinho e Testemunhaz. Uma boa oportunidade para as bandas daqui apresentarem os seus trabalhos!
ACCR LUTA PELA VOLTA DO PALCO DO ROCK
Convocando a todos que estão envolvidos com o rock baiano ou admiram o som que se faz por aqui, a Associação Cultural Clube do Rock (ACCR) está organizando uma audiência pública no auditório da Câmara Municipal de Salvador. Na pauta estão o retorno do Palco do Rock no Carnaval 2005 e uma maior atenção às comemorações do Dia Municipal do Rock. Iniciativa importante para a conquista de mais espaço pelo rock baiano. No dia 27 de maio, das 9h às 12h30. Mais informações aqui.
CAMAÇARI SEDIA O PÓLO ROCK FESTIVAL
Em Salvador, festival de rock é artigo de luxo, mas a Região Metropolitana volta e meia apresenta um novo evento. Com realização da banda Kamikaze, acontece nos dias 29 e 30 de maio, no Espaço Kiosk's (próximo a FAMEC), o Pólo Rock Festival. Confira abaixo a programação completa, que começa às 19h no dia 29 e às 17h no dia seguinte. O ingresso sai por sete reis, sendo que a casadinha pode ser adquirida por 12 reais.
Dia 29/05 (Sábado):
Os Perna Cabeluda (Camaçari), Holiday (Camaçari), Lou (Salvador) Ulo Selvagem (Salvador), The Hughes (Salvador), Veuliah (Salvador), Scarecrow (Camaçari), No Comply (Camaçari) e Ácaros I.P.A. (Lauro de Freitas)
Dia: 30/05 (Domingo):
Declinium (Dias D'Avila), Cacimba (Salvador), Movidos a Álcool (Lauro de Freitas), Brinde (Salvador), Kamikaze (Camaçari), Nancyta e os Grazzers (Salvador), Coverage (Lauro de Freitas) e A Fábrica (Camaçari)
* E nessa sexta (21), tem mais uma dobradinha Retrofoguetes-Nancyta no Calpyso Heineken Station. A partir de 23h, com couvert a seis reais. Programão.
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por LEONARDO MAIA - 5:51 PM
Terça-feira, Maio 11, 2004
PIXIES DOMINA O CURITIBA POP FESTIVAL
Não teve para ninguém. Se eles dominaram um festival da extensão do Coachella, imaginem então o Curitiba Pop Festival. O Teenage Fanclub bem que tentou, com um excelente show, mas o Pixies é imbatível. Confira detalhes abaixo. Agradecimento especial a Ana Paula Boni, que cedeu as fotos para o Discoteca Narcisista!
1º Dia
20h. Curitiba, Paraná, Brasil. Ao ultrapassar a roleta da Pedreira Paulo Leminski, estava dando início a realização de um sonho. Sexta-feira (7) seria apenas um aperitivo para o prato principal do dia seguinte. Agasalhos dos pés a cabeça, numa gélida temperatura que bateu os 10 graus, fácil. Na entrada um belo lago e, logo à frente, o palco encravado em um lugar privilegiadíssimo. As montanhas e a vegetação fértil, enfatizada por uma iluminação especial, faz da Pedreira um espetáculo para os olhos. Para nós baianos do verão eterno, parecia um cenário perdido em algum congelante país europeu. O show estava atrasado, restou então dar umas voltas e torrar dinheiro em CDs e camisas de bandas. O público chegava aos poucos mas, mesmo com ingressos esgotados, não iria nunca lotar o espaço. A Pedreira comporta bem mais que 8 mil pessoas, mas a organização do evento preferiu o conforto.
No Milk Today entrou no palco com meia hora de atraso e não disse muito a que veio. Um punk rock dos mais básicos, pouco empolgante. De interessante mesmo apenas a versão para "Head On", clássico do Jesus and Mary Chain gravado pelo Pixies. Em seguida, veio o Kingstone, também de Curitiba, com um festival de covers. Diversão das boas, num som que remete ao ska e rocksteady. Não levar muito a sério ajuda, com um trio de metal dos mais nerds e um tecladista encarnando "Coisinha de Jesus" a todo momento. Bem divertido. Veio depois o Pipodélica, de Florianópolis, fazendo o melhor show até então. Bons músicos com trabalho próprio de qualidade, que ainda ofereceram um ótimo cover de "Space Oddity", de David Bowie, e algumas citações aos Strokes e Manu Chao. Em seguida, a banda Íris trouxe uma mistura de jazz e rock que passou batida. O som estava inexplicavelmente baixo e o estilo da banda não casou com o clima do evento. Facilmente esquecível. Não o mesmo aconteceu com a dupla Sonic Jr., que desdobrou-se no palco e colocou a platéia para dançar. O som continuava baixo, mas a experimentação na dose certa fizeram valer o bom show dos alagoanos. Funcionaria ainda melhor num lugar menor e com um som adequado.
Chegou então a vez dos suecos do Hell on Wheels. Bem, os caras não são ruins, mas não justificam uma posição de destaque no Curitiba Pop Festival. Remetem ao indie rock e às bandas britânicas. Foram simpáticos, porém, e trouxeram uma mulher no baixo. Deu logo para lembrar de Kim Deal e ficar ainda mais ansioso para o show do Pixies. As mulheres, aliás, foram um destaque à parte, fazendo bonito em diversas bandas.
Com mais ou menos uma hora de atraso acumulado, foi a vez do Teenage Fanclub, cultuada banda escocesa. Depois de três shows em São Paulo e um em Recife, o Teenage Fanclub já estava mais do que embalado e botou o público para cantar os maiores sucessos durante uma hora e meia. Um show de primeira, com uma revisão da carreira e hits (no meio alternativo, claro) em profusão. Entre os destaque estavam "Neil Jung", "Sparky's Dream", "Metal Baby" "About You" e "What You Do To Me". No bis, mais quatro músicas, incluindo as ótimas "Star Sign" e "The Concept". O grupo destaca-se pelas belíssimas melodias e harmonias vocais perfeitas, num delicioso pop britânico. O principal vocalista, Norman Blake, é uma figura muito simpática e mostra um extremo prazer em tocar. Boa primeira noite do Curitiba Pop Festival, que prometia muito mais no dia seguinte.
2º Dia
Uma programação de 12 bandas, culminando com os Pixies, colocou a Pedreira Paulo Leminski para ferver em mais uma gélida noite curitibana. Com a intenção de poupar energias para a maratona do dia, cheguei atrasado e perdi alguns shows. Tarja Preta, Poléxia, Grenade e Excelsior passaram batido. Uma pena perder o show do Grenade, que lançou um ótimo disco, já resenhado por aqui. Desta vez, a organização cumpriu o horário religiosamente, chegando ao extremo até de começar shows antes da programação acordada. O grupo carioca Autoramas fez o melhor show brasileiro do festival, ao lado do trio gaúcho Frank Jorge, Flu e Wander Wildner. Bem conhecida no meio independente, a banda apresentou a sua original mistura de surf music, jovem guarda e punk. Figuraças no palco, levantaram o público. A baixista Simone do Vale sempre vale ser destacada por sua performance robótica e divertida.
Depois ainda teve o punk de Pelebrói Não Sei que, após muitos protestos, conseguiu fazer com que a barreira que separava o público que comprou o primeiro lote do segundo lote de ingressos fosse derrubada. O vocalista, outra figura exótica, clamou pela galera do "apartheid", segundo as palavras dele. No dia anterior, durante o show do Teenage Fanclub, o público já tinha se encarregado de transpor a barreira. Dessa vez, porém, foi oficial. Deu certo e todo mundo ficou logo embolado. O Ludov manteve o nível alto com seu pop assobiável, enquanto os curitibanos do Relespública fizeram melhor quando tocaram covers do The Who. Teve ainda o bom show dos pernambucanos do Mombojó, com regionalismo na dose certa, numa banda formada de garotos com jeito de veteranos. Boa novidade de Recife, que está sempre apresentando boas bandas para o Brasil.
A coisa estava esquentando e os gaúchos Frank Jorge, Wander Wildner e Flu fizeram um show impecável. Passearam por suas carreiras solos e pelo repertório das bandas Replicantes, Graforréia Xilarmônica e De Falla. No melhor do punk brega, eles fizeram o show brasileiro que teve a maior empatia com o público. Merecido reconhecimento por um trabalho de anos, com destaque para Wander Wildner, uma espécie de líder do projeto. E estava chegando a hora...
Para o grupo paulista Pin-Ups restou a ingrata tarefa de tocar logo antes do Pixies. A missão de superar o ótimo show do trio gaúcho já era árdua, imagine quando tem que segurar a atenção de um público que, sem hipocrisia, estava lá pelo show do quarteto norte-americano. Bem, o Pin-Ups fez um show razoável, mas todos queriam mesmo que a banda partisse do palco o mais rápido possível. E não adiantou a reclamação da guitarrista, clamando por palmas. O set da banda teve que ser reduzido, para que o Pixies pudesse entrar no horário marcado. Mas o intervalo entre o Pin-Ups e o Pixies foi longo. Meia hora, que parece razoável no relógio, mas torturante no tempo psicológico. Cada minuto parecia uma eternidade. E a organização do Curitiba Pop Festival não colaborou muito, pois colocou uma irritante trilha sonora durante todo o intervalo. Nem o mais "intelectual" dos críticos musicais podia aturar.
Mas o Pixies, enfim, entrou em palco. Ainda antes do tempo, às cinco para meia-noite. E veio "Bone Machine". Com este clássico que também abre o disco "Surfer Rosa", o Pixies mostrou que não estava para brincadeira. A platéia, ensandecida, cantou ainda mais alto que Frank Black, provocando olhares de satisfação trocados entre os componentes do Pixies. O estrago já estava feito. Restavam 27 músicas para serem cantados a plenos pulmões. Os espectadores se dividiam entre os atônitos, que não acreditavam no que estavam vendo, e os alucinados, que não paravam de pular. Basta dizer que, neste início do show, quem estava na frente do palco teve que pular muito para se manter em pé. A ordem era seguir o fluxo. A seqüência de músicas era realmente arrebatadora. Logo no início teve "Nimrod's Son", "U-Mass", "Crackity Jones" e as "latinas" "Isla de Encanta" e "Vamos". Uma atrás da outra. Ainda na primeira metade do show teve "Hey", favorita de muitos que provocou os mais belos coros da noite. O que falar então do trio de encerramento do show? "Tame", "Here Comes Your Man" e "Where Is My Mind". De encher os olhos de lágrimas. Como se não bastasse, o Pixies ainda voltou para um bis de quatro músicas, incluindo as espetaculares "Gigantic" e "Debaser", esta última pedida por todos.
Não, eles não decoraram frases idiotas em português. Não vestiram a camisa da Seleção Brasileira. E não arriscaram "homenagear" os brasileiros com passagens de "Aquarela do Brasil", "Garota de Ipanema" e congêneres. Ao invés de todos esses clichês que bandas estrangeiras adoram, o Pixies empurrou uma hora e vinte minutos de muito rock em 29 músicas. Tiraram fotos do público que ovacionou a banda do início ao fim, cantando de cabo a rabo todas as canções do set-list. Sorriram discretamente e trocaram olhares surpresos entre si. Pareciam superiores como os ídolos devem ser, sem se portarem como "posers" ao extremo. Não deram descanso à platéia, com intervalos de cinco segundos (quando muito) entre uma música e outra. E como foi prazeroso notar que Frank Black e Kim Deal deixaram as rusgas de lado, chegando inclusive a trocar confidências ao pé do ouvido.
Foi uma verdadeira aula de boa música. Impressiona como as músicas do Pixies soam atuais. Passaram-se 12 anos e eles continuam excepcionais, muito entrosados. É, eles entraram mudos e saíram calados, mas apresentaram um dos melhores shows que o Brasil já viu. O melhor que eu já vi, sem dúvida. Difícil de ser batido nos muito anos que ainda me restam.
** E o Discoteca Narcisista volta a rotina na quinta-feira da próxima semana, dia 20.
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por LEONARDO MAIA - 7:46 PM
Sexta-feira, Maio 07, 2004
* O Discoteca Narcisista volta na próxima segunda (10) (ops...terça!) com a cobertura do evento mais importante do ano: o Curitiba Pop Festival. Especial atenção, naturalmente, será dado a um favorito por aqui, o Pixies. Enquanto isso, umas dicas para quem está em Salvador:
SOTEROCK ENTRA NO QUARTO DIA
Já bem ambientado no calendário de rock da cidade, o Soterock entra na sua quarta edição neste sábado (8). O espaço é o mesmo: Clube de Engenharia, no Centro. A partir das 21h30, rola muita música com Dever de Classe, Vinil 69, Custo Zero e Enquanto Isso. Lembrando que o ingresso sai por seis reais e a cerva por dois reais.
ASSOCIAÇÃO MR. HARRY HALLER DE GRAÇA NO RIO VERMELHO
O Nhô Caldo, localizado no Rio Vemelho, próximo ao Largo de Santana, vai sediar neste mês de maio os shows da Associação Mr. Harry Haller e o Samba do Patinho Feio. Os eventos serão realizados quinzenalmente em parceria com o DJ Chiba e outros convidados. Na primeira edição, neste sábado (8), às 22h, os convidados são os DJs Boing e Barti. O evento é gratuito e vai começar pontualmente, segundo promete a banda, rolando até as 4 da matina. Para junho, a Associação Mr. Harry Haller já prometeu a realização da Feijoada Instrumental, em clima de São João.
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por LEONARDO MAIA - 8:04 AM
Quinta-feira, Abril 29, 2004
*Disco da Semana - A Dois (Ronei Jorge e Os Ladrões de Bicicleta)
O clima é de satisfação na cena de rock de Salvador. Sem pestanejar, podemos citar mais de 10 ótimas bandas locais, com trabalhos sérios e qualidade sonora acima da média. Em 2003, uma delas se destacou como a maior revelação do ano: Ronei Jorge e Os Ladrões de Bicicleta. Com um vocalista que já é mais do que conhecido por essas plagas, o Ronei Jorge do título (ex-Saci Tric), a banda tem apresentado um som maduro e que diverge um pouco do restante da cena local, misturando rock com MPB, jazz e samba. Tudo sem forçar a barra, amparado por excelentes instrumentistas e por letras inspiradas de Ronei, que é considerado um dos melhores compositores da nova geração. Decididos a registrar parte do repertório que vem sendo apresentado nas empolgantes apresentações, o grupo lançou este EP "A Dois", composto por quatro músicas. Aí está o problema. Ronei Jorge e Os Ladrões de Bicicleta já tem um farto repertório e, infelizmente, decidiu só colocar um pequeno aperitivo em CD. Valia, sem dúvida, um CD completo!
O lançamento do disco, no Theatro XVIII, foi a prova de que a banda conquistou de cara o público rocker de Salvador, que lotou o espaço em duas noites, deixando inclusive algumas dezenas de "sem ingressos" do lado de fora. Deste EP, o destaque mesmo fica com as três primeiras faixas, canções com insistentes quebras de ritmo, com riffs e solos de guitarra bastante originais. O vocal teatral de Ronei dá um tempero ainda mais inusitado à sonoridade da banda. A última música, a faixa-título "A Dois", não deixa de ser uma boa canção, mas não tem a mesma vibração das anteriores. É um pouco arrastada, mas traz toda dramaticidade que é peculiar à Ronei Jorge e Os Ladrões de Bicicleta. Se você gosta de misturas sonoras inteligentes e boas composições, está no caminho certo. Vale uma aposta.
OS BARBUDOS ESTÃO DE VOLTA - nota atualizada
Não mudando muito de assunto, já que a banda Ronei Jorge e Os Ladrões de Bicicleta guarda algumas semelhanças com o Los Hermanos, faz-se necessário anunciar que o grupo carioca está a caminho, mais uma vez. Em menos de um ano, está será a quarta vez que o Los Hermanos vai tocar em Salvador. A data parecia estar fechada: dia 14 de maio, mas parece que só vai rolar mais para o final do mês ou mesmo em junho. Algo está emperrando. Só se sabe que será na Concha Acústica, dentro do projeto "Sua Nota é um Show". A banda de abertura será a local Catapulta. E parece que os mineiros do Pato Fu estão vindo por aí, vamos aguardar...
HORA DE ANOTAR: PEDIDAS DO FIM DE SEMANA
Tá parecendo até jabá. Ronei Jorge vai aparecer aqui de novo. É que neste fim de semana, o grupo é uma das atrações do Soterock, que acontece no Clube de Engenharia (Av.Carlos Gomes), no sábado (1º), a partir das 21h30. Paquito & Os Falsos Baianos, A Grande Abóbora e o Tributo a Pink Floyd (Delta de Vênus) completam o cast de atrações da noite. O ingresso sai por seis reais. O Discoteca Narcisista sorteou cinco pares de ingressos para o show. Confira o resultado aqui. Bem, mas um dia antes tem lançamento de disco no Teatro Sesi (Rio Vermelho). A Big Bross Records coloca na praça o disco de estréia da Guizzmo, "Macaca!", projeto da dupla Vandex & Apú, que andava meio sumida. Vá preparado para o inusitado da dupla, que vai estar acompanhada de Mário Jorge na bateria, Ed no baixo e Magaren na percussão. Rola às 21h, por três reais. O disco vai ser vendido no local, por 12 contos. Ah, e tem também PELVs, na mesma sexta. Leia mais no post abaixo.
PARA A PRÓXIMA SEMANA
A melhor pedida para a próxima semana é o encontro Nancyta e Os Grazzers e Retrofoguetes, já tradicional nas noites roqueiras de Salvador. O lugar não poderia ser mais apropriado: o velho de guerra Calypso Heineken Station. Confimado para o dia 07 de abril, a partir das 23h, com o desembolso de sete reais. Promessa de casa cheia...
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por LEONARDO MAIA - 10:15 PM
Quinta-feira, Abril 22, 2004
*Disco da Semana - Grenade
Este é o quinto disco da banda paranaense Grenade. E é também o disco de estréia da banda. Como assim? É o seguinte: Rodrigo Guedes, vocalista e guitarrista da banda, por anos fez da Grenade a banda de um homem só. Tocando todos os instrumentos, cuidando da produção e distribuição do material, Rodrigo foi levando o seu projeto. Eis que em 2001 bate a solidão e Rodrigo resolve chamar alguns companheiros e montar uma banda nos moldes tradicionais. Aí que nasce a Grenade como conhecemos hoje. E este caprichado álbum homônimo é o primeiro desta segunda fase, lançamento de 2003. A produção é de qualidade e contou com a masterização do engenheiro de som americano Steve Fallone. Nada menos que o cara que masterizou o segundo disco dos Strokes, "Room of Fire", e já trabalhou com bandas como Sonic Youth e Luna.
Ao todo são 16 músicas assobiáveis,na esteira de feras como Rolling Stones, Beatles e Neil Young. "Turn The Page" é uma Vinheta de 50 segundos com melodia alegre e bela harmonia vocal. É a entrada, que faz jus ao prato principal iniciado com "Old Wish", que traz um riff grudento, no melhor estilo Rolling Stones. A passagem de "Old Wish" para "Rainmaker" é sutil, quase imperceptível. O nível continua alto e as guitarras dão logo o atestado de que serão os destaques do disco. A quarta faixa, "Gooday", é uma homenagem escancarada aos Beatles,fazendo referência a "Good Day Sunshine", canção do álbum Revolver, um dos melhores dos britânicos. Daí pra frente são mais 12 músicas, a maior parte delas gravadas ao vivo em estúdio. Vale destacar também a música "Top of My Head", que soa como David Bowie clássico. Até mesmo a voz de Rodrigo lembra a do velho camaleão. O Discoteca Narcisista vai ter a oportunidade de conferir mais de perto a performance da banda, no Curitiba Pop Festival. O Grenade vai tocar no mesmo palco do Pixies, na noite que promete ser a mais importante de 2004, pelo menos para este que vos escreve. Quem quiser conferir o trabalho dos paranaenses, só precisa entrar aqui e encomendar o disco.
**Resultado da promoção: Nélio Maciel Lopes Silva, Thiane Rodrigues, Wilson Brandão, Gabriela Ramos Almeida e José Eduardo Lopes enviaram e-mails e levaram pares de ingressos para o próximo Soterock. Os nomes dos contemplados vão estar na porta do evento, na lista para convidados. Necessária a apresentação da carteira de identidade.**
MAIS BANDAS BAIANAS EM FESTIVAIS PELO BRASIL
E as turnês de bandas baianas pelo Brasil afora continuam de vento em popa. Os grupos The Honkers e Los Canos, ambos do selo Frangote Records, foram confirmados na programação do Mada, importante festival que acontece na cidade de Natal entre os dias 20 e 22 de maio. Eles prometem fazer bonito ao lado da banda americana The Walkmen, que vem exclusivamente para o Mada, e das nacionais Sepultura (MG), O Rappa (RJ), Ramirez (RJ), The Automatics (RN), Gram (SP), Chico Correa Eletronic Band, Leela (RJ), entre muitas outras. Rrrroocckk!
PELVS FAZ ESCALA EM SALVADOR
Depois da Forgotten Boys dar uma paradinha antes de seguir para Recife, a carioca PELVs decidiu seguir o mesmo caminho. Antes de se apresentarem ao lado dos ídolos do Teenage Fanclub no Festival No Ar: Coquetel Molotov, em Recife, os caras fazem apresentação única no Calypso Heineken Station, no dia 30 de abril. A PELVs é veterana de estrada, tendo lançado três discos (todos pela midsummer madness) em 12 anos de carreira. A banda faz um som com referências ao indie rock, surf music e folk, com toques de psicodelia e muito barulho. Quem divide o palco com os cariocas é a local brincando de deus. Vale ressaltar que as duas bandas já tocaram juntas em duas outras ocasiões, no Rio de Janeiro. Os ingressos saem por 10 reais e vão estar sendo vendidos na São Rock. Lembrem que os ingressos do Forgotten Boys acabaram com dois dias de antecedência, ou seja, garantam logo as entradas para ver a PELVs.
ESSA É SOMENTE PARA FÃS
É fã de carteirinha dos Beatles e quer compartilhar a sua idolatria com outros beatlemaníacos? Bem, vamos dizer que seus problemas acabaram. Está sendo criado o Beatles Social Club, grupo que pretende reunir vídeos, discos, livros, fotografias, ou seja, tudo que lembra os garotos de Liverpool. Os encontros do clube vão acontecer mensalmente na Companhia da Pizza, Rio Vermelho, e as inscrições podem ser feitas pelo e-mail bscba@hotmail.com. Os cem primeiros sócios pagam 20 reais pela carteira, que depois passa a custar 30 reais. Além do direito de participar dos encontros, a carteira dá direito a descontos especiais na pizzaria.
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por LEONARDO MAIA - 9:29 PM
Quinta-feira, Abril 15, 2004
**Nota atualizada no dia 16 de abril**
>> Se liguem na promoção do Discoteca Narcisista e concorra a ingressos para o Soterock. Logo abaixo!
* Disco da Semana - Bossanova (Pixies)
Pixies de novo no Discoteca Narcisista. E não reclamem! O show no Curitiba Pop Festival está se aproximando e nada mais justo que homenagear a banda. Os dois mais importantes discos do grupo americano - "Doolittle" e "Surfer Rosa" - já figuraram por aqui. Agora chegou a vez de "Bossanova", outra obra-prima do Pixies, mesmo que não tão valorizada quanto os dois já citados. Contando com o EP "Come on Pilgram", este é o quarto disco da banda, aquele que simboliza o começo do fim. Durante as gravações do álbum, o vocalista Black Francis e a baixista Kim Deal já estavam se engalfinhando, o que culminou com o fim do grupo. Recentemente, como todos já sabem, eles resolveram colocar as diferenças de lado e voltaram à ativa. Vamos ver até quando dura. O atrito entre os dois principais componentes da banda pode ser dimensionado com a diminuição da participação de Kim Deal nos vocais. Se em "Surfer Rosa" a enigmática baixista emplacou uma música só sua ("Gigantic") e alguns antológicos backing-vocals ("Bone Machine", "Where´s My Mind"), neste "Bossanova" perde destaque, situação que ficaria ainda pior em "Trompe Le Monde", derradeiro álbum.
"Bossanova", apesar do nome, não traz influências deste estilo brasileiro de fazer música, mas carrega uma alta dose de surf music. Algumas das músicas mais viajantes do grupo estão neste disco. Algumas das mais estranhas também, como "All Over The World", "Stormy Weather" e "Havalina". Vamos dizer que "Bossanova", como o gênero brasileiro, carrega uma alta dose de elegância. Neste disco está uma das seqüências mais espetaculares da banda: "Alisson", "Is She Weird" e "Ana", com destaque pra as duas últimas, belíssimas e etéreas. Mas a banda ainda reserva algum peso, em ótimas músicas como "Rock Music", "Down On The Well" e "Hang Wire". Fica agora a expectativa de quais músicas o Pixies vai tocar na passagem pelo Brasil. Uma pista: no primeiro show da volta, em Minneapolis, eles ignoraram um pouco o disco e só tocaram "Velouria". Ouça o disco e torça por suas preferidas.
CONCORRA A INGRESSOS PARA O SEGUNDO SOTEROCK
O Discoteca Narcisista está sorteando cinco pares de ingressos para a segunda edição do Festival Soterock, que acontece no Clube de Engenharia (Av. Carlos Gomes), no dia 24 de abril. A música vai ficar por conta das bandas King Cobra, Uninvited, The Rolling Stones Cover e Arcanjo. Esta última banda é de Alagoas e está em Salvador há dois meses mostrando um pouco do seu pop-rock. Para concorrer, é só mandar um e-mail para leonardo.maia@ibahia.com, respondendo a seguinte pergunta: "Quais bandas participaram da primeira edição do Soterock?". Os cinco primeiros internautas que mandarem as respostas corretas, levam os ingressos. E não pode esquecer de colocar o nome completo. Os nomes dos contemplados estarão disponíveis em uma lista na porta do evento.
* Falando em ingressos, o Festival no Ar: Coquetel Molotov já colocou à venda as entradas para os shows das bandas Teenage Fanclub (Escócia), Hell on Wheels (Suécia), Pelvs (RJ), Parafusa (PE) e Profiterolis (PE), no dia 1º de maio. Os 1700 ingressos podem ser adquiridos na Internet, através do portal Fun By Net . Os ingressos custam 35 reais, na Internet.
RONEI JORGE E OS LADRÕES DE BICICLETA LANÇAM PRIMEIRO EP
Maior revelação do ano que passou, a banda Ronei Jorge e Os Ladrões de Bicicleta lança nos dias 21 e 22 de abril o primeiro EP. A mini-temporada de shows acontece no Theatro XVIII, às 20h30, e os ingressos são baratinhos: R$ 3,00. Com quatro músicas próprias, o disco "A Dois" está recheado do mais genuíno rock nacional, com influências do samba e jazz. A produção é de Gilberto Monte (tara_code e ex-Cumbuca) e a distribuição é da onipresente Big Bross Records. Durante os shows, o grupo vai estar gravando o primeiro videoclipe. Em breve, o Discoteca vai trazer "A Dois" como destaque. Mais informações aqui Imperdível.
DR. CASCADURA E BRINDE REPRESENTAM A BAHIA NO BANANADA 2004
O Bananada 2004, festival que rola entre os dias 21 e 23 de maio em Goiânia, confirmou as bandas baianas Dr. Cascadura e Brinde entre as atrações. Eles vão fazer bonito ao lado de grupos como Lemonheads (Estados Unidos), Ambervisions (SC), MQN (GO), Violins (GO), Wander Wildner (RS), Thee Butcher's Orchestra (SP), Mechanics (GO), entre outros. E a Brinde deve estar lançando seu novo disco ainda este mês. Não por acaso, o álbum sai pela Monstro Discos, que organiza o Bananada. O Dr. Cascadura faz show neste domingo (18), às 19h, no Porão Underground. Sai por cinco reais e tem a participação de Jessica Senra, responsável pela discotecagem. O Porão Underground fica na Barra, em frente à Pizzaria Panzone.
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por LEONARDO MAIA - 6:32 PM
Quinta-feira, Abril 08, 2004
* Disco da Semana - Take Them On, On Your Own (Black Rebel Motorcycle Club)
A banda californiana Black Rebel Motorcycle Club é mais uma descendente do rock britânico dos anos 80. Referências ao Jesus and Mary Chain, My Bloody Valentine e Stone Roses são claros no som do grupo, que ainda agrega valores do punk dos Stooges. Numa cena virtual do século XXI, o BRMC pode ser colocado ao lado da dinamarquesa The Raveonettes e da novaiorquina Interpol. Vale ressaltar, porém, que o BRMC não é tão barulhento quanto o primeiro e também não é tão sombrio quanto o último. De fato, este segundo disco da banda, "Take Them On, On Your Own", é mais "alegre" que o homônimo álbum de estréia. E também mais pesado. A qualidade do som da banda, que é muito bom mas nada de excepcional, ainda não a colocou entre os "hypes" do momento, o que é um ótimo sinal. Cansa quando falam muito de certas bandas, não é mesmo?
As letras são um caso à parte, bem elaboradas e carregadas de relacionamentos complicados e algum pessimismo. Tem um pouco de desconforto ("I don't fell at home in this generation(...) I've been feeling alone in this generation" - "Generation") e protesto ("I spit my faith on the city pavement, to keep a smile/ I bought my legs from the US Government to keep me in line" - "US Government"). Tudo regado às onipresentes e barulhentas guitarras, em excelente sintonia com o baixo e bateria. Peter Hayes e Robert Turner se revezam no comando dos vocais, guitarras e baixos, sendo que o primeiro guarda algumas semelhanças com Liam Gallagher, voz do Oasis. É só tirar um pouco da afetação do britânico. O outro Gallagher (Noel), inclusive, afirmou em 2001 que o BRMC era a sua nova banda preferida, o que ajudou bastante na promoção do grupo. A capa do disco é belíssima, não fosse o desrespeitoso símbolo de "Cópia Controlada" que mancha a arte original, na versão nacional. Vale ressaltar que na foto desta resenha, o símbolo não aparece. Não bastasse imprimir este imenso aviso na capa do encarte, resolveram estampar o logotipo também no próprio disco. Lamentável e desnecessário. Principais destaques do "Take Them On, On Your Own": "Stop", "Six Barrel Shotgun" (a melhor), "We´re All In Love"
e "Generation".
SOTEROCK MOSTRA QUE VEIO PARA FICAR
A noite com as bandas Veuliah, Nancyta e Os Grazzers, Retrofoguetes e Movidos a Álcool no Clube dos Engenheiros (Carlos Gomes) foi um sucesso. O local ficou lotado com roqueiros de diversas tribos, que foram prestigiar o primeiro evento de Jean-Claude fora do Calypso. O espaço em si é bastante agradável e possui uma área externa que desafoga um pouco o calor e fumaça. Sabe quando você tem que dar aquela saída do Havana ou Calypso para respirar? Pois é, por lá essas coisas ficam mais fáceis. O único porém fica por conta da qualidade do som, ainda abaixo do esperado. De resto, bons shows como era de se esperar, com destaque para o do grupo Nancyta e Os Grazzers, que conta com novo guitarrista na formação. André T resolveu se dedicar unicamente às produções, deixando a vaga para Tito, da Sociedade3Oitão. O novo componente respondeu à altura e mandou muito bem. O próximo Soterock já tem data marcada: 24 de abril, no mesmo local, com as bandas Uninvited, King Cobra, Rolling Stones Cover e a alagoana Arcanjo.
ÚLTIMO DIAS DO PRÊMIO ROCK INDEPENDENTE 2003
Bem, a votação está chegando ao fim. Até o próximo dia 16, os votos serão aceitos nas melhores lojas de rock da cidade (as indicadas ao prêmio), nos shows ou por e-mail (rockbahia2003@pop.com.br). Para lembrar as categorias, basta dar uma procurada alguns posts abaixo ou então dar um saque no El Cabong, Bahiarock e Musicbox. O resultado será divulgado no dia 16, no Calypso, e no dia seguinte, na Internet.
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por LEONARDO MAIA - 9:45 AM
Quinta-feira, Abril 01, 2004
*Disco da Semana - Vamos Biritar? (Movidos a Álcool)
Bandas inspiradas no universo etílico não são novidades na cena rocker. Em qualquer canto do Brasil, dá para achar exemplares dos amantes da velha e boa cachaça, que resolvem reverenciá-la por meio da música. Aqui mesmo no Discoteca Narcisista, uma dessas bandas já figuraram com destaque: a banda carioca Matanza. Ela difere bastante, porém, da baiana Movidos a Álcool, pois inclui no seu universo as brigas, as mulheres fatais e o clima do bang-bang americano. E ao contrário da porrada sonora do Matanza, a Movidos a Álcool reverencia mais o rock dos anos 80 (Raul Seixas, Camisa de Vênus) e a música brega (Nelson Gonçalves, Waldick Soriano, Amado Batista e congêneres). Aí é que está o calcanhar-de-aquiles. Esse é o ponto que leva umas pessoas a gostarem bastante da banda e outras a detestarem. As letras são bem-humoradas e feitas sob medida para serem cantadas em côro por um grupo de amigos bêbados. O vocalista Cachaça (principal compositor, ao lado do guitarrista Belvis) imprime um tom cafajeste à voz, como um velho boêmio, enquanto os instrumentistas são competentes, mesmo que não muito criativos. Esse disco de estréia, "Vamos Biritar?" traz 10 canções próprias e mais dois covers - "Morar no Brega", de Édel Reis, e "Bebo Todas", de Sílvio Max. Para quem curte rock brega, o Movidos a Álcool é uma boa pedida. Se você não curte muito, as coisas ficam realmente complicadas. Pelo menos faça o teste, vá ver o show que, além da música, traz elementos extras de humor e teatro. Ah, não se esqueça das obrigatórias cervejinhas na cuca.
THE HONKERS LEVA O 3º INDIE DESTAQUE
O prêmio Indie Destaque, promovido pela Midsummer Madness, premiou a banda The Honkers como revelação do ano, numa eleição junto aos seus internautas. Os caras não fizeram feio, conquistando 36,7% dos votos e colocando uma vantagem de quase 300 votos sobre o segundo colocado, o grupo goiano Barfly. Entre os outros baianos na disputa, o parceiro El Cabong ficou em terceiro (19,54%) entre os blogs e Rogério Big Brother levou a medalha de prata (28,02%) na categoria "Quem foi o indie de 2003?". Falando no assunto, o Prêmio Rock Independente 2003, uma promoção do Discoteca Narcisista em parceria com o El Cabong, Bahiarock e Musicbox, terá a votação encerrada no próximo dia 10. O resultado será divulgado no dia 16, no Calypso, no intervalo do Big Hits. No dia seguinte, é só conferir a lista nos sites citados acima.
MAIS UMA LISTA PARA GERAR POLÊMICA
Se tem uma coisa que a revista Rolling Stone adora é fazer listas dos melhores de todos os tempos. Desta vez, eles apontaram os 50 melhores artistas da história. Bem, na verdade, 55 personalidades (entre músicos, historiadores, executivos da indústria fonográfica e críticos musicais) escolheram os seus preferidos, celebrando o marco de 50 anos do rock. Para chegar nesta data redonda, a Rolling Stone escolheu 05 de julho de 1954 como o marco inicial. Esse foi o dia em que Elvis Presley gravou "That's All Right", no Sun Studio, em Memphis. O mais legal da lista são os textos escritos por outros artistas falando de cada um dos componentes do Top 50. Seguem os 10 primeiros, na ordem: The Beatles, Bob Dylan, Elvis Presley, The Rolling Stones, Chuck Berry, Jimi Hendrix, James Brown, Little Richard, Aretha Franklin e Ray Charles. Outros preferidos aqui do Discoteca figuram na lista: Led Zeppelin (14º), The Velvet Underground (19º), The Clash (30º), Neil Young (34º), David Bowie (39º), The Doors (41º), Janis Joplin (46º), entre outros. Confira a lista completa no site www.rollingstone.com
* Dica: a banda de Trash Metal Claustrofobia (São Paulo) toca neste domingo (4) no Teatro da Praia, a partir das 18h. Também estarão presentes as bandas Cobalto, Veuliah e Portal. Realização da ACCR.
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por LEONARDO MAIA - 9:27 PM
Terça-feira, Março 30, 2004
**Nota Extra**
CENTRO SEDIA MINI-FESTIVAL DE ROCK
Como todos já devem ter percebido, a situação de espaços para tocar em Salvador está crítica. Só não está pior porque o Calypso reabriu para o período de quinta a sábado, mesmo sem Jean Claude. Agora, outra casa do Rio Vermelho fechas as suas portas, desta vez para reformas. O Havana Music Bar deve receber uma boa faxina logo em breve, mesmo que alguns apostem que o bar não vai reabrir. Devia aproveitar também para rever a sua política de pautas, que tem afastado as melhores bandas da cidade, optando por eventos pouco interessantes. Espera-se que acidentes graves, como o que ocorreu com o vocalista da Soma, Rafael, não se repitam.
A necessidade de busca por outras opções é latente e o foco está voltado para o Centro. Neste sábado (3), as bandas Nancyta e Os Grazzers, Retrofoguetes, Movidos a Álcool e Veuliah tocam no Clube dos Engenheiros (Rua Carlos Gomes), em um evento - Soterock - promovido por Jean Claude Wolpert. Com capacidade para 400 lugares, o espaço pode se tornar uma referência do rock, contanto que preze pelo conforto, segurança e por um bom equipamento de som. O evento começa às 21h30 e o ingresso sai por seis reais.
* E o show do Forgotten Boys foi confirmado. Dia 16/04, no Calypso Heineken Station. Ingressos limitados a 10 reais.
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por LEONARDO MAIA - 6:15 PM
Quinta-feira, Março 25, 2004
* Disco da Semana - Absolution (Muse)
O destaque desta semana é irreprensível. "Absolution", terceiro disco da banda inglesa Muse (sem contar o ao vivo lançado em 2002), é excepcional, conquistando facilmente nota máxima na cotação do Discoteca Narcisista. Normalmente, não rolam notas por aqui, mas dessa vez não tem jeito: é 10. Vamos logo esclarecer uma coisa. O que você vai mais ouvir sobre esta ótima banda é que ela é muito semelhante ao Radiohead. E é mesmo, mas com bem mais peso e no auge da criatividade, ao contrário da banda do esquisito Thom Yorke. Os vocais são realmente parecidos, mas Matthew Bellamy tem suas caracterísiticas próprias, especialmente a respiração ofegante em muitas das músicas. Os barulinhos esquisitos e o apuro nas letras não poderiam faltar. Ouvindo "Absolution" com afinco, entretanto, você vai acabar achando mais diferenças do que semelhanças. Colocando as duas bandas lado a lado, dá para comparar a atual fase do Muse com o auge "OK Computer" do Radiohead. Tudo bem, o Radiohead deixou um pouco de lado a chatice de "Kid A" e "Amnesiac" e lançou o bom "Hail To The Thief", porém ainda está longe do ideal.
"Absolution" é excelente do início ao fim, deve-se esclarecer. Emocionante, faz uso de belos pianos (lembrando um pouco o Coldplay) com a mesma destreza que abusa de impressionantes e pesadíssimas guitarras. Por vezes, o peso na guitarra é tanto que parece metal. Na categoria mais singela, o destaque fica com "Sing For Absolution", que é de arrepiar. Na segunda categoria, tem a vibrante "Stockholm Syndrome", com uma bateria virtuosa e barulhentas guitarras. O mais interessante é que as duas músicas alternam peso e calmaria com uma naturalidade incrível. E ainda tem a apoteótica "Apocalypse Please", a nervosa "Time Is Running Out" e a pesada "Hysteria". Até o fim do álbum, outras pérolas ainda vão lhe impressionar. Bem, agora tenho que correr e modificar minha lista dos melhores de 2003!
PRÓXIMOS EVENTOS DO ROCK BAIANO
Shows para todos os gostos no sábado (28). No Havana Music Bar, as veteranas Dr. Cascadura e brincando de deus comemoram 25 anos de muito rock, o somatório das primaveras destas duas importantes bandas do cenário local. O DJ Messiah comanda a pick-up nos intervalos do evento, que sair por sete contos. Pra quem não está querendo mexer no bolso, a melhor opção é na loja São Rock (Shopping Yemanjá). Às 16h, a banda Los Canos, que acabou de chegar do Ruído Festival (RJ) e Mor Março (PB), é a convidada do projeto Matinê São Rock. Também no Rio Vermelho, no Idearium, vai rolar o SSA Rock Music Festival I, com a presença das bandas Lou, Eskaravelho, Coverage, The Hughes e Tributo (sic) Ao Korn. Por 5 reais, começando pontualmente às 19h.
* O evento com a banda Forgotten Boys, divulgado na post abaixo, não será mais no Havana. O bar vai passar por uma reforma estrutural (mais do que necessária). A Big Bross ainda não divulgou o novo local do show.
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por LEONARDO MAIA - 2:12 PM
Quarta-feira, Março 17, 2004
* Disco da Semana - Little Bell for Sing (LBFS)
Os discos podem ser encarados das mais diversas maneiras à primeira audição. Quando você já conhece e gosta da banda, a expectativa é grande, mas o resultado é diverso. Normalmente, a tendência é entrar de cabeça na audição, já com boa vontade. Se você gosta, o disco é logo colocado no hall dos melhores da coleção. Se ele lhe decepciona um pouquinho, você releva e evita comentários negativos ao extremo. Se você não gosta meu amigo, resta desviar o olhar para a discografia anterior. Bem, o mais interessante é quando você tem em mãos um disco nunca antes ouvido de uma banda que você pouco conhece ou não conhece mesmo. É difícil, mas tem vezes que ele soa tão familiar e agradável que você até esquece o teor de novidade do material. Normalmente, o disco demora a engrenar, ficando melhor (quando possível) a cada aduição. Lógico, há os casos de discos que são tão desinteressantes que fica difícil escutá-los pela segunda vez. Tudo isso serve para dizer que o disco de estréia do Little Bell For Sing (LBFS), banda baiana recém-formada, é daqueles que soam familiar desde os segundos iniciais. Tudo está tão encaixado que a simpatia pelo álbum é automática, sem grandes esforços.
A história do LBFS é bem interessante. Ao invés de se portarem como a grande maioria das bandas (alternativas ou não), que fazem shows e gravam discos após um certo tempo, o grupo preferiu se dedicar à feitura do disco, antes mesmo de pisarem em um palco. A estréia nos palcos, por sinal, já tem data marcada: próximo dia 20, no Havana Music Bar, ao lado da Soma. Como influência, a banda aponta Jeff Buckley, Radiohead, Travis, Smashing Pumpkins e Alice in Chains. A anunciada inspiração no britpop e grunge fica claro na sonoridade do LBFS. A melancolia, entretanto, não é latente como no britpop e o vocal, muito bom, não é arrastado como muitos do estilo. O disco começa bem com "So Easy", que traz peso e uma ótima utilização do violão. Mas a melhor música é a terceira, "If You Could See Me Now", com um excelente diálogo entre uma inventiva guitarra e uma virtuose bateria. Depois desta terceira faixa, fica a certeza de que o LBFS sabe usar a guitarra com a mesma destreza dos simpáticos violões. Essa certeza volta com a barulhenta "War", que ainda merece a atenção pelo baixo. Grata surpresa, a Little Bell For Sing enriquece ainda mais o cenário local. Agora falta apenas conferir o resultado ao vivo.
* Little Bell For Sing foi a trilha do Todos os Tons de segunda (15), que será reprisado nesta quinta (18), a partir das 19h. O programa vai ao ar na TV Salvador (canal 28-UHF e canal 36-NET).
FORGOTTEN BOYS TOCA EM SALVADOR
Rogério Big Brother ataca outra vez. Ano passado, ele trouxe um interessante leque de bandas alternativas brasileiras para tocar em Salvador. Este ano, Big Brother resolveu atacar com um dos maiores destaques do país no mercado alternativo, a banda Forgotten Boys. O punk rock alucinado dos paulistas faz uma escala em Salvador antes de partir para o Abril Pro Rock, em Recife. O grupo toca na festa Big Beats que rola dia 16 de abril, no Havana Music Bar. Como sempre acontece no Big Beats, dois djs completam a noite: Bramz e Fábio Cascadura. O ingresso sai por 8 reais. A realização do evento é uma parceria Big Bross-MTV Salvador.
TEENAGE FANCLUB E HELL ON WHEELS ESTICAM ATÉ RECIFE
A escocesa Teenage Fanclub e a sueca Hell On Wheels que, ao lado do Pixies, comandam o Curitiba Pop Festival, vão dar uma passadinha no Nordeste. Como sempre, Recife mostrou iniciativa e fechou um festival com estas duas bandas e mais duas atrações locais. Pois é, eles têm o Abril Pro Rock e ainda se dão ao luxo de fazer mais e mais. O evento acontece no dia 1º de maio e está sendo organizado pelo Coquetel Molotov, programa de rádio e site (www.coquetelmolotov.com.br). Pois é, só faltou o Pixies...
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por LEONARDO MAIA - 6:22 PM
Quinta-feira, Março 11, 2004
* Disco da Semana - So Much For The City (The Thrills)
A onda do revival está chegando a limites nunca vistos antes. As principais bandas do rock atual buscam inspiração em grandes bandas ou movimentos do passado. No caso da banda The Thrills, o caso vai ainda mais longe. O grupo é irlandês, mas soa mais americano que muito outros que andam surgindo por aí. O Thrills bebe na fonte sessentista norte-americana, evocando bandas como The Byrds e Beach Boys, além do quarteto Crosby, Stills, Nash e Young. É só pensar num cenário bucólico, bem ensolarado, com aquela sensação de felicidade. O vocalista Conor Deasy fez questão de abrandar o sotaque britânico e compôs canções simples, que trazem referências ao grupo Monkees e às localidades norte-americanas Las Vegas, Santa Cruz e Hollywood. O grupo estourou principalmente após o empurrão de Morrissey (vocal do finado Smiths), que fez questão de participar de um ensaio e convocou o grupo para abrir um show no mítico Royal Albert Hall, em Londres. A partir daí, Bono Vox (U2), Chris Martin (Coldplay) e os irmãos Gallagher (Oasis) resolveram fazer côro aos elogios. De fato, o grupo é bom, porém nada mais que isso. As cinco músicas iniciais, especialmente o trio "Santa Cruz (You're Not That Far)", "Big Sur" e "Don't Steal Our Sun", fazem a diferença no disco. Daí em diante, tudo fica muito repetitivo e cansativo, enjoando rapidamente. Não sou muito bom em dar notas, mas acredito que um 7 estaria de bom tamanho para "So Much For The City".
* O álbum de estréia do The Thrills é a trilha sonora do Todos os Tons desta quinta (11), a partir das 19h. Rolam também clipes de Ben Harper, Arnaldo Antunes, Fatboy Slim, U2, John Frusciante, entre outros. A TV Salvador vai ao ar no canal 28 (UHF) e 36 (NET).
HISTÓRICO: PIXIES NO BRASIL
Foram dias e mais dias em uma agonizante espera. No final, tudo deu certo. O Pixies está confirmado no Curitiba Pop Festival e vai tocar no dia 08 de maio. Agora a idéia é procurar passagens baratinhas nos vôos corujões, que realmente surgiram em ótima hora. Além da genial banda de Boston, em sua formação original, o CPF traz a banda escocesa Teenage Fanclub, outra grande do mercado alternativo. Desde já, esse pode ser considerado o maior festival indie que o Brasil conheceu. A assinatura do contrato foi possível graças à baixista Kim Deal, que esteve com o Breeders na primeria edição do festival. Ela insistiu junto aos empresários e conseguiu fechar essa data única na América Latina. Obrigado, Kim Deal. Abaixo, a escalação oficial do festival. Mais informações no site www.curitibapopfestival.com.
Dia 07 de maio - No Milk Today (Curitiba), Kingstone (Curitiba), Pipodélica (Florianópolis), Íris (Curitiba), Sonic Jr. (Alagoas), Hell on Whells - (Suécia) e Teenage Fanclub (Escócia).
Dia 08 de maio - Tarja Preta (Curitiba), Poléxia (Curitiba), Grenade (Londrina), Excelsior (Curitiba), Autoramas (Rio de Janeiro), Pelebroi Não Sei (Curitiba), Ludov (São Paulo), Relespública (Curitiba), Mombojó (Recife), Frank Jorge + Flu + Wander Wildner (Porto Alegre),Pin Ups (São Paulo) e Pixies (EUA).
THE HONKERS MAIS UMA VEZ NA ESTRADA
Depois da turnê no Centro-Sul, que abalou as estruturas, a banda The Honkers segue para o Nordeste. Eles tocam no festival "Mor-março", que acontece nos dias 13 e 14 de março, em João Pessoa (PB). Quem também vai estar lá é a banda Los Canos, que volta de outro evento - Ruído Festival, no Rio de Janeiro. Aproveitando o pulo na Paraíba, o Honkers também acertou uma data em Recife. Na volta, lá pro dia 03 de abril, a banda participa do Metropolitan Rock Festival, em Simões Filho. E os festivais estão rendendo bons frutos para as bandas locais. O grupo Nancyta e Os Grazzers recebeu o mais garbosos elogios pelo show no Ruído Festival. Numa noite em que a local Matanza prometia dominar, os Grazzers roubaram a cena. E quem venham mais festivais!
**Não esqueça de votar nos melhores do ano na Bahia pelo e-mail rockbahia2003@pop.com.br. Confira os indicados quatro posts abaixo.
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por LEONARDO MAIA - 6:46 PM
Quinta-feira, Março 04, 2004
* Disco da Semana - My Pain and Sadness Is More Sad and Painful Than Yours (Mclusky)
Primeiro: se você gosta de Pixies, vai gostar de Mclusky. Esta referência me levou à compra deste disco e não houve qualquer tipo de decepção. Se você gosta ainda mais das músicas mais piradas e eletrizantes do Pixies, aí nem se fala. Vai gostar muito de Mclusky. Saquem só as frases que já foram proferidas sobre o grupo: "O Mclusky vai se transformar na maior banda de rock do mundo nos próximos anos"; "O Mclusky é um Nirvana em estado embrionário e pronto para reconquistar multidões para o rock"; "O Mclusky será o Pixies do ano 2000". Pode parecer exagerado, e é, mas dá uma mostra de como o trabalho desta banda é bom. Eles soam como americanos dos anos 90, que viveram numa geração do Pixies, Sonic Youth, Pavement. São, porém, do País de Gales, num interessante contraponto ao britpop lá imperante. Já lançaram dois discos, sendo que o mais recente ("Mclusky Do Dallas") já chegou ao Brasil. Este segundo álbum, inclusive, foi produzido por Steve Albini, profissional responsável pela feitura de dois clássicos álbuns: "Surfer Rosa" (Pixies) e "In Utero" (Nirvana). Mas o álbum participante do Discoteca Narcisista é o de estréia, "My Pain and Sadness Is More Sad and Painful Than Yours", que foi lançado originalmente em 2000 e relançado no ano passado, após o sucesso de "Mclusky Do Dallas". São 15 músicas que raramente passam de três minutos, sendo que algumas delas - "Joy", "Rice Is Nice", "Mi-O-Mai" - são tão curtas que parecem vinhetas. Mesmo curtas, são porradas sonoras de dar inveja, seguindo a cartilha punk. "Joy" traz vocais rasgados, instrumental pesadíssimo, com guitarras sujas no melhor estilo indie rock. "She Come in Pieces" tem um espetacular riff de guitarra, com uma bateria pesadíssima e os vocais gritados a todo vapor. Já "Friends Stoning Friends" tem momentos em que o vocalista soa quase idêntico a Frank Black. "When They Come Tell Them No" traz aquelas introduções de baixo que viraram marca registrada do Pixies. Mesmo que a maior parte do disco seja pesado, ainda dá para encontrar faixas mais singelas, como "Flysmoke", que flerta mais com o britpop. Os shows, pelo que andam falando, costumam durar até meia hora, tamanha a barulheira que o Mclusky proporciona. Dizem que esse é o tempo seguro para a platéia agüentar o tranco...
*O disco de estréia do Mclusky é a trilha sonora do Todos os Tons inédito que vai ao ar na segunda (8), na TV Salvador (canal 28 - UHF e canal 38 - NET). Confira também clipes de Metallica, Red Hot Chilli Peppers, Foo Figthers, Offspring, entre outros. O programa vai ao ar às 18h50.
MAIS UM PRÊMIO INCLUI NOMES BAIANOS
Desta vez foi o Prêmio Dynamite de Música Independente que divulgou a lista de indicados para os melhores de 2003. Aqui, vocês conferem quais são os representantes baianos. Para saber mais e votar nos seus preferidos, visite o site www.dynamite.com.br. Na categoria "Álbum de Rock", Pitty disputa com pesos pesados como Los Piratas (SP), Acústicos & Valvulados (RS), Autoramas (RJ) e Matanza (RJ). O veterano Tom Zé está entre os candidatos a "Melhor Álbum de MPB", batendo de frente com Mundo Livre S/A, Domenico + 2, Jair Oliveira, entre outros. Os baianos da Automata garantiram uma vaga na categoria "Revelação", enquanto o finado (mesmo?) Calypso briga pelo troféu de "Melhor Casa de Shows Alternativos". O programa de rádio Punkada Rock (Metrópole FM) foi também lembrado pelo Prêmio Dynamite. Fechando a ala dos baianos, ainda tem duas indicações para a Associação Cultural Clube do Rock (ACCR): "Melhor Evento" para o Palco do Rock e "Personalidade 2003" para a dupla que comanda a ACCR, Sandra de Cássia e Gabriel Amorim.
ABRIL PRO ROCK FECHA GRADE DE ATRAÇÕES
O mais famoso festival alternativo do Nordeste já divulgou as atrações para a edição 2004, que rola de 16 a 18 de abril. Entre os destaques brazucas, figuram apenas duas presenças internacionais, Vive La Fete (Bélgica) e Destruction (Alemanha). Confira abaixo a lista completa de atrações:
16 de abril - Marcelo D2 (RJ), Vive La Fete (Bélgica), Dj Dolores: Aparelhagem (PE), Karine Alexandrino (CE), CYZ (Cinthya Zamorano) (PE) e MM Dub (PE)
17 de abril - Ratos de Porão (SP), Krisiun (RS)/ Destruction (Alemanha), Eminence (BH), Forgotten Boys (SP), Switch Stance (CE), Maldita (RJ), Lava (SP), Insurrection Down (PE) e Vamoz! (PE)
18 de abril - O Rappa (RJ), Pitty (BA), Los Sebosos Postizos (PE), Cabruêra (PB), Mombojó (PE), Suvaca di Prata (PE), A Roda (PE), Mula Manca e A Triste Figura (PE).
**Não esqueça de votar nos melhores do ano na Bahia pelo e-mail rockbahia2003@pop.com.br. Confira os indicados três posts abaixo.
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por LEONARDO MAIA - 6:29 PM
Quarta-feira, Março 03, 2004
**Nota Extra"
Matéria enviada pela internauta Dinnie Ribeiro, estudante de Jornalismo da FSBA.
REDUTO DO ROCK SOBREVIVE
Por Dinnie Ribeiro *
Os fãs da música alternativa em Salvador não mais precisam ficar tristes. Apesar de todas as notícias e festas que anunciaram o fim do Café Calypso Heineken Station, no Rio Vermelho, este continuará funcionando, foi o que afirmou Maria de Lourdes Oliveira, proprietária do bar. De acordo com a "Tia Lú", como é conhecida a anfitriã, o bar deveria fechar as portas como anunciado, devido ao desfecho de sua sociedade com o seu ex-marido Jean Claude, sociedade esta que faria sete anos no dia 25 de maio próximo. "Agora deixo de ser 'Tia Lú', para ser 'Mãe Lú'. Não posso deixar os filhos do rock órfãos", foi o que disse a, agora, única proprietária, que encara com afinco o desafio de levar o bar à frente.
A noticia do término não se tratou de uma jogada de marketing, diz ainda a proprietária. "O motivo do desfecho da sociedade é de cunho pessoal, só diz respeito a mim e a um círculo restrito de amigos. O Calypso ia fechar! Eu tinha propostas para outras produções, assim como Jean Claude tem. Infelizmente ou felizmente não deu certo para mim e eu decidi continuar com a casa". Sorte de um número restrito, mas fiel de freqüentadores que se viam desamparados musicalmente desde a última das várias despedidas proporcionadas pelo Café.
O músico Gilmar Cabral, freqüentador assíduo do bar se dizia triste pelo fechamento e feliz com a notícia da reabertura: "acho muito legal a intenção de não fechar, pois é o cenário mais underground de Salvador! Já fecharam tantos...", exclamou. E não foi apenas os fãs e os boêmios alternativos da cidade que sofreram com o proclamado fim do Calypso. Os comerciantes locais já previam a queda das suas vendas e constataram isso no último final de semana, como afirmou o atendente da lanchonete "Sanduba Show", Alessandro Barbosa e a baiana do "Acarajé da Dinha", Claudia de Assis. "Muitas pessoas me perguntaram sobre o funcionamento do Calypso nestes últimos dias, apesar do carnaval. Se fechar mesmo, muita gente vai deixar de vir aqui", disse a baiana.
"Se depender do Calypso as pessoas continuarão a freqüentar o Rio Vermelho", diz, orgulhosa, Tia Lú. "A programação dos próximos finais de semana já esta quase toda definida. Na sexta feira próxima haverá show com as bandas Lilit e Vinil 69, no sábado a Banda Cobalto se apresentará com convidados e para o final do mês já é confirmado um show com a Banda King Cobra". Como reza a lenda, o rock nunca morre! E tal como Elvis, o Calypso não morreu!
* Estudante de jornalismo FSBA
**Não esqueça de votar nos melhores do ano na Bahia pelo e-mail rockbahia2003@pop.com.br. Confira os indicados dois posts abaixo.
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por LEONARDO MAIA - 2:28 PM
Quinta-feira, Fevereiro 26, 2004
* Disco da Semana - Eletric Ladyland (Jimi Hendrix)
Em outra ocasião, já havia anunciado "Axis: Bold As Love" com o meu disco preferido na discografia do mestre Jimi Hendrix. Não mudei de idéia, mas tenho certeza de que qualquer amante da música que se preze precisa ter este e outras duas obras-primas do músico: "Are You Experienced?" e "Eletric Ladyland". O mais impressionante é que os três clássicos do rock foram lançados entre 1967 e 1968. Dá pra imaginar isso nos dias de hoje? Bem, "Eletric Ladyland" desenrola-se em uma hora e 15 minutos, transformando-se no mais complexo exemplar da discografia Hendrix. Depois da introdução nonsense que sempre abre os discos, vem "Have You Ever Been (To Eletric Ladyland)". Singela, é um do melhores exemplos da psicodelia deste que para muitos é o melhor guitarrista da história. Assim como "Spanish Castle Magic" mostrou em "Axis: Bold as Love" o quanto Jimi pode ser "hard", "Crosstown Traffic" cumpre bem este papel em "Eletric Ladyland". E ainda ganha mais força por fazer a ponte entre a psicodelia da primeira música e a bluesy "Voodoo Chile". Uma das músicas mais impressionantes de Hendrix, "Voodoo Chile" traz estupendos solos de guitarra, um baixo vigoroso e um teclado que duela de modo competente com todos os instrumentos. É a típica música que parece que não vai terminar nunca e sempre traz novas e surpreendentes reviravoltas. São 15 minutos de um rock de ponta. Ainda tem "Burning on The Midnight Lamp", "Gypsy Eyes", "Voodoo Chile (Slight Return)", as empolgantes "Come On, Pt.1" e "Still Raining, Still Dreaming", além da ótima regravação de "All Along The Watchtower", de Bob Dylan. Podem colocar em posição privilegiada entre os grandes clássicos do rock.
ÓRBITA ZERO RECEBE CONVIDADOS ESPECIAIS
Numa ótima iniciativa que une o rock da periferia com a "galera do Rio Vermelho", a banda Órbita Zero recebe ótimos convidados na Danceteria Pop Dance (R. Carlos Gomes, nº 31 - Centro, no Clube de Engenharia). O local é excelente para sediar bons shows de rock e a cobrança é de apenas cinco reais, sem consumação mínima. Confira a agenda para o mês de março: 05/03 - Órbita Zero, Los Canos e Birds of The Holly Ville; 12/03 - Órbita Zero, Vinil 69 e Soma; 19/03 - Órbita Zero, Alfa Blue e The Honkers; 26/03 - Órbita Zero, Alfa Blue e Persona Non Grata.
DUAS BANDAS BAIANAS NO RUÍDO FESTIVAL
Nancyta e Os Grazzers e a Los Canos tocam na primeira noite do Ruído Festival, que entra na terceira edição nesta sexta (27), finalizando as atividades no domingo (29). O evento tem contado com um bom apoio da mídia do Sudeste e vai receber ampla cobertura da MTV, com a baiana Érika Martins (Penélope) como âncora. Entre as boas atrações confirmadas, estão Matanza (RJ), Walverdes (RS), Ludov (SP), Leela (RJ), Forgotten Boys (SP), Estrume'n'tal (MG) e Los Pirata (SP). Aproveitando que estamos falando do mundo indie, entrem no www.mmrecords.com.br e escolham os melhores do ano em diversas categorias. A banda The Honkers concorre na categoria "Banda Revelação" e o El Cabong (http://elcabong.blogspot.com) disputa o troféu de "Melhor Blog".
**Não esqueça de votar nos melhores do ano na Bahia pelo e-mail rockbahia2003@pop.com.br. Confira abaixo os indicados.
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por LEONARDO MAIA - 5:04 PM
Quinta-feira, Fevereiro 19, 2004
**Nota Extra** - PRÊMIO ROCK INDEPENDENTE 2003 - votem por e-mail
Como já foi divulgado, o Discoteca Narcisista, ao lado dos sites El Cabong, Musicbox e Bahiarock, está promovendo o Prêmio Rock Independente Bahia (Versão 2003), com o intuito de eleger os destaques do ano passado na cena local. As cédulas de votação estarão disponíveis nos principais shows de rock da cidade e nas lojas independentes do ramo (Berinjela, Maniac, Mutantes, Pérola Negra, São Rock). Outra opção e mandar as suas escolhas para o e-mail rockbahia2003@pop.com.br. Não esqueça de colocar nome completo, endereço, RG e telefone para contato. Sem estes dados, o seu voto não será computado! Aguarde novidades! Abaixo, seguem os indicados:
*Banda - livre escolha
* Disco - Adcional; Automata; Drearylands ("Heliopolis"); Jurema; The Honkers ("Between The Devil..."), Los Canos ("O Meu Hobby é Te Amar"); Movidos a Álcool ("Vamos Biritar"); Plexus; Soma & danteinferno; Zambotronic ("Eu Não Tô no Top Ten")
* Selo - Big Bross; Estopim; Frangote; Maniac; Radioative Hippies
* Revelação - Adcional; A Grande Abóbora; Automata; Los Canos; Mutation Lb; Ronei Jorge e Os Ladrões de Bicicleta
* Banda Ao Vivo - Drearylands; The Honkers; Nancyta e OS Grazzers; Retrofoguetes; Soma; Zambotronic
* Evento - Big Hits; Mad Zoo; Musicbox; Outono Alternativo; Rock Yemanjá; Sexta Básica
* Site - Bahiarock; El Cabong; Discoteca Narcisista; Musicbox, Reidjou
* Veículo de Comunicação - Curto-Circuito (Transamérica FM); Punkada Rock (Metrópole FM); Rádio Facom; Rock em Geral (Educadora FM); Todos os Tons (TV Salvador)
* Espaço para Show - Blue House; Calypso; Galeria do Rock; Havana; SESI; Teatro da Praia
* Loja - Berinjela; Maniac; Mutantes; Pérola Negra; São Rock
* Show de Banda Visitante - Autoramas; Dance of Days; Estrume'n'tal; Holy Sagga; Vamoz!; Violins
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por LEONARDO MAIA - 1:00 PM
Quinta-feira, Fevereiro 12, 2004
* Disco da Semana - Yankee Hotel Foxtrot (Wilco)
Muito já se falou sobre este quarto trabalho da banda norte-americana Wilco, lançado em 2002. O disco ficou um ano no limbo e foi rejeitado pelo selo Reprise (propriedade da gravadora Warner), que deu um pé na bunda desta que é uma das mais interessantes bandas alternativas da terra do Tio Sam. A Warner julgou que o álbum era anti-comercial e criticou a mudança na sonoridade do grupo. Assim como os brasileiros do Los Hermanos foram massacrados pela Abril Music quando trocou a "Anna Júlia" do álbum de estréia pela elaborada sonoridade do "Bloco do Eu Sozinho", o Wilco não foi compreendido pela Reprise. Este mesmo selo já pressionou o mito Neil Young nos anos 80, não aceitando mudanças. Bem, o disco não vingou em 2001, sendo divulgado apenas na Internet, e acabou chegando às lojas pela Nonesuch Records que, ironia do destino, é distribuída pela Warner. Não dá para entender como tamanha gafe foi cometida, pois "Yankee Hotel Foxtrot" é um ótimo disco. E não é anti-comercial. Faça um teste: coloque o disco para tocar num ambiente tranqüilo, com algumas pessoas desavisadas, e veja como flui bem. Tirei a prova e não deu outra: elogios foram lançados à obra. Não conheço os discos anteriores do grupo, mais voltados para o estilo conhecido como "alt-country". Depois deste belíssimo álbum, o vocalista Jeff Tweedy passa a merecer uma olhadela mais detalhada no trabalho que lidera. Quer conhecer o "alt-country"? Procure Wilco e Ryan Adams, este último uma espécie de líder deste "movimento". Como já disseram, "Yankee Hotel Foxtrot" é mais "alt" e menos "country". É um som mais etéreo, que não é exatamente pop, mas soa tão bem aos ouvidos... Você vai encontrar barulinhos estranhos, algumas experimentações eletrônicas e belas letras que falam de vida urbana e amor. Não é muito afeito a comparações, mas pode-se achar ecos dos Beatles, Byrds e Greateful Dead. Tudo bem encaixadinho, num resultado que dá gosto de ouvir. E podem esperar, pois a tendência é de que você passe a gostar mais do disco a cada audição. Destaques? "Kamera", "War on War", "Jesus Etc.", "Heavy Metal Drummer" e "I'm The Man Who Loves You".
QUER OPÇÃO NO CARNAVAL? TENTE O PALCO DO ROCK!
Mesmo sem contar com o apoio da Prefeitura e da Emtursa, o Palco do Rock apresenta alternativas para aqueles que não curtem o Carnaval dito tradicional. Este ano, a Associação Cultural Clube do Rock (ACCR) pretendia dar ao evento um caráter social, com a doação de alimentos, mas, sem o apoio institucional, a possibilidade foi descartada. Para entrar, o "folião" vai ter que desembolsar cinco reais por dia ou adquirir um passaporte para quatro dias, no valor de 15 contos. O evento rola de sábado a terça, sempre a partir das 17h. Entre as atrações confirmadas estão as bandas Eskaravelho, Lou, Movidos a Álcool, Cobalto, Sentinela 12, Mundo Tosco, Uninvited e Ulo. De fora, estão presentes os grupos Alma (Ceára); Drowned (Minas Gerais); Kamikaze (Camaçari); TMD (Alagoas); Canelas de Cachorro e Sem Destino (Brasília); Mutucore, Charcot e Kbrunco (Serrinha); Uscomipexe (Ilhéus). Para saber mais: www.accr.hpg.com.br.
ANTES DO CARNAVAL, O FIM DE SEMANA FERVE
De início, basta dizer que este fim de semana é histórico para o rock baiano. Depois da loucura e dos momentos de catarse no show organizado por Pitty, no dia 03 de fevereiro, o Calypso chega aos seus derradeiros momentos. Quinta (12), às 22h, tem o show "Me Empresta o Afinador...", com as bandas Soma, Rewinders e Los Canos. Na sexta (13), o dia do enterro do bar mais rock and roll da Bahia, a bagaceira toma conta do palco: Os Mizeravão, Dr. Cascadura, King Cobra e Custo Zero. Depois daí, adeus Calypso. Bem, fora o Calypso, ainda tem Radiola no Havana, também na sexta, ao lado do Canal Zero. Homem paga cinco reais de entrada mais cinco de consumação. Mulher entra de graça. O mesmo Radiola toca de graça, desta vez para todos os sexos, no sábado (14), na Barraca Cocoloco (Praia de Ipitanga). Neste mesmo dia, o The Honkers lança o segundo EP, "Underground Music For Underground People (Covered By One Overground Band)", no Havana. Façam suas escolhas!
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por LEONARDO MAIA - 3:03 PM
Quarta-feira, Fevereiro 04, 2004
* Antes de qualquer coisa, peço desculpas pelo longo tempo em que o Discoteca Narcisista ficou sem atualização. Estive envolvido no Festival de Verão e tive que dispensar dedicação exclusiva ao evento. Agradeço a compreensão e sigo o rumo natural das atualizações!
BONS SHOWS MARCAM O FESTIVAL DE VERÃO
A sexta edição do Festival de Verão já pode ser considerada a melhor de todas, levando em consideração o palco principal do evento. Os espaços secundários decepcionaram pela estrutura pobre, completamente ofuscados pelo belo Palco 2004. Antes de enumerar minha impressões, é importante ressaltar que trabalhei na transmissão da TV Salvador e não pude assistir a todos os shows. Também não deu para dar uma olhada detalhada no Palco Pop e Tenda Eletrônica, por estarem afastadas do set da TV Salvador. Mas vamos lá, por dia:
Quarta
Se a primeira impressão ficasse, o Festival de Verão 2004 deixaria uma ruim no ar. Colocar a chatíssima LS Jack para abrir não foi uma boa idéia. Ainda bem que o show só durou 45 minutos. O sofrimento acabou não sendo amenizado de modo satisfatório, pois o Jota Quest entrou logo em seguida. Confesso que ignorei o show dos caras, pois abomino esta que é uma das piores bandas do Brasil. Em seguida, entram outros mineiros, do Skank. Bom show, com a enxurrada de hits do grupo e as competentes músicas do "Cosmotron". O mais legal é que o Skank está deixando os instrumentos de sopro um pouco de lado. Eles não sabem usá-los como o Los Hermanos, melhor ficar no básico guitarra-baixo-bateria. Em seguida, a Timbalada colocou o Parque de Exposições inteiro para balançar. É impressionante, mas as bandas baianas sempre são responsáveis pelos momentos de catarse do evento, pelo menos para a grande maioria do público. Entre as bandas baianas de axé, considero a Timbalada a mais competente de todas, com um show acima da média. Depois, sobraram as bobagens de Claudinha e sua Babado Novo. Belas pernas da garota, só isso. Vale registrar que a violência incomodou bastante nesse dia, com vários registros de assaltos, além das constantes brigas. Ao que parece, o policiamento este ano foi menos ostensivo e pouco eficiente. Revistar o público na entrada ou colocar detectores de metais pode ser uma solução ao menos intimadora.
Quinta
Se a quarta começou mal, a quinta teve um início de gala com a banda carioca Los Hermanos. O show, entretanto, foi curto demais, deixando todos com uma vontade de quero mais. Colocar a melhor banda nacional para abrir a noite foi uma decisão incorreta e tirou pelo menos 30 minutos de show. A apresentação de 45 minutos privilegiou o disco "Ventura", com alguns indispensáveis sucessos dos álbuns anteriores ("Sentimental", "A Flor", "Retrato pra Iaiá", "Tenha Dó", "Quem Sabe"...). Quinta apresentação que assisto dos caras desde setembro/2003, a mais fraca de todas, ainda assim muito boa. Depois teve Titãs, numa performance que tirou uma pulga que estava há tempos atrás de minha orelha. Não admirava nem um pouco esta fase pop do grupo e vê-los abraçar de novo a sonoridade rocker me deixou bem mais feliz. O disco novo colabora, mas o peso ficou claro nos arranjos dos antigos sucessos. Ponto para os caras. O bom humor foi embora com a insuportável Paula Toller. Não entendo como o Kid Abelha agrada tanto ao público, mas o fato é que este momento acaba sendo o preferido dos enamorados e dos sensíveis. Um porre. Depois sobrou tempo para o axé do Asa de Águia, liderado pelo doido Durval Lélys, e o fraco Araketu.
Sexta
O dia rock'n'roll prometia. No Palco Pop, as bandas baianas Nancyta e Os Grazzers, Dr. Cascadura e Brinde, com a inusitada companhia da Nitro (Rondônia), reuniram o maior público do espaço até então. Não pude assistir aos shows, mas soube que todos foram excelentes. Vale destacar a participação de Pitty no show de Nancyta. No Palco 2004, o dia começou com um atraso de 45 minutos e Carlinhos Brown no palco. Confesso que admiro os dois primeiros discos de Brown, mas não estou suportando esta nova fase. Fora que quando ele resolve discursar, sai de baixo. O show foi o mais longo e um dos mais chatos do festival. Triste. Rita Lee entrou no palco em seguida, mostrando um vigor de dar inveja e uma banda de apoio excelente, que inclui o marido Roberto Carvalho e o filho Beto Lee. Além do simpático hit "Amor e Sexo", não poderiam faltar sucessos dos tempos do Mutantes, Tutti-Fruti e da carreira solo. O mais surpreendente foi o cover do Ramones ("I Wanna Be Sedated"), com Rita travestida de Marky Ramone. Genial e empolgante. Os Paralamas do Sucesso fizeram um show debaixo de muita chuva, contando com a participação especialíssima de Andreas Kisser (Sepultura) nas guitarras. Mais um momento mágico do festival. O quarto show da noite era o mais esperado: Sepultura. Uma porrada nos ouvidos, com o público de Salvador mostrando que sabe receber um bom show de metal. Esse mito de que show de rock não vende por aqui está caindo por terra. A chuva atrapalhou, mas o público pouco ligou. O único porém ficou por conta do totem de publicidade, que quase cai em cima do público. A segurança rapidamemente isolou a área e o Sepultura pode terminar o ótimo show. Devido ao tempo ruim e às más condições do palco, o show de Marcelo D2 foi cancelado. Triste fim para uma ótima noite, que ainda prometia som dos bons com D2.
Sábado
O dia em que o Camisa de Vênus voltou após um hiato de sete anos veio recheado de atrações singulares. Pop reggae, axé, samba e pagode. Lá no meio, perdido, estava o punk rock do Camisa. Decisão pouco acertada da organização do evento, que acabou afastando um pouco o público rocker. Se na noite anterior eles eram maioria, nesta perdiam feio para os pagodeiros tão detestados pelo ícone Marcelo Nova. No final das contas, tudo deu certo. O Camisa bagunçou e criticou a música de massa, mas deixou os ataques diretos de lado. A noite começou com um bom show de Margareth Menezes, que trouxe Alcione e a Mangueira a tiracolo. Animação solta e muita emoção em sucessos como "Viver". Zeca Pagodinho segurou bem a bola e cantou os principais sucessos do disco Acústico, acompanhado de toda sua banda. Figuraça, Zeca chamou ainda ao palco o trio Caetano Veloso-Gilberto Gil-Daniela Mercury. Em seguida, o Cidade Negra resolveu inovar no repertório e abusou nos covers. Todos já notaram que a banda de Toni Garrido é hoje baiana, fazendo mais shows por aqui que as locais Asa de Águia e Chiclete com Banana. Como o repertório ficou conhecido de trás pra frente, eles resolveram cantar 12 músicas de outros grupos, incluindo Legião Urbana e, claro, Bob Marley. Boa pedida para quem já está cansado do Cidade. Eis que chegou então a hora mais esperada. Showzaço do Camisa de Vênus, possivelmente o melhor de todo o Festival. Calaram a boca daqueles que não confiavam no retorno do grupo, que mostrou todo o vigor necessário para um bom revival. Todos os sucessos estavam lá, entoados pelos fãs das antigas e também pelos mais novos, como uma garota de 14 anos que sabia as músicas inteiras. Fiquei meio em transe, observando o show sem mexer o corpo, enquanto fãs alucinados pulavam por todos os lados. Valeu Camisa e boa sorte na nova fase. Depois, as porcarias Harmonia do Samba e Psirico, que não merecem comentários.
Domingo
Se quarta foi o dia mais cheio e violento do Festival de Verão, o domingo foi o mais caótico. Milhares de fãs histéricas brigavam por cada espaço em frente ao backstage, na esperança de ver o seu ídolo favorito. Um verdadeiro circo dos horrores. Incrível como Br'oz e, principalmente, Sandy e Júnior conquistaram um imenso público entre crianças e adolescentes. De quebra, ainda tinham mais quatro atrações com grande público, principalmente Ivete Sangalo. A musa do axé baiano fez um show burocrático e voltou a dar uma força para um dinossauro do gênero, desta vez a cantora Márcia Freire. Em seguida, Daniela Mercury se superou e colocou quatro DJ's no palco, além de belas dançarinas. Bom show, o melhor entre as atrações do axé baiano, com toques eletrônicos e algum rock and roll. Dispensável apenas a apresentação do grupo baiano Superfly, que morreu e ainda não foi enterrado. O melhor da noite ficou para o fim. O Rappa fez um bom show mesclando músicas do novo disco - o ótimo "O Silêncio que Precede o Esporro" - e velhos sucessos como "A Minha Alma", "Me Deixa", "O Homem Bomba". Destaque para as homenagens ao recém-falecido poeta Wally Salomão e ao sambista Zeca Pagodinho. O clímax do show foi o protesto contra o presidente norte-americano George W. Bush, na forma da canção "Ninguém Regula a América" e de xingamentos delicadamente enviados ao tirano. Para fechar o festival, a organização colocou a baianinha Pitty. Momento histórico, com quatro personagens do underground baiano no palco principal do evento. Inkoma, Dead Billies, Dois Sapos e Meio e Lisergia. Quatro grupos respresentados por aqueles que hoje formam a banda Pitty. Os maiores sucessos do disco de estréia "Admirável Chip Novo" foram entoados em côro pelos presentes, ainda muitos, apesar do horário (4h da manhã). Ainda teve cover de Chico Buarque, Nirvana, Alice in Chains e um divertido momento anos 80 com "Girls Just Wanna Have Fun", de Cindy Lauper. Excelente estréia da banda, apesar dos problemas no pedal de Peu Souza, que prejudicaram o som no início da apresentação. No final das contas, o Festival de Verão 2004 passou bem acima da média. Que venha a sétima edição.
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por LEONARDO MAIA - 6:49 PM
Terça-feira, Fevereiro 03, 2004
** Nota Extraordinária**
FESTA DE ARROMBA NO CALYPSO
O Calypso tá chegando ao fim... Nada melhor, neste momento em que o rock baiano está em evidência, do que comemorações em grande estilo. Podem esperar, pois as duas próximas semanas prometem. Hoje (terça) vai rolar uma festança das maiores, liderada pela baianinha Pitty. Cuidado para não perder a conta: Lou, brincando de deus, Brinde, Retrofoguetes, Nancyta e Os Grazzers, Drearylands, Dr. Cascadura, Zambotronic e The Honkers. Meia hora para cada banda, com um grand-finale liderado por Pitty, que vai captar imagens para o seu DVD. Às 21h em ponto, por míseros cinco reais. Mais do que imperdível.
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por LEONARDO MAIA - 2:33 PM
Domingo, Janeiro 18, 2004
* Disco da Semana - Eu Não Tô no Top Ten (Zambotronic)
O Zambotronic lançou um dos melhores discos de 2003, esse vibrante "Eu Não Tô no Top Ten". Contando com o produtor oficial do rock baiano (André T) e com uma ajudinha providencial de Nancy Viegas (Nancyta e OS Grazzers), a banda fez uma bolacha com 11 excelentes faixas. E não entrou no "top ten", infelizmente, alcançando apenas os iniciados no rock baiano. O som black tranborda na música de Edbrás e Castelo (vocalistas), Alex Prong (guitarra), Helbachá (baixo), André Borges (sax), Dodoo (percussão), Alex Kobaia (bateria) e DJ Mauro Telefunksoul (do Pragatecno). Ao vivo, esse timaço mostra uma excelente harmonia de rock com eletrônica. É música dançante, sem ser alienante e com letras acima da média. Em "Samba de Blazer", o Zambotronic dispensa papas na língua e manda um direto "pagodeiro, vá se fuder", preferindo ficar com o samba de origem, uma das várias influências da Zambo. Mas, nessa faixa, o som está mais para hardcore que qualquer coisa. No disco, você encontra black music das melhores em faixas como "Banco de Reserva", ode futebolística de duplo sentido, e nas animadas "A Vida é Louca" e "Zero a Um". Tem também rock dos mais pesados como em "No Seu Pick Up Não Vai Nada". Conforme resumo dos próprios músicos da Zambo, eles fazem Black Rock Bahia, com um balanço samba-funk-soul-hardcore ou ainda black music com samba, funk¿n¿metal e hardcore jokes (coloque a faixa "Foc Mauris nesta última categoria). "Foc Mauris", aliás, vai ser o primeiro videoclipe do grupo, com trechos do lançamento do disco, no Theatro XVIII. Agora é só esperar a volta dos shows da Zambo, que deu uma paradinha depois de um acidente com o baterista.
NOVA BANDA NA PRAÇA
Nascido em São Paulo e com uma boa bagagem, já tendo tocado na Funk Machine, Dois Sapos e Meio, Funk Sinatra e Zeferino Faz a Feira, o instrumentista e compositor Enio está com projeto novo na praça. Trata-se de "Enio e a Maloca", banda que estará se apresentado no Maria João nas próximas duas sextas (23 e 30). O disco do grupo já está sendo produzido pelo próprio Enio, com a ajuda de André T e Ramiro Musotto, devendo ser lançado em meados de 2004. "Automalocafalante", provável nome do trabalho, já tem participações confirmadas de PJ (Jota Quest), Margareth Menezes, Davi Moraes, Mariela Santiago, Peu Meurray e Fernando Nunes.
MELHORES DO ANO PELOS LEITORES DA ZERO
A Revista Zero, uma das preferidas do Discoteca Narcisista, divulgou os melhores do ano, numa eleição dos seus leitores com candidatos pré-definidos. Vamos aos principais campeões! Na categoria frase do ano, venceu a inacreditável "A melhor música do Nirvana é 'Nothing Else Matters'", proferida pelo não menos inacreditável Leandro do KLB. O grupo Los Hermanos destruiu a concorrência, vencendo como melhor show do ano (desbancando fácil Coldplay, Hellacopters e White Stripes), música do ano com "Cara Estranho" (logo à frente de "Seven Nation Army") e melhor disco nacional (Ventura). Ainda ficou em segundo como melhor grupo, atrás apenas do Radiohead. O prêmio de melhor disco internacional ficou com o Radiohead (There There), seguido por White Stripes ("Elephant"). O DVD do Led Zeppelin levou o merecido prêmio de melhor do ano e o prêmio revelação ficou com a baianinha Pitty, que derrotou os nacionais Cachorro Grande e Forgotten Boys, além dos internacionais Kings of Leon, Libertines e Raveonettes. Ah, ainda teve Tribalistas, com o pior disco do ano, seguido por Preta Gil e Renato Russo. Para conferir a lista completa é só acessar www.revistazero.com.br.
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por LEONARDO MAIA - 3:35 PM
Quarta-feira, Janeiro 07, 2004
Confira quais são as novas atrações do Festival de Verão logo abaixo!
* Disco da Semana - Up The Bracket (The Libertines)
"The Libertines é a resposta britânica ao The Strokes". Esta é uma frase infame, sem dúvida, mas vem sendo repetida com alguma freqüência pela crítica internacional. Não se sabe ao certo se a intenção é depreciar o trabalho do grupo, rotulando como um simples plágio dos nova-iorquinos, ou elevá-los ao patamar de umas das principais bandas da atualidade. Bem, o fato é que o Libertines nem se parece tanto assim com o Strokes. Sem depreciar o trabalho do grupo americano, o som dos ingleses é mais variado e bem mais animado. Já que é para estarrar, vamos lá: se parece mais com uma única música, o sucesso "Last Nite", do que com o Strokes em si. É garageiro e deixa aquela vontade de pular. Os vocalistas Carl Barat e Pete Doherty não soam em nenhum momento melancólicos como Julian Casablancas. E as guitarras por vezes repetidas do Strokes, como as do Velvet Underground, não são reccorrentes neste disco de estréia do Libertines, "Up The Bracket". Trocando em miúdos, esqueça essa comparação idiota e ouça o ótimo som dos Libertines. Se for para procurar referências, busque o The Jam, Buzzcocks e The Clash. Não à toa, "Up The Bracket" foi produzido por Mick Jones, guitarrista do mito punk The Clash. E Carl Barat soa por vezes como o recém-falecido Joe Strummer, líder do Clash. Deste disco, lançado em 2002 no mundo e em 2003 por aqui, destacam-se as sete músicas inicias, todas excelentes. Um trio se sobressai ainda mais: "Horror Show", "Time For Heroes" e "Up The Bracket". Procure na Internet e tire a prova. Mas o melhor é ter o CD, que ainda traz boas canções além das sete já faladas. O espírito punk do Libertines ainda está presente na própria postura do grupo, que costuma aprontar muito por onde passa. Nos shows, sobram brigas e destruição de instrumentos. Mas, se fosse só isso, tudo bem. Durante o ano de 2003, o guitarrista Pete Doherty assaltou a casa do amigo e companheiro de banda Carl Barat, levando a tiracolo uma filmadora, um laptop, uma gaita, um aparelho de som e uma guitarra velha. Pete, que estava afastado da banda por causa de graves problemas com drogas, foi preso e condenado a seis meses de reclusão. Cumpriu dois meses e foi solto, voltando para a banda depois de ser perdoado pelos companheiros. E não parou por aí: pouco depois, Carl Barat encheu a cara e caiu feio no banheiro de casa. O saldo foi a perda de parte da visão panorâmica e de um molar do lado esquerdo do rosto. Bem, eles já estão de volta na ativa, mas, do jeito que as coisas vão, não se sabe por quanto tempo. Resta apenas desejar boa sorte ao grupo. Vida longa.
* "Up The Bracket" é a trilha sonora do Todos os Tons desta quinta (8), às 19h. Além de conferir o primeiro trabalho do Libertines, você ainda assiste a clipes do The Coral, Super Furry Animals, Audioslave, David Bowie, entre outros. O Todos os Tons vai ao ar na TV Salvador (canal 28 - UHF e canal 38 - NET).
PALCO PRINCIPAL DO FESTIVAL ESTÁ QUASE FECHADO
Novas atrações figuram na grade principal do Festival de Verão. O Discoteca Narcisista apostou em quatro das cinco novas atrações e se deu bem. LS Jack, escalada para abrir o Festival na quarta (28), foi a única que escapou aos olhos do Discoteca. Na sexta (30), quem fecha a noite é Marcelo D2, que está na crista da onde depois do ótimo "À Procura da Batida Perfeita". O sábado (31) agora conta com o revival do Camisa de Vênus, que está voltando à ativa e deve gravar um disco ao vivo. A banda que vai abrir esta noite ainda não foi divulgada. O domingo (1º) ganhou duas novas atrações, sendo que agora, como o sábado, conta com seis participantes, ao invés dos cinco regulares. Abrindo, estão os teenagers do Br'oz e, fechando, a baianinha Pitty, que promete arrebentar. Aguardem as próximas novidades!
SALVADOR NA ROTA DAS ATRAÇÕES INTERNACIONAIS
Ainda vai demorar para a capital baiana entrar de vez na rota internacional, mas o primeiros passos já podem ser tomados. Quem chega é o grupo uruguaio danteinferno, trazido pelo Musicbox (veja ao lado, na lista de links). A banda é alternativa, na linha de destaques como Sonic Youth e Pixies. Para saber um pouco mais, é só procurar a resenha do EP dos caras, aqui mesmo no Discoteca Narcisista. A passada por aqui deve-se também ao split lançado pelo selo Musicbox. Trata-se de um disco dividido entre a danteinferno e a Soma, com músicas das duas bandas. Além de Salvador, o danteinferno passa por Porto Alegre, São Leopoldo, São Paulo, Florianópolis, Camaçari e Vitória da Conquista. O show acontece no dia 17 de janeiro, às 22h, no Havana Music Bar. Participando da festa, estão confirmadas ótimas bandas locais como Retrofoguetes e Soma. Os ingressos estão sendo vendidos, antecipadamente, na São Rock Discos, por R$ 6. Na hora do show, sai por R$ 8. Imperdível.
BANDA PAULISTA TOCA NO TEATRO DA PRAIA
A Associação Cultural Clube do Rock (ACCR) vem se destacando na realização de shows em Salvador, trazendo por vezes representativas atrações de fora. Desta vez, quem dá uma passada na capital baiana é a banda paulista Andralls, que está divulgando seu terceiro disco pelo Brasil. O grupo é adepto do trash metal, uma das vertentes mais pesadas da música. Ao lado da atração de Sampa, estão as locais Portal, Desroche, Slow e Upanixade, todas trazendo muito peso no som. O local é o mesmo de sempre, o Teatro da Praia, em frente à Churrascaria Porcão. Dia 11 de janeiro, a partir das 17h (pontualmente, garante a ACCR).
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por LEONARDO MAIA - 4:02 PM
Domingo, Janeiro 04, 2004
Discoteca Especial - Chain Gang of Love (The Raveonettes)
Demorei um pouco para simpatizar com este disco que, dependendo do ponto de vista, pode ser ou não o primeiro do The Raveonettes. Isto porque o grupo dinamarquês já tinha lançado um EP de oito faixas, "Whip It On" e, ao lançar esse "Chain Gang of Love" em 2003, decidiu recheá-lo apenas com canções inéditas. O fato de não ter gostado muito de início não vem acompanhado de uma justificativa racional. Talvez tenha achado um pouco estranho demais ou então meio repetitivo. Bem, bastou mais umas duas audições para colocá-lo entre um dos meus preferidos do ano. A banda na realidade resume-se ao casal Sharin Foo (vocal e baixo) e Sune Rose Wagner (vocal e guitarra), completando o time um guitarrista contratado e um baterista pouco significante. A banda segue a cartilha do retrô reciclado, que acaba por soar moderno e dentro da atual moda. Pegue o pop dos anos 60, a surf music da mesma época e misture com os mais modernos e soturnos Jesus and Mary Chain e My Bloody Valentine. Para temperar ainda mais, não esqueça da barulheira e distorções infernais do Sonic Youth e dos vocais adocicados do Belle and Sebastian. Ah, ainda rola uma pitada de The Velvet Underground e lições do mundo punk (canções curtas e com poucos acordes). Pois é, dessa receita doida dá para tirar uma idéia do que é o Raveonettes. O casal Foo e Wagner canta em coro, formando uma única e bela voz, interpretando letras que falam de amor, nem sempre de modo puritano. As melhores são "That Great Love Sound", com uma letra que você logo vai se pegar cantando, "Let's Rave On", "Little Animal" e "Noisy Summer". Esta última começa singela, com palmas ao fundo e as duas doces vozes sobrepostas. Não demora muito para se tornar uma barulheira infernal, mesmo que o vocal pouco ligue para a mudança. O clima, como a capa do disco entrega, é semelhante aos filmes norte-americanos das décadas de 50 e 60. Aqueles mesmos estrelados por James Dean e Marlon Brando. Pois é, "Chain Gang of Love" serve muitas vezes de trilha sonora perfeita para aquela juventude transviada. Poderia soar um pouco moderno para a época, é verdade. Melhor então seria colocá-la como uma boa trilha para os "moderninhos retrôs" do século XXI.
* Para conferir a mistureba da dinamarquesa The Raveonettes, confira o Todos os Tons desta segunda (5), a partir das 19h. Além de curtir "Chain Gang of Love", dá para conferir dois clipes do grupo: "Attack On The Ghost Riders" e "Thar Great Love Sound". Rola também um especial sobre "filhos de peixe", ou seja, artistas que são rebentos de outros famosos. Fechando, tem clipes de artistas que estarão presentes no Festival de Verão. O Todos os Tons vai ao ar na TV Salvador (canal 28 - UHF e canal 38 - NET).
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por LEONARDO MAIA - 6:47 PM
Sexta-feira, Dezembro 26, 2003
* Disco da Semana - Amerika Perdida (Mano Negra)
Não é fácil achar um disco do Mano Negra no Brasil. Em Salvador então, nem se fala. O vocalista do grupo, porém, hoje é cult no Brasil. Trata-se de Manu Chao, cujos álbuns têm vendas respeitáveis por aqui, levando em consideração que a maioria das músicas são cantadas em espanhol. E, como já é do conhecimento geral, são raros aqueles que cantam em espanhol, tirando daí os cantores bregas, e vendem bem no Brasil. Antes de Manu Chao tornar-se realmente conhecido com seu primeiro trabalho solo, "Clandestino", lançado aqui com dois anos de atraso, ele já tinha passado pelo Brasil algumas vezes com o Mano Negra. Já esteve inclusive na Concha Acústica, fazendo uma verdadeira farra sonora. Comparativamente, os discos solos de Manu Chao soam mais elegantes e sóbrios que os trabalhos de Mano Negra. Este disco "Amerika Perdida" é uma coletânea com alguns sucessos do grupo, sendo uma boa amostra do que eles eram capazes. O som é uma explosão latina, com misturas de ritmos próprios da América Latina (principal fonte do francês Manu Chao) com rock, música eletrônica e dub. Eles abusam dos teclados e instrumentos de sopro, criando um estilo contagiante. Algumas músicas, como "Noche de Acción", são tão inusitadas que chegam a ser engraçadas. "Mala Vida", "Peligro" e "King Kong Five" foram incluídas no disco ao vivo de Manu Chao, "Radio Bemba Sound System", que mistura sucessos do Mano Negra com os da carreira solo de seu vocalista. Outra curiosidade é que o sucesso "Bongo Bong", do disco solo "Clandestino", é uma versão para "King of Bongo", do Mano Negra. Bem, com o disco de Mano Negra nas mãos, é só colocar no som e deixar-se levar pela energia contagiante do grupo. E esperar que Mano Chao dê uma passadinha em Salvador. As chances não são pequenas, já que o mais recente lançamento do artista, um DVD, teve a estréia oficial na América Latina exatamante em Salvador, no Calypso Heineken Station.
* Este disco foi a trilha sonora do Todos os Tons de quinta (25), às 19h. Confira o repeteco do programa na madrugada de domingo para segunda, 1h. Tem também clipes de Manu Chao, Orishas, Juanes, Evanescence, entre outros.
PRÊMIO ROCK INDEPENDENTE 2003
Ao lado dos sites El Cabong, Musicbox e Bahiarock, o Discoteca Narcisista está promovendo o Prêmio Rock Independente Bahia (Versão 2003), com o intuito de eleger os destaques do ano na cena local. O ano foi frutífero e a briga promete ser acirrada. As cédulas de votação estarão disponíveis nos principais shows de rock da cidade e, em breve, nas lojas independentes do ramo (Berinjela, Maniac, Mutantes, Pérola Negra, São Rock). Para dar tempo de vocês pensarem nas escolhas, seguem abaixo as categorias com candidatos:
*Banda - livre escolha
* Disco - Adcional; Automata; Drearylands ("Heliopolis"); Jurema; The Honkers ("Between The Devil..."), Los Canos ("O Meu Hobby é Te Amar"); Movidos a Álcool ("Vamos Biritar"); Plexus; Soma & danteinferno; Zambotronic ("Eu Não Tô no Top Ten")
* Selo - Big Bross; Estopim; Frangote; Maniac; Radioative Hippies
* Revelação - Adcional; A Grande Abóbora; Automata; Los Canos; Mutation Lb; Ronei Jorge e Os Ladrões de Bicicleta
* Banda Ao Vivo - Drearylands; The Honkers; Nancyta e OS Grazzers; Retrofoguetes; Soma; Zambotronic
* Evento - Big Hits; Mad Zoo; Musicbox; Outono Alternativo; Rock Yemanjá; Sexta Básica
* Site - Bahiarock; El Cabong; Discoteca Narcisista; Musicbox, Reidjou
* Veículo de Comunicação - Curto-Circuito (Transamérica FM); Punkada Rock (Metrópole FM); Rádio Facom; Rock em Geral (Educadora FM); Todos os Tons (TV Salvador)
* Espaço para Show - Blue House; Calypso; Galeria do Rock; Havana; SESI; Teatro da Praia
* Loja - Berinjela; Maniac; Mutantes; Pérola Negra; São Rock
* Show de Banda Visitante - Autoramas; Dance of Days; Estrume'n'tal; Holy Sagga; Vamoz!; Violins
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por LEONARDO MAIA - 12:40 PM
Terça-feira, Dezembro 16, 2003
Acompanhem as novidades do Festival de Verão logo abaixo
*Disco da Semana - Demoiselle
De mansinho, a Demoiselle vem ocupando o seu espaço e, com menos de 6 meses de existência, já é uma grata promessa no cenário rocker de Salvador. Bem possivelmente, você ainda não conhece a banda, tendo em vista os poucos shows realizados até então. De início, o grupo preferiu investir em um processo de divulgação do trabalho autoral, que inclui a gravação deste EP, um videoclipe (diga-se de passagem, muito bom) e um site que permite que mais pessoas conheçam o trabalho da banda. As três músicas deste EP estão lá, basta baixá-las. A alma da banda está na dupla Ivana Vivas e Toni Oliveira, responsáveis pela voz e guitarra, respectivamente. A Demoiselle bebe na fonte do southern rock, escola de grupos setentistas como Lynyrd Skynyrd e Creedende Clearwater, que ainda dá frutos, como a sensação americana Kings of Leon. A influência do Led Zeppelin, especialmente no que tange à guitarra de Toni, é bastante perceptível. Em shows, eles costumam tocar o clássico "Over The Hills And Far Away", do Led Zeppelin, com grande competência. A melhor música deste EP é a primeira, "Depois da Meia-noite", mesma faixa do tal clipe. Mais pesada das músicas, "Depois da Meia-noite", traz um riff pegajoso e alterna uma slide guitar com o violão. Tem potencial de hit e ganha muito crédito por causa da bela voz de Ivana, sempre afinada e casando perfeitamente com o clima country de músicas como "Sobre o Sol", a segunda faixa. O EP chega ao fim com "Pra Te Esquecer", ainda mantendo o clima folk e do southern rock, mas mantendo grande similaridade com a extinta Black Crowes, como a própria banda entrega em seu site. Não tem erro, se você conhece o antigo trabalho dos irmãos Rich e Chris Robinson, vai logo fazer o link. Mas tá tudo dentro do caldeirão Demoiselle, afinal o Black Crowes sempre foi cria do hard rock do Led Zeppelin e já gostava de colocar um acento country no som. Bem, aproveite para conhecer logo o trabalho da Demoiselle, que em 2004 deve estar aí para todo mundo ver. Disco novo deve estar saindo, desta vez com mais faixas, e uma programada agenda de shows.
NOVIDADES QUENTES DO FESTIVAL DE VERÃO
Bem, tratem esta nota como um emaranhado de informações extra-oficiais sobre o Festival de Verão. O que segue está quase confirmado, mas ainda não o suficiente para ser dado como oficial. A sensação Maria Rita deve abrir a noite de quarta-feira no palco principal e, caso não venha, pode ser substituída por Ana Carolina. Pitty está em negociações para entrar na grade e o colombiano Juanes (premiado com alguns Grammys latinos) pode ser a única atração internacional do evento. A volta do Camisa de Vênus deve vir acompanhada com a gravação de um CD ao vivo. E o palco pop promete trazer algumas boas atrações. Organizado pela Penteventos, o espaço reserva uma data para os "filhos de peixe", ou seja, filhos de artistas famosos. Tem ainda um dia só com artistas da Trama, outro só para rock ou reggae, um de samba e outro com o subjetivo nome "tendências". E ainda deve rolar um palco só para o partido alto de bandas como Batifum e Samba Eu Você e Sua Mãe, em um espaço voltado para o público universitário. Por enquanto, é isso. Repito: essas são informações ainda não confirmadas, especulações. Vamos então ao que está acertado. Quarta: Jota Quest, Skank, Timbalada e Babado Novo - Quinta: Los Hermanos (por que diabos logo como primeira atração do dia?), Kid Abelha, Titãs, Asa de Águia e Araketu - Sexta: Carlinhos Brown, Paralamas do Sucesso, Rita Lee e Sepultura (surpresa!) - Sábado: Camisa de Vênus, Margareth Menezes, Cidade Negra, Zeca Pagodinho e Harmonia do Samba - Domingo: Sandy & Júnior, Ivete Sangalo, O Rappa, Daniela Mercury.
RETROFOGUETES NO CALDEIRÃO DO HUCK. AHN?
Isso mesmo, o rock baiano está com tudo. Por mais que os puristas reclamem, o Retrofoguetes estar em pleno sábado em um dos programas mais vistos da TV brasileira traz bons frutos. Não, o Retro não vai se entregar ao sistema, seria até engraçado se isso acontecesse. Mas, com certeza, algum desavisado pode estar passeando com o controle remoto e dar de cara com a surf music dos caras. Bem, eles farão o show de encerramento do Brasil Total, quadro do Fantástico apresentado por Regina Casé. Muitas coisas inusitadas vão acontecer no programa, que vai ao ar no último sábado do ano (27). Pois é, 2003 foi dos bons: Retrofoguetes em destaque na Globo, MTV e Revista Zero; Nancyta e Os Grazzers na MTV e Bravo!; Automata na MTV; Dr. Cascadura na MTV e Rvista Zero; Pitty com três clipes estouradaços na MTV e recebendo destaque em dezenas de publicações por todo o Brasil, incluindo também programas televisivos como o de Jô Soares; The Honkers fazendo show em diversas cidades brasileiras, em um tour que abalou as estruturas; Soma na Zero e indicada ao London Burning pelo split com o danteinferno; Plexus fechando com selo alemão para distribuir o disco pela Alemanha, Suiça e Áustria. Fora os destaques em publicações especializadas e/ou alternativas, incluindo ainda bandas como Brinde, Los Canos e brincando de deus. Ano que vem tem mais, aposto em um destaque grande para Ronei Jorge e Os Ladrões de Bicicleta.
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por LEONARDO MAIA - 11:44 AM
Segunda-feira, Dezembro 08, 2003
** Discoteca Dupla
Solano Star (The Surfmotherfuckers)
Pode até ser bairrismo, mas surf music instrumental no Brasil para mim tem o Retrofoguetes na linha de frente, com o restante atrás. Já conferi Estrume'N'tal (Minas Gerais) e Muertos Viventes (Espírito Santo) ao vivo, mas nenhuma chegou perto da qualidade e energia da Retro. A também mineira The Surfmotherfuckers é a que mais próximo fica, com este ótimo disco de estréia, "Solano Star", lançado em 2001. O grupo é nitidamente influenciado pela banda norte-americana Man-or-Astroman, também uma das notórias referências do Retrofoguetes e surgiu na esteira da trilha sonora de "Pulp Fiction", que trouxe alguns temas instrumentais de surf music. Pode-se destacar neste disco o uso de samplers, casando bem com o trio bateria-baixo-guitarra. Trechos dos filmes "Tudo o Que Você Queria Saber Sobre Sexo (Mas Tinha Vergonha de Perguntar)", de Woody Allen, e "Assassinos Por Natureza", de Oliver Stone, ao lado de pedaços sampleados do Man-or-Astroman e de transmissões da BBC, convivem naturalmente com a música suingada do Surfmotherfuckers. Além de oito temas instrumentais, o CD traz ainda duas músicas cantadas por Bernardo Carvalho, com destaque para a ótima "Let's Lynch The Landlord". No setor instrumental, o destaque fica com a versão de "Killing an Arab", do The Cure, e "El Duelo De Chiuauas", que destoa das outras músicas pela longa duração - seis minutos. Esse "Solano Star" é realmente uma boa pedida, um álbum com rápidos 26 minutos divididos em 10 canções, que passam deixando ótima impressão. Para encontrá-lo, uma boa dica é procurar o produtor Rogério Big Brother, do selo Big Bross Records (veja o blog na lista de links).
* One By One (Foo Fighters)
Sempre fui preconceituoso quanto ao Foo Fighters, apesar de admirar muito o seu líder, Dave Ghrol, ex-baterista do Nirvana e baterista de ocasião da espetacular Queens of The Stone Age. Por um preço camarada e trazendo um DVD de bônus, adquiri esse "One By One". Aos poucos, estou mudando minha concepção e percebendo que o Foo Fighters é uma boa banda de rock. Não está ainda na linha de frente, mas dá brilho ao bloco dos intermediários. Dave Ghrol está cada vez melhor e tem ótima capacidade para criar melodias que grudam na mente e riffs poderosos. O disco começa com três petardos: a sensacional "All My Life" e duas músicas, "Low" e "Have It All", que mostram que Dave levou um pouco de Queens of The Stone Age para o seu Foo Figthers. São as mais pesadas do disco, liderando uma série de ótimas baladas e outras que ainda carregam considerável peso, como a ótima "Times Like This". A participação especial de Brian May, do Queen, tocando guitarra em "Tired of You", marece também ser destacada. As letras continuam respeitando a inteligência dos ouvintes, quase sempre referindo-se a casos amorosos. Esse disco pode não ter conquistado o mesmo sucesso do arrasa-quarteirões anterior, "There's Nothing Left To Lose", mas mostra que a banda está no caminho certo e continua certeira em criar hits. Vou seguir em frente (ou melhor, retroceder), para checar com mais carinho a discografia do Foo Figthers.
* "One By One" é a trilha sonora do Todos os Tons de segunda (8), às 19h10, com reprise marcada para a madrugada de quarta para quinta (1h). "Solano Star" figurou no programa da quinta passada (4), também como trilha. O Todos os Tons vai ao ar na TV Salvador (canal 28-UHF e canal 38-NET). Aproveite e entre no www.ibahia.com/promocoes, para participar da promoção de Natal do programa.
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por LEONARDO MAIA - 4:52 PM
Terça-feira, Dezembro 02, 2003
* Disco da Semana - O Palhaço do Circo Sem Futuro (Cordel do Fogo Encantado)
Conheci o Cordel do Fogo Encantado tardiamente, na penúltima temporada deles em Salvador, no Teatro da Casa do Comércio. Foi um impacto, o sentimento era de catarse coletiva e aquela percussão hipnotizava em conjução com a poesia direta de Lirinha. Desde então, já tive a oportunidade de conferí-los ao vivo novamente, na Concha Acústica. A performance impressionante do Cordel perdeu um pouco da força por causa do fraco sistema de som da Concha. Espaço histórico, a Concha anda falhando com um som precário, que desprivilegia grupos como o Cordel. Cheguei a uma conclusão: mesmo sendo altamente dançante, o show dos pernambucanos de Arcoverde funciona melhor em teatros ou em qualquer casa de show fechada. Só assim para perceber as nuances do som e aproveitar esta experiência na plenitude. Nas duas últimas passagens por Salvador, o grupo apresentou o seu segundo disco ao público, este "O Palhaço do Circo Sem Futuro". Parece claro que ao vivo eles superam qualquer registro em estúdio, mas esse disco é mesmo muito bom. "Os Anjos caídos (ou A Construção do Caos)" abre o disco com a poesia simples e impactante de Lirinha em boa forma, fechando com um frase de efeito: "Os Homens (assim mesmo, em maiúsculo) aprenderam com Deus a criar e foi com os Homens que Deus aprendeu a Amar". Vale lembrar que a música faz parte da trilha de "Deus é Brasileiro", filme de Cacá Diegues. Como destaque do álbum, pode-se escolher duas das mais festejadas músicas nas apresentações: "Na Veia" e "Tempestade (ou A Dança dos Trovões). Durante todo o disco, porém, as partes casam de modo perfeito na banda: a percussão elaboradíssima, o violão que conduz toda a melodia e o sotaque assumido do nordestino Lirinha. Só falta a representação teatral, o cenário e a iluminação, afinal o Cordel é mais que um grupo musical. Para quem nunca conferiu ao vivo, resta esperar a próxima oportunidade. E que não demore.
* Mais uma vez atrasado. "O Palhaço do Circo sem Futuro" foi a trilha do Todos os Tons desta segunda. Durante o programa, foi também exibido um trecho da apresentação do grupo, na Concha Acústica. Para conferir uma reprise, sintonize o canal 28 (UHF) ou 38 (NET) na madrugada de quarta para quinta, 1h da manhã. Ou então, espere até o dia 19 de fevereiro, às 19h10.
CALYPSO FECHA AS PORTAS
A notícia é das piores, preocupante mesmo. O inferninho Calypso Heineken Station, que por anos sediou muitos dos melhores shows de rock de Salvador, está fechando as portas, logo após o Carnaval. Pois é, todo mundo sempre adorou falar mal do Calypso, do seu reduzido espaço, do calor por vezes insuportável e da gozada posição de ser o único bar em que a banda tem que ser atravessada para que o público chegue nos banheiros. Mas, e daí? As melhores bandas de Salvador se apresentam com maior freqüência lá e alguns destaques independentes do Brasil passaram pelo conhecido "Colapso". Neste momento em que a cena de rock da cidade cresce bastante, um importante espaço é perdido. Já se foram o Anexo, Café e Cultura e o Idearium (este último tenta reabrir mensalmente). Só resta o Havana, uma vacilante Blue House, aquele espaço improvisado do Sesi, Teatro da Praia e a Casa da Praia, que é pop por demais. Ou a cena se profissionaliza de vez e procura por opções ou tudo que foi conquistado nos últimos vezes vai por água abaixo. Não tem jeito, agora é esperar por março e ver o que acontece.
ACCR E ROCKERS TRAZEM BANDA AMERICANA
Uma parceria entre a Associação Cultural Clube do Rock (ACCR) e o grupo ROCKER'S possibilita a realização do Festival Independente, que traz entre as atrações a banda norte-americana The Haggard. Criada em 98, o grupo é formado por duas garotas e traz uma forte convicção feminista, embalada pelo som harcore/metal. As americanas estão excursionando pelo Brasil ao lado do grupo paulista Dominatrix, também formado por mulheres. Fechando o cast, tem a banda sergipana Starbelly e as locais Cobalto, Automata, ACME e Lollyta. A festança tá marcada para o dia 14 de dezembro, às 16h (em ponto), no Teatro Casa da Praia. O ingresso sai por R$ 7,00.
PODEM ANOTAR
Bons eventos na noite rock'n'roll da Bahia. É só anotar: essa sexta, dia 5, tem Roque é Gente Boa III, reunindo mais uma vez Paquito, a nova sensação Ronei Jorge e Os Ladrões de Bicicleta e a banda Soma. No Calypso Heineken Station, às 23h, por R$ 7,00. No sábado (6), tem a banda carioca Autoramas, no mesmo Calypso, pelo mesmo preço e no mesmo horário. A abertura fica por conta dos baianos da Los Canos. Já no dia 13 de dezembro, às 20h, tem o lançamento do CD da Eskaravelho, no Havana Music Bar. O disco "Um Dia a Mais", que vem com sete músicas próprias e mais o cover de "Redemption Song", vai estar sendo vendido no local. Além da Eskaravelho, vão rolar shows da Automata, Djunks e Temporal. Ingresso a R$ 4,99 (sic) ou R$ 7,99 (com CD de brinde).
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por LEONARDO MAIA - 12:05 PM
Segunda-feira, Novembro 24, 2003
** Discoteca Dupla
Fever to Tell (Yeah Yeah Yeahs)
Outra banda tosca e descompromissada dá as caras e agita o mundo do rock. O Yeah Yeah Yeahs é filhote da frutífera cena de Nova Iorque e estréia com esse ótimo "Fever to Tell". Estréia oficial, já que o grupo lançou alguns EPs, suficientes para colocar a crítica musical em polvorosa. Ao lançar esse début, o Yeah Yeah Yeahs já era bem conhecido e conseguiu vencer toda a exagerada expectativa. O sucesso da banda deve-se muito a vocalista Karen O., que tem uma voz poderosíssima e esbanja sensualidade nas suas interpretações. O disco começa com músicas rápidas e altamente dançantes, com destaque para "Rich" e "Date With The Night", as duas primeiras. A energia é impressionante, com uma guitarra bem rápida que duela de modo perfeito com Karen. Ao ouvir o disco, lembrei logo do primeiro trabalho do White Stripes, quando a banda era mais garageira e Jack White esganiçava a voz sem preocupação. E o Yeah Yeah Yeahs ainda se assemelha em outro ponto curioso, pois também não possui um baixista na sua formação. Leva vantagem com um baterista bem melhor que a Meg White, mas sai perdendo na guitarra. Apesar de ser um bom instrumentista, Nick Zinner não chega aos pés do genial Jack White. "Fever to Tell" pode ser dividido em duas partes, uma alucinada, composta pelas cinco primeiras músicas, e uma baladeira, onde estão as três últimas canções e a faixa escondida no final do álbum. O miolo, com três faixas, serve de ponte para a aliviada no ritmo. E até no setor de baladas, o Yeah Yeah Yeahs se dá bem, mostrando que é uma boa promessa. Garagem, com ecos do punk e dos anos 70. Esse é o Yeah Yeah Yeahs.
* "Fever to Tell" é a trilha do Todos os Tons desta segunda (24), que vai ao ar às 18h50. Confira também um bloco especial com clips de bandas baianas lideradas por mulheres e um especial sobre o Rap. O Todos os Tons é transmitido pela TV Salvador (canal 28 - UHF e canal 38 - NET)
Slanted and Enchanted (Pavement)
Tenho especial admiração pelo rock alternativo americano, especialmente pelo Pixies e Sonic Youth, duas das minhas bandas preferidas no âmbito geral. A idéia agora é checar o trabalho de outras crias. O Pavement é uma das melhores, que conheço de nome há tempos, mas não tinha uma noção exata do seu trabalho. Nada mais correto que começar pelo disco de estréia, "Slanted and Enchanted". Lançado em 91, o disco é composto por 14 canções redondas, que nunca passam dos quatro minutos de duração. Tudo parece estar no lugar exato e o disco é um aprazível exercício musical. As guitarras sujas do estilo estão presentes, com alguma economia nas distorções. O vocalista Stephen Malkmus sabe como poucos a maneira de alternar momentos doces com outros de extrema fúria, no melhor estilo Black Francis (ou Frank Black) de ser. O único dilema é que música deve-se destacar no álbum. Elas parecem se completar, formando um ótimo resultado. Mesmo assim, mostro uma admiração especial por "Here", belíssima música. Malkmus começa logo lançando: "Eu estava vestido para o sucesso, mas o sucesso nunca veio". Num tom um tanto quanto pessimista, ele não imagina que, no disco seguinte, o sucesso ia ser alcançado. Com o hit "Cut Your Hair", o Pavement passou bons meses como destaque na MTV americana e viveu alguns momentos de mainstream. Mera passagem, pois o grupo continuou mesmo foi no mercado alternativo, com um público cativo. Hoje, Malkmus segue em carreira solo, sem alcançar a mesma excelência de outrora, mas ainda fazendo um trabalho digno. Se você também quer conhecer o trabalho desta banda americana, faça o mesmo: procure o disco de estréia. Uma ótima pedida.
* Desta vez, o Discoteca Narcisista se passou. "Slanted and Enchanted" foi a trilha do Todos os Tons da semana passada. Agora já foi...
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por LEONARDO MAIA - 12:18 PM
Segunda-feira, Novembro 17, 2003
* Discoteca Especial - Mutation Lab
O Mutation Lab é uma das mais novas bandas baianas, mesmo possuindo uma história de muita batalha no exterior. O grupo chegou este ano de Los Angeles, Califórnia, onde passou três anos. Para formar a banda, bastou reunir os baianos radicados por lá, que apostaram em um som bem americano para conquistar espaço. O Mutation Lab segue a cartilha de bandas alternativas dos Estados Unidos, com maiores semelhanças com o ainda ativo Sonic Youth. Ao vivo, o grupo mostra toda a sujeira que fez o seu similiar americano famoso. Neste primeiro EP lançado no Brasil, eles economizam um pouco nas distorções. São cinco músicas, sendo que apenas uma delas foi gravada no Brasil. Na atual formação, uma mudança: hoje, quem assume o baixo é Spencer. E o destaque do disco é exatamente "Searching for Something", a tal faixa gravada em Salvador. "The Wakening" é outra boa realização, com um som mais próximo do grunge. O destaque negativo fica com "Not That I Care", uma balada fraquinha. A vocalista é Liz B., que imprime um estilo próprio à banda, mas incomoda com freqüentes desafinações. Até o fim do disco, a voz da garota já chega a irritar levemente. Ela não faz jus às parceiras de gênero Kim Deal (Pixies) e Kim Gordon (Sonic Youth). Trabalho mediano de uma banda que pode melhorar. Vale uma conferida ao vivo, especialmente para quem gosta de distorções e guitarras altas.
* Tire a prova no Todos os Tons desta segunda-feira (17), que vai ao ar às 19h10. Confira também um especial sobre bandas escandinavas, como The Hives, Backyard Babies e The Raveonettes. O Todos os Tons vai ao ar na TV Salvador (canal 28 - UHF e canal 38 - NET)
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por LEONARDO MAIA - 6:26 PM
Quinta-feira, Novembro 13, 2003
Disco da Semana - Room of Fire (The Strokes)
Esse era o disco mais aguardado do ano, sem dúvida. Depois do estouro de "Is This It", todos se perguntavam sobre qual rumo os novaiorquinos mais hypados do planeta tomariam. Bem, eles escolheram o mais fácil. O segundo disco do grupo é uma nítida continuação do primeiro, sem grandes arroubos de criatividade e riscos. Por vezes, temos a impressão de que escutamos um disco com sobras de estúdio, especialmente do miolo para o fim. Mas querem saber do que mais? "Room of Fire" é um bom disco, bom mesmo. Não é melhor que "Is This It", mas conquista os ouvintes aos poucos. Depois de umas três audições, vc já está totalmente familiarizado com todas as músicas. Algumas ótimas, outras apenas repetitivas. O primeiro single, "12:51", é excelente, uma das melhores músicas que o Strokes já fez. Só aquela guitarra travestida de teclado do Nick Valensi já vale o disco. Mas, ainda bem, tem também a animada "What Ever Happened?", o new wave de "Reptila" e a dupla "Automatic Stop" e "Between Love and Hate", com nítida influência do reggae. E está tudo lá: o vocal abafado, arrastado e afastado de Julian Casablancas, as guitarras com riffs repetidos à exaustão, como o bom e velho Velvet Underground, o baixo que tudo comanda e a bateria simples e eficiente de Fabrício Moretti. As canções são redondas, não passando de quatro minutos, e algumas letras trazem versos que também são repetidos à exaustão. Mais hipnótico, impossível. "Room of Fire" passa com boa nota no teste do "segundo disco". Entretanto, o Strokes vai ter que fazer muito mais num eventual terceiro álbum. A fórmula é boa, mas pode enjoar rapidinho.
* "Room of Fire" é trilha do Todos os Tons desta quinta-feira (13), às 19h10. Aproveite para assistir dois clipes do primeiro disco, "Last Nite" e "Hard to Explain". A reprise está programada para a madrugada de domingo para segunda, 1h. O Todos os Tons vai ao ar na TV Salvador (canal 28 - UHF e canal 38 - NET).
A DOBRADINHA ESTÁ DE VOLTA
A dobradinha fez falta. Depois de alguns meses sem rolar Nancyta e Os Grazzers e Retrofoguetes no mesmo palco, o inferninho Calypso será mais uma vez sede do encontro. Parece que convenceram o baterista Rex de que o esforço vale a pena, mesmo que as dores de coluna ataquem o pobre roqueiro. Pois é, essa é imperdível. As duas melhores bandas da terrinha em uma noite de arrombar. Sai por seis contos, nesta sexta (14), a partir das 23h. Não faltem.
MUITO ROCK PARA VITÓRIA DA CONQUISTA
Aos trancos e barrancos, o rock continua oferecendo bons momentos em Vitória da Conquista. Teoricamente, fazer rock lá é mais difícil do que em Salvador. Na prática, a coisa se mostra um pouco diferente, pois Vitória da Conquista já mostrou que sabe organizar bons festivais de música. Daqui até o fim do ano, a programação é das boas. No dia 22 de novembro, tem a soteropolitana Soma com a local Reason, no Odeon Bar. No dia 5 de dezembro, a carioca Autoramas se apresenta no mesmo local, ao lado do grupo Tomarock. Uma semana depois, no dia 13, tem brincando de deus e Esqueleto, em local ainda a definir.
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por LEONARDO MAIA - 2:04 PM
Segunda-feira, Novembro 10, 2003
* Discoteca Especial - Magic and Medicine
Como já foi dito aqui no Discoteca, a banda britânica The Coral foi a última a me empolgar de verdade, com um disco de estréia que soou genial desde a primeira escutada. Bem antes, o The White Stripes tinha também conseguido o mesmo efeito, ao lado de outras dezenas de bandas mais antigas. É bem verdade que, recentemente, grupos como The Libertines e Kings of Leons chegaram perto de alcançar o mesmo estágio. Pois é, a empolgação com o homônimo début rolou com quase a mesma intensidade que a decepção com "Magic and Medicine". Deixo uma coisa clara: o disco não chega a ser ruim. O problema é que ele perde toda a emergência do seu antecessor, deixa a dever no quesito psicodelismo e não tem o peso vigoroso que marca a banda. Desta vez, o The Coral preferiu os violões às guitarras, investiu ainda mais pesado nos teclados e nas canções redondinhas. O clima, por vezes, é bem country, culminando em baladinhas que não passam de chatas. Realmente, não sei qual é o caso, pois a tal da crítica achou o segundo disco ainda melhor que o primeiro. Nem vem que não tem. Antes, a música do The Coral era uma surpresa atrás da outra, com efeitos loucos e viradas empolgantes. Não é mais. Bem, as duas faixas que abrem o álbum são boas, especialmente o single "Don´t Think You´re The First". De resto, destaca-se "Bill McCai", que exala uma alegria invejável. E só. No hall das piores, está "Eskimo Lament", que é um lamento dos mais chatos. E o atual momento é de tensão, pois a banda britânica já está gravando o terceiro disco, tendo entrado em estúdio logo depois que o segundo rebento chegou às lojas. Espero que o The Coral volte a fazer o rock genial de sua estréia, para que eu possa fazer as pazes com o grupo, de uma vez por todas.
* Tire a prova: o segundo disco do The Coral é a trilha do Todos os Tons nesta segunda (10). O programa de música da TV Salvador vai ao ar no canal 28 (UHF) e 38 (NET). Anotem os horários: segunda, quinta e sábado, às 19h e reprise na quarta, às 18h. Tem um corujão também, à 1h de domingo para segunda.
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por LEONARDO MAIA - 6:12 PM
Quinta-feira, Novembro 06, 2003
Disco da Semana - By The Grace of God (The Hellacopters)
Se você gosta de rock and roll dos mais pesados, mesmo que não perdendo a melodia, no estilo de grupos como Kiss, AC/DC e Van Halen, com certeza já ouviu falar do The Hellacopters. O grupo sueco esteve recentemente no Brasil, tocando ao lado de Deep Purple e Sepultura no Kaiser Music Festival. Pois é, eles são suecos, assim como The Hives, Backyard Babies e The Soundtrack Of Our Lives, apenas para ficar nos mais conhecidos. O som dos caras é hard rock sem grandes novidades, com ecos do heavy metal de grupos como Iron Maiden. Poucas bandas ainda apostam neste tipo de música e esse é o grande mérito dos Hellacopters. Não busque algo diferente no som, apenas curta os riffs grudentos, os solos virtuosos, as viradas de bateria, o vocal rasgado e um eventual teclado. Como é de praxe, os músicos suecos combinam uma indumentária roqueira com cabelos compridos. "By The Grace of God" é o quinto disco do grupo, sucessor de "High Visibility", álbum que colocou The Hellacopters na rota do showbizz mundial. No novo disco, os destaques ficam por conta da faixa-título, que começa com um ótimo riff e uma pesada bateria, e "Carry Me Home". O peso é a tônica de todo o disco, sem espaço para eventuais baladas. Disco legal, para gravar as letras e cantar junto, como demanda o estilo.
* "By The Grace Of God", do Hellacopeters, é a trilha-sonora do Todos os Tons desta segunda (6). Entre os clipes exibidos pelo programa da TV Salvador estão "So Why So Sad", do Manic Street Preachers, e "Dentro do Mesmo Time", de Nando Reis. Canal 28 (UHF) e canal 38 (NET).
NIRVANA É HOMENAGEADO NO TEATRO DA PRAIA
Doze anos após o lançamento do sucesso "Nevermind", cinco bandas baianas se reúnem para homenagear uma das maiores bandas da história do rock, o Nirvana. Ácaros I.P.A., BR 64, Ciclo, Dose Letal e Lollyta são as responsáveis pela série de covers derramados aos fãs. Além dos covers, as bandas vão mostras canções do repertório próprio. O evento, que acontece no domingo (9), às 17h, conta com a participação especial do Ulo Selvagem e Gabriel Amorim (do grupo
EsPHeRaX). OS ingressos sai por R$5,00 e serão vendidos no próprio Teatro da Praia.
FIM DE SEMANA AGITADO EM SALVADOR
Por aqui as coisas andam bem, obrigado. O ano de 2003 já está marcado como um dos mais frutíferos em bons shows e atrações de fora. Grupos de rock independentes já vieram aos montes e ainda tem pelo menos mais dois até o fim do ano: Autoramas e Lava. A galera mais chegada ao mainstream e aqueles que estão no meio do caminho (Los Hermanos, Nação Zumbi e Mundo Livre S/A, por exemplo) não deixaram de comparecer. Esse fim de semana, tem Cordel do Fogo Encantado, na Concha Acústica (Sua Nota É Um Show) e Los Hermanos, pela segunda vez em três meses, também na Concha. O primeiro na sexta e o segundo no sábado (por R$ 15,00). No domingo, para quem ainda tem esperança no Titãs, rola o show deles no Pier Bahia. E, mais pra frente, tem Nação Zumbi de novo, no Mercado Cultural. Ah, os amantes do reggae também podem comemorar, pois o Alpha Blondie toca no dia 15 de novembro em uma estrutura montada na Praia de Ipitanga, contando com a presença de Tribo de Jah, Adão Negro, Diamba, Sine Calmon e Edson Gomes.
NOVIDADES DO MUNDO DA MÚSICA
* Depois de lançar um álbum de singles e fazer uma série histórica de cinco shows, onde tocou em cada dia um de seus álbuns na íntegra, o Suede anuncia uma parada no próximo ano. Em um comunicado um pouco confuso é anunciado que os componente do Suede vão se dedicar a projetos individuais a partir do próximo ano. Mesmo assim, eles afirmam que o grupo pode voltar a fazer um álbum novo, se acharem que o momento é "artisticamente correto". Ao final do comunicado, um desanimado "vejo vocês na próxima vida" parece apontar que é o fim mesmo. Uma pena.
* Faleceu na quarta-feira (5), nos Estados Unidos, o cantor Bobby Hatfield, do Righteous Brothers. Ele e seu parceiro Bill Medley entraram esse ano para o Hall da Fama do Rock.
* Com o objetivo de arrecadar fundos para a organização "Save Children", será lançada mais uma coletânea no próximo dia 18 de novembro. Sting, Sarah McLachlan, Eric Clapton, Barbra Streisand, Jewel e Paul Simon doaram canções para este projeto beneficente.
* Chris Martin, líder do Coldplay, declarou que 42 canções inéditas do grupo foram jogadas no lixo durante uma sessão de gravação, este ano. A banda já está escrevendo e gravando material para o próximo disco e julgou que as 42 músicas não se encaixavam no novo projeto. Vamos esperar até algum espertinho lançá-las em um box de raridades.
* O doidão Sid Vicious, ex-baixista dos Sex Pistols, será homegeado em fevereiro de 2004 pelos 25 anos de morte. Uma coleção chamada "Vicious - Too Fast To Live" será lançada na Inglaterra no dia 2 de fevereiro, contando com um livro, uma exibição de fotografias, um programa especial de rádio e, possivelmente, um documentário de TV. Deve ainda chegar às lojas um disco com músicas do artista, entrevistas, gravações ao vivo e uma faixa com o anúncio de sua morte.
* As livrarias americanas já estão recheadas com novo material sobre grandes expoentes do rock. "Legend: An Illustrated Life of John Lennon" traz um panorama geral da vida do ex-Beatle, com manuscritos de músicas, programas de teatro e até artefatos bem pessoais, como um boletim escolar. A outra publicação importante é "According to the Rolling Stones", com longas entrevistas dos componentes da banda. Vamos aguardar para ver quanto tempo demora de chegar no Brasil.
* É impressionante como esse Bush é odiado. O site MoveOn.org está promovendo uma campanha em que um vídeo com as melhores críticas à administração do presidente americano será escolhido e televisionado. Os candidatos devem se inscrever no site www.bushin30seconds.org entre os dias 24 de novembro e 5 de dezembro. Sabem quem são os jurados? Gente como Eddie Vedder (Pearl Jam), Michael Stipe (R.E.M.), Moby e Jack Black (Tenacious D).
Confira logo abaixo a cobertura do Tim Festival. Se você não deu uma olhadinha, ainda está em tempo!
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por LEONARDO MAIA - 7:23 PM
Terça-feira, Novembro 04, 2003
O atraso desta vez é mais do que justificado: Tim Festival. Abaixo, comentários rasteiros sobre o principal evento musical do ano, no Brasil. Vide o tamanho do evento, pouca coisa pude ver. O suficiente, porém, para valer uma viagem ao Rio de Janeiro. Na quinta, o Discoteca Narcisista volta com o disco da semana. Aguardem!
1º Dia - Tim Lab
A idéia era assistir aos shows de Beth Gibbons com Rustin Man e k.d. Lang no Tim Stage, mas tudo foi por água abaixo. Com lotação reduzida, por conta das mesas e cadeiras, os ingressos logo estavam esgotados, semanas antes do evento. Restou então o Tim Lab, com uma boa programação. O local tinha capacidade máxima de duas mil pessoas, estando apenas com 70% do espaço preenchido. A banda alagoana Wado foi a primeira a subir ao palco, trazendo sua mistura de samba com rock. A fórmula pode parecer um pouco batida, mas o Wado não faz feio. O público respondia com tímidos aplausos, sem conhecer o trabalho do grupo. Apresentação morna, porém competente. Em seguida, os americanos do Lambchop lotaram o palco do Tim Lab. A expectativa era grande, afinal eram 12 componentes com os mais diversos instrumentos. No violão e voz, Kurt Wagner liderava os companheiros de banda. Apesar dos bons arranjos e competência dos instrumentistas, o Lambchop é meio decepcionante. Imaginei algo bem mais potente para o tamanho da banda, mas acabei achando tudo meio monótono. O estilo é o alt-country, mesmo que a banda rejeite o rótulo. O vocal bem ao estilo Lou Reed dá um charme especial ao grupo. Só isso.
Em seguida, a atração que todos esperavam. Ao que parece, a grande maioria dos presentes foi mesmo conferir o show dos Los Hermanos. Se nos shows anteriores, o público preferia ficar no bate-papo, na apresentação da banda carioca, todos se reuniam na frente do palco. Aos primeiros acordes de "O Vencedor", que se tornou a música oficial de abertura dos shows da banda, o público urrava de alegria. Quem já foi a algum show do grupo, sabe do que eu estou falando. Do início ao fim, uma constante: todas as canções cantadas em uníssono pelos fãs do Los Hermanos. Comparando com o show feito em Salvador, no último mês de setembro, algumas diferenças puderam ser notadas. A principal delas foi o revezamento dos vocalistas Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante. Camelo cantou umas 12 músicas seguidas, enquanto Amarante ficou com as seis restantes, antes do bis. Isso prejudicou um pouco a dinâmica do show, mas nada que chamasse muita atenção. No repertório, mais músicas do novo "Ventura" e apenas uma música do disco de estréia. Como sempre, ótimo show dos hermanos. Repeteco no dia 8 de novembro, na Concha Acústica.
2º Dia - Tim Stage
Toda a expectativa estava voltada para o Tim Stage do segundo dia do evento, que reunia a melhor escalação entre todas, mesmo que com alguns erros. O espaço do Tim Stage era muito bom e a equipe de limpeza e coordenação fez um excelente trabalho. Com capacidade para 4 mil pessoas, o espaço nunca esteve próximo da lotação desagradável, mesmo com todos os ingressos vendidos. O resultado foi a possibilidade de assistir ao show na beira do palco, sem apertos. A única falha foi um insistente eco que prejudicou um pouco a apresentação das primeiras bandas. O primeiro grupo a pisar no palco foi o Whirlwind Heat, banda obscura até no seu país natal, os Estados Unidos. Ao que parece, o grupo, que foi indicado pelo White Sripes, continuou desconhecido para a grande maioria da platéia. Isso porque, assim como eu, os espectadores só começaram a chegar no show do Fellini, lotando o espaço mesmo apenas no meio da apresentação do The Rapture. Bem, o grupo paulista Fellini, que se manteve no cenário underground por toda sua carreira, foi ressuscitado pela curadoria do Tim Festival. Uma homenagem legal, porém exagerada, pois a banda tornou-se a única atração nacional na principal noite do palco central do evento. Fora algumas dezenas de pessoas que conheciam o trabalho dos veteranos, o Fellini não empolgou os presentes. Do meio para o fim da apresentação, aumentava a expectativa quanto às atrações seguintes e o desejo de "acaba logo" crescia vertiginosamente.
A mistura de britpop com eletrônica do Super Furry Animals foi a primeira grande atração da noite. Banda do País de Gales, o SFA começou realmente a esquentar o público. A banda traz um tecladista que faz as vezes de DJ no palco, além de uma mesa especial para o vocalista, que controla distorções na voz e na guitarra. O grupo utilizou os dois telões laterais e mais um extra no fundo do palco para projeções de animações e colagens, sempre em conjunção com as músicas executadas. O show foi baseado no último disco dos galeses, "Phanton Power", e no álbum ao vivo "Rings Around The World". Apesar da forte presença da eletrônica, por vezes, parecia que o público estava assistindo a um clássico representante do pop inglês. A eletrônica se sobressaía especialmente no início e fim das canções. O SFA soube como poucos conquistar o público, com frases de efeito em português, um vocalista performático que chegou a cantar de capacete e protestos políticos. Neste último quesito, O SFA colou uma frase em português no vídeo: "Todos os governos são mentirosos e assassinos", alternando-a com imagens de Tony Blair e George Bush. Pronto, o público logo respondeu com impropérios e vaias para duas das figuras mais odiadas do planeta. No fim da apresentação, a banda se retirou do palco e deixou o DJ comandar o show. Rapidamente, o Tim Stage se transformou em uma verdadeira discoteca. A interessante intervenção do DJ, porém, estendeu-se por demais, tomando uns 15 minutos do show. Para encerrar de vez, todos os componentes do Super Furry Animals retornaram ao palco, vestidos como imensos animais peludos, numa referência ao nome do grupo (furry=peludo). Em mãos, um dos componentes trazia uma réplica da Copa do Mundo, homenageando o público brasileiro. Apresentação bem simpática de um grupo que conquistou gradativamente a platéia.
Rapidamente, chegou a vez do The Rapture. Uma das mais novas revelações de Nova Iorque, o grupo fez um show impressionante, surpreendendo os presentes. O som trazia também forte presença eletrônica, mas os excelentes instrumentistas tomavam toda atenção para o setor rocker da banda. Parte da cena que ficou conhecida como electroclash, o Rapture é discípulo do que chamam de electro-punk ou disco-punk. O bom guitarrista e o ainda melhor baixista se alternavam nos vocais, com maior destaque para o primeiro. Com uma voz esganiçada, o guitarrista lembra muito Robert Smith, figura lendária do The Cure. Pense em um Robert Smith ainda mais escandaloso e você terá uma idéia. Por vezes, parecia que ele ia estourar as cordas vocais, assim como fez com uma corda de sua guitarra. Alguns dos arranjos lembravam a já citada The Cure e o Happy Mondays, fechando as influências principalmente no punk e new wave. A empolgação dos componentes, com destaque para o alucinado saxofonista, logo contagiou o público que, ao final da apresentação, pulava bastante. O hit (especialmente nas pistas de dança inglesas) "House of Jealous Lovers" foi uma das mais empolgantes, ao lado de "Olio" e "Heaven", todas do recém-lançado segundo disco, "Echoes". Para encerrar a segunda melhor apresentação da noite, não podia faltar um aclamado bis.
O melhor, claro, ainda estava por vir. Numa celebração do que há de melhor no rock, o White Stripes fez um showzaço. Uma das bandas favoritas do Discoteca Narcisista, o Stripes é cru, visceral e impressionante ao vivo. São verdadeiros rock stars, com pose e música para tamanho título. Não vou mentir que a expectativa era grande, pois, nos discos, o guitarrista Jack White ainda conta com recursos como gravação de mais de uma guitarra para preencher o som. No palco não, é só ele e a irmã (assim ele chama) Meg White na bateria. Apenas. Inacreditável, mas parece que são três guitarras. Se eu tinha alguma dúvida quanto ao meu guitarrista favorito na atualidade, isto já é passado. Jack White é o cara, o melhor do mundo. E como Meg e Jack se completam no palco! Ela é uma baterista mediana, mas tem uma excelente presença de palco e consegue acompanhar o genial irmão sem comprometer. Um dos recursos mais legais foi colocar um microfone acoplado na bateria, posicionado para fora. Deste modo, Jack podia cantar também de frente para Meg, que parecia uma tímida garotinha em sua bateria ultra-vermelha. Eles se concentravam em um espaço tão pequeno, que eu acredito ter achado a banda ideal para o minúsculo espaço do soteropolitano Calypso Heineken Station. Quem dera... No total foram 18 músicas, com maior incidência de canções do álbum mais recente, "Elephant", além de sucessos garimpados dos outros três álbuns e umas duas covers. Faltou mesmo foi "Hello Operator" e "Apple Blossom", mas tudo bem. Para o bis, ficou a genial "Seven Nation Army" e aquela vontade de quero mais. Sorriso estampado no rosto, restou boas lembranças e um agradável zumbido no ouvido. Fim do Tim Festival para mim. Sensação de dever cumprido. E que no ano que vem, em São Paulo, seja ainda melhor.
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por LEONARDO MAIA - 4:08 PM
Quinta-feira, Outubro 23, 2003
* Disco da Semana - Lisbela e o Prisioneiro
Não me lembro de uma trilha-sonora de filme nacional que tenha me conquistado tanto quanto "Lisbela e o Prisioneiro". Ao contrário dos filmes estrangeiros, os brasileiros raramente prezam pela seleção cuidadosa de boas músicas. Quando pensamos em canções que lembram diretamente o filme, como acontece em casos como o de "Pulp Fiction", os exemplos brazucas tornam-se ainda mais escassos. Pois é, a trilha de "Lisbela e o Prisioneiro" é um exemplar em extinção. Ao ouvir cada música, lembra-se logo de quadros do filme. Mesmo com artistas e interpretações dos mais variados estilos, o álbum é extremamente coeso. A música-tema "Você Não me Ensinou a te Esquecer", versão de Caetano Veloso para uma canção do ícone brega Fernando Mendes, está estouradíssima nas rádios. Goste ou não do velho Caetano, não há como negar como é boa a nova interpetação. Outro grande destaque é "Lisbela", uma composição do mesmo Caetano, em uma versão esplêndida do Los Hermanos. A mesma música volta em ritmo de forró, com o Trio Forrozão. Apenas uma ressalva: podem se preparar, pois vocês vão enjoar de ouvir no próximo São João. Se os destaques ficassem por aí, já estaria de bom tamanho. Mas ainda tem "O Amor é Filme", do ótimo Lirinha, vocal do Cordel do Fogo Encantado; "Espumas ao Vento", em uma interpretação emocionada de Elza Soares; "A Dama de Ouro", do baiano Zéu Brito; e "A Dança das Borboletas", com Zé Ramalho e Sepultura. Esta última merece um comentário especial. Como que ninguém tinha pensado nesta parceria? A voz de trovão e profética de Zé Ramalho casou de modo perfeito com o instrumental pesado do Sepultura, transformando a música em uma verdadeira epopéia. É linda, pesada, emocionante. Prestigie o genuíno produto nacional: veja o filme e ouça a trilha. Produtos dos bons.
* "Lisbela e o Prisioneiro" serve como trilha do Todos os Tons desta quinta (23), a partir das 19h10. O mesmo programa vai ao ar novamente no domingo (26), à 1h da madrugada. Aproveite e assista a videoclipes de Los Hermanos, Cordel do Fogo Encantado, Elza Soares, Marilyn Manson e Silverchair. O Todos os Tons é tranmistido pela TV Salvador, no canal 28 (UHF) e 38 (NET).
STOP OVER HONKERS' TOUR
A banda mais divertida da cidade, que recentemente ganhou o título de mais desafinada, título este logo adotado pelos próprios componentes da banda, está de malas arrumadas. E haja mala, pois o pessoal do Honkers vai passar mais de 15 dias fora da Bahia, fazendo shows em seis estados e oito cidades. Eles tocam a primeira noite (12/11) em Campinas, com a banda The Lux, e quatro noites em diferentes casas de shows da capital paulistana, ao lado de grupos como Thee Butchers Orchestra e Monsters. Seguem para o Paraná, tocando duas noites na capital com os Catalépticos e outros grupos. Sem descansar, fazem apresentação única em Florianópolis, com o pessoal do Ambervisions e Monsters. No Rio de Janeiro, toca dias noites, sendo que uma delas tem participações ilustres do Go! e Netunos. Minas Gerais vai recer dois shows, um em Belo Horizonte e outro em Poços de Caldas. A odisséia, a bordo de um carro, culmina com uma apresentação no festival Goiânia New Underground (GNU), no dia 29 de novembro. Boa viagem ao Honkers!
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por LEONARDO MAIA - 11:08 AM
Terça-feira, Outubro 21, 2003
O Discoteca Narcisista pede desculpas pela demora em lançar o post da semana. A atualização, que deve ser realizada na quinta, acabou ficando para o domingo. Não contava, porém, com o mau humor do computador, que entrou em processo de reiniciação sem maiores explicações. Como o texto não estava salvo, foi todo para o ralo. Fiquem então com uma segunda versão do mesmo, que sempre teima em parecer pior que a original...
* Disco da Semana - Música Para Beber e Brigar (Matanza)
A banda carioca Matanza chega ao seu segundo disco mantendo o seu universo peculiar como principal destaque. Pense em um bar bastante esfumaçado, lotado de "heróis" mal-encarados, mulheres fatais e muita, muita bebida mesmo. Agora transporte este enredo para uma base musical que mistura o pesadíssimo hardcore com a levada country. Pronto, você já sabe qual é o universo Matanza. A enxurrada de palavrões e atitudes preconceituosas fazem do grupo um dos mais politicamente incorretos do Brasil. E é isso que o torna especial. O som, mesmo sendo a mistureba já citada, não soa inovador e pode até cansar. Mas a banda consegue segurar a barra com histórias engraçadas e boas performances dos instrumentistas. Em alguns momentos, como em "Maldito Hippie Sujo", o grupo arrisca no rockabilly, o que acab funcionando. Todas as composições ficam a cargo do guitarrista Donida, que joga duro também no manejo do seu instrumento. O vocalista Jimmy trata de colocar a sua voz grossa, quase gutural, em comunhão com o universo Matanza. Apenas uma das canções de "Música Para Beber e Brigar" é instrumental. A faixa "Busted" é uma homenagem do grupo a Johnny Cash, ídolo maior deles, recém-falecido. Lançamento da Deckdisc, pelas mãos do produtor Rafael Ramos, o álbum é uma boa pedida para quem gosta de hardcore ou quer dar boas risadas. O público baiano quase conferiu o resultado ao vivo, durante a série de shows Big Hits, realizada por Rogério Big Brother. O grupo Matanza já estava confirmado, mas teve que ser substituído pelo capixaba Muertos Viventes, em cima da hora. Eles alegaram que o momento não era ideal e que logo aportariam em Salvador com o lançamento de "Música Para Beber e Brigar". Uma coisa é certa: o inferninho Calypso Heineken Station é o local perfeito para os personagens de Matanza ganharem vida. Vamos ver no que isso vai dar.
* O segundo CD do Matanza foi a triha-sonora do Todos os Tons desta segunda-feira (20), às 19h10. Para você que perdeu, não vai ter volta, pois o programa não será reprisado. O Todos os Tons vai ao ar na TV Salvador (canal 28 - UHF e canal 38 - NET).
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por LEONARDO MAIA - 11:22 AM
Quinta-feira, Outubro 09, 2003
* Disco da Semana - Youth and Young Manhood (Kings of Leon)
Esta é mais nova sensação do rock mundial. Ou, com a devida permissão do Titãs, "a melhor banda dos últimos tempos da última semana". Na insaciável corrida do mercado rock'n'roll, o Kings of Leon é a bola da vez. Formado por três irmãos, filhos do pastor Leon, e um primo, o grupo é do Estado do Tennessee. São quatro jovens americanos com idades entre 17 e 22 anos, caipiras sulistas por natureza. Cresceram ouvindo música gospel e, nos intervalos, rock de gente como Jimi Hendrix, Neil Young e Rolling Stones. A mistureba deu origem a um som com rock de garagem, punk, folk e country, sendo este último estilo uma influência clara do ambiente geográfico onde o Kings of Leon nasceu. O visual da banda é retrô e a música soa parecida com grupos setentistas tais como Creedence Clearwater e Lynyrd Skynyrd, sem parecer datado. "Youth and Young Manhood" é um disco de estréia realmente excelente, mas há uma certa dose de exagero entre os críticos musicais. A revista New Musical Express (NME) afirmou que o álbum é o melhor de estréia dos últimos 10 anos. Os elogios não param de ser derramados e o grupo já está excursionando com o The Strokes. Não há dúvida: a música do Kings of Leon é muito boa, mas está bem longe do que andam falando por aí. O primeiro single, "Molly's Chambers", e o trio de canções que abrem o álbum ("Red Morning Light", "Happy Alone" e "Wasted Time") são excelentes exemplos do que o grupo é capaz. Mas o álbum tem momentos mais fracos, como em "Trani" e "Spiral Staircase". Merece destaque especial a voz do cantor Caleb Followill. Um certo jornalista brasileiro classificou o tom da voz como "sacana", uma das melhores referências para quem ainda não ouviu. Um ar caipira é o tempero essencial da voz, que abusa dos lamentos, falsetes e gritinhos. O guitarrista também se destaca, com riffs super pegajosos. A impressão que dá é de que a banda poderia ser muito melhor se passassem a elogiá-la um pouco menos. Se você ouvi-la sem dar muita atenção aos elogios exacerbados, vai ficar bastante satisfeito. Entretanto, não vai enxergá-la como a maior sensação do momento.
* "Youth and Young Manhood" é a trilha sonora do Todos os Tons da próxima quinta feira (16), às 19h. Se você perder, ainda tem direito a um repeteco no domingo (19), à 1h da manhã. Confira também videoclipes do The Strokes, Coldplay, zwan, Dido, DJ Marky e DJ Patife. O Todos os Tons é veiculado na TV Salvador (canal 28 - UHF e canal 38 - NET).
EXISTE ROCK TAMBÉM NOS BAIRROS PERIFÉRICOS
Não se engane: não é só no Rio Vermelho que rola o bom e velho rock'n'roll. Uma espécie de mini-festival do estilo vai agitar o bairro de Pau da Lima. Na programação do evento, que recebe o nome "Universo Diverso", estão confirmadas as bandas Dever de Classe, Hateup(Br), Worms, Feto Armagurado, Almas Mortas, Requiem, Rota de Colisão e BW. O Quizumba Bar sedia a série de shows do próximo sábado (11), a partir das 17h30. O ingresso é baratinho: R$ 3,00.
NOVIDADES DO MUNDO DA MÚSICA
* O primeiro "Roque é Gente Boa" foi um sucesso. Por que não repetir? Então tá marcado: na sexta (10), a partir das 23h, Ronei Jorge & os Ladrões de Bicicleta, Paquito & Os Falsos Baianos e Soma se reencontram para uma noite eclética. Desta vez, o show acontece no Calypso Heineken Station. Sai por R$ 7,00.
* Além do bom som, o The Libertines ficou conhecido pelo destaque que recebeu nas páginas policiais. O guitarrista Pete Doherty invadiu a casa de seu colega de banda, Carl Barat, e saiu levando a tiracolo computador, videocassete, CD player e livros. O artista foi condenado a seis meses de prisÃo, mas já foi liberado esta semana. Os advogados conseguiram reduzir a pena para dois meses e o músico já está de volta à banda, perdoado pelos companheiros. Pete confessou, inclusive, que o seu vício por drogas motivou o assalto.
* Depois de oito anos sem realizar turnês mundiais, o cantor inglês David Bowie confirmou apresentações em 17 países nos próximos sete meses. O lançamento de "A Reality Tour" acontece na capital da Dinamarca, Copenhague. O Brasil ficou de fora da excursão de Bowie, mas acompanhou em setembro um show transmitido via satélite, para salas de cinema em São Paulo, Rio de Janeiro e Campinas. A interatividade continua rolando solta na programação de Bowie. Aqueles que comprarem os ingressos para o show do artista, poderão assistir as demais apresentações na Internet, utilizando um código especial de acesso.
* Karen O, vocalista do Yeah Yeah Yeahs, foi hospitalizada após um acidente na Austrália. Ela caiu do palco após cantar quatro músicas e sofreu algumas escoriações. Karen ainda tentou retornar ao palco para cantar, mas só agüentou mais uma música.
* Não há como escapar. Quase um mês antes do lançamento oficial nas lojas, "Room of Fire", esperado segundo disco do The Strokes, já vazou na Internet. Todas as músicas estão disponíveis para download. Quem preferir pode esperar a versão original do álbum, que estará disponível em vários países, incluindo o Brasil, a partir do dia 28 de outubro.
* A descartável cantora Britney Spears faz de tudo para aparecer. Nesta última semana, a americana estava presa em um engarrafamento em Nova Iorque. Entediada, resolveu abrir o teto solar e colocou o corpo para fora, fazendo um "show" particular para os motoristas presentes. Ai meu Deus, se a moda pega no Brasil...
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por LEONARDO MAIA - 11:14 PM
Sexta-feira, Outubro 03, 2003
* Disco da Semana - Black Market Music (Placebo)
O Placebo é uma daquelas bandas que segue com uma carreira bastante regular, mas não chama muita atenção. O grupo não pertence a um nicho específico do mercado, mas possui um público cativo. Sua música reserva momentos de extremo peso, como em "Brick Shithouse", do disco "Without You I'm Nothing", ao mesmo tempo em que apresenta baladas de bom gosto. "Black Market Music" é o terceiro disco da banda britânica e o seu maior sucesso comercial. "Taste in Men" abre o álbum com um acento gótico, que hoje é marca registrada do grupo. A canção remete ao new wave, flertando com a eletrônica. O abuso de efeitos, em conjunção com uma dura bateria, criam o clima típico banda. Depois do ínicio instrumental, eis que entra a voz. Uma dúvida logo surge: é homem ou mulher? Bem, fisicamente, é homem, mas há dúvidas quanto ao estado de espírito. O vocalista Brian Molko prefere uma imagem mais assexuada, com ares de andrógino. Querem uma referência mais exata? Pense em David Bowie na fase Ziggy Stardust, com toda aquela maquiagem e figurino bizarro. Não à toa, Bowie considera Molko o filho que ele não teve. A admiração é mútua, vide a participação de Bowie em uma das faixas-bônus do disco. Eles fazem um duo na música-título do álbum anterior, "Without ou I'm Nothing", desbancando a versão original. O Placebo consegue flertar com a eletrônica de modo responsável, sem perder o peso. Não se engane, o grupo pode ser muito pesado, mesmo que ainda tenha mais músicas no estilo baladeiro. Entre os outros destaques deste álbum, estão "Special K", uma das músicas mais populares da banda, "Days Before You Came" e a singela "Passive Agressive". Todas essas músicas estão na primeira parte do disco, que vai perdendo a força com o avanço das faixas. A ótima notícia, pelo menos para aqueles que moram mais para o Sul do país, é que o Placebo está vindo para o Brasil. A data ainda não está fechada, mas deve ser no mês de novembro.
THE HONKERS PROSSEGUE COM NOVOS PROJETOS
Você que curte o The Honkers, pode ficar com um pouco de saudade dos caras. O grupo reservou o mês de outubro para excursionar pelo interior e está com diversas programações para os meses seguintes. A jornada começa com uma série de shows por diversas cidades baianas: Feira de Santana (4/10), Sapeaçu (11/10), Itabuna (19/10) e Valença (25/10). Em novembro, o grupo está acertando uma turnê nacional, que promete muito. Neste mesmo mês, os Honkers entram em estúdio para lançar o sucessor do ótimo EP "Between The Devil and The Deep Blue Sea". A novidade é que o lançamento é um álbum cheio, com 15 canções inéditas. A produção fica por conta de Dimmy Silva, que também é baterista da banda, e Mauro Y Barros, o responsável pelo trabalho gráfico do EP de estréia. O projeto envolve outras 10 pessoas na equipe técnica e deve ser lançado entre os meses de março e abril de 2004. O nome, por incrível que pareça, consegue ser mais extenso que o anterior: "Coming from to Cold Ocean", to Mutilate my Lonely Heart". Nesse meio-termo, o videoclipe de "Between The Devil and The Deep Blue Sea" deve ser gravado.
GOIÂNIA NOISE FESTIVAL ANUNCIA PROGRAMAÇÃO
O festival indie mais legal do Brasil anunciou a programação para a edição de 2003. O Retrofoguetes vai representar a Bahia no 9º Goiânia Noise Festival, sendo um dos destaques da última noite do evento. Os shows acontecem entre os dias 07 e 09 de novembro, contando com a presença de 42 bandas e 12 DJs. Entre as atrações mais interessantes estão o Mundo Livre S/A, Wado, Vamoz!, Mechanics, Prot(o), Violins, Ratos de Porão, Mukeka de Rato, Estrumen'N'tal, Hang The Superstars, Autoramas, Capotones, Walverdes, MQN e a única banda internacional, a japonesa Guitar Wolf.
NOVIDADES DO MUNDO DA MÚSICA
* A viúva negra Courtney Love aprontou mais uma. Ela foi presa depois que tentou invadir uma casa, quebrando quatro janelas. A cantora estava sob influência de substâncias entorpecentes. Depois de pagar uma fiança no valor de U$ 2.500, Courtney foi liberada. Pouco depois, outro telefonema levou a polícia a uma casa, onde a ex-mulher de Kurt Coubain se encontrava. Ela foi logo levada a um hospital, com suspeita de overdose.
* O Fatboy Slim está acertando os últimos detalhes do seu novo álbum, que conta com a participação do vocalista do Blur, Damon Albarn. O disco é o sucessor de "Halfway Between The Gutter And The Stars", lançado em 2000. O líder do grupo, Norman Cook, afirmou que o trabalho está mais voltado para o hip hop.
* O Offspring anunciou esta semana a chegada de um novo baterista, que substitui Ron Welty, fora da banda desde o começo de 2003. O escolhido foi Atom Willard, que segurava as baquetas do Rocket From The Crypt. O Offspring lança um novo disco, intitulado "Splinter", no próximo mês de dezembro.
* O guitarrista do Radiohead, Jonny Greenwood, está lançando o seu primeiro projeto solo. Ele é o responsável pela trilha sonora de "Bodysong", filme ainda inédito do diretor Simon Pummell. São 13 faixas, sendo que uma delas conta com a participação de Colin Greenwood, baixista do Radiohead.
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por LEONARDO MAIA - 4:52 PM
Quinta-feira, Setembro 25, 2003
* Disco da Semana - Surfer Rosa (Pixies)
Já que a idéia é comemorar o retorno dos Pixies à ativa, vamos recorrer a um clássico da banda, na tentativa de atrair bons fluidos. O risco de retornar depois de 10 anos é grande e o grupo deve fazer de tudo para não estragar tão importante legado. Quem é fã de Pixies sabe do que eu estou falando. O Discoteca Narcisista já trouxe "Doolitle", o preferido de muitos, para figurar como o disco da semana. Desta vez, o escolhido é o excelente "Surfer Rosa", primeiro disco oficial dos americanos. Com o lançamento do EP "Come On Pilgrim" , o Pixies já tinha chamado a atenção da crítica especializada e o seu début vinha cercado de expectativa. O resultado foi ainda melhor que o esperado: "Surfer Rosa" é um disco nada menos do que espetacular, que transmite um caos sonoro elegante. Elegância, aliás, que já está estampada na capa do álbum, com uma belíssima fotografia de uma mulher latina. "Bone Machine", primeira faixa, faz o favor de prender a atenção do ouvinte logo de cara. Primeiro entra a bateria, depois o baixo, logo em seguida um riff pegajoso da guitarra e por último a voz alucinada de Black Francis (hoje Frank Black). E os elementos não param por aí: ainda tem a majestosa voz da baixista Kim Deal, então Mrs. John Murphy. Kim é a minha musa no rock and roll, um verdadeiro diferencial no Pixies. Neste disco, a sua participação junto aos microfones é a maior entre os trabalhos do Pixies. Dizem, inclusive, que o ciúme de Black fez com que ela diminuísse suas intervencões nos discos seguintes, culminando com o fim da banda. Em "Break My Bod", o duo retorna com a mesma potência. O caos sonoro lá em cima citado é evidenciado em "Something Against You", com instrumental potente e vocais guturais. O tom infantil que o Pixies costumava acrescentar em algumas das suas canções é o destaque em "Broken Face", com os falsetes que se tornaram uma das marcas de Black Francis. A leveza e elegância retornam em uma das únicas faixas cantadas inteiramente por Mrs. Murphy, "Gigantic". Que música... Mas o melhor ainda está por vir: "Where's My Mind", um dos maiores clássicos do rock alternativo americano. Para quem não conhece, esta canção foi tema do filme "Clube da Luta", representante fiel de todo o desespero que o filme transmite. As canções seguintes mantém o padrão Pixies de qualidade, mesmo que não se comparem com o começo arrebatador. Os elementos latinos, tão explorados em "Come on Pilgrim", são destaques nesta segunda parte do disco, como nas canções "Oh My Golly!" e "I'm Amazed". Ao ouvir discos como esse, a expectativa quanto ao primeiro inédito do Pixies em uma década de silêncio cresce de modo estúpido. Agora, resta apenas aguardar.
DEZ ANOS DE HISTÓRIA EM QUADRINHOS
Não é toda festa que completa 10 anos de existência. Quando falamos na Bahia, a situação piora, ao menos fora do eixo axé-pagode. No dia 04 de outubro, a Festa em Quadrinhos completa uma década de muito sucesso e rconhecimento, vide a reportagem da Istoé, que a escolheu como uma das melhores festas de Salvador. Para comemorar a data especial, foram recrutadas as bandas Mundo Livre S/A, que vem de Pernambuco para lançar um novo CD, e Lampirônicos, além do DJ Rui Santana. O Mundo Livre prometeu gravar um videoclipe do álbum "O Outro Mundo de Manuela Rosário" durante o evento. A Festa em Quadrinhos está marcada para as 22h, na Fazenda Portão (Buraquinho). Vale lembrar que a fantasia é obrigatória.
ESTRUME'N'TAL TOCA NO CALYPSO
A maré é das boas em Salvador. Depois da série Big Hits, com as bandas 2Fuzz, Vamoz e Muertos Viventes, dos shows do Los Hermanos e Nação Zumbi, além dos que ainda estão por vir, como Mundo Livre S/A, Marcelo D2 e Violins, mais uma banda "forasteira" está programada para tocar na cidade. Para variar, Rogério Big Brother é o responsável pela nova confirmação. A mineira Estrume'n'tal, que faz um surf music instrumental de primeira linha, vem duelar com dois pesos-pesados do rock baiano: Retrofoguetes e The Honkers. A briga de cachorro grande acontece em dois dias distintos, com os alucinados Honkers no dia 16 e com o também power trio instrumental Retrofoguetes no dia 17. O Calypso Heineken Station sedia o encontro. Este merece a marca de imperdível.
NOVIDADES DO MUNDO DA MÚSICA
* A bateria do Stereophonics não é mais comandada por Stuart Cable. Por problemas de compromisso, Stuart, que é membro original, teve que se desligar do grupo. O substituto não será considerado um membro oficial da banda, em respeito ao legado de Stuart. Steve Gorman, ex-baterista do Black Crowes, é o membro-interino que responde pelo controle das baquetas.
* Yoko Ono é a responsável por mais um lançamento com a marca John Lennon de qualidade. A viúva da lenda do rock coloca no mercado, no dia 27 de outubro, um DVD com destaques da carreira solo do ex-beatle. Imagens da infância de Lennon, uma performance inédita de "Imagine" e animações com alguns dos desenhos feitos pelo cantor e compositor estão entre os destaques do material.
* Vide o extenso repertório do R.E.M., a escolha das canções que vão figurar em uma compilação da banda costuma gerar polêmica. O "greatest-hits" do grupo americano, intitulado "In Time", já tem a lista das músicas divulgadas. Confira se faz o seu gosto: 'Man On The Moon'; 'The Great Beyond'; 'Bad Day'; 'What's The Frequency, Kenneth?'; 'All The Way To Reno (You're Gonna Be A Star)'; 'Losing My Religion'; 'E-Bow The Letter'; 'Orange Crush'; 'Imitation of Life'; 'Daysleeper'; 'Animal'; 'The Sidewinder Sleeps Tonite'; 'Stand'; 'Electrolite'; 'All The Right Friends'; 'Everybody Hurts'; 'At My Most Beautiful' e 'Nightswimming'. Os primeiros discos virão com um disco bônus, repleto de raridades.
* O Flaming Lips está lançando um novo EP no dia 18 de novembro. O novo trabalho da banda chama-se "Ego Tripping at the Gates of Hell" e conta com sete faixas.
* A idéia é transformar o que é passado. Seja no estilo de bandas da moda, como Strokes, White Stripes, Kings of Leon, Hives e muitas outras, seja nos lançamentos de remixes. Sabem qual single assumiu o posto de número um em vendas nos Estados Unidos? "Sympathy For The Devil", lançada originalmente em 1968, pelos Rolling Stones. O clássico foi remixado pela dupla de produtores Neptunes e pelos DJs Fatboy Slim e Full Phatt. Sabem qual single foi desbancado do topo? "Rubberneckin", de Elvis Presley, também em versão remixada. A canção é de 1969.
* Depois de 21 anos de ócio, o vocalista Roger Daltrey e o guitarrista Pete Townshend, que atendem pelo nome do The Who, anunciaram que um novo disco de inéditas está a caminho. Uma fita demo com músicas novinhas deve estar sendo preparada até o fim do ano, culminando com a entrada em estúdio até março de 2004. O The Who deve ainda seguir em turnê em meados de 2004 e em 2005.
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por LEONARDO MAIA - 4:56 PM
Quinta-feira, Setembro 18, 2003
* Disco da Semana - À Procura da Batida Perfeita (Marcelo D2)
Não vou mentir: eu detesto rap. Não consigo admirar os grupos de rap ou hip hop, todos são muito chatos. Respeito o trabalho dos artistas, especialmente quando vejo quantas pessoas admiram o estilo. Chego a suportar o trabalho dos brasileiros, mas abomino os rappers americanos. Nada mais natural do que criar uma certa resistência quando vejo nas lojas um novo disco solo de Marcelo D2, vocal do Planet Hemp. Ainda bem que eu ando acatando sugestões. Este novo trabalho de Marcelo é uma grata surpresa. Faz uma salutar mistura do rap e hip hop com o samba, trazendo instrumentos de sopro, dj's e samplers. Assim como grupos estrangeiros como o Orishas, Marcelo D2 consegue fazer com que elementos do rap soem bem aos meus ouvidos. Pode-se dizer que "À Procura da Batida Perfeita" é mais samba do que qualquer coisa, mas o que importa mesmo é a excelente mistura que o músico executou no trabalho. O disco já é bom desde o interessante título, passando pelo encarte e chegando na sonoridade empolgante. Depois da rapidíssima vinheta, entra a faixa-título, que logo entrega: "Eu vou no samba". É uma das melhores do álbum, ao lado de "A Maldição do Samba", "Loadeando", um diálogo entre D2 e seu filho, e a já hit "Qual É", que papou três prêmios no Video Music Brasil. Marcelo D2 continua trabalhando muito bem as composições, mesmo que exagerando nas auto-referências. Como fazia no Planet Hemp, o artista sempre arranja um jeito de meter o seu nome ou o título do disco nas letras. Nada que comprometa as composições, mesmo que incomode um pouco. A escolha da eletrônica para intermediar o encontro entre o rap e o samba foi mais do que acertada, com passagens que lembram muito o brasileiríssimo drum'n'bass. O resultado em show deste ótimo disco poderá ser admirado pelos baianos logo. Marcelo D2 se apresenta ao lado de Marcelo Nova, ex-vocalista do Camisa de Vênus, no Aldeia Beach (Jardim de Alah), no dia 28 de setembro. A apresentação está marcada para as 18h, saindo pelo preço de R$ 15,00
* O Todos os Tons desta segunda (15h e 19h30) e terça (19h30) traz o disco solo de Marcelo D2 como trilha sonora. Ouça um pouco de "À Procura da Batida Perfeita" e saiba mais algumas informações complementares. O Todos os Tons vai ao ar na TV Salvador (Canal 28 - UHF e canal 38 - NET).
MUSIC BOX E BIG BROSS TRAZEM VIOLINS
O Discoteca Narcisista já vem anunciando há algum tempo. Chegou a hora, então, de curtir. No próximo dia 27 de setembro, a banda goiana Violins é a atração principal do evento "Louvado seja o Indie-Rock de Salvador", que reúne ainda Soma, brincando de deus e a revelação Los Canos. O estilo britpop é o predominante, representado pela Violins e Soma. O grupo goiano vem lançar o seu segundo disco, "Aurora Prisma", que traz como principal novidade as composições em português, sumprimindo o inglês. O som deste novo álbum promete ser ainda mais introspectivo, com a utilização de uma orquestra, deixando a atmosfera ainda mais complexa. A Soma vai estar lançando um EP Split com a uruguaia danteinferno, incluindo três canções de cada banda no disco. A brincando de deus é a veterana da noite, com o seu rock triste que carrega nuances do britpop e new wave, abusando das guitarras. A expectativa fica por conta de mais músicas novas, pois, em breve, um novo disco estará no mercado. Fechando o leque de atrações, aparece a Los Canos, um pouco distoante do restante, no que concerne ao estilo. O calouro da noite faz rock descompromissado, com letras de amor e um vocalista debochado. Para entender um pouco mais desse som, ouça a referência maior deles, o cantor Wander Wildner. Eles também estão com EP na praça, "O Meu Hobby É Te Amar". O evento, uma produção do site Music Box (www.musicbox.ubbi.com.br) e da Big Bross Records (www.bigbross.blogger.com.br), rola no Havana Music Bar e sair por R$ 5,00 (antecipado) e R$ 7,00 (na hora).
ULO SELVAGEM COMPLETA 16 ANOS DE ESTRADA
São 16 anos de estrada, três EPs ("Vitrines Urbanas", "Ulo Selvagem" e "Jovens Atrás de Diversão"), shows em várias partes do país e muita força de vontade. No próximo dia 27, a banda Ulo Selvagem faz mais um aniversário, deixando a comemoração para o dia seguinte, a partir das 17h, no Teatro da Praia. O grupo de punk/hardcore, com influências ainda do thrash metal, funk e baião, está trabalhando o seu primeiro disco cheio e divide o palco com as bandas 9novos, Pastel de Miolos e Mundo Tosco. O ingresso sai por R$ 5,00 e a banda decidiu doar toda a renda para a Associação Cultural Clube do Rock (ACCR), que vai produzir o evento.
NOVIDADES DO MUNDO DA MÚSICA
* O destaque para este sábado (20) fica por conta do lançamento do primeiro CD da Mutation Lab, nova banda de Salvador. O grupo indie vai estar acompanhado pelo ilustre power trio que atende pelo nome de Retrofoguetes e por Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta, novo trabalho do ex-vocalista da Saci Tric. Os cem primeiros pagantes levam o ingresso do show mais o disco da Mutation Lab por R$ 10,00, enquanto o restante compra a entrada por R$ 7,00. No Havana Music Bar, a partir das 23h.
* Esta opção é para os bolsos mais privilegiados. No dia 26 de setembro, o ex-titã Nando Reis vem lançar o seu novo disco solo, "A Letra A". O cantor interpreta muitos dos seus sucessos ao lado de uma inspirada banda, que inclui Carlos Pontual (guitarra), Felipe Cambraia (baixo), Alex Veley (teclados) e João Viana (bateria). O show marca também a inauguração do palco da mais nova boate das redondezas, a Albatroz Dance & Lounge, localizada em Lauro de Freitas. O salgado ingresso sai por R$ 60,00 (inteira) e R$ 30,00 (meia), para a pista, R$ 80,00 (inteira) e R$ 40,00 (meia), para o camarote.
* Quase todas supostas atrações do Tim Festival, divulgadas por meios de comunicação antes do anúncio oficial da produção, foram confirmadas nesta semana. Não adianta muito listá-las aqui, pois qualquer leitor que se preza já encontrou a programação em diversas veículos de comunicação do país. Faltou apenas Wilco, que por pouco não entra. De novidade mesmo, tem a Whirlwind Heat, banda de Detroit indicada por Jack White, do White Stripes. O mais gozado é que esta desconhecida banda não tem guitarra, apenas baixo. O oposto do White Stripes, que eliminou o baixo e traz uma envolvente guitarra. Vai entender...
* O Sepultura está com fôlego renovado. Depois de uma temporada de shows no exterior, com ingressos esgotados na Europa e África do Sul, a banda terá o seu novo álbum, "Roorback", lançado no Brasil. O disco já está nas lojas européias desde maio, mas só será distribuído na terra natal da banda a partir do dia 30 de setembro, devido a problemas com a gravadora. Entre os novos projetos, está a confecção de um DVD, com a história do grupo desde a entrada do vocalista Derick Green. Outra idéia é fazer shows especiais no Brasil em 2004, com um set list que inclui todas as músicas de todos os discos da banda.
* Novos discos no forno. A revelação The Libertines, cujo disco de estréia - "Up the Bracket" - acaba de ser lançado no Brasil, já está compondo para o segundo trabalho. O disco só deve estar pronto em meados de 2004 e deve ter Mick Jones (The Clash) novamente como produtor. Quem também está se preparando para gravar é o Interpol, que fez sucesso com o début "Turn On The Bright Lights". O grupo tem sete faixas prontas, mas só começa a gravar no início de 2004. A previsão é de que o disco seja lançado no fim deste mesmo ano. Já o novo dos suecos do Backyard Babies está chegando às lojas no dia 05 de novembro, com o nome ¿Stockholm Syndrome¿. A produção ficou à cargo de Joe Baresi, que trabalhou com Limp Bizkit e Queens Of The Stone Age.
* Esse Billy Corgan não toma jeito mesmo. A banda Zwan, formada com o término da Smashing PUmpkins, não durou um único álbum. Nesta semana, Corgan afirmou que as atividades do Zwan estão encerradas. O mais provável é que ele siga carreira solo. O cantor afirmou que o coração dele ainda estava no Smashing Pumpkins, mas que aproveitou bastante sua experiência no Zwan. Venha cá, por que diabos então ele acabou com sua banda original?
*Entre outubro e novembro deste ano, deve estar chegando no Brasil o novo álbum da lendária The Yardbirds. A antiga banda de Eric Clapton, Jeff Beck e Jimmy Page lança novo material, "Birdland", depois de 35 anos, com a presença dos fundadores Chris Dreja (guitarras) e Jim McCarty (baterista). Completando o time, estão os novos membros Gypie Mayo (guitarra e backing vocals), John Idan (baixo e vocais) e Alan Glen (harmonica e backing vocals). O álbum traz também convidados de peso como Joe Satriani, Steve Vai, Jeff Beck, Slash e Brian May.
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por LEONARDO MAIA - 10:02 PM
Sexta-feira, Setembro 12, 2003
MORRE O CANTOR JOHNNY CASH
Este merece nota especial. Faleceu na manhã desta sexta (12) o cantor norte-americano Johnny Cash. Aos 71 anos, Cash tinha diabetes e vinha sofrendo consecutivas internações. O veterano vendeu 50 milhões de discos por todo o mundo e é o único artista com o nome cravado no Hall da Fama do Rock and Roll, no Hall da Fama da Música Country e no Hall da Fama dos Compositores.
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por LEONARDO MAIA - 4:22 PM
Quinta-feira, Setembro 11, 2003
* Disco da Semana - Singles (The Smiths)
Eu sei, muita gente torce o nariz para os álbuns com a alcunha de "the best of" ou "greatest hits". Muitos destes produtos trazem escolhas equivocadas das "melhores" músicas, deixando excelentes canções de fora e escolhendo bombas para o lugar. Ainda tem o fato de que este tipo de disco não oferece um dianóstico fiel da carreira do grupo, como os discos originais fazem. Acredito que um "greatest hits" do Beatles, por exemplo, é caso perdido, pois muitas das melhores músicas nunca entram no repertório. Mas, em certos casos, a coletânea é tão boa que perdoamos. Outra situação perdoável acontece quando o ouvinte não é muito fã da banda e quer apenas dar uma variada na sua discoteca pessoal. "Singles", do The Smiths, encaixa-se no primeiro grupo dos perdoados. O disco é perfeito, trazendo os singles da carreira do grupo britânico. Outras coletâneas do The Smiths assolam as prateleiras, mas nenhuma é tão coesa quanto essa. É clássico atrás de clássico. A compra deste "the best" torna-se ainda mais importante quando percebemos que poucos discos originais do Smiths são encontrados no Brasil. O primeiro sucesso do grupo, a boa "Hand in Glove", abre o disco com propriedade, emendando com a espetacular "This Charming Man", minha preferida do Smiths. Neste sucesso dos ingleses de Manchester, o baixo duela com a guitarra de modo empolgante. O guitarrista Johnny Marr é, ao lado do vocalista Morrissey, o destaque da banda. Os seus riffs são pegajosos e as ambientações remetem logo aos anos 80. Mesmo não solando com freqüência, Marr sempre consegue chamar as atenções para a sua guitarra. Já o vocal de Morrissey dispensa apresentações, sendo o artista uma das figuras mais cultuadas da história do rock. A voz fanha de Morrissey imprimia personalidade à banda e carrega um teor passional, também percebido nas composições do grupo. Morrissey causou muita polêmica com sua assumida homossexualidade, porém, assim como o seu colega de profissão Freddie Mercury, não deixou que sua opção sexual atrapalhasse seus planos musicais. Bem, falar das canções deste disco separadamente ocuparia demasiado espaço. Quer ter certeza que o disco é bom? Ouça "That Joke Isn't Funny Anymore", "Girlfriend In a Coma", "There's a Light That Never Goes Out" e as mais que clássicas "The Boy With The Thorn In His Side", "Bigmouth Strikes Again", "Ask" e "Panic". Não vai mais restar dúvidas...
TODOS OS TONS COMPLETA 500 PROGRAMAS
O Todos os Tons, programa de música da TV Salvador (canal 28 - UHF e canal 38 - Net), completa nesta semana a impressionante marca de 500 edições exibidas. O Todos os Tons vai ao ar de segunda a sexta, sempre com uma variedade grande de videoclipes, que atendem aos mais diversos gostos. Em um dos três programas inéditos de cada semana, entrevistas com artistas locais e nacionais são conduzidas pela apresentadora Briza Menezes. Nos outros dois, discos são escolhidos como trilha sonora. Vale ressaltar que o Discoteca Narcisista entra neste jogo, sugerindo discos e destacando bandas em conjunto com o Todos os Tons. Para esta semana especial, o programa reserva alguns repetecos: o especial sobre a III Mostra de Videoclipes será exibido na segunda (dia 15, às 15h e 19h30) e terça (dia 16, às 15h) e o Especial Dia Mundial do Rock vai ao ar na quarta (dia 17, às 15h) e no dia seguinte, no mesmo horário. O mais legal está reservado para a noite do dia 18 e para os dois horários na sexta-feira (19). É o próprio programa número 500, com algumas surpresas reservadas, sempre em um clima festivo. No primeiro bloco, o Todos os Tons entra na máquina do tempo, com um histórico dos apresentadores, cenários e entrevistas. Nos dois blocos seguintes, artistas de vários estilos, como Duda (Diamba), Marcos Menna (LS Jack), Leci Brandão, Alceu Valença, Nancy Viegas (Nancyta e Os Grazzers), Andrea May (tara_code), Margareth Menezes e Scambo escolhem seus clipes favoritos. Não deixe de assistir. Ao Todos os Tons, uma grande abraço de parabéns!
ROQUE É GENTE BOA APRESENTA TRÊS GERAÇÕES DO ROCK
Os estilos e gerações são diversos e a promessa é de uma eclética festa do rock baiano. O show "Roque é Gente Boa" reúne, neste dia 11 de setembro, três atrações: o veterano Paquito, o returnee Ronei Jorge e os quase-calouros da Soma. Paquito está com disco novo, lançado ao lado dos Falsos Baianos que compõem sua banda. Ronei Jorge, que estava sumido desde que a Saci Tric acabou, tem banda nova, chamada Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta. O grupo já deu uma palhinha, recentemente, na loja São Rock, ao lado do The Honkers. Fechando a noite, entra a Soma que, em dois anos de existência, já chama muita atenção com seu rock triste. Às 22h, no Calypso Heineken Station, o inferninho de Salvador. Apenas cinco reais.
NOVIDADES DO MUNDO DA MÚSICA
* O rock e o blues se encontram na noite de sábado (13), no Havana Music Bar, a partir das 22h30. A Comboio, que toca blues e rock, vem chamando atenção na cena local, com músicos precisos e uma vocalista com uma bela voz. A Lobo Guará, que reverencia os ídolos do Creedence Clearwater, faz um rock das antigas, trazendo também composições próprias. O ingresso sai por apenas cinco contos.
* As bandas Radiola e Zambotronic estão no comando do Barra Esporte Groove, que vai rolar em dois sábados: 20 e 27 de setembro, no Bar da Praia (Barra). Vale lembrar que a Zambotronic está com disco novo na praça, "Eu Não Tô no Top Ten" e voltou com todo gás à noite de Salvador. O ingresso sai por R$ 5,00 e a roska é dobrada até meia-noite.
* Só consigo pensar nisso agora. Por esse motivo, jogo mais uma nota que merece um negrito, nesta nova versão do Discoteca Narcisista. O Pixies, ao que parece, vai mesmo voltar. Boatos rolaram na Internet de que o grupo sai em tour no próximo mês de abril, com direito a disco novo e tudo! O que faz do boato algo mais respeitável é o fato de que a MTV afirmou que um porta-voz do Pixies confirmou os planos. Estou na torcida ferrenha para o retorno desta que foi uma das melhores bandas de todos os tempos.
* Na onda de revivals, a dupla Paul Simon e Art Garfunkel decidiu sair em turnê depois de um hiato de 20 anos, voltando a cantar os velhos sucessos do folk-rock. A respeitável dupla já vendeu 40 milhões de dólares só nos Estados Unidos e promete fazer muito barulho no tour, que passa por 32 cidades. De acordo com Simon, o começo da volta da parceria aconteceu em fevereiro, quando eles foram homenageados com o Grammy pelo conjunto da obra.
* O antigo líder do Skid Row, Sebastian Bach, volta às paradas com um novo grupo. Trata-se do Bach Tight 5, que já está ensaiando e compondo material para um CD. Os shows também já estão sendo agendados, principalmente uma turnê com a banda Twisted Sister e uma apresentação que abre o show de Alice Cooper, em Nova Iorque.
* Depois de duas semanas no hospital, que impossiblitaram uma participação no VMA 2003, o veterano Johnny Cash foi liberado pelos médicos do Nashville Baptist Hospital. Ele teve um problema estomacal, mas vem tendo alguns outros problemas com os pulmões. Mesmo com a idade avançada e saúde delicada, Cash já está trabalhando em um novo álbum. Aliás, este último clipe do cantor, em exibição na MTV, é de cortar os pulsos de tão depressivo. Mesmo assim, consegue ser belo e genial.
* O Deep Purple está deitando e rolando no Brasil. O clássico grupo se apresenta em sete cidades nestes próximos dias e ainda arranja um tempinho para uma inusitada aparição no Casseta e Planeta. Isso mesmo, os velhinhos do rock vão dar o ar da graça no humorístico da Rede Globo. Podem esperar piadinhas com o novo disco da banda, que se chama "Bananas". O grupo, recentemente, afirmou que é um honra dividir a noite com a brasileira Sepultura, muito admirada por eles.
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por LEONARDO MAIA - 7:13 PM
Terça-feira, Setembro 09, 2003
* Discoteca Especial - danteinferno
Mesmo que muitos acreditem que a modernidade na música está presente no genêro chamado eletrônico, com os seus ruídos cibernéticos, vejo no rock alternativo, ou indie, uma cópia mais fiel da atualidade. Há tempos o mundo se concentra nas cidades, porém do final do século XX até os dias de hoje, o caos urbano e o stress demasiado da população se colocaram na linha de frente. É todo muito confuso, ao contrário do teor organizado e repetitivo que a música eletrônica deixa passar. Nos anos 90, grupos alternativos como Pixies, Sonic Youth e Polvo lideraram o movimento indie, com músicas pesadas, vocais que revezavam gritos e sussurros e guitarras altamente criativas e contagiantes. Mesmo que algumas das canções desses grupos citados desbancanquem para o pop, a grande maioria é densa e histérica, no bom sentido da palavra. Ao ouvir o disco da banda uruguaia danteinferno, as referências às bandas acima citadas logo aparecem. E a impressão é a mesma: uma trilha sonora perfeita para uma grande cidade cinzenta, suja, caótica e com ritmo intenso. O EP dos uruguaios é todo cantado em inglês e não entrega a origem dos seus criadores, apenas o período em que foi concebido, ou seja, a contemporaneidade. A produção desta nova banda uruguaia é bem simples, com sete canções gravadas em um CD-R e sem encarte. "Turconegro" abre o compacto com guitarras altas e um instrumental sufocado, trazendo vocais gritados e confusos. Quebrando o ritmo, a música transita entre o pesado e lento. "Triptico de las Delicias" lembra muito o Sonic youth, com aqueles riffs de guitarras recorrentes. Os vocais, como em outras músicas do disco, estão um pouco baixos demais, tornando o som ainda mais complexo e sombrio. "Remera" começa bem pop, mas, depois de dois minutos, os ruídos das guitarras surgem, desbancando em um final mais calmo. "Fachoruso" e "Vals" são boas instrumentais, sendo que a primeira deixa uma vontade de ouvir uma versão mais "completa". Ainda tem "Menester", que lembra as canções mais pesadas do Pixies e traz uma bateria rápida e precisa. Um bom trabalho de estréia para a banda uruguaia, que pode, em breve, dar uma passada pelo Brasil. A ótima notícia é que Salvador está dentro dos planos para o tour em janeiro de 2004, pois a danteinferno está em negociações com o Musicbox (www.musicbox.ubbi.com.br). Além disso, o grupo uruguaio vai dividir um disco (o chamado CD Split) com a baiana Soma. Vão ser três músicas de cada banda, ou seja, uma excelente oportunidade de conhecer o som dos parceiros do Cone Sul. O lançamento do CD Split acontece no dia 27 de setembro, aproveitando o show da goiana Violins em Salvador.
* O disco do danteinferno foi também trilha sonora do Todos os Tons na quinta e sexta passadas. O Todos os Tons vai ao ar de segunda a sexta, em dois horários: 15h e 19h30.
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por LEONARDO MAIA - 5:54 PM
Domingo, Agosto 31, 2003
* Discoteca Especial - The Coral
A banda The Coral é uma ótima surpresa. Com dois discos lançados e um terceiro prestes a sair do forno, o grupo acaba de ter o álbum homônimo de estréia lançado no Brasil. E que estréia... Mesmo que o disco soe estranho por vezes, ele é sempre agradável aos ouvidos. Como muitas bandas atuais, o The Coral flerta com tendências do passado e com sonoridades diversas. O mais bacana é que, a cada experimentação, o grupo surpreende. É psicodelia na veia, desde o encarte até a música, e aposta certeira de muitas drogas na cabeça para criar algo tão imprevisível. As canções são empolgantes, redondas, têm boas letras e são muito diferentes entre si. "Spanish Main", a faixa de abertura, é quase uma vinheta e traz só duas frases na letra. É o necessário para notar que algo soa diferente neste disco. "I Remember When" tem potencial de hit, com um refrão matador e bem pop. "Shadows Fall" vem em seguida com um clima bem Hawaii, vocais em coro e um teclado genial. Incrível, soa brega, circense, e é muito boa. Ainda rola uma passagem bem jazzística no meio. "Dreaming of You" começa com um solo de baixo, abrindo alas para um teclado de churrascaria. É animação na certa, a vontade é de sair dançando. O vocalista James Skelly tem um poder incrível com a voz e já é um dos meus favoritos. Mais para frente do disco, vem "Skeleton Key", a faixa mais alucinante, com vocais transloucados, letra caótica e uma introdução com influência da polca. E como esta introdução lembra a baiana Retrofoguetes! Ouça e entenda o porquê. Para quem gosta de catar referências ou coincidências, o disco desses ingleses que não tem nada de britpop é ainda mais delicioso. Dá para notar ecos de Beatles, Beach Boys, Who, Police, Greateful Dead e até Los Hermanos. Rola passagens de rock, pop, surf music, vaudeville, jazz, hardcore, ska... Só ouvindo para entender tamanho ecletismo estilístico. E sabem do que mais? O segundo disco do grupo, lançado este ano e ainda inédito no Brasil, parece ser ainda melhor, de acordo com algumas críticas inglesas. E o ritmo dos garotos (sim, porque a média de idade dos integrantes é de apenas 22 anos) não pára. Este disco é de 2002, lançado cinco anos após o grupo ter se formado, mas, um ano depois, eles já estão em estúdio para lançar o terceiro rebento. Este disco é mais do que recomendável e o mais novo participante honorário do Discoteca Narcisista.
* O disco de estréia do The Coral é o destaque do Todos os Tons. Confira trechos destre trabalho inglês às 15h e 19h30, na segunda (1º), e às 15h, na terça (2).
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por LEONARDO MAIA - 10:55 PM
Quinta-feira, Agosto 28, 2003
* Disco da Semana - No Hay Banda (brincando de deus)
"No Hay Banda" é apenas um aperitivo para um esperado lançamento. Depois do excelente terceiro disco, a brincando de deus tem o difícil trabalho de superá-lo ou igualá-lo em qualidade e repercussão. Este single, composto por apenas duas canções, mostra que o grupo está no caminho certo e deixa o ouvinte com água na boca. O título do single, e também da primeira música, deixa um ar de mistério no ar. "No Hay Banda" remete-se ao filme "Cidade dos Sonhos" (Mulholland Drive), piração do diretor David Lynch. O trabalho do americano é enigmático e traz elementos obscuros e initelingíveis, como o apresentador que repete: "No hay banda. There´s no orchestra". Fica a pergunta: o álbum completo, que ainda não tem previsão de lançamento, traz surpresas ou a expressão serve apenas para confundir? Bobagem, fica apenas como detalhe. Neste tira-gosto, a banda de Messias (vocal), Cezar (guitarra), Tiago (baixo) e Cury (bateria) volta com um arranjo mais simples e canções com alto teor pop (no bom sentido da palavra). A impressão é de que o grupo ficou mais light, sem perder as características. Ao ouvir a faixa-título e "Orbiting You", algo soa familiar. As novas músicas foram recentemente incorporadas ao repertório da banda, porém parecem velhas conhecidas. Talvez aí esteja a estranheza enigmática de "No Hay Banda". Cezar continua criando belos arranjos de guitarra, marca registrada da banda. O vocal de Messias está audível como no disco anterior, mantendo o estilo característico de quem não sabe cantar, mas imprimindo tremenda personalidade e emoção à voz. Os outros músicos substituem com vigor o baterista Quinho e o baixista Dalmo. Apenas 100 unidades do single foram prensadas, o que deve transformar o single em uma raridade, como são os dois discos do início de carreira.
* Nesta quinta (28) e sexta (29), o Todos os Tons traz o quinto álbum da Nação Zumbi como trilha. O single da brincando de deus também recebe destaque, porém, por ter apenas duas músicas, não está como trilha. Aproveite para conferir videoclipes do Cordel do Fogo Encantado, Suede, The Verve, Pato Fú, entre outros. O programa vai ao ar em dois horários diários: 15h e 19h30.
PITTY LANÇA DISCO EM SALVADOR, ENFIM
Depois de estourar em todo o Brasil, a baiana Pitty vem a Salvador lançar o seu disco de estréia, "Admirável Chip Novo". O convite partiu do grupo Superfly, que também está com um álbum novo na praça, "O Vôo da Mosca". O grupo Catapulta é outra atração confirmada do evento, que vai ser aberto pelo The Honkers. A escalação dos Honkers foi exigência de Pitty, que acertou em cheio. O ótimo grupo vai incendiar a platéia a partir das 17h, abrindo com estilo a noite de muito rock. Para quem não freqüenta o Rio Vermelho, esta é uma ótima oportunidade de conferir o trabalho da banda. Mas a atração principal mesmo é Pitty, que está em alta e vem acompanhada dos ótimos Joe (baixo), Peu (guitarra, voltando para a banda) e Duda (bateria). Bom programa para um fim de tarde de domingo (7). O evento acontece no Aldeia Beach e os ingressos custam R$ 15,00, sendo que o milhar inicial vem acompanhado do novo CD do Superfly.
SEXTA BÁSICA ALIMENTA A CIDADE COM MUITA MÚSICA
Engajado no social, o projeto Sexta Básica reserva as noites de sexta para duas bandas da cena baiana e um DJ. O projeto, desenvolvido por estudantes da Faculdade de Comunicação da Ufba, percorre todo o mês de setembro, sediado na área externa do Teatro Sesi do Rio Vermelho. Parte da renda arrecadada será revertida para o projeto Fome Zero, do Governo Federal. Na primeira sexta (5), as bandas Retrofoguetes e Zambotronic comandam o som, com participação do DJ Mauro Telefunksoul. Na semana seguinte, no dia 12, é a vez do Nancyta e Os Grazzers e Lilit, além do DJ El Cabong. O dia 19 é um pouco mais eclético, com Mano Véio, Brinde e DJ Roots. A última sexta (26) traz o novo projeto de Nikima, Contrabando Brasileira, e o trip hop de tara_code, além do DJ Drumn. Sempre às 23h, com ingressos a R$ 8,00.
NOVIDADES DO MUNDO DA MÚSICA
* Neste domingo (31), a sergipana Plástico Lunar se apresenta na Blue House (Rio Vermelho), a partir das 16h, ao lado dos grupos Birds of the Holy Ville, Los Canos e Dorothy. É uma boa oportunidade para conferir o trabalho destas jovens bandas. Sai por apenas R$ 5,00.
* Não custa nada repetir: a Zambotronic lança o CD "Eu não tô no TopTen" e grava o clipe da música "Foc Mauris!", nesta segunda (1º), às 20h, no Theatro XVIII. Para garantir seu convite, tente nas lojas Berinjela (322-0247), São Rock (248-1199) e Andarilho (450-4533).
* Essa nota merece negrito. O maior festival de música do ano já tem o seu cast fechado. Mesmo que a organização do Tim Festival ainda não tenha confirmado, o colunista Lúcio Ribeiro (Folha de São Paulo) e o site da IG garantem atrações de peso para o evento que acontece no dia 31 de outubro e 1° de novembro, no Rio de Janeiro. O principal chamariz do festival é a dupla mais explosiva do mundo, o White Stripes. Depois de quatro excelentes discos, o grupo dá as caras no Brasil. Quem lê esta coluna com assiduidade sabe como Jack e Meg White são bem vistos por aqui e começa a entender o porquê do negrito. Bem, mas não para por aí. Como linha de frente, ainda tem o country-rock do Wilco e o trip-hop de Beth Gibbons. E ainda tem mais outras atrações de peso: Super Furry Animals, Rapture, Peaches e Public Enemy. Representando o Brasil no setor rock, está a melhor banda nacional da atualidade, o Los Hermanos, e a alagoana Wado. Bem, não precisa nem dizer que já estou de malas prontas. Comece a fazer as suas.
* A revista Rolling Stone divulgou uma lista com os 100 melhores guitarristas de todos os tempos. O posto de campeão, merecido, é de Jimi Hendrix, um verdadeiro mago no comando deste instrumento que faz a alegria dos aficionados por musica. Completa a lista dos dez primeiros, os guitarristas Duane Allman, do Allman Brothers Band, B.B. KIng, Eric Clapton, Robert Johnson, Chuck Berry, Stevie Ray Vaughan, Ry Cooder, Jimmy Page e Keith Richards, nesta ordem de classificação. Entre os mais recentes mestres da guitarra, o primeiro que aparece é Jack White, do White Stripes, na 17ª posição. Considerações: nono lugar é muito pouco para Jimmy Page; assim como os internautas da Rolling Stone, concordo que o apenas bom Kurt Coubain não merecia o 12° lugar; Slash (Guns and Roses) e Joey Santiago (Pixies) são ausências sentidas e inexplicáveis entre os 100 escolhidos. Para conferir a lista completa e o passional texto que Pete Townshend (guitarra do The Who) fez para o primeiro colocado, entre no site www.rollingstone.com.
* Em setembro, o grupo Echo And The Bunnymen faz aniversário de 25 anos, comemorado com três apresentações na Grã-Bretanha, em novembro. Os discos "Crocodiles", "Heaven Up Here", "Porcupine", "Ocean Rain" e "Echo And The Bunnymen" vão ser remasterizados e relançados com encartes recauchutados e comentários da banda. Vale lembrar que o grupo toca no Brasil no mês de novembro.
* Juro que não foi campanha desta coluna. Depois de escaldar a escalação de Fortaleza para receber o Deep Purple, deixando Salvador de fora, me deparo com o cancelamento do show. Os dinossauros do rock trocaram a capital do Ceará por Goiânia, alegando problemas operacionais. A título de confirmação, seguem as datas para este mês de setembro: Goiânia (12), Recife (13), Rio de Janeiro (16), Porto Alegre (18), Curitiba (19), São Paulo (20), Belo Horizonte (21).
* O insignificante Blink 182 marcou dois shows no Kuwait, país localizado no incendiário Oriente Médio. Eles afirmam que não se envolvem com o lado político e que não consideram o tour arriscado. Vão com Deus e, façam o favor, fiquem por lá mesmo.
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por LEONARDO MAIA - 7:51 PM
Segunda-feira, Agosto 25, 2003
* Discoteca Especial - Turn On The Bright Lights (Interpol)
Quantas vezes você já ouviu um disco e desdenhou dele, sem ao menos prestar atenção no que estava escutando? Diversas vezes, aposto. Em alguns casos, ouvimos um disco pela primeira vez e já nos apaixonamos pelo som da banda. Por outras vezes, escutamos uma vez e logo temos vontade de nos familiarizar com o som, pois percebemos algo de especial, que deve ser melhor avaliado. Apertamos, pois, o "repeat". O caso mais perigoso acontece quando não estamos em um momento apropriado para ouvir determinado disco e logo o ignoramos. Foi isso que aconteceu com o Interpol e seu début "Turn on The Bright Lights". Ao ouvir o álbum pela primeira vez, a densidade do som e o alto grau de melancolia não me fisgaram. Dois meses depois, tive a oportunidade de ouvir o disco mais uma vez e a impressão foi outra. A recomendação era clara: ouça com carinho. Assim o fiz e percebi a injustiça que tinha cometido. O disco não é uma obra-prima, longe disso, mas é de uma delicadeza tremenda, com uma melancolia que, ao invés de entristecer, incita a contemplação. A banda Interpol é nova-iorquina, mas tudo remete a Inglaterra do pós-punk. As semelhanças com o Joy Division são óbvias, para qualquer um que tenha escutado o mínimo do grupo britânico. E o Interpol é a cara de Manchester em uma cosmopolita Nova Iorque. Além de Joy Division, lembra grupos como The Smiths, Echo and the Bunnymen, The Cure e algo da conterrânea The Strokes. O vocalista e guitarrista Paul Banks canta como Ian Curtis, mas sem alcançar a melancolia do líder do Joy Division. Banks chega perto disso na faixa "NYC", mas carrega um tom esparançoso e isto cola mais com o som do Interpol. Os climas ininterruptos, com riffs repetidos de guitarra e discretos teclados, remetem logo aos anos 80 e ao pós-punk. A faixa "Say Hello To The Angels" é uma grata surpresa, um momento em que reconhecemos um encontro entre The Strokes (algo não-intencional, pois o Strokes lançou o primeiro disco no mesmo ano) e The Smiths. Mais uma vez, o encontro entre Nova Iorque e Manchester. Uma das melhores músicas, ao lado de "Obstacle 1", "Obstacle 2", e "PDA". Mesmo que esse texto se esforçe no sentido de apontar algumas referências, o som do Interpol não soa como cópia ou parece datado. Pode ser considerado um revival modernizante dos anos 80, com novas sonoridades e possibilidades. O Interpol vai continuar chamando atenção, porém sempre de um jeito discreto. O grupo formou-se em 1998 e só lançou o primeiro disco três anos depois. Mais dois anos já se passaram e o grupo ainda não lançou o sucessor. O processo é lento, sem atropelos, e a melancolia do grupo chegará em doses homeopáticas, sem exageros.
* O Todos os Tons desta segunda (25), às 19h30, e terça (26), às 15h, traz o disco "Turn On The Bright Lights", do Interpol, como trilha sonora. O álbum de estréia do grupo nova-iorquino vai ser executado durante o programa da TV Salvador, apresentado por Briza Menezes. Entre os clipes apresentados, estão "NYC", do próprio Interpol, "Hard to Explain", do The Strokes, "Die, All Right", do The Hives, "The Heart's Filty Lesson", de David Bowie, entre outros.
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por LEONARDO MAIA - 4:15 PM
Quinta-feira, Agosto 21, 2003
* Disco da Semana - Don't Mess With... The Dead Billies (The Dead Billies)
Bem, a idéia é falar bastante do The Dead Billies, pois tudo conspira a favor de um revival do grupo baiano. As atividades de um dos grupos mais espetaculares de Salvador foram encerradas em 2002, com farpas atiradas para todos os lados. Moskabilly, que hoje atende por Glauber, decidiu largar os outros billies e partiu para uma carreira solo, deixando bem de lado a sonoridade rock and roll. Morotó, Joe e Rex passaram a investir no Retrofoguetes, que não conta mais com o baixo de Joe, hoje acompanhando Pitty. A curta carreira da banda deixou a sensação de que tudo foi encerrado muito bruscamente, com o aborto impiedoso do terceiro rebento do Dead Billies. E então, por que tudo conspira a favor de uma reunião? Bem, primeiro, porque o videomaker Alexandre Guena vem colocando o grupo nas telonas com o curta "Noite dos Psicóticos, que deve ainda ganhar uma versão bem mais longa do que os atuais 15 minutos. Segundo, porque seis canções inéditas do grupo, gravadas para o tal terceiro álbum, devem ser lançadas em breve. Por último, porque o incansável Fabrício Nobre, um dos organizadores do festival Goiânia Noise, está lutando para o Dead Billies ser a atração "carro-chefe" do festival. A idéia já foi aceita pelo setor instrumental do grupo, mas está sofrendo resistência por parte de Moskabilly. Mas, atenção: seria apenas um revival, não a volta do grupo. Pois então, já que é para torcer, vamos falar do disco de estréia do Dead Billies. Lançado em 1998, "Don't Mess With...The Dead Billies" é artigo de luxo para qualquer colecionador que se diz antenado. O álbum está esgotado e não há a menor possibilidade de reedição. Isto porque a gravadora (WR) fez o favor de apagar a fita master. Ou seja, se você tem um exemplar, guarde com carinho. Enquanto não alcançava a maturidade de "Heartfelt Sessions" (resenhado em algum lugar deste blog), o Dead Billies fazia uma divertidíssima mistura de psycobilly, rockabilly e surf music. O disco é a trilha sonora perfeita para um clássico filme B, com muitas histórias de monstros e alienígenas, além de uma sexualidade latente. Neste último quesito, destaca-se a ótima "Lick My Lollipop", que reúne um sem-número de palavrões inclassificáveis, todos em inglês, claro. Para quem não sabe, esta era a língua-mãe do Dead Billies. E que se danem os puristas, pois não dá para imaginar o grupo cantando em português. As letras de Moskabilly são uma atração a parte, sempre com muito bom-humor. O instrumental é algo espetacular, altamente dançante e muito elaborado. Entre as 13 geniais músicas, destacam-se "Invasion Of The Body Snatchers", "Monster Potion Nº 9", "Curse of the Voodoo Cadilac" e "Vampire". Para que o Dead Billies volte, vale uma reza, ou melhor, um mais apropriado pacto com o diabo.
* O Todos os Tons desta quinta (21) e sexta (22), às 15h e 19h30, traz a cobertura completa da III Mostra Baiana de Videoclipes. Antes, o Dead Billies é o destaque do primeiro bloco, com a apresentação dos videoclipes de "Invasion Of The Body Snatchers" e "I Can't Help Myself From Gettin' It On", além de uma execução ao vivo de "Supernaturakl Rockbeat", no Rádio Bazar de 2000. O programa está imperdível, pois traz detalhes da mostra que premiou "Surf-O-Matic", do Retrofoguetes, como melhor videoclipe. O Todos os Tons vai ao ar na TV Salvador (canal 28 - UHF e canal 38 - Net).
NANCYTA E OS GRAZZERS TOCA EM VITÓRIA DA CONQUISTA
Nancy Viegas e seus parceiros André T (guitarra), CH (baixo) e Rex (bateria) vão participar do Agosto de Rock, festival que reúne bandas da Bahia, Espírito Santo, São Paulo e Sergipe. A banda Nancyta e Os Grazzers parte para o interior depois da apresentação desta sexta (22), no Calypso. Nesta ocasião, o grupo faz sua parte no aniversário de três anos da Big Bross Records, tocando ao lado da capixaba muertos viventes. O show em Vitória da Conquista acontece no domingo (24), no Rancho Uchôa, à tarde. Nancyta e Os Grazzers toca ao lado de Sigyn (Vitória da Conquista) e Mukeka di Rato (Espírito Santo). Na sexta (22) e sábado (23), Barulhinho Bom (Vitória da Conquista), Iracema Miller (Jequié), Koriza (Ilhéus), Cobalto (Salvador), Headhunter D.C. (Salvador), Lacertae (Lagartos/SE) e Tihuana (São Paulo) se revezam no palco. Ainda rola tenda eletrônica, feira e apresentação de vídeos.
ZAMBOTRONIC LANÇA DISCO NO THEATRO XVIII
O lançamento oficial do primeiro CD da Zambotronic já está com data marcada. "Eu não tô no top ten", produzido pela banda ao lado de André T e Nancy Viegas, vai ser apresentado para convidados no Theatro XVIII (Pelourinho), no dia 1º de setembro. No local, o grupo vai aproveitar para gravar trechos para o videoclipe de "Foc Mauris!". A mistura de black music, funk e música eletrônica, em um caldo que carrega uma forte baiananidade, vai estar disponível a todos em várias datas de setembro. A partir do dia 5 de setembro, o grupo se apresenta às sextas, no Bar da Praia (Barra). No próprio dia 5, ainda rola uma dobradinha, pois a banda toca também no Teatro Sesi (Rio Vermelho). O disco pode ser encontrado nas lojas Andarilho Urbano, São Rock e Berinjela. Quer melhor opção? Confira ao vivo e compre o disco após o show.
NOVIDADES DO MUNDO DA MÚSICA
* Já foram divulgadas as bandas que vão participar do projeto Rock Bahia Ao vivo. Elas vão participar de um disco com 15 faixas, gravadas ao vivo no Calypso Heineken Station. Confira as bandas selecionadas: A Grande Abóbora, Adcional, Catapulta, Cof Damu, Dimensões Distorcidas, Fulano de Tao, Orbita Zero, Paladinos, Playground, Plexus, Soma, Stancia, The Honkers, The Rewinders e Vinil 69.
* Depois de "descobrir" que pode ser neta de Marlon Brando, Courtney Love está de casa nova e com um contrato de três discos com a Virgin Records. O cronograma de lançamento dos álbuns já está mais ou menos acertado: "America's Sweetheart" está pronto e sai em outubro deste ano, o segundo deverá ser lançado no meio do ano que vem, e o terceiro, somente em 2005. Existe a possibilidade de um destes discos ser ao vivo e de um DVD também chegar as lojas em breve.
* Dave Ghrol não pára quieto. Depois de se envolver com o Queens Of The Stone Age, o vocalista do Foo Figthers está à frente de um novo projeto: o Probot. A idéia é homenagear a sonoridade metal mais underground (trash metal, death metal...) dos anos 80 e 90. O disco de estréia deve sair ainda em agosto e conta com a participação de Kurt Brecht (vocalista do D.R.I.), de Matt Sweeney (guitarrista do Zwan), Lemmy (Motorhead) e Lee Dorrian (Cathedral), além do produtor Adam Kasper. King Diamond, Tom Warrior (Celtic Frost) e Mike Dean (Corrosion of Conformity) também devem dar uma canja.
* Falando em metal, o Motorhead vai mesmo lançar uma caixa com 5 CDs, chamada "Stone Deaf Forever!". O produto traz 99 músicas, percorrendo toda a carreira da banda. Para completar, 19 faixas inéditas dão um gosto ainda mais especial ao projeto, que vem acompanhado também por um livro com 60 páginas de ensaios e fotos não publicadas. As faixas inéditas são de apresentações da banda na BBC.
* O mito Jimmy Page, guitarrista do Led Zeppelin, segue ajudando as crianças carentes do Brasil. Confesso admirador do país, mais especialmente de Lençóis, onde tem uma casa, Jimmy doou uma guitarra para leilão em benefício da instituição "Action for Brazil's Children" (ABC). O ABC está sediado na Inglaterra e desenvolve projetos de educação infantil na Bahia e no Rio de Janeiro. O leilão da Gibson Les Paul está marcado para o dia 25 de setembro. No mesmo lote, ainda consta fotos raras de Jimi Hendrix, um amplificador valvulado da banda The Who, um passaporte provisório do vocalista do Blur, Damon Albarn, e um microfone assinado pelo vocalista do Coldplay, Chris Martin. Vale ressaltar que apenas a venda da guitarra terá a renda revertida para o ABC.
* O ótimo grupo Placebo vai lançar um álbum bônus só com covers. O disco vai ser distribuído ao lado de "Sleeping With Ghosts", mais recente álbum da banda, que será relançado. Entre as canções escolhidas estão "Where Is My Mind?" (Pixies), "Bigmouth Strikes Again" (The Smiths), "I Feel You" (Depeche Mode), "Jackie" (Sinead O'Connor) e "Running Up That Hill" (Kate Bush).
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por LEONARDO MAIA - 7:05 PM
Segunda-feira, Agosto 18, 2003
**Nota Extraordinária**
MOSTRA BAIANA DE VIDEOCLIPES PREMIA O RETROFOGUETES
A Sala Walter da Silveira ficou pequena para as mais de 200 pessoas que foram prestigiar a Mostra Baiana de Videoclipes. Alguns espectadores tiveram que se espremer no chão mas, ao final da projeção, muitos já tinham abandonado a sala. O excessivo número de clipes, algo em torno de 30, cansou a platéia, que ainda teve que se conformar com problemas no áudio e microfone da apresentadora. Afora as limitações técnicas, a noite ficou marcada como um bom momento de celebração da música baiana. Nas edições anteriores da mostra, o rock respondia por quase todos os videoclipes. Desta vez, o estilo se manteve como predominante, mas teve que conviver com algumas bombas de forró, axé e lambada. Sem levar em conta a péssima qualidade musical dos grupos Kaoma, Filomena Bagaceira e Banda Percucia, os videoclipes eram produtos para trash nenhum botar defeito. Algo realmente inacreditável de ruim. Se o pior clipe fosse premiado, Filomena Bagaceira seria o mais forte candidato ao título, seguido de perto pelo Kaoma. Um troféu especial deveria ser criado para a Banda Percucia, a maior mala do evento. Três, isso mesmo, três clipes do grupo entraram na mostra, cada um pior que o outro. Dava vontade de chorar. Para o próximo ano, os organizadores do evento poderiam criar segmentar os clipes em estilos e não permitir a inscrição de dois produtos de um mesmo artista. Chegou-se ao cúmulo de ter uma mesma música em dois clipes diferentes. Foi o que aconteceu com Jussara Silveira, que foi representada por duas versões da canção "A Volta da Xanduzinha".
No setor rock, os clipes mantiveram uma boa qualidade técnica. Os artistas Pitty e Superfly apresentaram produções ambiciosas, amparadas pelo orçamento das respectivas gravadoras. Como o restante do rock na Bahia não tem vez, os clipes mostraram criatividade, mesmo com limitações técnicas. O grande campeão da mostra foi o trio instrumental Retrofoguetes, com o clipe de "Surf-O-Matic". Drigido por Alexandre Guena, o vídeo mostra o underground baiano com fidelidade, trilhado pelo incrível som do Retrofoguetes. O segundo lugar ficou com Pitty e seu mais novo clipe: "Admirável Chip Novo". O vídeo supera o anterior "Máscara", que está indicado ao Video Music Awards (VMB). Em terceiro lugar, o azarão Alan Verhine, que, espertamente, pegou um curta-metragem e inverteu o conceito para videoclipe. A trilha do curta virou o objeto principal da criativa animação. O público aprovou e aplaudiu bastante após a projeção. Completando a lista dos mais votados, apareceu Malefactor na quarta colocação e Dever de Classe, empatado com Dirty Dolls, na quinta. Outro grande destaque do evento foi a apresentação do curta-metragem "Noite dos Psicóticos", de Alexandre Guena. Merecida homenagem àquele que mais clipes inscreveu nas três mostras e também a uma das melhores bandas baianas da história. O divertidíssimo curta deu uma mostra do que era a Dead Billies e deixou no ar a insatisfação pelo fim da banda. Fica a torcida para uma improvável volta da banda. Ao fim do evento, uma festa com as bandas Mutation Lab e Zambotronic botou um Bar da Praia lotado para pular. E até o próximo ano!
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por LEONARDO MAIA - 5:34 PM
Quinta-feira, Agosto 14, 2003
* Disco da Semana - Seqüela
Você provavelmente não conhece a banda Seqüela. É clara a dificuldade em se fazer rock na Bahia, mas o grupo formado por Maurício Matos (Voz), Marcos Gordo (Guitarra), Baé (Baixo), Ademar Andrade (Teclados) e Alan Andrade (Bateria) encontra-se ainda mais à margem que muitos independentes. O circuito Rio Vermelho não é visitado pela banda, que não participa dos festivais do gênero em Salvador. As dificuldades, como dá para perceber, são infinitas. Brigando por espaço, o grupo lançou o disco homônimo, com 11 faixas. O som é oitentista ao extremo, remetendo aos grupos Camisa de Vênus e RPM, com ecos do mito Raul Seixas. Um grande problema: soa datado e poderia ter maior destaque se surgisse junto ao turbilhão dos grupos do rock nacional da década de 80. As letras passeiam pelo terreno amoroso e do protesto, lembrando muito as composições do Capital Inicial. Mesmo sendo completamente autoral, o disco não traz o algo especial que poderia colocá-lo entre os melhores do mercado independente baiano. Deve agradar a quem nunca deixou de relembrar o rock dos anos 80 e ainda não se cansou do estilo. Mas o disco é ruim? Não, mas cansa como um disco do RPM repetido à exaustão. O álbum abre com a romântica "Alice", que traz bons solos de guitarras, dialogando com o vocal rouco de Maurício Matos. Os backing vocals femininos não poderiam faltar, com um quê de nostalgia. A guitarra é o símbolo do disco, com grande quantidade de solos. Em diversas músicas, um teclado dispensável acompanha a guitarra. Destaque também para "Aqui pra eles!!!", canção-protesto com cara de Titãs, e "Atirando no Espelho", a mais pesada do disco.
*Aproveite a promoção do iBahia.com e tire suas próprias conclusões. Alguns discos da Seqüela estão sendo sorteados no site (www.ibahia.com/promocoes)
** O disco da banda Seqüela é destaque também no Todos os Tons, programa de música da TV Salvador (canal 28 - UHF e canal 39 - Net). Acompanhe na quinta (14), às 19h30 e sexta (15), às 15h. O Todos os Tons vai ao ar diariamente, sempre às 15h e 19h30.
MOSTRA DE VIDEOCLIPES É A MELHOR PEDIDA DO SÁBADO
A Mostra Baiana de Videoclipes entra na terceira edição e traz uma grande salada de clipes, dos mais diversos estilos. O evento continua com caráter competitivo, mesmo com a disparidade orçamentária entre os diversos concorrentes. Como comparar um produto realizado ao lado de uma grande gravadora com um exemplar independente ao extremo? Tarefa das mais difíceis, pois os clipes não são divididos em categorias. Mas, o que vale mesmo, é a oportunidade de assistir aos clipes. Para herdar o título de campeão das mãos do Lampirônicos, que venceu com "Pop Zen", entram da disputa 23 concorrentes. São eles: Adão Negro, Automata, Banda Percucia, brincando de deus, Dani Nascimento, Dedo de Hulk, Dever de Classe, Dirty Dolls, Filomena Bagaceira, Gláuber, Jonga Lima, Jussara Silveira, Kaoma, Lan Lan e os Elaines, Margareth Menezes, Malefactor, Nando Borges, Nengo Vieira, Paquito, Pitty, Retrofoguetes, Tenison Del Rey, VJ Pixel. Antes da exibição dos clipes rola um debate com o tema "Produção Baiana: Aqui se Faz, Aqui se Mostra". Ainda tem espaço para o documentário "A Noite dos Psicóticos", realizado por Alexandre Guena. O filme traz os bastidores da finada Dead Billies, uma das mais espetaculares bandas que a Bahia conheceu. Tudo isso acontece na Sala Walter da Silveira, nos Barris, a partir das 19h. Para finalizar a noite com estilo, os organizadores ainda marcaram uma festa de encerramento para as 23h, no Bar da Praia (Barra). As bandas Mutation Lab e Zambotronic, além do DJ El Cabong, são responsáveis pelo comando do som. Programão.
HAVANA ABRE ESPAÇO PARA COVERS
O Havana Music Bar decidiu investir nos projetos covers que fazem a festa nos bares do Rio Vermelho. Neste mês de agosto, o projeto Havana Pop & Rock traz uma programação bastante variada, desde Raul Seixas até AC/DC. Algumas faltas são sentidas como a Rolling Stones Cover, Led Zeppelin Cover e Os Próprios (The Beatles). Fim de semana passado, os covers de Alanis Morisette (Soraia Drummond) e Janis Joplin (The Joplin's) tocaram. Confira abaixo o resto da programação, que acontece sempre às 22h30, ao custo de R$ 7:
15/08 - Flor de Laranjeira (Luiz Gonzaga Cover) e Honolulu (Bob Marley Cover)
23/08 - Marcão (Renato Russo Cover) e Sombra Sonora (Raul Seixas Cover)
30/08 - Art Rock (Rock Progressivo) e AC/DC Cover
NOVIDADES DO MUNDO DA MÚSICA
* Quem vem a Salvador no próximo mês é a elogiada Violins, banda goiana. Os detalhes ainda estão sendo acertados pela parceria entre o selo Big Bross Records e o site Musicbox (www.musicbox.ubbi.com.br). E ainda não pára por aí. Rogério Big Brother, que está comandando o festival Big Hits Vol.1 no Calypso, promete muitas novidades até o fim do ano, enquanto Rogério Alvarenga (do Musicbox) está tentando trazer uma banda uruguaia. Fiquem ligados.
* Depois de um bom tempo sem shows internacionais decentes, o Brasil tem uma série de boas novidades. Além das já anunciadas apresentações do Mettalica e Coldplay, o Brasília Music Fesival, o Kaiser Music Festival e o TIM Festival prometem agitar o meio musical. O evento da Kaiser foi o primeiro a fechar a programação com a sueca Hellacopters, os dinossauros do Deep Purple e a brazuca Sepultura. Os shows serão em setembro, nas cidades de Porto Alegre (18) Curitiba (19), São Paulo (20) e Belo Horizonte (21). O Deep Purple fechou outras datas no Brasil, com Fortaleza (12), Recife (13) e Rio de Janeiro (14). Não canso de reclamar, mas a verdade é que não me conformo com o fato de que Fortaleza recebe shows internacionais e Salvador fica a ver navios. Outra excelente novidade é a confirmação de Beth Gibbons (do Portishead) no Tim Festival, que acontece no fim de outubro, no Rio de Janeiro. Como outros possíveis grupos desse festival, estão incluídos os nomes do Flaming Lips e White Stripes. E ainda não acabou. Com nomes bem mais fracos, mais ainda válidos, o Brasília Music Festival já fechou com o Live, Simply Red, Alanis Morissete e The Pretenders, que se juntam aos nacionais Charlie Brown Jr., Capital Inicial, Jota Quest, Tihuana, Ultraje a Rigor, Titãs e Fernanda Abreu. E ainda rola os DJs Patife, Marky, Renato Cohen, Anderson Noise e convidados da Inglaterra, meca da música eletrônica.
* O ótimo "Yoshimi Battles the Pink Robots", mais recente disco do Flaming Lips, vai ser relançado pela Warner em setembro. Desta vez, o álbum vem acompanhado de um DVD com todas as músicas em áudio 5.1, faixas inéditas, faixas alternativas, vídeoclipes, making-of's e o primeiro filme produzido por Wayne Coyne, "Christmas on Mars Trailer".
* A elogiada banda The Coral, ainda pouco conhecida no Brasil, já está aprontando o terceiro disco da carreira. Isto apenas um ano depois do disco de estréia do grupo e um mês após o lançamento do segundo álbum. Isso é que é energia.
* Durante a turnê da britânica Blur nos Estados Unidos, o vocalista Damon Albarn gravou um disco solo, que soa muito americano, como o próprio Damon afirma. Entretando, o álbum pode nem ser lançado comercialmente. Damon diz que a prioridade é o Blur e que o contrato com a banda pode também impedir o lançamento do projeto.
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por LEONARDO MAIA - 5:58 PM
Terça-feira, Agosto 12, 2003
**Nota Extraordinária**
BANDAS BAIANAS REUNIDAS EM COLETÂNEA AO VIVO
Com ótimas bandas no cenário alternativo de Salvador, uma série de discos lançados e muitos outros prestes a chegar (Zambotronic, Retrofoguetes, Brinde, Soma, brincando de deus...), nada mais natural do que a volta das coletâneas. Desta vez, a idéia carrega uma boa dose de originalidade. Serão músicas de 15 bandas baianas, em gravações ao vivo no inferninho Calypso Heineken Station. Mesmo com todas as limitações de espaço, o Calypso costuma ser o palco para as melhores performances da cidade, o que justifica a escolha. As bandas interessadas devem entrar em contato pelo e-mail rockbahiaaovivo@aol.com ou telefone 331-0897 (das 14:00 às 18:00, com Eduardo Penna). A música escolhida pelo grupo pode ser enviada em qualquer plataforma de gravação. Vamos ver no que vai dar.
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por LEONARDO MAIA - 6:03 PM
Quinta-feira, Agosto 07, 2003
* Disco da Semana - Plexus
Se viver do rock em Salvador não é tarefa das mais fáceis, imaginem então viver de uma das correntes mais pesadas do gênero, o heavy metal. Formada há três anos e com um EP e um CD no currículo, a banda baiana Plexus, formada por Marcelo Martins (voz e guitarra), Ricardo Sobrinho (baixo) e Iassa (bateria), não poupa esforços e faz um som com muito peso e propriedade. O EP independente "Departure" já tinha colocado a Plexus no mapa do heavy metal nacional, especialmente quando o grupo ficou em terceiro lugar em um festival organizado pelo website Rock Online. Com a música "Time For Resistance", a Plexus deixou para traz 300 bandas brasileiras e participou da coletânea Rock Brasilis com outras nove bandas. O disco homônimo começou a ser gravado no mesmo ano e foi lançado em 2003. A produção ficou por conta de Martin Mendonça (Mystifier, Malefactor e Dr. Cascadura) e o material foi gravado no Estúdio T, do calejado Andre T (brincando de deus, Nancyta e Os Grazzers, Retrofoguetes, Rebeca Matta). A qualidade sonora do primeiro disco oficial da Plexus é um dos trunfos do trabalho, de som limpo e bem trabalhado. Mesmo com o público segmentado em sua terra natal, natural do estilo heavy metal, a Plexus já chamou atenção do exterior e começa a planejar novos vôos. O grupo fechou no último mês de julho um contrato com o selo alemão Metal Axe e terá o disco lançado na Alemanha, Suíça e Áustria. Caso a receptividade seja boa, o que é muito provável, o grupo pode partir e fazer uma série de shows no exterior. A experiência já é conhecida por bandas como Sepultura, Angra e Krisiun, que fazem sucesso na Europa e Ásia. Em comum com esses grupos, a Plexus preza pelo lado mais pesado do rock and roll e pelas letras em inglês. Este disco de estréia traz nove canções coesas que são essencialmente heavy metal, com influências do hard rock e com momentos de trash metal. O líder Marcelo Martins tira riffs poderosos de sua guitarra e tem um timbre de voz que por vezes lembra o de James Hetfield, do Mettalica. O baixo de Ricardo Sobrinho é rápido e eficiente, como na faixa "Natural Born Leader", que abre o disco. Nesta música, o grupo faz bom uso das viradas e intervalos, que abrem espaco para a entrada dos riffs e solos. A bateria de Iassa traz o peso e o virtuosismo que o estilo demanda. Mesmo que o peso predomine na maioria das faixas, há espaço para canções mais "leves" como "Second Heart" e "Not a Chance". Pelo andar da carruagem, o próximo sucesso do metal nacional pode estar saindo da Bahia. Fiquem atentos, pois mais portas ainda vão se abrir para a Plexus.
O disco "Plexus" é a trilha sonora do Todos os Tons, programa de música da TV Salvador (Canal 28 - UHF e canal 38 - NET), que vai ao ar na quinta (7) e sexta (8). Aproveite e confira trechos do disco da banda de heavy metal baiana. O Todos os Tons vai ao ar de segunda a sexta, em dois horários: 15h e 19h30.
ELETROCOOPERATIVA PROMETE AGITAR MEIO MUSICAL BAIANO
Com o objetivo de proporcionar experiência através da música, sempre atentando para o social, o selo Bamba lança neste final de semana, em Salvador, o projeto Eletrocooperativa. Jovens de comunidades carentes são os principais beneficiados pelo projeto, que tem o apoio da Secretaria de Cultura da Bahia e do Instituto de Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac). Para utilizar a música como uma forma de inclusão social, a Eletrocooperativa vai explorar a tecnologia, pobssibilitando também a inclusão digital destes jovens. Eles terão acesso às tecnologias de estúdio usadas por produtores e DJs, na sede da Eletrocooperativa, localizada no Pelourinho. O lançamento do projeto vem acompanhado por uma série de palestras e de uma apresentação musical. Na quinta (7), sexta (8) e sábado (9), à tarde, personalidades com o DJ Cláudio Manoel, o maestro e compositor italiano Aldo Brizzi, o produtor musical André T., o jornalista Hagamenon Brito e o professor Monclair Valverde vão falar sobre "Música e Tecnologia", "Inclusão Musical" e "Papel da Música Baiana no Cenário Atual". As palestras acontecem no Anfiteatro da Antiga Faculdade de Medicina, no Terreiro de Jesus. Sexta, a partir das 19h, a sede do projeto será inaugurada. E, no dia do encerramento, a primeira ação da Eletrocooperativa será apresentanda ao público, na Praça Tereza Batista. Integrantes da Banda Axé, Banda Didá, Cortejo Afro, Filhos de Ghandi, Ilê-Ayê, Male de Balê e Muzenza se juntam a Neguinho do Samba, Gerônimo e DJ Patife para mostrar o resultado das oficinas realizadas durante o evento. Com um projeto ambicioso, espera-se que a Eletrocooperativa colabore para crescimento da cena musical baiana.
ESTOPIM RECORDS COMPLETA QUATRO ANOS DE EXISTÊNCIA
A produção independente será festejada nas comemorações de quatro anos da Estopim Records, selo de Salvador. Além de apresentações musicais, o público pode assistir a palestras, debates e vídeos, com o tema central "Faça Você Mesmo". O evento acontece no dia 16 de julho (sábado), a partir das 12h, na Blue House, localizada no Rio Vermelho. Na parte musical, 13 bandas vão fazer apresentações de rápidos 15 minutos. São elas: Adcional, Mais Treta, Lumpen, Dever de Classe, Testemunha da Periferia, Terror para Ordem, Viver Mata, NODE, Fecal Feast, Expurgados, The Honkers, Escato e ACME. Mais informações no site www.estopimrecords.kit.net.
NOVIDADES DO MUNDO DA MÚSICA
* Mudança de última hora no festival "Big Hits Vol.1", em comemoração ao aniversário da Big Bross Records. A carioca Matanza desmarcou a viagem, mas promete fazer um show em Salvador até o fim do ano. No lugar, entra a capixaba Muertos Viventes. Como divulgado anteriormente, a baiana Soma foi substituída pela Brinde, devido a problemas de saúde de um dos membros. O restante da programação está confirmado. Confira as datas e detalhes no post abaixo.
* Programação intensa neste fim de semana. Destaque para o lançamento do EP da Los Canos, nesta sexta (8), no Calypso Heineken Station. Ao lado do novo lançamento da Frangote Records, vão estar as bandas Brinde e The Honkers. E também nesta sexta e sábado, rola o 12º Garage Rock Festival. O som vai estar a todo volume desde as 12h e as atrações convidadas entam no palco a partir das 21h. Entre os destaques estão Nação Zumbi e Scambo, na sexta, brincando de deus e Nancyta e Os Grazzers, no sábado. E a periferia de Salvador também tem rock! Será realizado neste domingo (10), o evento "Uma Festa Com Muita Adrenalina", com a participação da banda Órbita Zero e do DJ AF. A música rola solt a partir das 17h, por R$ 3 (antecipado) e R$ 5 (na bilheteria). O local é o Zum Zum Bar e Dance (Rua Lafaiete Coutinho, nº 01 - São Caetano).
* Confirmado: Metallica passa pelo Brasil neste segundo semestre de 2003. Os shows fazem parte do tour do polêmico "St. Anger", mais recente álbum do grupo. Depois de passar na Argentina e Chile, o Metallica vai tocar no Rio de Janeiro, no dia 30 de outubro, e em São Paulo, no dia 1 de novembro.
* Por falar no Metallica, um das canções mais importantes do grupo, "One", vai estar presente no novo disco do Korn. "Take a Look In The Mirror" inclui um cover da canção do Metallica.
* As bandas Dandy Warhols e Massive Attack vão lançar um projeto em conjunto. Os grupos arranjaram uma lacuna no calendário para a realização do projeto, já que ambos lançaram discos neste ano. A colaboração entre as bandas já aconteceu em duas outras ocasiões, porém em menor escala.
* Os australianos da The Vines estão trabalhando o segundo álbum desde maio deste ano e prometem um material futurístico e muito cru. Ao lado das guitarras, baixo e bateria, foram utilizados sintetizadores, órgãos e pianos, o que já demonstra uma mudança no som do grupo. Enquanto isso, os americanos do The Strokes devem despejar no próximo mês de outubro, nas lojas norte-americanas, o sucessor do ótimo "Is This It". O primeiro single deve ser da música "Supernova".
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por LEONARDO MAIA - 8:55 PM
Quinta-feira, Julho 31, 2003
Disco da Semana - Sauchiehall and Hope (A Pop Opera) - (Nice Man)
Francis Macdonald é o símbolo da polivalência. Ele é baterista de uma das bandas independentes mais cultuadas do mundo, o Teenage Fanclub, lidera o BMX Bandits, já colaborou com nomes como The Pastels, Looper, Belle & Sebastian e Eugenius, além de ter uma gravadora própria, a Shoeshine Records. Ainda insatisfeito, passou a atender também pela alcunha "Nice Man" e lançou um álbum, "Sauchiehall and Hope (A Pop Opera)". No último mês de junho, Frances deu uma passada rápida pelo Brasil e trouxe seu violão para apresentar um pouco do seu lado mais romântico nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Londrina. O "Sauchiehall and Hope" do título refere-se a esquina de ruas muito importantes de Glasgow, na Escócia, onde surgiram nomes como The Jesus & Mary Chain, Primal Scream, Teenage Fanclub, The Pastels e Belle & Sebastian. O disco parece ter sido feito para atender as expectativas próprias de Francis, que, durante um bom tempo, não teve coragem de mostrá-lo para seus companheiros do Teenage Fanclub e BMX Bandit. O álbum foi lançado inicialmente no Japão e é independente até a medula. Introduções instrumentais singelas abrem e fecham o disco, apresentando a leveza que permeia todo o material. O amor é a temática recorrente em todo o disco, que não é só uma ópera pop, como sugere o título, mas uma obra que venera o amor sobre todas as coisas. O som é bem mais adocicado que o do Teenage Fanclub, com um teor bem aproximado do Belle and Sebastian e algumas referências ao The Byrds. Nice Man faz tudo no disco. Neste projeto extremamente autoral, ele toca todos os instrumentos. O estilo é o power pop, com algumas referências da música country. As músicas são simples e, em alguns momentos, o bom instrumental se sobressai. Em "Let's Radiate Love", pequenos solos no violão e simples viradas de bateria tornam o som irresistível. Em "Girl, I'm In Love With You", é o violão country que chama a atenção. As músicas de "Sauchiehall and Hope" grudam como chiclete e a voz de Francis soa agradável. Não vai mudar sua vida, mas pode embalar muitos momentos dos apaixonados e deixar os não-apaixonados prontos para celebrar a vida. Despretensiso no lançamento e no caráter do projeto, "Sauchiehall and Hope" acaba por surpreender. Dê uma escutada e passe o dia com um sorriso estampado no rosto. O CD pode ser adquirido no site www.slagrecords.com por 15 reais.
* Nice Man é destaque também no Todos os Tons desta quinta (31) e sexta (1º). O programa de música da TV Salvador (Canal 28 - UHF e canal 38 - NET) vai ao ar diariamente em dois horários: às 15h e às 19h30. Neste programa, confira trechos de "Sauchiehall and Hope (A Pop Opera)" e também videoclipes de Planet Hemp, O Rappa, Rolling Stones, Fatboy Slim, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Tom Jobim, entre outros.
PITTY TOCA NO VMB 2003
Na disputa pelos prêmios de "Revelação" e "Melhor Videoclipe Segundo a Audiência", Pitty foi confirmada como uma das atrações que vão dar uma canja durante a cerimônia de premiação. Além da garota baiana, estão confirmados os shows de Skank, Nando Reis, Frejat, Marcelo D2 e Los Hermanos. Além do concorrente "Máscara", Pitty já lançou um novo clipe na MTV, "Admirável Chip Novo". No processo de mudança do Rio de Janeiro para São Paulo, a garota passou uma temporada em Salvador e comandou uma jam session no Calypso. Valeu como um ensaio, pois Pitty promete estar aqui em setembro, com o lançamento oficial do seu disco solo em terras baianas. Ao seu lado, os componentes da banda: Luciano Granja (guitarra), Joe (baixo) e Duda MAchado (bateria).
BIG BROTHER COMEMORA ANIVERSÁRIO COM PROGRAMAÇÃO ESPECIAL
O selo Big Bross Records está fazendo aniversário nesse mês de agosto e seu patrono, o Rogério Big Brother, confirmou alguns shows muito especiais para o período. Depois do sucesso da última empreitada de Rogério, o show do Los Hermanos com o brincando de deus no Ed Dez, tudo conspira a favor da série de shows. No dia 14 de agosto, a cearense 2fuzz toca ao lado da brincando de deus, com repeteco programado para o dia seguinte, com o pessoal do The Honkers. Nos dias 21 e 22, será a vez dos cariocas da Matanza se apresentarem, na primeira data com o Retrofoguetes e na segunda com Nancyta e Os Grazzers. Fechando o ciclo, os pernambucanos do Vamoz tocam no dia 28 com o Mutation Lab e no dia 29 com a Soma. Todos os shows acontecem no Calypso Heineken Station, às 23h, ao preço de R$ 7. Rock and roll para ninguém botar defeito. Confira mais informações no site do selo (www.bigbross.blogger.com.br).
NOVIDADES DO MUNDO DA MÚSICA
* Uma parceria inusitada vai estrear nos palcos londrinos. A vocalista do Cranberries, Dolores O'Riordan, foi convidada pelo líder do AC/DC, Brian Johnson, para cantar em um musical que vai contar a história de Helena de Tróia. Outros nomes estariam envolvidos no projeto, porém apenas O'Riordan foi citada. O cantor do AC/DC compôs todo o material da peça com o britânico Brendan Healy e pretende marcar a estréia ainda para este ano. Enquanto isso, O'Riordan trabalha em um disco solo e o AC/DC terá uma caixa com cinco CDs lançada em setembro, apenas com material antigo.
* Esta nota foge um pouco da lógica: Dave Matthews, que lidera uma banda homônima, está lançando um projeto solo. Ahn? O cara é vocalista de uma banda chamada "Dave Matthews Band" e ainda sente necessidade de lançar algo "solo"? O grupo carrega a música de seu líder na sua essência, porém Matthews ainda achou pouco. Ele gravou o disco "Some Devil" em sua casa e vai colocá-lo no mercado no dia 23 de setembro. Participam do novo álbum a orquestra sinfônica de Seattle, o naipe de metais da Dirty Dozen Brass Band e o guitarrista Trey Anastasio, do grupo Phish.
* Depois das dezenas de discos ao vivo lançados ao longo da carreira, o Pearl Jam decidiu lançar outros títulos, provenientes da turnê "Riot Act". No dia 16 de setembro, a banda vai lançar os shows completos de 8 e 9 de julho, no Madison Square Garden, além de um CD duplo com 45 faixas gravado em 11 de julho, em Boston. O material do Madison Square Garden traz 30 músicas e uma participação especial de Ben Harper. Mais para o fim do ano, o Pearl Jam lança um DVD com cenas de um show realizado em Yokohama, no Japão.
* A banda Pantera está ganhando uma compilação com 16 músicas e um DVD com 12 videoclipes, que chega às lojas americanas no dia 23 de setembro. "The Best of Pantera: Far Beyond the Great Southern Cowboys' Vulgar Hits!" ainda traz mais duas músicas extras: "Cat Scratch Fever" (cover de Ted Nugent, feita pra trilha do filme "Detroit Rock City") e a versão pra "Hole In The Sky", do Black Sabbath.
* Os shows do White Stripes nos festivais de Carling, Reading e Leeds, além de algumas apresentações nos Estados Unidos, tiveram que ser cancelados, devido a um acidente com o vocalista e guitarrista Jack White. Ele sofreu um acidente de carro e fraturou o braço esquerdo. Enquanto curte a folga, o White Stripes está lançando o novo clipe do álbum "Elephant", que será da música "The Hardest Button To Button". O vídeo foi dirigido por Michel Gondry, o mesmo do premiado clipe de "Fell In Love With A Girl".
* Longe dos palcos desde o fim de 2002, o The Strokes está de volta com duas apresentações no Japão, neste mês de agosto. O grupo estava em estúdio, gravando o sucessor de "Is This It".
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por LEONARDO MAIA - 7:16 PM
Segunda-feira, Julho 28, 2003
* Discoteca Especial - Between The Devil and The Deep Blue Sea (The Honkers)
Certas tarefas do Jornalismo são extremamente ingratas, porém obrigatórias. Ao escrever um texto sobre determinada banda, a classificação do estilo é tarefa essencial. Pode ser desagradável, mas, para o leitor que não conhece a banda, pode ser o caminho das pedras. No caso da banda The Honkers, a situação se complicou ainda mais. O primeiro material em estúdio do grupo, o EP "Between The Devil and The Deep Blue Sea", tem surf music, rockabilly, ska, punk e power pop, apenas para ficar nas referências mais claras. O que fazer para resumir esta salada de estilos em uma só denominação? Diversão é a solução. Por que se prender a um único estilo se existe a possibilidade de adotar vários, sem perder a qualidade? Ouvindo o EP (lançado pela Frangote Records), pela primeira vez, fiquei confuso com os diferentes estilos das cinco canções próprias do The Honkers, ainda mais quando uma única canção mistura estilos, caso de "Where Do I Go" e "Pretty Punk Girl". Achei que essa heterogeneidade atrapalhava o conjunto da obra. Com o tempo, percebi que a linha que une as canções é a diversão. Cada uma das faixas traz um tema que preza pela alegria em se fazer rock. O Honkers mostra esta satisfação nas alucinantes performances em palco. Se no EP a diversão já é latejante, no palco ela transborda. Destaque para o ótimo rockabilly "Something's Wrong With My Girl" e para o envolvente ska "Where Do I Go". É boa musica reunida em um dos projetos gráficos mais geniais da discografia nacional. O disco do Honkers vem em uma daquelas embalagens de papelão que você não vê desde os tempos do LP. A mídia é preta, homenageando o velho vinil, devidamente protegida pelo clássico plástico. A capa completa o pacote com uma sensual ilustração. O Honkers é moderno na aglutinação de estilos, mas faz um som nostálgico. Nada de misturebas eletrônicas ou regionais, mas sim uma louca e descontinua homenagem às diversas facetas do rock and roll. Ouça o disco e vá ao show. Afinal, o que importa mesmo é a diversão.
Confira a entrevista concedida por Rodrigo Chagas (vocal), Felipe Brust (guitarra) e Dimmy Drummer (bateria) ao iBahia.com:
http://ibahia.globo.com/revistacultural/noticia/default.asp?codigo=73011
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por LEONARDO MAIA - 12:05 PM
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